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Vale (VALE3) ainda está barata demais, diz JP Morgan ao elevar preço-alvo para R$ 104

Banco mantém recomendação de compra para a mineradora e vê potencial de alta de quase 26%, apesar da pressão recente sobre o minério de ferro

por Camila Braga
22/05/2026 às 23h55
em Ibovespa
Vale (Vale3) Volta À Carteira De Dividendos Da Empiricus Após Avanço Em Metais Básicos - Gazeta Mercantil

A Vale (VALE3) segue negociando com desconto elevado em relação às grandes mineradoras globais, mesmo em meio à pressão sobre o minério de ferro, segundo avaliação do JP Morgan. Em relatório divulgado nesta sexta-feira, 22 de maio, o banco elevou o preço-alvo da ação de R$ 99 para R$ 104 e manteve a recomendação overweight, equivalente à compra, ao afirmar que a companhia continua sendo uma das teses mais descontadas do setor global de mineração.

O novo preço-alvo para Vale (VALE3) implica potencial de valorização de quase 26% em relação ao último fechamento. O JP Morgan também reiterou o preço-alvo de US$ 19,50 para o ADR da mineradora negociado em Nova York, o que representa espaço para alta de 18,4% frente ao fechamento anterior.

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Apesar da visão positiva do banco, as ações da Vale (VALE3) operavam sem direção firme nesta sexta-feira, acompanhando a volatilidade do minério de ferro no mercado internacional. Por volta das 15h20, no horário de Brasília, os papéis subiam 0,25% no Ibovespa, cotados a R$ 82,85. No mesmo horário, o ADR da companhia era negociado perto da estabilidade na Bolsa de Nova York, a US$ 16,48.

JP Morgan vê desconto excessivo em Vale (VALE3)

Segundo o JP Morgan, a Vale (VALE3) negocia atualmente a 4,9 vezes EV/Ebitda, indicador que compara o valor da firma à geração operacional de caixa. O múltiplo está abaixo da média de 6,9 vezes observada entre as grandes mineradoras globais no cenário-base do banco.

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Para os analistas Rodolfo Angele e Tathiane Candini, esse desconto não reflete a qualidade dos ativos, o histórico de execução e o potencial do portfólio da mineradora. No relatório, eles afirmam que a Vale (VALE3) é “sólida demais” para negociar nesse patamar de desconto.

A avaliação considera que a companhia reúne ativos de classe mundial, vantagens estruturais de custo, balanço saudável e perspectivas de crescimento na divisão de cobre. Esses fatores, segundo o banco, sustentam a tese de valorização mesmo diante de um ambiente mais desafiador para o minério de ferro.

O JP Morgan também destaca a alavancagem controlada da Vale (VALE3), atualmente em torno de 1 vez dívida líquida/Ebitda. O indicador mede a relação entre endividamento líquido e capacidade de geração de caixa da empresa.

Geração de caixa e dividendos sustentam tese

Outro ponto central da análise do JP Morgan é a capacidade da Vale (VALE3) de gerar caixa e remunerar acionistas. O banco afirma que a mineradora entrega os maiores retornos em geração de caixa livre e dividendos entre as empresas comparáveis analisadas.

No cenário de preços à vista, a Vale (VALE3) teria FCF yield de 7%, indicador que mede a geração de caixa livre em relação ao valor de mercado. O dividend yield projetado seria de 6,2%.

Esses patamares ficam acima das médias dos pares globais, de 4,4% para geração de caixa livre e 4,1% para dividendos. Para investidores, esse diferencial reforça a atratividade da ação em uma tese que combina desconto, balanço forte e retorno ao acionista.

A política de remuneração da Vale (VALE3) é acompanhada de perto pelo mercado porque a companhia costuma distribuir dividendos relevantes em ciclos favoráveis de commodities. A sustentabilidade desses pagamentos, porém, depende da geração de caixa, do preço do minério de ferro, do câmbio, dos investimentos e da disciplina de capital.

Banco revisa projeções após resultado trimestral

O JP Morgan também revisou suas projeções para a Vale (VALE3) após os resultados do primeiro trimestre de 2026. As novas estimativas incorporam ajustes para câmbio, preços das commodities e desempenho operacional.

O banco passou a trabalhar com minério de ferro a US$ 99 por tonelada em 2026 e US$ 93 por tonelada em 2027. Para este ano, a projeção de Ebitda da mineradora é de US$ 17,3 bilhões.

