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PRIO (PRIO3) volta a ser compra do Itaú BBA; preço-alvo vai a R$ 73

Banco volta a recomendar compra de PRIO3 após correção das ações e projeta forte geração de caixa com expansão de Peregrino e avanço da produção.

por Camila Braga
10/08/2026 às 14h07
em Ibovespa
Prio3 - Gazeta Mercantil

O Itaú BBA voltou a recomendar a compra das ações da PRIO (PRIO3) e estabeleceu preço-alvo de R$ 73 por papel para o fim de 2027, após avaliar que a recente correção das ações melhorou a relação entre risco e retorno da petroleira.

A mudança representa uma reversão importante na avaliação do banco. Em abril, o Itaú BBA havia reduzido a recomendação de PRIO3 para neutra, apesar de manter uma visão positiva sobre a capacidade operacional da companhia. Agora, a instituição considera que o preço das ações voltou a oferecer uma margem de valorização suficientemente atrativa.

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Considerando o preço utilizado como referência pelo banco, o novo alvo representa potencial de valorização de aproximadamente 27%. Esse percentual, contudo, varia ao longo do pregão conforme a cotação de PRIO3 se movimenta na B3.

A tese do Itaú BBA está apoiada principalmente na expansão da produção, no avanço do campo de Peregrino, na geração futura de caixa e na capacidade da PRIO de entregar retorno aos acionistas mesmo em cenários mais conservadores para o petróleo.

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Nesta segunda-feira (10), as ações reagiram positivamente à revisão e chegaram a avançar mais de 4% durante o pregão.

PRIO3 embute petróleo perto de US$ 61, calcula Itaú BBA

Um dos principais argumentos utilizados pelo banco está na relação entre a cotação da companhia e o preço do petróleo.

Segundo os cálculos do Itaú BBA, o valor atual de PRIO3 embute aproximadamente um petróleo Brent de US$ 61 por barril.

A leitura é relevante porque significa que, caso o Brent permaneça em patamares superiores a essa referência, a companhia poderia gerar resultados e fluxos de caixa mais elevados do que aqueles implicitamente refletidos no preço das ações.

O banco reduziu sua premissa de longo prazo para o Brent de US$ 70 para US$ 65 por barril a partir de 2028, mas mantém projeções superiores para os próximos dois anos.

A estimativa é de petróleo a US$ 80 por barril no fim de 2026 e US$ 75 no fim de 2027.

Mesmo com uma visão mais conservadora para o preço estrutural da commodity, o Itaú BBA entende que a PRIO oferece uma combinação atrativa entre crescimento operacional e geração de caixa.

Produção da PRIO pode superar 200 mil barris por dia

A expansão da produção é uma das partes centrais da nova recomendação.

O Itaú BBA estima que a produção total da PRIO, que ficou em aproximadamente 106,4 mil barris por dia em 2025, alcance 177,6 mil barris diários em 2026.

Para 2027, a projeção sobe para 214,2 mil barris por dia.

Grande parte do avanço esperado está relacionada ao campo de Peregrino.

Segundo as estimativas do banco, a contribuição do ativo para a PRIO pode passar de 37,1 mil barris por dia em 2025 para 79,8 mil barris diários em 2026 e chegar a 102,3 mil barris por dia em 2027.

O crescimento aumenta a capacidade da companhia de diluir custos fixos e amplia a geração potencial de caixa, desde que os preços internacionais do petróleo permaneçam em níveis compatíveis com as premissas utilizadas.

PRIO apresentou lucro de US$ 413 milhões no 2T26

A revisão do Itaú BBA ocorre poucos dias depois da divulgação de um trimestre de forte crescimento operacional da companhia.

A PRIO encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 413,3 milhões, crescimento de 169% na comparação com o mesmo período de 2025.

A receita líquida ficou próxima de US$ 1,2 bilhão, enquanto o Ebitda ajustado alcançou aproximadamente US$ 879 milhões.

A produção média da companhia chegou a cerca de 172 mil barris de óleo equivalente por dia no trimestre, refletindo principalmente a incorporação de Peregrino e o avanço de Wahoo.

Outro indicador relevante foi o custo de extração.

O chamado lifting cost caiu para US$ 8,90 por barril, ante US$ 13,80 no mesmo trimestre do ano anterior.

Quanto menor esse custo, maior tende a ser a capacidade da petroleira de preservar margens mesmo quando o petróleo internacional sofre queda.

Wahoo já chegou a 40 mil barris por dia

O campo de Wahoo também aparece como uma peça importante na transformação operacional da PRIO.

Durante o segundo trimestre, a produção do ativo avançou de aproximadamente 20 mil barris por dia no início do período para cerca de 40 mil barris diários no fim de junho.

Os quatro poços produtores previstos no projeto foram conectados ao FPSO de Frade.

Para a PRIO, Wahoo tem importância adicional porque foi o primeiro projeto de desenvolvimento executado integralmente pela própria companhia.

A entrada do campo contribuiu não apenas para elevar a produção, mas também para diluir custos do chamado cluster de Frade e Wahoo.

Itaú BBA vê forte geração de caixa em 2027

O crescimento operacional se reflete diretamente nas projeções financeiras do banco.

