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Tarcísio pode ter 71% do horário eleitoral contra Haddad em São Paulo

Projeção dá ao governador 6 minutos e 23 segundos por bloco, ante 2 minutos e 37 segundos do petista; distribuição definitiva dependerá do registro das coligações e do plano de mídia do TRE-SP

por Júlia Campos
27/07/2026 às 19h28
em Política,Destaque,Notícias
Tarcísio Abre 15 Pontos Sobre Haddad Em São Paulo; Flávio E Lula Ficam Em Empate Técnico - Gazeta Mercantil

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), poderá controlar cerca de 71% do horário eleitoral gratuito destinado à disputa pelo Palácio dos Bandeirantes em 2026, quase duas vezes e meia o espaço projetado para Fernando Haddad (PT). A vantagem resulta da ampliação da coligação governista com partidos de grandes bancadas na Câmara dos Deputados e deverá garantir ao candidato à reeleição aproximadamente 6 minutos e 23 segundos de cada bloco de nove minutos no rádio e na televisão, contra 2 minutos e 37 segundos do adversário petista.

A estimativa considera as alianças anunciadas até esta segunda-feira, 27 de julho, durante o período de convenções partidárias. O número definitivo somente será conhecido depois da formalização das coligações, do registro das candidaturas e da elaboração do plano de mídia pela Justiça Eleitoral.

Tarcísio conseguiu manter as principais siglas que participaram de sua eleição em 2022 e atrair partidos que, naquele pleito, estavam ao lado do então governador Rodrigo Garcia, do PSDB. A movimentação ampliou significativamente a representação parlamentar da coligação e alterou a correlação de forças na propaganda de rádio e televisão.

Haddad, oficializado pelo PT no sábado, 25, terá uma frente formada por partidos de esquerda e centro-esquerda. O ex-ministro da Fazenda terá Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador, enquanto Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) disputarão as duas vagas de São Paulo no Senado.

Aliança amplia espaço de Tarcísio no rádio e na televisão

A vantagem projetada de Tarcísio decorre da presença, em sua coligação, de legendas com bancadas expressivas na Câmara dos Deputados.

Além do Republicanos, partido do governador, o bloco reúne PL, PSD e MDB. Também foram anunciados entendimentos com a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, e com o Podemos.

A legislação considera, nas eleições majoritárias, a soma da representação dos seis maiores partidos ou federações que integram cada coligação. A regra impede que a simples inclusão de um número elevado de pequenas siglas produza uma vantagem artificial no horário eleitoral.

O PL possui uma das maiores bancadas resultantes das eleições de 2022. A Federação União Progressista também reúne um contingente relevante de deputados, enquanto PSD, MDB, Republicanos e Podemos acrescentam representação à chapa.

O PSD confirmou em convenção estadual, realizada no domingo, 26, seu apoio à reeleição de Tarcísio. A legenda é comandada nacionalmente por Gilberto Kassab, que deixou o governo paulista em março para se dedicar às articulações eleitorais.

O MDB já havia consolidado sua presença na chapa com a filiação do vice-governador Felício Ramuth. O ex-prefeito de São José dos Campos deixou o PSD e ingressou no partido em março, com a expectativa de repetir a dobradinha com Tarcísio.

Partidos que apoiaram PSDB migram para o governo

A composição marca uma mudança importante em relação à eleição de 2022.

Naquele ano, MDB, União Brasil, Progressistas, Podemos e a Federação PSDB-Cidadania participaram da coligação de Rodrigo Garcia. O tucano terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com 18,4% dos votos válidos, e não avançou para a disputa final.

Quatro anos depois, parte substancial desse conjunto partidário passou para o campo de Tarcísio. A migração reflete tanto a ocupação do governo paulista pelo Republicanos quanto a perda de protagonismo do PSDB no Estado que administrou por quase três décadas.

A Federação PSDB-Cidadania anunciou apoio à reeleição do governador, embora sua decisão ainda dependa dos procedimentos formais previstos nas convenções. O movimento tem peso simbólico porque aproxima antigos adversários e reforça o isolamento partidário da candidatura de Haddad fora do campo progressista.

Tarcísio também obteve o apoio do MDB depois da aproximação construída nas eleições municipais de 2024. Naquele pleito, o governador participou diretamente da campanha de reeleição do prefeito da capital, Ricardo Nunes, uma das principais lideranças nacionais do partido.

A relação foi fortalecida com a entrada de Ramuth no MDB. A legenda passou a ocupar formalmente a vice na chapa estadual e se tornou uma das pontes de Tarcísio com setores do centro político.

