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Revolut recebe aval condicional para abrir banco nos EUA em 2027

Fintech ainda precisa cumprir exigências regulatórias antes de iniciar operações; novo banco será digital e terá sede em Connecticut.

por João Souza
03/09/2026 às 20h02
em Empresas
Revolut Recebe Aval Condicional Para Abrir Banco Nos Eua Em 2027 - Gazeta Mercantil

A Revolut avançou uma das principais etapas de sua expansão nos Estados Unidos ao receber aprovação condicional do Office of the Comptroller of the Currency (OCC) para constituir o Revolut Bank US, N.A. O aval aproxima a fintech britânica da abertura de um banco próprio no maior mercado financeiro do mundo, mas ainda não autoriza o início das operações bancárias.

A companhia pretende colocar a nova instituição em funcionamento em 2027. Antes disso, terá de cumprir as condições determinadas pelo OCC e concluir outras etapas regulatórias envolvendo autoridades americanas, entre elas a Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) e o Federal Reserve. O processo, portanto, ainda separa a aprovação inicial da autorização definitiva para receber depósitos e conceder crédito diretamente como banco.

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O pedido formal para criação do Revolut Bank US foi apresentado em março de 2026. A instituição terá sede em Stamford, no Estado de Connecticut, mas foi estruturada como um banco digital de alcance nacional, sem depender de uma rede tradicional de agências físicas. A proposta é ampliar o controle da Revolut sobre serviços que hoje podem depender de instituições financeiras parceiras nos Estados Unidos.

A mudança é relevante porque transforma a estrutura da empresa no país. Em vez de operar predominantemente como plataforma financeira apoiada por bancos terceiros, a Revolut poderá, após todas as autorizações, manter diretamente depósitos, conceder determinados tipos de crédito e oferecer outros serviços regulados dentro de sua própria instituição bancária.

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Banco próprio reduz dependência de instituições parceiras

O modelo baseado em parceiros bancários é comum entre fintechs que entram nos Estados Unidos sem possuir uma licença bancária própria. Nesse arranjo, parte da infraestrutura financeira, principalmente a manutenção de depósitos, é fornecida por uma instituição já autorizada.

Com o Revolut Bank US, a empresa pretende internalizar uma parcela maior dessa operação.

A documentação apresentada aos reguladores prevê contas de depósito para consumidores e empresas, produtos remunerados, serviços de câmbio, cartões e diferentes modalidades de crédito. O planejamento também inclui empréstimos pessoais sem garantia e financiamento para clientes empresariais.

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A instituição deverá utilizar principalmente os canais digitais já associados à marca Revolut. O escritório de Stamford funcionará como sede administrativa e não foi planejado como uma agência convencional aberta ao público para movimentação de dinheiro ou contratação presencial de produtos.

Essa estrutura permite à empresa buscar clientes em diferentes Estados sem reproduzir o modelo de expansão geográfica baseado na abertura de agências. O público pretendido inclui consumidores habituados a serviços digitais, viajantes, pessoas que realizam operações internacionais, pequenas e médias empresas, startups e companhias com necessidade de movimentar diferentes moedas.

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A Revolut também pretende transferir parte de suas atividades existentes nos Estados Unidos para a nova instituição. Se isso ocorrer conforme planejado, o banco poderá começar a operar apoiado em uma estrutura comercial previamente desenvolvida pela fintech, diferentemente de uma instituição que precisa construir sua base de clientes integralmente após a abertura.

Depósitos, crédito e cartões estão entre os serviços planejados

O projeto entregue às autoridades americanas permite dimensionar a ambição da companhia.

Entre os serviços previstos aparecem contas de depósito à vista, contas remuneradas, cartões de crédito para consumidores, cartões voltados a empresas, empréstimos pessoais e produtos de financiamento empresarial.

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A Revolut também pretende manter serviços ligados a pagamentos internacionais e câmbio, áreas que ajudaram a sustentar sua expansão desde a fundação. A proposta é concentrar diferentes funções financeiras dentro de um mesmo aplicativo, reduzindo a necessidade de o cliente utilizar instituições separadas para determinadas operações.

Produtos relacionados a ativos digitais também aparecem no planejamento da companhia. A lista inclui determinadas operações envolvendo compra, venda e custódia de criptoativos e stablecoins, além de outros serviços que dependerão das regras aplicáveis e das autorizações específicas exigidas para cada atividade.

A presença desses produtos no planejamento não significa que todos estarão disponíveis imediatamente quando o banco começar a funcionar. Cada atividade estará sujeita aos requisitos regulatórios correspondentes, e a aprovação condicional obtida agora não equivale a uma autorização irrestrita para lançamento de todos os serviços previstos.

O banco americano também deverá manter a estratégia de planos adotada pela Revolut em outros mercados. Clientes poderão ter acesso a uma modalidade básica e, dependendo da estrutura comercial definitiva, contratar planos pagos com benefícios adicionais.

Aprovação do OCC ainda não encerra o processo

A principal diferença entre a decisão anunciada agora e a abertura efetiva do Revolut Bank US está no caráter condicional da autorização.

O OCC é responsável pela supervisão e concessão de cartas para bancos nacionais nos Estados Unidos, mas a estrutura pretendida pela Revolut envolve outras autoridades. A companhia também solicitou seguro federal para depósitos, cuja análise passa pela FDIC.

O seguro de depósitos é um componente central do sistema bancário americano porque estabelece proteção, dentro dos limites previstos em lei, para recursos mantidos por clientes em instituições participantes.

