terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Empresas

Kepler Weber (KEPL3) vê lucro cair 56,1% no 2T26 com pressão sobre margens

Fabricante de equipamentos para armazenagem lucrou R$ 6,3 milhões; receita recuou 3,9% e margem Ebitda caiu para 8,7% em ambiente de juros altos e crédito mais restrito no agronegócio

por Daniel Wicker
12/08/2026 às 22h28
em Empresas
Kepler Weber (Kepl3) - Gazeta Mercantil

A Kepler Weber (KEPL3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 6,3 milhões, queda de 56,1% em relação aos R$ 14,4 milhões registrados no mesmo período do ano passado. O desempenho refletiu uma combinação de receita menor e compressão das margens, em um ambiente que continua limitando os investimentos de produtores rurais, especialmente no segmento de Fazendas.

A receita operacional líquida somou R$ 299,1 milhões entre abril e junho, retração de 3,9% diante dos R$ 311,1 milhões apurados no segundo trimestre de 2025. A redução do faturamento foi relativamente moderada quando comparada à queda do lucro, evidenciando que a principal deterioração ocorreu na rentabilidade das operações.

Leia também: Minidólar (WDOK26) amplia queda, desafia os 5.000 pontos e mantém pressão vendedora no curto prazo.

O Ebitda, indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, caiu 31,7%, de R$ 37,9 milhões para R$ 25,9 milhões. Com isso, a margem Ebitda recuou de 12,2% para 8,7%, uma perda de 3,5 pontos percentuais em apenas um ano.

A margem líquida acompanhou o movimento e passou de 4,6% no segundo trimestre de 2025 para 2,1% no 2T26, redução de 2,5 pontos percentuais. Em termos práticos, a Kepler Weber terminou o trimestre convertendo parcela significativamente menor de suas vendas em lucro.

Leia também: Anistia ampla geral e irrestrita racha bolsonarismo após tarifa de Trump e pressão do agronegócio.

Lucro cai mais de 50% enquanto receita recua apenas 3,9%

A diferença entre a evolução da receita e do lucro é um dos principais sinais deixados pelo balanço. Enquanto o faturamento diminuiu 3,9%, o resultado líquido caiu 56,1%, indicando que a pressão enfrentada pela companhia foi muito além da perda nominal de vendas.

O lucro por ação básico refletiu diretamente essa deterioração. O indicador caiu de R$ 0,0831 no segundo trimestre de 2025 para R$ 0,0365 no mesmo período deste ano, também uma retração de 56,1%.

Outro indicador de rentabilidade apresentou enfraquecimento. O retorno sobre o capital investido, o ROIC, ficou em 19,7%, contra 24,5% um ano antes. A diferença de 4,8 pontos percentuais mostra menor retorno produzido pela companhia sobre os recursos empregados no negócio durante o período.

A leitura conjunta dos indicadores aponta para uma companhia que preservou parcela relevante de seu faturamento, mas enfrentou dificuldade maior para transformar essa receita em resultado operacional e lucro líquido. O comportamento do Ebitda, das margens e do ROIC converge nessa direção.

Para uma fabricante exposta ao ciclo de investimentos do agronegócio, a composição das vendas também exerce influência relevante sobre a rentabilidade. Projetos de diferentes segmentos possuem ciclos comerciais, margens e níveis de complexidade distintos, fazendo com que alterações no mix possam provocar variações no resultado mesmo quando a receita consolidada apresenta mudanças menores.

Juros e crédito pressionam investimentos nas Fazendas

A Kepler Weber atribuiu parte importante do desempenho à continuidade de um ambiente mais difícil para novos investimentos no agronegócio brasileiro, sobretudo entre clientes do segmento de Fazendas.

A manutenção das taxas de juros em patamares elevados aumenta o custo financeiro de projetos de expansão, modernização e implantação de estruturas de armazenagem. Ao mesmo tempo, condições mais restritivas de crédito podem alongar a decisão de investimento do produtor, afetando o ritmo de contratação de equipamentos e projetos.

