A Moura Dubeux (MDNE3) registrou lucro líquido de R$ 173,9 milhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 44,6% sobre os R$ 120,3 milhões apurados entre abril e junho do ano passado. O resultado representa o maior lucro trimestral da história da incorporadora e ocorreu mesmo diante de uma desaceleração das vendas e de uma redução expressiva no volume de lançamentos.
A receita líquida avançou 10% na comparação anual e chegou a R$ 731,1 milhões. A expansão foi acompanhada por melhora mais acentuada da rentabilidade: o lucro bruto cresceu 27,4%, para R$ 281,9 milhões, enquanto a margem bruta aumentou de 33,3% para 38,6%, ganho de 5,3 pontos percentuais em um ano.
O Ebitda ajustado alcançou R$ 178,8 milhões, avanço de 34,7% frente ao segundo trimestre de 2025. A margem Ebitda ajustada subiu de 20% para 24,5%, reforçando a melhora operacional mesmo em um trimestre no qual a companhia lançou menos empreendimentos e registrou vendas inferiores às observadas um ano antes.
A margem líquida também atingiu um novo patamar, passando de 18,1% para 23,8%. Com isso, a Moura Dubeux transformou em lucro quase R$ 24 de cada R$ 100 de receita líquida no período, ante pouco mais de R$ 18 um ano antes.
Lucro cresce 44,6% com expansão das margens
O desempenho do lucro foi significativamente superior ao crescimento da receita. Enquanto o faturamento aumentou 10%, o resultado líquido avançou 44,6%, mostrando ganho de eficiência e uma composição mais favorável dos resultados reconhecidos no trimestre.
A diferença também aparece no lucro bruto. O crescimento de 27,4% dessa linha, para R$ 281,9 milhões, foi quase três vezes superior à expansão da receita. Em consequência, a margem bruta ganhou 5,3 pontos percentuais em doze meses.
No primeiro semestre, a tendência foi ainda mais forte. O lucro líquido acumulado atingiu R$ 329,4 milhões, alta de 72,8% na comparação com os primeiros seis meses de 2025. A companhia, portanto, chegou à metade do ano com crescimento do resultado bem superior ao observado em sua receita.
O Ebitda ajustado do semestre somou R$ 347,3 milhões, avanço de 56,5%, com margem de 25,6%. A combinação de maior lucro e expansão das margens coloca a rentabilidade entre os principais elementos do balanço, especialmente diante de um ritmo operacional mais moderado em algumas métricas comerciais.
O resultado mostra que, no período, a capacidade de geração de resultado não dependeu exclusivamente de aumento de lançamentos ou de vendas. A evolução do mix de projetos e do reconhecimento das receitas teve papel importante na expansão das margens.
Vendas desaceleram, mas permanecem perto de R$ 1 bilhão
O contraste do trimestre aparece nas vendas. A companhia permaneceu próxima da marca de R$ 1 bilhão em vendas e adesões líquidas, mas o volume ficou abaixo daquele registrado no segundo trimestre de 2025.
A prévia operacional divulgada pela própria Moura Dubeux havia indicado R$ 1,015 bilhão em vendas e adesões líquidas considerando a participação da companhia, redução de 14,9% em relação à base anual e de 1,8% frente ao primeiro trimestre de 2026.
Apesar da retração trimestral, o acumulado do primeiro semestre continuou positivo. As vendas e adesões líquidas chegaram a aproximadamente R$ 2,05 bilhões, crescimento de 17,5% sobre os R$ 1,74 bilhão registrados no mesmo período do ano anterior.
O número de unidades comercializadas apresentou comportamento diferente do valor financeiro. Foram vendidas aproximadamente 1,7 mil unidades no segundo trimestre, número muito superior ao observado um ano antes. A combinação de mais unidades e menor valor financeiro total indica redução do tíquete médio dos imóveis negociados.
