terça-feira, 3 de novembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Política

PL quer enquadramento de criminosos como terroristas e reforço da PF

por Gabriel Monteiro
12/11/2025 às 09h00
em Política
Pl Quer Enquadramento De Criminosos Como Terroristas E Reforço Da Pf - Gazeta Mercantil - Política

deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)

PL quer enquadramento de criminosos como terroristas e promete manter projeto antiterrorismo próprio

O Partido Liberal (PL) decidiu manter sua posição firme na pauta da segurança pública e não abrirá mão do projeto que prevê o enquadramento de criminosos armados e organizados como terroristas. A decisão foi reafirmada pelo líder da legenda na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), durante a coletiva do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do relator do Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, deputado Guilherme Derrite (PP-SP).

O posicionamento do PL amplia o debate em torno do PL Antifacção, em tramitação no Congresso Nacional, e cria uma nova frente de pressão política sobre o governo federal, que busca aprovar um texto voltado ao aumento das penas e à criação de novos tipos penais relacionados às facções criminosas. Para o partido, a proposta do Executivo é considerada “limitada” e insuficiente para enfrentar o problema estrutural da criminalidade no país.

Leia também: Dois são presos por suspeita de incêndios criminosos em São Paulo.

Enquadramento de criminosos como terroristas: a base do projeto do PL

O PL quer enquadramento de criminosos como terroristas como medida central de seu projeto. A proposta, segundo Sóstenes Cavalcante, amplia as possibilidades de cooperação internacional e de uso de inteligência, ao permitir que facções organizadas e fortemente armadas sejam tratadas com o mesmo rigor jurídico aplicado a atos de terrorismo.

Na avaliação do partido, a Lei Antiterrorismo (Lei nº 13.260/2016), embora já estabeleça parâmetros legais para punir ações violentas com motivação política ou ideológica, não contempla a complexidade das organizações criminosas que atuam em rede, especialmente aquelas com conexões transnacionais.

Ao equiparar esses grupos ao terrorismo, o PL pretende abrir caminho para mecanismos de bloqueio de recursos financeiros, cooperação policial internacional, uso ampliado de inteligência de Estado e maior coordenação entre as forças de segurança.

Divergência com o texto do governo

O principal ponto de divergência entre o projeto do PL e o texto em discussão no governo é a forma de enquadrar juridicamente os crimes praticados por facções. Enquanto o Executivo defende um modelo que endurece penas, mas mantém a separação entre crime organizado e terrorismo, o PL quer enquadramento de criminosos como terroristas, defendendo que a distinção já não reflete a realidade da segurança pública.

Para o partido, a ausência de um enquadramento mais rigoroso reduz a efetividade das operações policiais e limita o alcance das medidas de combate às facções que atuam dentro e fora dos presídios. O argumento é que o atual modelo jurídico enfraquece a atuação coordenada entre a Polícia Federal (PF) e as forças estaduais.

O deputado Sóstenes Cavalcante adiantou que o PL apoiará qualquer iniciativa que aumente penas e fortaleça a estrutura repressiva do Estado, mas destacou que a equiparação ao terrorismo é considerada inegociável.

PL quer preservar o papel da Polícia Federal

Um dos pontos centrais da proposta liberal é a preservação da competência da Polícia Federal no combate às facções criminosas e no enfrentamento das organizações com atuação interestadual ou internacional. O partido rejeita qualquer tentativa de restringir o papel da PF, considerada essencial para a articulação de investigações complexas e operações de caráter estratégico.

Nesse sentido, o PL quer enquadramento de criminosos como terroristas não apenas como medida simbólica, mas como ferramenta prática para fortalecer o sistema de segurança nacional e o papel de comando da PF em operações integradas.

Estratégia política e disputa de narrativa

O posicionamento do PL ocorre em um contexto de intensa disputa política em torno do tema da segurança pública. O partido, que abriga grande parte da base de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, busca se consolidar como a principal voz conservadora no debate sobre criminalidade e endurecimento penal.

Ao insistir que criminosos armados e organizados sejam enquadrados como terroristas, o PL também se distancia do discurso do governo, reforçando uma linha de atuação que associa segurança pública à defesa da ordem e da soberania.

A estratégia é politicamente clara: enquanto o governo tenta construir um consenso em torno de uma legislação de caráter mais técnico e institucional, o PL aposta em uma narrativa de enfrentamento direto, buscando o apoio popular de segmentos que defendem maior rigor penal.

O papel do relator Guilherme Derrite e as negociações com o governo

O relator Guilherme Derrite, que também é secretário de Segurança Pública licenciado de São Paulo, vem tentando conciliar as diferentes visões no Congresso. A tendência é que o texto final do Marco Legal do Combate ao Crime Organizado mantenha a estrutura de endurecimento penal sem alterar a Lei Antiterrorismo.

Mesmo assim, o PL já sinalizou que apresentará um projeto paralelo caso o relatório final de Derrite não contemple o enquadramento como terrorismo. O partido avalia que a inclusão da tipificação é essencial para viabilizar cooperação internacional e bloqueio de ativos de facções, instrumentos atualmente restritos aos casos de terrorismo.

Impactos jurídicos e operacionais do enquadramento

Caso o projeto do PL avance, o enquadramento de facções criminosas como terroristas teria impactos profundos no ordenamento jurídico e operacional brasileiro. A mudança ampliaria o alcance da Lei Antiterrorismo, permitindo que crimes cometidos por organizações como o PCC e o Comando Vermelho fossem tratados sob regime penal mais severo.