Esse efeito é especialmente importante em investimentos de maior valor e prazo de retorno mais longo. Mesmo quando existe necessidade de ampliar a capacidade de armazenamento, o custo do financiamento pode levar produtores a postergar projetos ou redimensionar desembolsos.

O ambiente também ajuda a explicar por que uma desaceleração relativamente pequena na receita pode provocar impacto mais pronunciado sobre a margem. Uma estrutura industrial precisa absorver custos fixos independentemente do ritmo de fechamento e reconhecimento dos projetos, tornando o nível de atividade um elemento relevante para a rentabilidade.

A própria administração indicou que o cenário exige cautela no segmento de Fazendas. A pressão não significa ausência de demanda estrutural por armazenagem, mas revela que o momento de execução desses investimentos está condicionado à capacidade financeira dos produtores e às condições disponíveis para financiamento.

Agroindústrias compensam parcialmente fraqueza das Fazendas

O resultado do trimestre, entretanto, não foi uniforme entre as diferentes áreas de atuação da Kepler Weber. Enquanto Fazendas continuou enfrentando um ciclo mais adverso, o segmento de Agroindústrias apresentou trajetória de crescimento.

Segundo a companhia, esse desempenho foi sustentado pelos investimentos realizados na cadeia de processamento de grãos e de biocombustíveis. Trata-se de uma dinâmica distinta daquela observada diretamente entre produtores rurais, permitindo que parte do avanço em projetos industriais compensasse a menor atividade em outros mercados.

Essa diferença entre os segmentos é relevante para a estratégia da empresa. A Kepler Weber opera com um portfólio submetido a diferentes ciclos de investimento, o que reduz a dependência exclusiva das decisões de compra do produtor rural.

Quando um segmento perde força, áreas como Agroindústrias, serviços ou outros projetos podem assumir participação maior na composição das receitas. O balanço do segundo trimestre mostra justamente essa coexistência de movimentos: pressão em uma frente importante e expansão em outra.

A diversificação, porém, não impediu a redução das margens consolidadas. A administração reconheceu que, apesar da evolução de áreas consideradas estratégicas, a atual combinação de projetos continuou produzindo níveis de rentabilidade desafiadores.

Isso ajuda a compreender por que o crescimento de um determinado segmento não deve ser analisado isoladamente. O efeito final sobre o resultado depende da participação de cada negócio no faturamento, de suas respectivas margens e da capacidade de diluição da estrutura operacional da companhia.

Margem Ebitda recua 3,5 pontos percentuais

Entre os números mais relevantes do trimestre está a queda da margem Ebitda de 12,2% para 8,7%. A diferença representa uma redução de aproximadamente 29% na margem quando comparados os dois percentuais.

A deterioração mostra que cada R$ 100 de receita geraram menos resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. No segundo trimestre de 2025, essa relação correspondia a aproximadamente R$ 12,20; um ano depois, caiu para R$ 8,70.

O movimento ajuda a explicar a intensidade da queda do lucro líquido. A redução de R$ 12 milhões na receita, de R$ 311,1 milhões para R$ 299,1 milhões, foi acompanhada por perda de R$ 12 milhões no Ebitda, que passou de R$ 37,9 milhões para R$ 25,9 milhões.

Ou seja, em valores absolutos, a redução do Ebitda foi praticamente equivalente à própria retração do faturamento. Isso evidencia a sensibilidade do resultado operacional ao mix de vendas e ao nível de atividade registrado no trimestre.

No lucro líquido, a diferença foi de R$ 8,1 milhões em relação ao segundo trimestre do ano anterior. A companhia passou de R$ 14,4 milhões para R$ 6,3 milhões, fazendo com que a margem final recuasse para pouco mais de dois centavos de lucro para cada real de receita.

ROIC também perde força no segundo trimestre

A redução do retorno sobre o capital investido adiciona outra dimensão ao balanço. O ROIC de 19,7%, embora permaneça positivo, ficou 4,8 pontos percentuais abaixo dos 24,5% registrados um ano antes.

O indicador é particularmente relevante em empresas industriais porque relaciona o desempenho operacional à quantidade de capital necessária para sustentar os ativos e as atividades do negócio.

