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PMLL11 firma nova compra de 10% do Jardim Sul por R$ 67 milhões e amplia aposta em shoppings

Operação é independente da negociação anterior por 19% do empreendimento; se ambas forem concluídas, fundo poderá alcançar exposição equivalente a 29% do shopping paulistano

por Daniel Wicker
07/08/2026 às 14h44
em Fundos Imobiliários
Fundo Imobiliario Shopping - Gazeta Mercantil

O Pátria Malls Fundo de Investimento Imobiliário (PMLL11) firmou um novo instrumento para adquirir uma participação de 10% no Shopping Jardim Sul, em São Paulo, por R$ 67 milhões, ampliando a estratégia de concentração do portfólio em shopping centers consolidados e com indicadores operacionais acima da média de sua carteira. A transação foi comunicada ao mercado em fato relevante de 4 de agosto de 2026.

A operação corresponde a aproximadamente 2.875 metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL) do empreendimento e é independente da negociação anunciada pelo fundo em 31 de março, quando o PMLL11 firmou intenção de compra de outros 19% do mesmo shopping por R$ 128 milhões. O novo documento afirma expressamente que o fechamento dos 10% adicionais não está condicionado à primeira transação.

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Caso as duas aquisições sejam concluídas nos termos anunciados, o PMLL11 poderá atingir uma participação equivalente a 29% do Shopping Jardim Sul, com desembolso contratado de até R$ 195 milhões pelas duas operações. A concretização depende, porém, das condições precedentes previstas em cada contrato, de forma que a participação potencial ainda não deve ser tratada como propriedade efetivamente incorporada ao fundo.

O movimento ocorre em um período de intensa expansão do PMLL11 no segmento de shopping centers. Em junho, o fundo concluiu aquisições que elevaram sua carteira para 18 empreendimentos e seu patrimônio líquido para R$ 2,096 bilhões. Paralelamente, mantém em andamento sua sétima emissão de cotas, estruturada para captar até R$ 1 bilhão e financiar novas aquisições.

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Shopping Jardim Sul entra no centro da estratégia do PMLL11

O Shopping Jardim Sul foi inaugurado em 1990 e está localizado na zona sul da capital paulista. Segundo o material oficial apresentado pelo Pátria, o empreendimento possui aproximadamente 28,7 mil metros quadrados de ABL, 171 lojas e foco predominantemente nos consumidores das classes A e B.

A taxa de ocupação estava em 96,8% em maio de 2026. O shopping registrava vendas médias de R$ 2.146 por metro quadrado ao mês e resultado operacional líquido, ou NOI, de R$ 152,40 por metro quadrado mensais, considerando os 12 meses encerrados em maio.

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Os indicadores superam os critérios mínimos estabelecidos pela gestora para sua estratégia de aquisição de participações minoritárias em shopping centers. O Pátria procura ativos com ABL superior a 20 mil metros quadrados, ocupação de pelo menos 90%, vendas médias a partir de R$ 1.200 por metro quadrado e NOI mínimo de R$ 100 por metro quadrado ao mês.

A maturidade do empreendimento também entra nessa avaliação. A política apresentada pela gestão prioriza shoppings com pelo menos seis anos de operação, capazes de demonstrar histórico de ocupação, consumo e geração de resultado.

Nesse modelo, a aquisição de frações minoritárias permite ao fundo aumentar a quantidade e a qualidade dos ativos sem precisar comprar integralmente os empreendimentos. A estratégia também distribui o capital entre diferentes cidades, administradores e perfis de consumidores.

Estrutura reduz desembolso inicial do fundo

Dos R$ 67 milhões previstos para a nova aquisição, metade será paga em dinheiro. O desembolso em moeda corrente nacional totalizará R$ 33,5 milhões e será dividido em três etapas.

Na data de fechamento, o PMLL11 deverá pagar R$ 6,7 milhões. Outras duas parcelas de R$ 13,4 milhões serão quitadas após 12 e 18 meses, ambas corrigidas pelo IPCA.