Haddad reúne PT, PSB, PDT e duas federações

A coligação de Fernando Haddad mantém como núcleo a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

O grupo também reúne PSB, PDT e a Federação PSOL-Rede. A composição dá ao petista uma frente ideologicamente mais homogênea, mas com representação parlamentar inferior à soma das seis maiores forças alinhadas a Tarcísio.

A candidatura de Haddad foi oficializada em convenção estadual realizada em Campinas. A chapa incluiu Márcio França como vice e duas candidaturas ao Senado com projeção nacional: Marina Silva, pela Rede, e Simone Tebet, que ingressou no PSB.

A presença do PDT representa uma ampliação em relação à composição petista de 2022. Na eleição anterior, o partido lançou candidatura própria à Presidência e não integrou a coligação estadual liderada por Haddad.

O acréscimo deve elevar o tempo do petista em relação aos 2 minutos e 18 segundos que ele teve em cada programa de televisão na campanha de 2022. A projeção atual aponta 2 minutos e 37 segundos, ganho de 19 segundos por bloco.

A expansão, no entanto, não foi suficiente para acompanhar o crescimento da aliança governista. Tarcísio disputou a eleição anterior com aproximadamente 2 minutos e 14 segundos e poderá alcançar mais de seis minutos em 2026.

Regra distribui 90% do tempo pelas bancadas

O horário eleitoral gratuito não é dividido apenas pelo número de candidaturas.

Pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral, 90% do espaço reservado no rádio e na televisão é distribuído proporcionalmente à representação dos partidos na Câmara dos Deputados. Os 10% restantes são repartidos de maneira igualitária entre as candidaturas que tenham direito à propaganda.

Para as coligações majoritárias, entram no cálculo somente os seis maiores partidos ou federações que compõem cada aliança. No caso de uma federação, são somados os deputados eleitos por todas as siglas que a integram.

A representação considerada não corresponde necessariamente ao número atual de parlamentares filiados. O cálculo parte do resultado das eleições de 2022, incluindo novas totalizações determinadas pela Justiça Eleitoral até 20 de julho de 2026.

Mudanças de partido feitas pelos deputados ao longo da legislatura são desconsideradas. A medida evita que migrações parlamentares realizadas pouco antes da eleição sejam usadas para transferir tempo de televisão entre as legendas.

Partidos ou federações que não cumpriram os requisitos de desempenho previstos pela cláusula de barreira podem ficar sem acesso ao horário eleitoral gratuito e ao Fundo Partidário. Por isso, algumas candidaturas de siglas menores poderão disputar o governo de São Paulo sem programas próprios no rádio e na televisão.

Governador terá dois blocos de nove minutos

A propaganda para o governo de São Paulo será exibida em dois blocos às segundas, quartas e sextas-feiras durante o primeiro turno.

Cada bloco terá nove minutos. No rádio, os programas destinados aos candidatos a governador serão veiculados das 7h16 às 7h25 e das 12h16 às 12h25.

Na televisão, a propaganda ocorrerá das 13h16 às 13h25 e das 20h46 às 20h55. O horário eleitoral gratuito do primeiro turno começará em 28 de agosto e terminará em 1º de outubro.

A duração de nove minutos está relacionada à renovação de dois terços do Senado em 2026. Como cada Estado elegerá dois senadores, o tempo em rede reservado à disputa senatorial será maior, reduzindo de dez para nove minutos os blocos de governador e deputado estadual.

Pela projeção atual, Tarcísio terá aproximadamente 6 minutos e 23 segundos em cada programa. Haddad ficará com cerca de 2 minutos e 37 segundos.

A mesma proporção deverá ser aplicada às inserções de 30 ou 60 segundos distribuídas ao longo da programação diária. Dos 14 minutos reservados ao cargo de governador, a campanha governista poderá utilizar aproximadamente 9 minutos e 55 segundos, enquanto o bloco petista terá cerca de 4 minutos e 5 segundos.

Tempo maior amplia capacidade de apresentar realizações

A diferença permite que Tarcísio construa programas mais longos, com espaço para apresentar resultados do governo, depoimentos de aliados, propostas para um segundo mandato e respostas a ataques dos adversários.

O governador poderá dividir a propaganda por áreas da administração, como segurança pública, infraestrutura, transporte, saneamento, saúde, educação e habitação. Também terá maior margem para regionalizar a comunicação e produzir conteúdos específicos para a capital, a Região Metropolitana e o interior.

Haddad deverá adotar uma estratégia mais concentrada. Com menos de três minutos por bloco, a campanha precisará selecionar os temas prioritários e utilizar as inserções diárias para aumentar a frequência da mensagem.