Esse movimento está ligado, entre outros fatores, à diversificação do portfólio da incorporadora, que atua desde empreendimentos de alto padrão até produtos com valores unitários menores.
Lançamentos caem 45,7% no trimestre
A desaceleração foi ainda mais forte nos lançamentos. A Moura Dubeux colocou no mercado seis projetos no segundo trimestre, que somaram R$ 1,012 bilhão em Valor Geral de Vendas líquido correspondente à participação da companhia.
O montante representa queda de 45,7% frente aos R$ 1,864 bilhão lançados no segundo trimestre de 2025 e redução de 22,6% em relação aos R$ 1,309 bilhão do primeiro trimestre deste ano.
Apesar do recuo do VGV, a quantidade de unidades lançadas aumentou. Os seis empreendimentos reuniram 1.944 unidades, avanço de 76,9% na comparação com as 1.099 unidades lançadas no mesmo período do ano anterior.
A diferença novamente aponta para uma mudança no perfil dos produtos. Projetos com maior número de unidades e valor médio menor ganharam espaço no mix, reduzindo a correlação direta entre quantidade de imóveis lançados e VGV.
No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, a companhia lançou 14 empreendimentos e 4.121 unidades. O VGV líquido alcançou R$ 2,321 bilhões, crescimento de 2,5% em relação aos R$ 2,266 bilhões do primeiro semestre do ano passado.
Bahia responde por 59% dos lançamentos
A expansão da Moura Dubeux continua concentrada no Nordeste, região em que a companhia construiu sua principal presença operacional.
No segundo trimestre, a Bahia respondeu por R$ 601 milhões, ou aproximadamente 59% do VGV líquido dos lançamentos. Os projetos Salvador 220 e Cyano responderam pela maior parte desse volume.
O Salvador 220 possui VGV de aproximadamente R$ 415 milhões e 438 unidades, enquanto o Cyano reúne 68 unidades e VGV de R$ 186 milhões.
No Ceará, a companhia lançou o Beach Class Macedos, com VGV de R$ 194 milhões, e o Ún1ca Benfica. A Paraíba recebeu o Beach Class João Pessoa e o Rio Grande do Norte, o Ún1ca Veredas.
A distribuição reforça a estratégia regional da companhia, que opera em diferentes capitais nordestinas e utiliza marcas e formatos de desenvolvimento imobiliário ajustados a diferentes faixas de renda.
Velocidade de vendas recua para 20,9%
Embora a companhia tenha mantido um volume elevado de comercialização, a velocidade de vendas apresentou redução.
O índice de vendas sobre oferta, conhecido como VSO, ficou em 20,9% no trimestre, ante 29,9% no segundo trimestre de 2025. A redução foi de nove pontos percentuais em um ano.
Na comparação com o primeiro trimestre, quando o indicador estava em 21,5%, houve queda de 0,6 ponto percentual.
Considerando os últimos doze meses, o VSO líquido ficou em 51,1%, 4,5 pontos percentuais abaixo dos 55,6% registrados ao fim do segundo trimestre do ano passado.
Nos empreendimentos recém-lançados, entretanto, a velocidade foi maior. O VSO dos lançamentos do trimestre chegou a 51,5%, mostrando absorção de mais da metade da oferta dos projetos novos dentro do próprio período.
A diferença entre os indicadores ajuda a separar a dinâmica do estoque consolidado daquela observada especificamente nos produtos mais recentes.
Dívida líquida permanece baixa
A estrutura de capital continuou sendo um ponto de suporte do balanço. A companhia encerrou o segundo trimestre com aproximadamente R$ 883,7 milhões em disponibilidades e dívida bruta próxima de R$ 940 milhões.
Com isso, a dívida líquida ficou em torno de R$ 56,3 milhões, equivalente a 2,5% do patrimônio líquido. Ao final do primeiro trimestre, essa proporção estava em 4%.
