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Tarifas de Trump à Europa sacodem mercados globais e derrubam o dólar

por Antônio Lima
19/01/2026 às 10h10
em Economia
Tarifas De Trump À Europa Sacodem Mercados Globais E Derrubam O Dólar - Gazeta Mercantil

Mercados globais sacudidos: dólar recua após Trump prometer tarifas à Europa por causa da Groenlândia

Os mercados financeiros globais iniciaram a semana sob forte volatilidade após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de impor tarifas de Trump à Europa como instrumento de pressão geopolítica ligado à Groenlândia. A declaração reacendeu temores de uma nova escalada na guerra comercial entre Estados Unidos e União Europeia, provocando quedas nas bolsas internacionais, enfraquecimento generalizado do dólar e busca por ativos considerados de refúgio.

O episódio marca um novo capítulo de instabilidade em um cenário que, até então, vinha sendo interpretado por investidores como relativamente mais previsível após os acordos comerciais firmados ao longo do segundo semestre do ano passado. A reintrodução das tarifas de Trump à Europa rompe essa percepção e devolve aos mercados o prêmio de risco político que havia sido parcialmente dissipado.

Leia também: Calendário econômico de 16 de dezembro traz dados decisivos para os mercados globais.

Tarifas como instrumento de pressão geopolítica

Segundo Trump, os Estados Unidos irão impor uma tarifa adicional de 10% sobre produtos importados de oito países europeus — Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido — a partir de 1º de fevereiro. Caso não haja acordo, essa alíquota poderá subir para 25% em 1º de junho.

A justificativa apresentada envolve a resistência europeia à negociação envolvendo a Groenlândia, território estratégico sob soberania dinamarquesa. A decisão reforça o uso das tarifas de Trump à Europa não apenas como ferramenta econômica, mas também como mecanismo explícito de pressão diplomática, elevando o grau de incerteza no comércio internacional.

Leia também: Petróleo recua com fortalecimento do dólar e preocupações globais.

Grandes economias da União Europeia classificaram a iniciativa como chantagem econômica. A França, em especial, sinalizou a possibilidade de responder com contramedidas até então inéditas, ampliando o risco de retaliação cruzada.

Reação imediata dos mercados globais

A reação dos mercados foi rápida. Bolsas europeias registraram quedas expressivas, com os futuros do EUROSTOXX 50 e do DAX recuando cerca de 1,1%. No Japão, o índice Nikkei caiu 1%, refletindo o aumento da aversão ao risco global diante das tarifas de Trump à Europa.

O movimento foi acompanhado por forte ajuste no mercado cambial. O dólar perdeu força frente a uma cesta ampla de moedas, enquanto o euro, após tocar o menor nível desde novembro, passou a se recuperar, refletindo vendas generalizadas da moeda americana.

Esse comportamento indica que, embora as tarifas de Trump à Europa tenham como alvo direto o bloco europeu, o mercado passou a precificar um aumento relevante do risco político associado aos Estados Unidos.

Dólar enfraquece apesar do status de refúgio

Historicamente, o dólar tende a se fortalecer em momentos de instabilidade global. No entanto, o episódio atual revela uma dinâmica distinta. A moeda americana recuou de forma generalizada, sugerindo que investidores passaram a enxergar Washington como epicentro das rupturas geopolíticas, e não apenas como porto seguro.

Analistas avaliam que as tarifas de Trump à Europa elevam o prêmio de risco político sobre os ativos denominados em dólar. Esse movimento impulsionou moedas tradicionalmente defensivas, como o iene japonês e o franco suíço, ao mesmo tempo em que pressionou o bitcoin, visto como um termômetro de apetite por risco.

Experiência passada limita pânico, mas não elimina riscos

Apesar da reação negativa, parte do mercado mantém cautela em relação a movimentos mais extremos. Em 2025, anúncios semelhantes de Trump provocaram choques iniciais, mas acabaram sendo seguidos por acordos que reduziram as tensões ao longo do tempo.

Essa experiência ajuda a explicar por que, mesmo com o impacto imediato das tarifas de Trump à Europa, alguns investidores avaliam que o crescimento econômico global segue relativamente resiliente. Ainda assim, o episódio reacende a percepção de que a calmaria nos mercados pode ter sido apenas temporária.

Wall Street fechada e reação adiada

A volatilidade ocorreu em um dia de liquidez reduzida nos Estados Unidos, já que Wall Street permaneceu fechada em razão do feriado do Dia de Martin Luther King Jr. Os futuros de ações americanas, no entanto, sinalizaram reação negativa, com recuo de cerca de 0,7% nas primeiras horas de negociação na Ásia.