Além disso, o enquadramento abriria espaço para sanções financeiras internacionais, congelamento de bens, cooperação entre agências de inteligência e acesso a ferramentas de rastreamento global de recursos ilícitos. Na prática, o Brasil passaria a adotar padrões semelhantes aos dos Estados Unidos e da União Europeia no combate a grupos de alta periculosidade.

Críticas e resistências

A proposta enfrenta resistência de setores do governo e de especialistas em direito penal, que argumentam que a Lei Antiterrorismo foi criada para tratar de ameaças políticas e ideológicas, e não de crimes comuns. Há preocupação de que o uso do termo “terrorismo” em contexto criminal possa gerar insegurança jurídica e ampliar o poder punitivo do Estado de forma desproporcional.

Por outro lado, aliados do PL defendem que o conceito de terrorismo deve evoluir para refletir a nova realidade da criminalidade organizada, marcada pelo uso de armas de guerra, financiamento internacional e domínio territorial.

O que esperar dos próximos passos

A definição sobre o destino da proposta deve ocorrer após a publicação do relatório final de Guilherme Derrite. Até lá, o PL pretende intensificar articulações políticas e apresentar estudos técnicos que reforcem a viabilidade jurídica do enquadramento.

Enquanto isso, o governo busca construir uma base de apoio em torno de um texto alternativo, que aumente penas, fortaleça investigações e amplie a integração entre os órgãos de segurança sem modificar o marco antiterrorismo vigente.

Nos bastidores, há expectativa de que parte da bancada da Frente Parlamentar da Segurança Pública se alinhe ao PL, o que pode elevar a pressão sobre o relator e sobre o Executivo.

A insistência do PL em manter o enquadramento de criminosos como terroristas recoloca o tema da segurança pública no centro do debate político nacional. A proposta amplia o campo de disputa entre governo e oposição, ao mesmo tempo em que evidencia uma demanda crescente por políticas mais duras no combate às facções.

Independentemente do desfecho das negociações, o projeto reforça o protagonismo do PL nesse debate e consolida a legenda como uma das principais defensoras do endurecimento penal e da atuação ampliada da Polícia Federal.

O embate legislativo promete se intensificar nas próximas semanas, com o Congresso dividido entre duas visões: uma voltada ao reforço do aparato de segurança tradicional e outra comprometida com a reformulação completa do conceito de terrorismo no país.

Leia também

  • Operação Galho Fraco mira Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy por desvio de cotas

LEIA MAIS

Alcolumbre Marca Votação Da Pec Da Segurança Para Terça (3) E Maioridade Penal Divide Senado - Gazeta Mercantil - Política
Política

Alcolumbre marca votação da PEC da Segurança para terça (3) e maioridade penal divide Senado

Alcolumbre marca votação da PEC da Segurança Pública para terça (3). Proposta enfrenta impasse sobre redução da maioridade penal no Senado.

Leia MaisDetails
Willer Tomaz E Flavio Bolsonaro - Gazeta Mercantil
Política

Disputa entre Richarlison e Willer Tomaz em Angra expõe debate sobre terrenos de marinha

Disputa entre Richarlison e Willer Tomaz em Angra dos Reis expõe regras sobre terrenos de marinha e propostas de Flávio Bolsonaro no Senado.

Leia MaisDetails
Rafael Fonteles, Cogitado Para O Ministério Da Fazenda - Gazeta Mercantil
Política

Rafael Fonteles: governador do Piauí é cotado para ser ministro da Fazenda de Lula

Conheça Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí com 70,90% dos votos e cotado para ministro da Fazenda de Lula. Veja trajetória, gestão e propostas.

Leia MaisDetails
Flavio Bolsonaro Em Live Nos Eua - Gazeta Mercantil
Política

Flávio Bolsonaro fala em disputar nova eleição antes de 2030, mas não explica como seria possível

Flávio Bolsonaro afirma que pode disputar nova eleição presidencial antes de 2030, mas não explica como isso ocorreria. Entenda o que prevê a Constituição.

Leia MaisDetails
Ibaneis E Vorcaro - Gazeta Mercantil
Política

Gabriel Magno pede prisão de Ibaneis e aponta ligação com Vorcaro no caso BRB

Gabriel Magno pede prisão preventiva de Ibaneis Rocha e apuração sobre sua relação com Vorcaro no caso BRB e Banco Master. Ex-governador nega interferência.

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

01:53:59
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Admin Ajax 2025 12 11T094346.625 (1)
Economia

Nota fiscal do Simples Nacional mudou: veja 4 passos para emitir NFS-e no novo sistema

Leia MaisDetails
Telemarketing - Gazeta Mercantil
Economia

SAC terá atendimento humano obrigatório a partir de hoje; veja as novas regras

Leia MaisDetails
Bitcoin (Btc) E Criptomoedas (Imagem: Canva Pro)
Criptomoedas

Binance registra saída de US$ 4,72 bilhões após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Leia MaisDetails
Embraer (Embj3) Salta Quase 8% E Lidera Ibovespa Com Expectativa De Novos Contratos-Gazeta Mercantil
Empresas

Embraer (EMBJ3) fecha acordo para até seis aviões KC-390 à Grécia; contrato inicial soma € 590 milhões

Leia MaisDetails
Ouro Hoje - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Nota fiscal do Simples Nacional mudou: veja 4 passos para emitir NFS-e no novo sistema

SAC terá atendimento humano obrigatório a partir de hoje; veja as novas regras

Binance registra saída de US$ 4,72 bilhões após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Embraer (EMBJ3) fecha acordo para até seis aviões KC-390 à Grécia; contrato inicial soma € 590 milhões

Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60

Hackers atacam supermercados na Europa e elevam temperatura de freezers a 50°C

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Últimas notícias da Gazeta Mercantil