Os R$ 33,5 milhões restantes poderão ser liquidados na data de fechamento por meio de compensação com créditos decorrentes da obrigação do vendedor de integralizar novas cotas emitidas pelo próprio fundo. A estrutura está vinculada aos documentos da oferta de cotas do PMLL11.

Esse mecanismo diminui a necessidade de caixa imediato para concluir a compra. Em vez de desembolsar os R$ 67 milhões integralmente na assinatura definitiva, o fundo utiliza uma combinação de recursos financeiros, pagamento diferido e novas cotas.

A sétima emissão foi aprovada em maio com um montante inicial de até R$ 1 bilhão. O preço de emissão foi fixado em R$ 117,23 por cota, com preço de subscrição de R$ 117,28 após a inclusão dos custos da oferta. Os recursos captados são destinados à aquisição de ativos compatíveis com a política do fundo.

Yield projetado chega a 11,6% nos primeiros dois anos

O Pátria calcula que a aquisição dos 10% do Shopping Jardim Sul poderá produzir yield médio de 11,6% ao ano durante os primeiros dois anos após a conclusão.

Na estimativa da gestora, o retorno deverá convergir posteriormente para aproximadamente 9,1% ao ano em uma situação considerada estabilizada. Os percentuais são projeções e não representam rendimento garantido aos cotistas.

Parte do yield mais elevado nos primeiros anos decorre da própria estrutura financeira da aquisição. O fundo passa a ter direito econômico sobre a participação adquirida enquanto parcela do preço permanece diferida, reduzindo inicialmente a quantidade de capital efetivamente desembolsada.

A estratégia é semelhante à utilizada na operação anunciada em março para a compra de 19% do mesmo Shopping Jardim Sul. Naquela transação, avaliada em R$ 128 milhões, a gestora também projetou yield de 11,6% ao ano nos dois primeiros anos e aproximadamente 9,1% na estabilidade.

Apesar da coincidência dos retornos projetados e da estrutura de pagamento, o Pátria afirma que as duas negociações são independentes. O fato relevante de agosto registra explicitamente que a nova aquisição não está vinculada à transação anunciada em 31 de março.

Duas operações podem levar participação potencial a 29%

Na primeira negociação, o PMLL11 firmou acordo para adquirir 19% do Jardim Sul por R$ 128 milhões. O vendedor dessa participação é o Hedge Brasil Shopping Fundo de Investimento Imobiliário (HGBS11).

A operação foi estruturada a um cap rate de 7,7%, com base no NOI dos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026. Para o HGBS11, o preço ficou 16,9% acima do último laudo de avaliação utilizado pelo fundo e poderia gerar ganho de capital não recorrente estimado em R$ 0,12 por cota.

A negociação também passou pelo direito de preferência dos demais coproprietários. Em abril, o Canuma Capital Renda Varejo (CCVA11) informou que decidiu não exercer nem o direito de preferência nem o direito de venda conjunta relacionado à operação.

A nova aquisição de 10%, anunciada em agosto, adiciona outra possível etapa à consolidação da presença do Pátria no empreendimento. Como o documento não condiciona uma operação à outra, o cenário máximo anunciado até agora seria de 29% do Jardim Sul sob exposição do PMLL11 caso ambas sejam efetivamente fechadas.

A construção dessa posição mostra como participações fracionadas em grandes shopping centers ganharam relevância na estratégia dos FIIs. Em vez de transações envolvendo a propriedade integral dos empreendimentos, diferentes fundos, operadores e investidores institucionais passam a dividir ativos de maior qualidade e liquidez.

PMLL11 amplia exposição a ativos paulistas

O avanço no Jardim Sul faz parte de uma mudança mais ampla no portfólio do Pátria Malls.