A ausência do mercado à vista de Treasuries dificultou uma leitura mais clara sobre a percepção de risco nos juros americanos, embora os contratos futuros do título de 10 anos tenham registrado leve alta.

A reação efetiva de Wall Street às tarifas de Trump à Europa tende a se materializar apenas na retomada das negociações, o que mantém o ambiente de incerteza elevado.

Impacto desigual sobre economias europeias

Estudos econômicos indicam que Reino Unido e Alemanha estão entre os países mais expostos às tarifas de Trump à Europa. Uma tarifa de 10% poderia reduzir o PIB dessas economias em aproximadamente 0,1%, enquanto uma alíquota de 25% teria potencial para cortar entre 0,2% e 0,3% da produção.

Mesmo assim, os mercados acionários europeus seguem próximos de máximas históricas. O DAX alemão e o FTSE de Londres acumulam alta superior a 3% no mês, superando o desempenho do S&P 500. Esse contraste reforça a ideia de que, até o momento, o impacto das tarifas de Trump à Europa ainda não se traduziu em deterioração estrutural das expectativas corporativas.

Setor de defesa em destaque

As tensões geopolíticas impulsionaram fortemente as ações do setor de defesa europeu, que acumulam alta próxima de 15% no mês. O aumento das preocupações estratégicas, alimentadas tanto pela disputa envolvendo a Groenlândia quanto por outros focos de instabilidade global, sustenta a valorização desses papéis.

Esse movimento evidencia como as tarifas de Trump à Europa se inserem em um contexto mais amplo de reconfiguração das prioridades geopolíticas e de segurança no continente.

Moedas sob pressão e foco na coroa dinamarquesa

A coroa dinamarquesa permaneceu sob atenção especial dos investidores. Embora tenha se enfraquecido, a moeda segue próxima da taxa central à qual está atrelada ao euro. Os diferenciais de juros continuam sendo fator determinante para sua estabilidade, mesmo diante das tarifas de Trump à Europa.

O comportamento da moeda reflete a percepção de que, apesar da pressão política, o regime cambial dinamarquês segue sólido.

Retorno da guerra comercial EUA-UE

Para estrategistas geopolíticos, o episódio sinaliza o retorno explícito da guerra comercial entre Estados Unidos e União Europeia. A imposição das tarifas de Trump à Europa ocorre em um momento sensível, logo após a assinatura de um acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul, reforçando o caráter estratégico da decisão americana.

Essa coincidência amplia a leitura de que Washington busca reafirmar sua posição em um tabuleiro global cada vez mais fragmentado.

Múltiplos focos de tensão global

A disputa envolvendo a Groenlândia é apenas um dos diversos pontos de tensão em curso. Trump também sinalizou possibilidade de intervenção no Irã, além de reacender preocupações institucionais ao ameaçar medidas contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

Esses fatores se somam às <strong data-start=”7403″ data-end=”7432″>tarifas de Trump à Europa na formação de um ambiente de risco elevado, em que a credibilidade da política econômica dos Estados Unidos passa a ser questionada.

Ouro dispara como ativo de refúgio

Nesse contexto, o ouro assumiu protagonismo. O metal precioso subiu mais de 1% no dia, atingindo um novo recorde histórico, e acumula valorização expressiva no ano. A busca por proteção reflete o receio de que as tarifas de Trump à Europa, combinadas com tensões institucionais internas nos EUA, ampliem a instabilidade financeira global.

Risco de repatriação de capital

Economistas avaliam que uma escalada nas tensões com a Europa pode incentivar investidores europeus a repatriar capital e reduzir exposição a ativos americanos. Esse movimento teria potencial para pressionar ainda mais o dólar e afetar setores com valuations elevados, como o de tecnologia.

As tarifas de Trump à Europa, portanto, não se limitam a impactos comerciais diretos, mas carregam implicações profundas para fluxos globais de capital.

Confronto econômico como principal risco global

A percepção de risco é corroborada por pesquisas recentes que apontam o confronto econômico entre países como a maior ameaça global, superando inclusive conflitos armados. A retomada das tarifas de Trump à Europa reforça essa leitura e coloca o comércio internacional novamente no centro das preocupações dos mercados.

Dentro da União Europeia, cresce a pressão pela ativação de instrumentos de retaliação econômica, capazes de restringir acesso a licitações, investimentos e serviços financeiros, especialmente em áreas onde os Estados Unidos mantêm superávit.

Um cenário que exige cautela

O episódio envolvendo as tarifas de Trump à Europa evidencia que o cenário global segue altamente sensível a decisões políticas. Para investidores e formuladores de política econômica, o desafio será navegar em um ambiente marcado por volatilidade, riscos geopolíticos crescentes e mudanças abruptas nas regras do jogo comercial.

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