sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
Home Política

Câmara aprova redução de penas para Bolsonaro e réus do 8 de janeiro

Mudança altera cálculo das condenações, reduz tempo de prisão e pode impactar diretamente centenas de réus

por Carlos Menezes - Repórter de Política
10/12/2025
em Destaque, News, Política
Mudança Altera Cálculo Das Condenações, Reduz Tempo De Prisão E Pode Impactar Diretamente Centenas De Réus - Gazeta Mercantil

Câmara aprova redução de penas para Bolsonaro e condenados pelo 8 de janeiro; projeto segue para o Senado

A Câmara dos Deputados aprovou um dos textos legislativos mais sensíveis desde os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023: o projeto que permite a redução de penas para Bolsonaro e para todos os condenados envolvidos na tentativa de golpe de Estado e na tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito. Com 291 votos favoráveis e 148 contrários, a proposta segue agora para análise do Senado, onde pode ser votada ainda este mês.

O projeto altera regras de cálculo das condenações aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal e reduz significativamente o tempo de pena em casos nos quais diferentes crimes tenham sido cometidos dentro do mesmo contexto. Na prática, considera-se apenas a pena mais grave, em vez da soma dos crimes, o que produz um impacto profundo na duração total das sentenças.

A aprovação do texto marca um novo capítulo na disputa jurídica e política em torno dos eventos de 8 de janeiro, reacendendo debates sobre responsabilização penal, retroatividade benéfica e efeitos futuros sobre processos penais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.


Como funciona a redução de penas aprovada pela Câmara

O projeto aprovado altera o regime de soma de penas aplicável aos crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e à tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Atualmente, a prática jurídica prevê a soma das penas quando delitos diferentes são cometidos no mesmo contexto. A nova legislação, porém, determina que o cálculo considere apenas a punição mais grave.

Isso significa que, em vez de cumprir penas que chegam a 24 anos de prisão, réus condenados pelos atos de 8 de janeiro passariam a cumprir apenas o limite previsto pelo crime mais grave, que varia entre 4 e 12 anos.

Essa alteração tem grande potencial de impacto, pois, segundo o texto aprovado, a lei retroage para beneficiar réus, como determina a Constituição. Assim, todos os condenados, inclusive o ex-presidente, podem ter sua pena recalculada.


O impacto direto para Bolsonaro e para a execução penal dos condenados

Parlamentares alinhados à oposição afirmam que a redução de penas para Bolsonaro pode levar sua condenação atual a cair de 7 anos e 8 meses para cerca de 2 anos e 4 meses em regime fechado, considerando a nova forma de cálculo e a aplicação de atenuantes previstas na legislação penal.

Esse cenário, no entanto, dependerá de decisão posterior do Supremo Tribunal Federal, responsável pela execução penal do ex-presidente. Além do recálculo da pena, o STF deverá decidir se estudos e trabalhos realizados em regime domiciliar poderão ser utilizados para abater dias de prisão, mecanismo previsto na legislação de execução penal.

A medida também pode modificar a realidade processual de centenas de pessoas condenadas por participação direta ou indireta nos ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília.


O que mudou na progressão de regime e por que isso favorece os réus

Outra alteração significativa introduzida pelo texto envolve a progressão de regime. Hoje, para crimes cometidos com violência ou grave ameaça — classificação utilizada nos crimes de tentativa de golpe e tentativa de abolição do Estado Democrático — o réu primário precisa cumprir 25% da pena antes de migrar do regime fechado para o semiaberto.

O relator do projeto, deputado Paulinho da Força, propôs a modificação da Lei de Execução Penal para permitir que a progressão ocorra com apenas 16% do cumprimento da pena, mesmo em crimes classificados como violentos.

Para reincidentes, a exigência cai de 30% para 20%, tornando mais rápido o acesso ao semiaberto.

Essas mudanças, combinadas com a aplicação de apenas uma pena máxima em vez da soma das condenações, resultam em reduções substanciais do tempo real de encarceramento.


Redução de penas por participação em multidão: outro benefício relevante

O texto aprovado inclui ainda uma redução adicional para réus que participaram dos atos de 8 de janeiro sem exercer liderança ou financiar o movimento. Para esses casos, quando há tentativa de golpe ou tentativa de abolição do Estado Democrático cometida em contexto de multidão, a pena pode ser reduzida de um terço a dois terços.

A medida busca diferenciar o tratamento penal entre organizadores, financiadores e participantes de menor influência. Essa diferenciação já é discutida no âmbito jurídico, mas o projeto cristaliza tal entendimento no texto legal.

A nova regra cria uma gradação que deve alterar significativamente a pena final aplicada a centenas de pessoas condenadas em processos individuais conduzidos pelo STF.


O debate político por trás da votação

Embora o projeto tenha sido aprovado com ampla maioria, o debate em Plenário foi marcado por divergências ideológicas. Setores governistas e independentes defenderam a medida como forma de corrigir supostos excessos na soma das penas aplicadas pelo Supremo. Já grupos mais alinhados à esquerda enxergam a proposta como tentativa de reduzir a responsabilidade penal dos envolvidos em ataques que colocaram em risco a estabilidade institucional da República.

O ponto mais sensível da discussão foi a retirada do artigo que previa anistia completa aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Esse trecho constava na versão inicial do projeto, mas foi excluído após intensas negociações. A retirada desse dispositivo foi crucial para garantir apoio de parlamentares de centro e parte da oposição.

A versão final, portanto, não concede anistia, mas reduz penas e flexibiliza regras de execução penal.


A divisão no Congresso e os impactos sobre o clima institucional

Nos bastidores, a votação é interpretada como uma sinalização de que o Congresso quer assumir protagonismo nas decisões relacionadas aos 8 de janeiro, tema até agora conduzido de maneira predominante pelo STF. A aprovação reforça a percepção de que há pressão crescente para revisar medidas adotadas pelo Judiciário e para modular as consequências penais para participantes e articuladores dos atos.

A discussão sobre a redução de penas para Bolsonaro potencializa ainda mais essa tensão institucional, especialmente diante da proximidade das eleições municipais e do ambiente político polarizado.

A expectativa é que o Senado também enfrente uma votação acirrada, com repercussão direta sobre a relação entre os Poderes.


A técnica jurídica: por que a pena passa a ser apenas a mais grave

A principal mudança introduzida pelo projeto segue um princípio adotado em outros ordenamentos jurídicos internacionais: quando dois crimes são cometidos no mesmo contexto, contra o mesmo bem jurídico e com unidade de desígnio, a pena deve considerar apenas o delito mais grave.

O texto aprovado não elimina a condenação pelo segundo crime, mas impede que sua pena seja somada. Na prática, isso reduz o total de anos de prisão.

O crime mais grave entre os dois envolvidos — tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito — é a tentativa de golpe, cuja pena varia de 4 a 12 anos.

Essa mudança, por si só, já altera praticamente todos os cálculos realizados pelo STF até o momento.


Benefícios retroativos: como a lei pode ser aplicada aos condenados

A retroatividade benéfica é princípio constitucional: quando uma nova lei favorece o réu, ela deve ser aplicada mesmo a condenações já transitadas em julgado. Isso significa que todos os sentenciados por envolvimento nos atos de 8 de janeiro podem solicitar reavaliação de suas penas.

No caso do ex-presidente, ainda que sua situação esteja vinculada a condenações específicas e decisões individuais do STF, a nova legislação cria jurisprudência para revisão.

O órgão responsável pela execução penal — no caso de Bolsonaro, o próprio Supremo — terá de recalcular a pena com base na lei mais benéfica, aplicando as novas regras de progressão e as reduções previstas.


Setores jurídicos veem impacto profundo no sistema penal

Especialistas avaliam que o projeto representa uma das mudanças mais amplas no tratamento jurídico dos atos de 8 de janeiro desde o início das investigações. Advogados criminalistas afirmam que a medida aperfeiçoa o sistema, ao reduzir excessos e harmonizar critérios de pena. Já setores mais alinhados à defesa da democracia alertam que a redução pode minimizar a gravidade dos crimes cometidos naquele dia.

Na prática, se sancionada, a nova legislação deve provocar uma enxurrada de pedidos de revisão penal.

O STF, órgão responsável por julgar réus do 8 de janeiro, terá de reorganizar parte de seu cronograma para atender às solicitações de recálculo, o que pode gerar impacto na pauta e no ritmo de julgamentos.


O caminho até o Senado e o que esperar da próxima fase

A tramitação no Senado promete debates intensos. Parlamentares têm indicado, nos bastidores, que o texto pode passar sem alterações significativas, mas não se descarta pressão por ajustes que limitem ou ampliem os efeitos da redução de penas para Bolsonaro e para demais condenados.

A depender da composição política do Senado no momento da votação, o resultado pode se tornar peça fundamental do cenário institucional no início de 2026. Caso o texto seja aprovado sem modificações, seguirá diretamente para sanção presidencial. Se houver mudanças, retornará à Câmara.

Independentemente do resultado final, o projeto já se destaca como uma das propostas legislativas mais relevantes, sensíveis e politicamente carregadas do ano.

Tags: Câmara aprova projeto 8/1condenados 8 de janeiroexecução penal 8 de janeiroprogressão de regimeredução de penas para Bolsonarorevisão de pena Bolsonarotentativa de golpe

LEIA MAIS

Acareação Entre Vorcaro E Ex-Presidente Do Brb Amplia Pressão E Expõe Contradições No Stf - Gazeta Mercantil
Política

Acareação entre Vorcaro e ex-presidente do BRB amplia pressão e expõe contradições no STF

Acareação entre Vorcaro e ex-presidente do BRB expõe contradições e amplia pressão no STF A decisão da Polícia Federal de promover a acareação entre Vorcaro e ex-presidente do...

