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Yum! Brands (YUM) lucra US$ 853 milhões, mas surto no Taco Bell ameaça crescimento

Receita avançou 12% no segundo trimestre, enquanto a rede mexicana liderou o crescimento; crise sanitária surgiu após o fechamento do balanço

por João Souza
30/07/2026 às 13h58
em Empresas
Kfc - Gazeta Mercantil

A Yum! Brands (YUM), controladora de KFC, Taco Bell, Pizza Hut e Habit Burger & Grill, encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 853 milhões e receita de US$ 2,169 bilhões, mas deixou sem quantificação o efeito financeiro do surto de cicloporíase associado a alface servida em unidades do Taco Bell nos Estados Unidos. Os números divulgados nesta quinta-feira, 30 de julho, abrangem o período encerrado em 30 de junho, antes de as autoridades sanitárias identificarem a ligação epidemiológica entre os casos e o ingrediente fornecido à rede. A companhia citou expressamente o episódio entre os riscos capazes de afetar as vendas e o ritmo de recuperação, porém não apresentou projeção para a perda de receita, o comportamento do tráfego ou as margens nos meses seguintes.

O lucro líquido mais que dobrou em relação aos US$ 374 milhões registrados no mesmo trimestre de 2025, enquanto o lucro diluído por ação subiu de US$ 1,33 para US$ 3,08. A comparação, contudo, foi influenciada por benefícios tributários extraordinários ligados à venda planejada da Pizza Hut e à reorganização de ativos de propriedade intelectual. Excluídos os itens especiais, o lucro líquido foi de US$ 449 milhões, ante US$ 405 milhões um ano antes, e o lucro ajustado por ação alcançou US$ 1,62, avanço de 12% sobre os US$ 1,44 do segundo trimestre de 2025. O resultado operacional, portanto, cresceu em ritmo bem inferior ao salto mostrado pelo lucro contábil.

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A receita consolidada aumentou 12%, de US$ 1,933 bilhão para US$ 2,169 bilhões. As vendas realizadas diretamente por restaurantes controlados pela companhia avançaram 25%, para US$ 837 milhões, enquanto as receitas de franquias e propriedades cresceram 7%, para US$ 895 milhões. O lucro operacional subiu 5%, para US$ 655 milhões, e as vendas do sistema, indicador que inclui o faturamento das unidades próprias e franqueadas, aumentaram 5% sem o efeito da conversão cambial. A base global ganhou 1.053 restaurantes brutos no trimestre, levando a expansão líquida de unidades a 5%.

Taco Bell lidera desempenho antes da crise sanitária

O Taco Bell permaneceu como o principal vetor de crescimento da Yum! Brands no período anterior ao surto. As vendas do sistema da divisão avançaram 9%, as vendas em mesmas lojas cresceram 7% e o lucro operacional aumentou 19%, para US$ 311 milhões. Nos Estados Unidos, as vendas do sistema também subiram 9%, com expansão de 7% nas unidades comparáveis e margem de 26,2% nos restaurantes próprios. A rede terminou junho com 9.046 unidades, 3% acima do total registrado um ano antes, após abrir 54 restaurantes brutos em 15 países durante o trimestre.

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Esse desempenho torna o episódio sanitário especialmente relevante para a estratégia da controladora. A Yum! está vendendo a Pizza Hut e pretende operar com um portfólio mais concentrado, no qual Taco Bell e KFC terão peso ainda maior na geração de vendas, royalties e lucro. Excluída a Pizza Hut, as vendas do sistema cresceram 7% no trimestre, o número de unidades aumentou 6%, as vendas em mesmas lojas avançaram 4% e o lucro operacional ajustado subiu 8%. As vendas digitais das marcas remanescentes se aproximaram de US$ 9 bilhões e representaram mais de 60% do total.

O comunicado de resultados não incorporou o efeito da cicloporíase porque o trimestre terminou duas semanas antes de a investigação federal ganhar forma pública. Mesmo assim, a Yum! alterou sua seção de advertências para incluir, de maneira específica, o impacto do surto de julho de 2026, seus possíveis reflexos sobre as vendas e a velocidade de recuperação. A formulação mostra que a administração reconhece a materialidade potencial do caso, embora ainda não tenha fornecido dados suficientes para estimar o tamanho do choque. Para investidores e franqueados, a variável decisiva passa a ser a duração da retração de demanda, e não o desempenho histórico encerrado em junho.

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Autoridades ligam casos a alface de fornecedor mexicano

A investigação conduzida pela Food and Drug Administration, pelos Centers for Disease Control and Prevention e por autoridades estaduais relacionou o surto a alface-americana proveniente do centro do México e fornecida pela Taylor Farms de Mexico. Na atualização de 24 de julho, os órgãos contabilizavam 1.947 pessoas infectadas por Cyclospora que relataram exposição ao Taco Bell em nove Estados. Pelo menos 98 pacientes foram hospitalizados e nenhuma morte havia sido registrada. Os sintomas começaram entre 22 de junho e 20 de julho, período que atravessa o fim do trimestre financeiro da Yum!, mas se estende majoritariamente para julho.