O Ebitda, que representa o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, é uma das principais métricas usadas por analistas para avaliar empresas intensivas em capital, como mineradoras. No caso da Vale (VALE3), o indicador é fortemente influenciado por minério de ferro, volumes vendidos, custos, câmbio e desempenho das operações de metais básicos.

A revisão do preço-alvo sugere que, mesmo com premissas mais cautelosas para a commodity, o banco ainda vê espaço para valorização relevante das ações.

Minério de ferro segue como principal risco

A avaliação positiva do JP Morgan ocorre em um momento delicado para o mercado de minério de ferro. A commodity enfrenta pressão por dúvidas sobre a demanda global, controle da produção siderúrgica na China e expectativa de aumento da oferta nos próximos anos.

Entre os fatores citados pelo banco estão medidas mais rígidas de controle da produção de aço na China, o avanço do projeto Simandou, na Guiné, e a alta dos custos de frete e energia.

O projeto Simandou é acompanhado de perto pelo mercado porque deve ampliar a oferta global de minério de ferro de alta qualidade. A entrada de novos volumes pode pressionar preços no médio prazo, especialmente se a demanda chinesa continuar desacelerando.

Nesta sexta-feira, o contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian, na China, fechou em leve queda de 0,13%, a 792 iuanes, equivalentes a US$ 116,51 por tonelada. Na semana, a commodity acumulou perda de 2,5%, caminhando para a segunda queda semanal consecutiva.

Mesmo assim, o minério ainda era negociado acima da estimativa do JP Morgan para 2026, de US$ 99 por tonelada.

China continua no centro da tese da Vale

A China permanece como o principal vetor de atenção para investidores em Vale (VALE3). O país é o maior consumidor global de minério de ferro e influencia diretamente preços, demanda e expectativas para o setor.

A desaceleração do setor imobiliário chinês, as políticas de controle da produção siderúrgica e os estímulos econômicos do governo de Pequim costumam ter impacto direto sobre a commodity. Quando há expectativa de maior atividade industrial e construção, o minério tende a reagir positivamente. Quando a demanda enfraquece, os preços sofrem pressão.

No curto prazo, o consumo ainda resiliente na China ajudou a limitar parte das perdas da commodity. No entanto, o mercado segue cauteloso com o enfraquecimento sazonal da demanda e com a possibilidade de aumento da oferta global.

Para a Vale (VALE3), esse cenário exige disciplina operacional e controle de custos. A companhia tem vantagem competitiva por operar ativos de alta qualidade, mas continua exposta ao ciclo global de commodities.

Cobre aparece como avenida de crescimento

Além do minério de ferro, o JP Morgan destacou as perspectivas de crescimento da Vale (VALE3) na divisão de cobre. O metal é considerado estratégico para eletrificação, redes de transmissão, energia renovável, veículos elétricos e infraestrutura.

A demanda por cobre tende a crescer com a transição energética global, o que pode abrir espaço para maior diversificação do portfólio da mineradora. Para analistas, essa frente ajuda a reduzir parte da dependência da Vale (VALE3) em relação ao minério de ferro no longo prazo.

Ainda assim, a divisão de metais básicos precisa ganhar escala e entregar resultados consistentes para ter peso maior na avaliação da companhia. O mercado acompanha a execução de projetos, custos, volumes e capacidade da empresa de capturar preços favoráveis.

A leitura do JP Morgan é que o potencial dessa área não está totalmente refletido no preço atual das ações.

Ação oscila, mas tese segue positiva para o banco

A oscilação das ações da Vale (VALE3) nesta sexta-feira mostra que o mercado ainda pondera a pressão sobre o minério de ferro e o cenário externo. Mesmo com a elevação do preço-alvo, investidores seguem cautelosos diante da volatilidade da commodity.

Para o JP Morgan, porém, o desconto da companhia em relação aos pares globais é excessivo. A combinação de ativos de qualidade, baixo custo, geração de caixa, dividendos e crescimento em cobre sustenta a recomendação positiva.

O relatório reforça que a Vale (VALE3) continua sendo uma das principais teses da Bolsa brasileira para investidores expostos a commodities e mineração. O risco central permanece no comportamento do minério de ferro, especialmente diante da China e da entrada de nova oferta global.

Mesmo assim, o banco entende que a ação negocia abaixo do valor justificável por seus fundamentos. A elevação do preço-alvo para R$ 104 reforça essa visão e mantém a mineradora no radar de investidores que buscam empresas com desconto, caixa robusto e potencial de retorno ao acionista.

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