O Itaú BBA estima para a PRIO um FCFE yield de 15,5% em 2026, indicador que mede o fluxo de caixa livre disponível para os acionistas em relação ao valor de mercado da empresa.

Para 2027, a estimativa sobe para 32,9%.

O número chama atenção porque representa uma geração de caixa potencialmente elevada em relação ao valor das ações.

Isso não significa que todo esse montante necessariamente será distribuído aos investidores. A companhia pode utilizar recursos para reduzir endividamento, realizar novos investimentos, recomprar ações, pagar dividendos ou combinar essas alternativas.

A capacidade de transformar a geração de caixa em remuneração efetiva ao acionista será, portanto, uma das variáveis acompanhadas pelo mercado.

Dividendos da PRIO podem superar 20%

O Itaú BBA também traçou cenários para a eventual remuneração aos acionistas em 2027.

Em um cenário de Brent a US$ 60 por barril, o banco calcula que a PRIO poderia alcançar um retorno via dividendos equivalente a aproximadamente 21%.

Com o petróleo a US$ 70 por barril, esse percentual poderia chegar a 25%.

As projeções consideram uma relação entre dívida líquida e Ebitda situada entre aproximadamente 0,8 e 1 vez.

Os números são estimativas, e não constituem dividendos já anunciados pela companhia.

A distribuição efetiva dependerá da geração de caixa, dos investimentos, do endividamento, do preço do petróleo, de eventuais aquisições e das decisões futuras da administração.

Desalavancagem passa a ser peça importante da tese

A PRIO terminou o segundo trimestre com dívida líquida próxima de US$ 4,05 bilhões, redução de aproximadamente US$ 326 milhões em relação ao trimestre anterior.

A queda ocorreu mesmo com investimentos elevados e recompra de ações no período.

O capex ficou em aproximadamente US$ 285 milhões no trimestre, refletindo projetos como Wahoo, intervenções em Peregrino, desenvolvimento de Arapuçá e atividades de perfuração em Frade.

A companhia também destinou recursos à recompra de ações.

Para os investidores, o ritmo de redução do endividamento será particularmente importante porque uma estrutura de capital mais leve aumenta a quantidade de recursos que pode futuramente ser destinada aos acionistas.

Petróleo continua sendo o principal risco para PRIO3

Apesar da melhora da recomendação, PRIO3 continua sendo uma ação altamente exposta aos movimentos do mercado internacional de petróleo.

A receita da companhia é diretamente influenciada pelo Brent.

Uma queda prolongada da commodity reduz faturamento, geração de caixa e valor econômico dos campos, enquanto preços mais elevados produzem o efeito contrário.

O Itaú BBA avalia que os fundamentos globais apontam para um mercado relativamente bem abastecido no médio e longo prazo, motivo pelo qual reduziu a premissa estrutural do Brent para US$ 65 por barril.

Ao mesmo tempo, conflitos geopolíticos seguem capazes de provocar movimentos expressivos no curto prazo.

Nesta segunda-feira, o petróleo voltou a subir diante das incertezas relacionadas ao Estreito de Ormuz e às negociações envolvendo Estados Unidos e Irã.

Petrobras continua sendo a preferida do Itaú BBA

Mesmo elevando a recomendação de PRIO3, o Itaú BBA mantém a Petrobras (PETR4) como sua principal escolha dentro do setor brasileiro de petróleo e gás.

O banco reiterou recomendação de compra para PETR4 e estabeleceu preço-alvo de R$ 63 para dezembro de 2027.

A avaliação considera que as margens internacionais de refino podem funcionar como uma proteção parcial para a Petrobras caso o preço do petróleo recue.

O banco também projeta forte geração de resultados pela estatal, além de capacidade relevante de pagamento de dividendos.

Na PetroReconcavo (RECV3), a visão é mais cautelosa.

O Itaú BBA manteve recomendação neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 16 para R$ 12 por ação, agora com horizonte em dezembro de 2027.

A projeção de produção para 2026 também foi revisada para aproximadamente 24,2 mil barris de óleo equivalente por dia.

Para Brava Energia (BRAV3), o banco permanece sem recomendação e sem preço-alvo por restrição.

O que pode fazer PRIO3 chegar a R$ 73

A trajetória até o preço-alvo projetado pelo Itaú BBA depende de uma combinação de fatores.

O primeiro é a continuidade da expansão da produção, especialmente em Peregrino e Wahoo.

O segundo é a redução gradual da alavancagem depois do ciclo de aquisições e investimentos realizados pela companhia.

O terceiro será a capacidade de converter a geração operacional em fluxo de caixa disponível para os acionistas.

Por fim, permanece uma variável que a administração da PRIO não controla: o preço internacional do petróleo.

A nova recomendação do Itaú BBA parte justamente da avaliação de que o preço atual das ações oferece margem suficiente para absorver cenários mais conservadores da commodity e, ao mesmo tempo, participar de uma valorização relevante caso a produção e a geração de caixa avancem conforme esperado.

A mudança de neutra para compra, portanto, não representa apenas uma revisão do preço-alvo. Ela indica que, depois da correção recente de PRIO3, o banco voltou a enxergar uma assimetria favorável entre os riscos da companhia e o retorno potencial para o investidor.

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