Em junho, o PMLL11 concluiu a aquisição da totalidade das cotas do RBR Malls por aproximadamente R$ 384,9 milhões. Com isso, passou a deter indiretamente 4,32% do Shopping Eldorado, 10% do Plaza Sul Shopping e 7% do Shopping Pátio Higienópolis.

O fundo também adquiriu 13,3% do Shopping Curitiba. Essas operações elevaram o número de ativos da carteira para 18 e aumentaram o patrimônio líquido para aproximadamente R$ 2,1 bilhões no encerramento de junho.

A taxa de ocupação do portfólio estava em 96,3%. As vendas por metro quadrado cresceram 8% em maio na comparação anual, enquanto o NOI por metro quadrado avançou 7%. O fundo distribuiu R$ 1 por cota e a gestão manteve a projeção desse patamar para o segundo semestre.

A alavancagem encerrou junho em 8,1%, abaixo dos 10,4% registrados no mês anterior. O fundo tinha aproximadamente 135,7 mil cotistas e patrimônio líquido de R$ 2,096 bilhões.

Mercado de shoppings movimenta R$ 200,9 bilhões

As aquisições acontecem em um setor que voltou a apresentar escala elevada de vendas e fluxo de consumidores.

Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers, o Brasil encerrou 2025 com 658 shopping centers, 18,3 milhões de metros quadrados de ABL e faturamento anual de R$ 200,9 bilhões. Os empreendimentos recebem aproximadamente 471 milhões de visitantes por mês.

O setor reúne quase 125 mil lojas e gera mais de 1 milhão de empregos diretos. A Abrasce projetava ainda 11 novas inaugurações para 2026.

A dimensão desse mercado ajuda a explicar o interesse crescente dos grandes fundos imobiliários por participações em centros comerciais consolidados. Shoppings maduros combinam receitas de aluguel mínimo, percentual sobre vendas, estacionamento, mídia e outras fontes acessórias, embora continuem expostos ao consumo das famílias, juros, inflação e desempenho dos lojistas.

Para os FIIs, a disputa não ocorre apenas pela quantidade de ABL. A qualidade da localização, taxa de ocupação, vendas por metro quadrado e capacidade de gerar NOI se tornaram determinantes para decidir quais ativos permanecem ou entram nas carteiras.

Conclusão das compras ainda depende de condições contratuais

A nova transação do PMLL11 ainda não representa uma aquisição concluída. O fechamento depende do cumprimento de condições precedentes usuais e da assinatura e execução dos documentos definitivos.

O mesmo cuidado se aplica à operação de 19% anunciada em março. Apesar de as negociações formarem uma estratégia coerente de ampliação da exposição ao Jardim Sul, cada uma possui seus próprios requisitos para conclusão.

A próxima etapa formal será a comunicação ao mercado quando essas condições forem satisfeitas e a transferência das participações puder ser efetivada. O Pátria também informou que novos detalhes da operação de 10% serão apresentados no relatório gerencial seguinte.

Se ambas as transações forem concluídas, o Shopping Jardim Sul passará a ocupar uma posição significativamente maior dentro da estratégia de expansão do PMLL11 em São Paulo, em um mercado no qual fundos imobiliários vêm usando emissões de cotas, pagamentos parcelados e trocas de participações para aumentar a exposição a ativos consolidados.


FONTES:

  1. B3 / Patria Malls — Fato Relevante de 4 de agosto de 2026 — intenção de aquisição de 10% do Shopping Jardim Sul por R$ 67 milhões.
  2. B3 / Patria Malls — Fato Relevante de 31 de março de 2026 — intenção de aquisição de 19% do Shopping Jardim Sul por R$ 128 milhões.
  3. Patria Malls — Relatório Gerencial referente a junho de 2026 — patrimônio, carteira, vendas, NOI e ocupação.
  4. B3 / Patria Malls — Documentos da 7ª emissão de cotas do PMLL11, aprovada em maio de 2026.
  5. Abrasce — Dados consolidados do mercado brasileiro de shopping centers referentes a 2025 e projeções para 2026.

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