O nível reduzido de alavancagem amplia a flexibilidade da companhia para financiar obras, terrenos e novos lançamentos sem depender de um crescimento proporcional do endividamento financeiro.
Na geração de caixa, a prévia operacional oficial registra R$ 28,2 milhões no segundo trimestre. Nos últimos doze meses, entretanto, houve consumo de aproximadamente R$ 186 milhões quando excluídos dividendos e os efeitos do follow-on.
Em junho, a Moura Dubeux também realizou pela primeira vez uma antecipação de R$ 153 milhões em recebíveis ligados ao fee de comercialização de terrenos, por meio de cessão de recebíveis.
Landbank alcança R$ 11,8 bilhões
A incorporadora terminou junho com 60 terrenos disponíveis para desenvolvimento futuro, que representam VGV bruto potencial estimado em aproximadamente R$ 11,8 bilhões.
A composição dessa carteira reduz a necessidade de desembolso integral em dinheiro na aquisição dos ativos. Cerca de 63% do VGV dos terrenos estava associado a permutas físicas, enquanto 14% correspondia a permutas financeiras e 23% a aquisições em dinheiro.
Esse modelo permite à companhia vincular parte do custo dos terrenos ao próprio desenvolvimento dos empreendimentos, diminuindo a necessidade inicial de capital para formação do banco de terrenos.
Ceará, Bahia e Pernambuco concentram parcela relevante desse potencial. A presença regional também permite à Moura Dubeux manter uma carteira diversificada de produtos distribuídos pelas principais capitais nordestinas.
No segundo trimestre, a incorporadora entregou dois empreendimentos, um sob regime de incorporação e outro estruturado como condomínio. Os projetos somaram VGV líquido de R$ 197 milhões.
No acumulado do primeiro semestre, foram seis entregas, totalizando 1.074 unidades e VGV líquido de R$ 530 milhões.
Estoque pronto representa parcela reduzida da carteira
Outro ponto relevante está na composição dos imóveis disponíveis para venda. A maior parte do estoque da Moura Dubeux está vinculada a empreendimentos ainda em construção ou com entrega prevista para os próximos anos.
O valor de mercado do estoque estava próximo de R$ 4 bilhões ao fim do trimestre, segundo os dados divulgados pela companhia, com uma parcela reduzida associada a unidades já concluídas.
Essa composição diminui a exposição a um volume elevado de imóveis prontos sem comprador, uma métrica acompanhada de perto no setor imobiliário porque estoques concluídos passam a carregar despesas adicionais e capital imobilizado.
A companhia mantinha dezenas de projetos simultaneamente em andamento, distribuídos por diferentes mercados e segmentos.
A combinação de landbank de R$ 11,8 bilhões, estoque predominantemente em construção e baixa dívida líquida fornece capacidade para manter o ciclo de desenvolvimento, embora a redução do VSO e das vendas na comparação anual indique que a velocidade de absorção dos produtos deverá permanecer no radar.
Rentabilidade será o principal indicador para os próximos trimestres
O segundo trimestre deixou uma combinação pouco usual: lançamentos e vendas perderam força na comparação anual, mas lucro, Ebitda e margens atingiram níveis significativamente superiores.
O ponto central para os próximos balanços será verificar se a Moura Dubeux consegue preservar essa rentabilidade à medida que novos projetos avançam na construção e passam a contribuir para a receita.
A evolução das vendas também deverá mostrar se a queda do segundo trimestre representou apenas uma comparação desfavorável com uma base elevada ou se sinaliza ritmo mais moderado de absorção da oferta.
Com lucro recorde de R$ 173,9 milhões, margem líquida de 23,8%, baixa alavancagem e mais de R$ 11 bilhões em potencial de desenvolvimento no banco de terrenos, a companhia encerrou junho com uma estrutura financeira fortalecida. Ao mesmo tempo, a queda da velocidade de vendas e dos lançamentos estabelece uma base de comparação importante para a segunda metade de 2026.