O Federal Reserve também integra o processo relacionado à estrutura societária e regulatória que permitirá ao grupo controlar o novo banco. A Revolut apresentou os pedidos necessários para organizar as holdings responsáveis pela instituição americana.

Assim, existem ao menos três frentes que precisam convergir antes da abertura completa: cumprimento das condições estabelecidas pelo OCC, andamento da autorização relacionada ao seguro de depósitos e conclusão das exigências aplicáveis perante o Federal Reserve.

O próximo marco efetivamente relevante será a obtenção das autorizações que permitam transformar a instituição proposta em um banco operacional.

Estrutura nacional pode ampliar escala da Revolut nos EUA

Para uma fintech com atuação internacional, possuir um banco nacional nos Estados Unidos oferece vantagens operacionais que vão além da possibilidade de exibir uma licença própria.

Uma instituição diretamente integrada ao sistema bancário pode reduzir intermediários em determinados processos, aumentar o controle sobre a experiência do cliente e permitir que a empresa capture receitas associadas a produtos tradicionais de crédito e depósitos.

A Revolut também sinalizou interesse em obter acesso mais direto a infraestruturas americanas de pagamentos. O objetivo é diminuir a dependência de instituições intermediárias em atividades que podem representar custos relevantes para uma plataforma com grande volume de transações.

Outra mudança está na estrutura de financiamento. Depósitos bancários podem constituir uma fonte própria de recursos para parte das atividades financeiras da instituição, enquanto operações de crédito ampliam as possibilidades de geração de receita com juros.

A combinação de depósitos, cartões, crédito, pagamentos, câmbio e investimentos reproduz uma estratégia que a Revolut vem utilizando para se posicionar menos como um aplicativo especializado e mais como uma plataforma financeira de serviços múltiplos.

Nos Estados Unidos, entretanto, essa expansão precisa ocorrer dentro de um sistema regulatório fragmentado entre diferentes órgãos e com exigências específicas para instituições depositárias, holdings bancárias e atividades financeiras complementares.

Revolut supera 80 milhões de clientes no mundo

A tentativa de abrir um banco americano acontece em um período de expansão acelerada da Revolut.

A companhia encerrou 2025 com 68,3 milhões de clientes de varejo. Em 2026, a base global já ultrapassou 80 milhões, segundo informações divulgadas pela empresa.

Tomando os 68,3 milhões registrados no fim de 2025 como referência, a expansão até mais de 80 milhões representa acréscimo de pelo menos 11,7 milhões de clientes, crescimento superior a 17% em relação à base do encerramento do ano anterior.

O desempenho financeiro também aumentou a capacidade da fintech de financiar sua expansão internacional. A Revolut informou receita de aproximadamente US$ 6 bilhões em 2025, avanço de 46%, enquanto o lucro antes dos impostos chegou a US$ 2,3 bilhões, crescimento de 57%.

A margem de lucro antes dos impostos ficou próxima de 38%, indicando que o crescimento da base de clientes ocorreu acompanhado de forte geração de resultado.

Esse porte ajuda a explicar por que os Estados Unidos ocupam posição estratégica nos planos da companhia. Além da dimensão do mercado consumidor, o país concentra alguns dos maiores volumes globais de pagamentos, cartões, investimentos e crédito.

Expansão bancária já alcançou México e Reino Unido

Os Estados Unidos não são o único mercado em que a Revolut busca transformar sua presença digital em uma operação bancária mais completa.

No início de 2026, a companhia iniciou operações bancárias no México, movimento considerado relevante para sua expansão fora da Europa. A operação mexicana começou com capital superior a US$ 100 milhões e reforçou o interesse da empresa pela América Latina.

No Reino Unido, onde está um dos maiores grupos de clientes da companhia, a Revolut também avançou em sua estrutura bancária depois de atravessar um processo regulatório prolongado. A expansão britânica é particularmente importante porque o país concentra aproximadamente 13 milhões de clientes da plataforma.

A companhia mantém ainda processos de expansão e licenciamento em outros mercados.

A estratégia acompanha uma meta corporativa: alcançar 100 milhões de clientes globalmente até meados de 2027.

Considerando uma base atual superior a 80 milhões, a Revolut precisa adicionar menos de 20 milhões de usuários para chegar ao objetivo. Caso consiga abrir seu banco americano dentro do cronograma, os Estados Unidos poderão assumir papel relevante nessa fase de crescimento.

A aprovação condicional recebida do OCC, porém, deve ser interpretada exatamente pelo estágio em que o processo se encontra. A Revolut deu um passo decisivo para ter um banco nacional próprio, mas o Revolut Bank US ainda não está autorizado a funcionar plenamente.

O cumprimento das condições regulatórias, as decisões das demais autoridades envolvidas e a autorização final determinarão se a fintech conseguirá iniciar em 2027 a operação bancária que pretende transformar em um dos principais pilares de sua presença nos Estados Unidos.

Fontes:

Office of the Comptroller of the Currency – pedido de constituição do Revolut Bank US, estrutura operacional, sede e serviços previstos para a instituição

Federal Deposit Insurance Corporation – registros do pedido relacionado ao seguro federal de depósitos do Revolut Bank US

Federal Reserve – registros referentes à estrutura societária e às holdings ligadas ao banco proposto nos Estados Unidos

Revolut – comunicado sobre a aprovação condicional para formação do banco nacional e etapas regulatórias restantes

Revolut – resultados financeiros de 2025, evolução da base global de clientes e estratégia de expansão internacional

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