O cruzamento epidemiológico teve um ponto relevante em Michigan. Autoridades locais analisaram as exposições alimentares de 190 pessoas que afirmaram ter comido no Taco Bell antes de adoecer, e 90% relataram consumo de alface-americana. O rastreamento da FDA convergiu para um único fornecedor usado pelas unidades frequentadas pelos pacientes, embora nem todos os restaurantes da rede nos Estados envolvidos recebessem produto da mesma origem. Em 17 de julho, a Taylor Farms de Mexico iniciou a retirada voluntária de toda a alface-americana procedente do centro do México destinada ao mercado dos Estados Unidos.

A FDA esclareceu que uma amostra inicialmente tratada como positiva foi posteriormente classificada como falso positivo após revisão laboratorial. Em 19 de julho, não havia resultado positivo confirmado em amostras do produto, mas a agência afirmou que essa correção não alterava a base da investigação nem a força dos dados epidemiológicos e de rastreamento. A distinção é importante: a ligação oficial não dependia, até aquele momento, de confirmação laboratorial direta na alface recolhida, mas da convergência entre histórico de consumo, distribuição do ingrediente e cadeia de fornecimento. O Taco Bell se comprometeu a interromper o uso da alface vinculada ao fornecedor investigado.

KFC cresce com expansão internacional

Enquanto o risco sanitário se concentra no Taco Bell, o KFC apresentou crescimento apoiado sobretudo na expansão da rede fora dos Estados Unidos. A divisão encerrou o trimestre com 34.747 restaurantes, alta de 7% em um ano, depois de abrir 660 unidades brutas em 55 países. As vendas do sistema cresceram 6% sem efeito cambial, as vendas em mesmas lojas avançaram 2% e o lucro operacional aumentou 13%, para US$ 410 milhões. A margem operacional da divisão subiu 1,6 ponto percentual, para 44,3%.

A China, responsável por 26% das vendas do sistema KFC, registrou crescimento de 6% no trimestre. A Ásia avançou 10%, a América Latina cresceu 10%, o Reino Unido ganhou 10% e o conjunto formado por Oriente Médio, Turquia e Norte da África aumentou 20%. O desempenho foi mais fraco nos Estados Unidos, onde as vendas do sistema recuaram 2%, e no Canadá, com queda de 1%. A combinação evidencia a dependência do KFC de mercados internacionais para sustentar o avanço consolidado e compensar a fraqueza em seu mercado doméstico.

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Pizza Hut perde vendas antes de deixar o portfólio

A Pizza Hut voltou a destoar das demais divisões. As vendas do sistema recuaram 2% sem efeito cambial, as vendas em mesmas lojas caíram 1% e o lucro operacional diminuiu 12%, para US$ 70 milhões. Nos Estados Unidos, que representam 40% das vendas da rede, o faturamento do sistema caiu 5% e as vendas comparáveis recuaram 2%. Na Europa, a retração chegou a 11%, enquanto a China apresentou crescimento de 4%. A margem operacional caiu 5,9 pontos percentuais, para 27,6%.

A Yum! assinou em junho dois acordos para vender a Pizza Hut por valor agregado de US$ 2,7 bilhões. A operação fora da China será adquirida pela LongRange Capital por aproximadamente US$ 1,5 bilhão, com possibilidade de pagamento adicional de US$ 75 milhões até 2030. A unidade chinesa será comprada pela Yum China por cerca de US$ 1,2 bilhão. Depois de impostos, ajustes de fechamento e taxas vinculadas às transações, a controladora estima receber aproximadamente US$ 2,3 bilhões líquidos, excluído o eventual pagamento adicional.

As vendas dependem de condições de fechamento e aprovações regulatórias, e a companhia espera concluí-las no terceiro trimestre de 2026. Depois disso, a Pizza Hut deixará de ser apresentada como divisão nos balanços. A empresa prevê despesas únicas de aproximadamente US$ 85 milhões para executar a separação, enquanto o conselho autorizou um programa adicional de recompra de ações de US$ 4 bilhões.

Benefício tributário amplia lucro contábil

O salto do lucro líquido no trimestre decorreu, em grande medida, de efeitos tributários relacionados à Pizza Hut. A Yum! reconheceu benefício fiscal diferido líquido de US$ 359 milhões após a assinatura dos acordos definitivos de venda, além de benefícios associados à reorganização interna e à transferência de direitos de propriedade intelectual. No total, os itens especiais produziram benefício tributário de US$ 449 milhões no trimestre. Sem esses efeitos e outras despesas extraordinárias, o lucro líquido ajustado teria sido de US$ 449 milhões, praticamente metade do valor contábil reportado.

O balanço do segundo trimestre oferece, portanto, uma fotografia anterior à crise sanitária. A força do Taco Bell até junho, a expansão internacional do KFC e a decisão de vender a Pizza Hut sustentam a estratégia de concentração do grupo, mas também elevam a importância de uma recuperação rápida da rede mexicana. Como a maior parte dos casos e das medidas de retirada ocorreu em julho, o terceiro trimestre será o primeiro a refletir o efeito completo sobre vendas, royalties e margens. Até que a Yum! divulgue dados adicionais, qualquer estimativa financeira permanece incerta.

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