MaisDetails
Caso Master: Contradições Em Depoimentos Levam Pf A Promover Acareação No Stf - Gazeta Mercantil
Política

Caso Master: contradições em depoimentos levam PF a promover acareação no STF

Caso Master: contradições em depoimentos levam PF a promover acareação entre Vorcaro e ex-presidente do BRB As investigações que envolvem o Caso Master avançaram de forma decisiva nesta...

MaisDetails
Ibovespa Encerra O Ano Em Alta Com Fed Cauteloso, Emprego Forte E Dólar Em Queda - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa encerra o ano em alta com Fed cauteloso, emprego forte e dólar em queda

Ibovespa encerra o ano em alta com apoio do Fed, força do emprego no Brasil e dólar em queda O Ibovespa encerra o ano em alta consolidando um...

MaisDetails
Calendário Financeiro 2026: Fgts, Inss E Imposto De Renda Já Têm Datas Definidas - Gazeta Mercantil
Economia

Calendário financeiro 2026: FGTS, INSS e Imposto de Renda já têm datas definidas

A confirmação das principais datas de pagamento relacionadas ao FGTS, ao INSS e ao Imposto de Renda para 2026 coloca o calendário financeiro 2026 no centro das atenções...

MaisDetails
Carteiras De Criptomoedas: Conheça Os Diferentes Tipos - Gazeta Mercantil
Criptomoedas

Carteiras de criptomoedas: conheça os diferentes tipos

O crescimento do mercado de criptomoedas trouxe à tona uma necessidade básica, mas essencial: armazenar ativos digitais de forma segura. Assim como uma carteira física guarda dinheiro, as...

MaisDetails
PUBLICIDADE

GAZETA MERCANTIL

Acareação Entre Vorcaro E Ex-Presidente Do Brb Amplia Pressão E Expõe Contradições No Stf - Gazeta Mercantil
Política

Acareação entre Vorcaro e ex-presidente do BRB amplia pressão e expõe contradições no STF

Caso Master: Contradições Em Depoimentos Levam Pf A Promover Acareação No Stf - Gazeta Mercantil
Política

Caso Master: contradições em depoimentos levam PF a promover acareação no STF

Ibovespa Encerra O Ano Em Alta Com Fed Cauteloso, Emprego Forte E Dólar Em Queda - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa encerra o ano em alta com Fed cauteloso, emprego forte e dólar em queda

Calendário Financeiro 2026: Fgts, Inss E Imposto De Renda Já Têm Datas Definidas - Gazeta Mercantil
Economia

Calendário financeiro 2026: FGTS, INSS e Imposto de Renda já têm datas definidas

Carteiras De Criptomoedas: Conheça Os Diferentes Tipos - Gazeta Mercantil
Criptomoedas

Carteiras de criptomoedas: conheça os diferentes tipos

Sala De Aula Automatizada: Universidades Entram Na Era Dos Agentes De Ia - Gazeta Mercantil
Tecnologia

Sala de aula automatizada: universidades entram na era dos agentes de IA

EDITORIAS

  • Brasil
  • Business
  • Cultura & Lazer
  • Economia
    • Criptomoedas
    • Dólar
    • Fundos Imobiliários
    • Ibovespa
  • Esportes
  • Lifestyle
    • Veículos
    • Moda
    • Viagens
  • Mundo
  • News
  • Política
  • Saúde
  • Tecnologia
  • Trabalho
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

EDITORIAS

  • Brasil
  • Business
  • Cultura & Lazer
  • Economia
    • Criptomoedas
    • Dólar
    • Fundos Imobiliários
    • Ibovespa
  • Esportes
  • Lifestyle
    • Veículos
    • Moda
    • Viagens
  • Mundo
  • News
  • Política
  • Saúde
  • Tecnologia
  • Trabalho
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

  • Acareação entre Vorcaro e ex-presidente do BRB amplia pressão e expõe contradições no STF
  • Caso Master: contradições em depoimentos levam PF a promover acareação no STF
  • Ibovespa encerra o ano em alta com Fed cauteloso, emprego forte e dólar em queda
  • Calendário financeiro 2026: FGTS, INSS e Imposto de Renda já têm datas definidas
  • Carteiras de criptomoedas: conheça os diferentes tipos
  • Sala de aula automatizada: universidades entram na era dos agentes de IA
  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política de Privacidade LGPD
  • Política Editorial
  • Termos de Uso
  • Sobre

© 2025 GAZETA MERCANTIL - PORTAL DE NOTÍCIAS - Todos os direitos reservados | contato@gazetamercantil.com

Sem resultados
Todos os resultados
  • Brasil
  • Business
  • Cultura & Lazer
  • Economia
    • Criptomoedas
    • Dólar
    • Fundos Imobiliários
    • Ibovespa
  • Esportes
  • Lifestyle
    • Veículos
    • Moda
    • Viagens
  • Mundo
  • News
  • Política
  • Saúde
  • Tecnologia
  • Trabalho
  • Anuncie Conosco

© 2025 GAZETA MERCANTIL - PORTAL DE NOTÍCIAS - Todos os direitos reservados | contato@gazetamercantil.com