A chapa petista sinalizou que pretende combinar críticas à administração estadual com propostas para serviços públicos e desenvolvimento econômico. A campanha também deverá explorar a participação de Lula, Marina Silva, Simone Tebet, Márcio França e Geraldo Alckmin.

A presença de figuras nacionais pode compensar parcialmente a diferença de duração. A legislação permite a participação de apoiadores nos programas, observados os limites estabelecidos para cada peça eleitoral.

O horário gratuito também será integrado às estratégias digitais. Trechos dos programas poderão ser adaptados para redes sociais, plataformas de vídeo e aplicativos de mensagens, ampliando sua circulação além da audiência original do rádio e da televisão.

Vantagem de televisão não assegura vitória

A superioridade no horário eleitoral representa um ativo político, mas não determina isoladamente o resultado.

Em 2022, Rodrigo Garcia reuniu a maior coligação e começou a campanha com o maior tempo entre os candidatos ao governo paulista. Mesmo assim, terminou o primeiro turno atrás de Tarcísio e Haddad.

O resultado mostrou que estrutura partidária e exposição televisiva precisam estar combinadas com competitividade eleitoral, avaliação de governo, identidade política e capacidade de mobilização.

Outro exemplo ocorreu na disputa presidencial de 2018. Geraldo Alckmin, então filiado ao PSDB, controlou quase metade do horário eleitoral, mas terminou o primeiro turno com menos de 5% dos votos válidos.

A televisão, contudo, continua relevante para apresentar candidaturas a eleitores menos expostos ao debate político cotidiano. Os programas oferecem um espaço controlado para organizar biografias, realizações, propostas e ataques em uma narrativa contínua.

As inserções também garantem repetição ao longo da programação. Uma campanha com quase dez minutos diários poderá exibir mais peças, variar conteúdos e alcançar públicos em diferentes faixas de audiência.

Disputa de 2026 reedita segundo turno de 2022

A eleição paulista volta a colocar Tarcísio e Haddad no centro da disputa quatro anos depois do confronto de 2022.

Naquele pleito, Tarcísio venceu o segundo turno com 55,27% dos votos válidos, contra 44,73% do petista. O governador teve desempenho mais forte no interior e no litoral, enquanto Haddad liderou em parte da Região Metropolitana e na capital.

A configuração de 2026 apresenta diferenças. Tarcísio concorrerá como governador em exercício, com uma base partidária maior e o controle da máquina estadual. Haddad entra na campanha depois de comandar o Ministério da Fazenda e com uma chapa ao Senado formada por duas ex-ministras.

A estratégia governista será associar a reeleição à continuidade dos projetos iniciados desde 2023. A oposição tentará transformar a campanha em um julgamento sobre privatizações, segurança pública, educação e qualidade dos serviços estaduais.

O desempenho das candidaturas presidenciais também terá impacto. Tarcísio apoia Flávio Bolsonaro (PL), enquanto Haddad estará no palanque de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As duas campanhas estaduais poderão ser beneficiadas ou prejudicadas pela dinâmica nacional, especialmente se a disputa presidencial ampliar a polarização observada nas últimas eleições.

TRE-SP definirá divisão oficial após os registros

Os percentuais de 70,8% para Tarcísio e 29,2% para Haddad permanecem sujeitos a mudanças.

O Republicanos marcou para 1º de agosto a convenção que deverá oficializar a candidatura do governador e confirmar os partidos integrantes da coligação. Outras siglas ainda realizam convenções até 5 de agosto.

Os registros das candidaturas e alianças poderão ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto. Depois disso, o TRE-SP convocará partidos, coligações e emissoras para elaborar o plano de mídia.

A distribuição final dependerá da composição efetivamente registrada, da situação jurídica de cada partido e da tabela oficial de representação da Câmara publicada pelo TSE.

Eventuais alterações na coligação, impugnações ou desistências podem provocar uma nova divisão. Se uma candidatura majoritária deixar a disputa sem substituição, seu tempo será redistribuído entre as remanescentes.

Até a homologação, a projeção de 71% funciona como um indicador da dimensão política da aliança montada por Tarcísio. A confirmação dará ao governador uma vantagem expressiva para apresentar sua gestão, enquanto obrigará Haddad a concentrar mensagens e intensificar o uso de inserções, debates, viagens e plataformas digitais.

Tags: coligaçõesEleições 2026Fernando Haddadgoverno de São Paulohorário eleitoralPalácio dos BandeirantesPolíticapropaganda eleitoralPTRepublicanosTarcísio de FreitasTRE-SP

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