A queda mostra que a rentabilidade sobre o capital empregado diminuiu juntamente com as margens. A recuperação desse indicador dependerá não apenas de crescimento das vendas, mas também da capacidade de melhorar a composição dos projetos, aumentar a utilização da estrutura e recuperar rentabilidade.

Nesse contexto, a evolução do segmento de Agroindústrias assume importância adicional. Se a área continuar crescendo e apresentar capacidade de compensar ciclos menos favoráveis em Fazendas, poderá contribuir para reduzir a volatilidade dos resultados consolidados.

Ao mesmo tempo, uma eventual melhora nas condições de financiamento do agronegócio pode reabrir espaço para investimentos adiados pelos produtores. O balanço divulgado pela companhia, porém, mostra que esse movimento ainda não havia produzido recuperação suficiente no segundo trimestre.

Próximo trimestre mostrará se pressão sobre margens perde força

A Kepler Weber chega à segunda metade de 2026 diante de duas tendências que caminham em sentidos diferentes. De um lado, juros elevados, crédito mais restritivo e margens pressionadas continuam limitando os investimentos diretamente ligados às Fazendas. De outro, Agroindústrias mantém expansão apoiada em projetos relacionados ao processamento de grãos e aos biocombustíveis.

A capacidade de equilibrar esses ciclos será um dos principais pontos para acompanhar nos próximos resultados. O trimestre mostrou que preservar receita, isoladamente, não foi suficiente para sustentar a rentabilidade, uma vez que o Ebitda caiu em ritmo muito superior ao faturamento.

A margem Ebitda de 8,7%, o lucro líquido de R$ 6,3 milhões e o ROIC de 19,7% passam, portanto, a funcionar como referências para avaliar se a companhia conseguirá recuperar eficiência operacional nos próximos meses.

A Kepler Weber tem videoconferência de resultados do 2T26 prevista em seu calendário de Relações com Investidores para 13 de agosto. A próxima divulgação trimestral deverá mostrar se a expansão das Agroindústrias ganhou força suficiente para compensar a cautela dos produtores rurais e, principalmente, se essa mudança de composição começou a produzir recuperação das margens.

LEIA MAIS

Agronegocio - Gazeta Mercantil
Empresas

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Companhia do ramo de alimentos e panificação supera 500 mil hectares e expande programa no Brasil; meta é obter todos ingredientes-chave desse modelo até 2050

Leia MaisDetails
Vivara Aprova Emissão De R$ 300 Milhões Em Debêntures Com Vencimento Em 2031-Gazeta Mercantil
Empresas

Vivara aprova emissão de R$ 300 milhões em debêntures com vencimento em 2031

A Vivara (VIVA3) aprovou uma emissão de debêntures simples no valor de R$ 300 milhões, em uma operação voltada principalmente à reorganização de passivos e ao reforço da...

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH registra queda de 5% em moda e ações acumulam perda de 40% em 2026

A LVMH, conglomerado francês que reúne marcas como Louis Vuitton, Christian Dior, Tiffany & Co. e Sephora, encerrou o terceiro trimestre de 2026 com resultados abaixo das expectativas...

Leia MaisDetails
Mercado Livre
Mercados

Mercado Livre (MELI): Citi corta preço-alvo para US$ 2.100 antes do balanço do 3T26

O Citi elevou a recomendação do Mercado Livre (MELI34) de Neutra/Alto Risco para Neutra e cortou o preço-alvo das ações. Saiba mais.

Leia MaisDetails
Embraer (Embj3) Fecha Acordo Com Latam Para Suporte A 24 Jatos E195-E2 - Gazeta Mercantil - Empresas
Empresas

Embraer (EMBJ3) fecha acordo com Latam para suporte a 24 jatos E195-E2

A Embraer (EMBJ3) e a Latam assinaram um acordo do Programa Pool para dar suporte à introdução de 24 aeronaves Embraer E195-E2 encomendadas pela companhia

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

21:16:52
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
â‚¿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Petróleo Hoje - Gazeta Mercantil
Mercados

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Leia MaisDetails
Agronegocio - Gazeta Mercantil
Empresas

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Leia MaisDetails
Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP