Itaú Unibanco (ITUB4) lidera recomendações de ações para janeiro e consolida favoritismo entre analistas
O Itaú Unibanco (ITUB4) inicia o ano no topo das preferências do mercado acionário brasileiro. Levantamento realizado a partir das carteiras recomendadas de ações para janeiro, divulgadas por 17 instituições financeiras, mostra o banco como o papel mais citado, com presença em 12 listas. O desempenho coloca o Itaú à frente da Vale (VALE3), que havia liderado o ranking no mês anterior, e reforça a percepção de solidez do maior banco privado do país em um momento de transição no cenário macroeconômico.
A divulgação das carteiras ocorre após o Ibovespa encerrar o ano anterior com valorização expressiva de 34%, refletindo expectativas positivas em relação ao início de um ciclo de cortes de juros, ao aumento da liquidez global e ao avanço do calendário eleitoral no Brasil. Nesse contexto, analistas e gestores buscam ativos capazes de combinar resiliência, geração consistente de resultados e potencial de valorização no médio e longo prazos.
Por que o Itaú Unibanco (ITUB4) lidera as indicações
Na avaliação de diversas casas de análise, o Itaú se diferencia por um modelo de negócios robusto e pela posição consolidada no sistema financeiro nacional. A escala operacional, a diversificação de receitas e a capacidade histórica de atravessar diferentes ciclos econômicos sustentam a leitura de que o banco tende a apresentar desempenho superior em cenários adversos, ao mesmo tempo em que captura ganhos adicionais em períodos de expansão.
Segundo a Rico, o ITUB4 permanece em ampla tendência de alta sob o ponto de vista técnico, sem sinais claros de reversão. Esse comportamento reforça a atratividade do papel para manutenção em carteira, especialmente para investidores que buscam exposição a ativos líquidos e com histórico consistente de retorno.
Do ponto de vista fundamentalista, o Itaú negocia a aproximadamente 1,95 vez o valor patrimonial. Embora esse patamar represente um prêmio em relação a concorrentes diretos, analistas avaliam que o múltiplo é justificado pela rentabilidade superior, pela eficiência operacional e pela execução consistente da estratégia ao longo dos anos. A leitura predominante é de que o mercado reconhece a capacidade do banco de transformar escala e tecnologia em geração recorrente de valor.
A Empiricus Research destaca que segue confiante na habilidade do Itaú de ampliar resultados tanto pela expertise na concessão de crédito quanto pelas alavancas de eficiência derivadas do processo contínuo de transformação digital. O investimento em tecnologia, automação e análise de dados tem permitido ao banco reduzir custos, melhorar a experiência do cliente e manter níveis de inadimplência sob controle.
Crédito, spreads e perspectivas para 2026
Analistas do Santander avaliam que o Itaú deve acelerar a concessão de empréstimos em segmentos específicos, sobretudo após a estabilização dos índices de inadimplência da carteira de crédito. A expectativa é de que a retomada do crédito ocorra de forma seletiva, priorizando linhas com melhor relação risco-retorno.
Outro fator relevante é a projeção de crescimento de dois dígitos do NII (net interest income), impulsionado pela melhora dos spreads. Em um cenário de queda gradual da taxa básica de juros, a capacidade de precificar corretamente o risco e manter margens saudáveis tende a diferenciar os grandes bancos, favorecendo instituições com estrutura de funding mais eficiente.
Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que o ITUB4 se mantém como a principal aposta de analistas para o início do ano, mesmo em um ambiente marcado por incertezas fiscais e políticas.
Vale (VALE3) perde a liderança, mas segue como destaque
Na segunda posição entre os papéis mais recomendados para janeiro aparece a Vale (VALE3), com 10 indicações. Apesar de ter perdido a liderança do ranking, a mineradora continua sendo vista como um ativo relevante para exposição ao setor de commodities.
De acordo com o Safra, mesmo após a redução de exposição em algumas carteiras, a visão para a Vale permanece construtiva. O banco aponta um cenário mais favorável para produção e custos, além da expectativa de manutenção dos preços do minério de ferro acima de US$ 100 por tonelada. Esse patamar de preços contribui para a geração de caixa e para a sustentação da política de remuneração aos acionistas.
Outro ponto destacado é a postura considerada mais amigável ao acionista, seja por meio do pagamento de dividendos, seja por recompras de ações. Essas iniciativas tendem a dar suporte ao preço do papel, especialmente em momentos de maior volatilidade do mercado internacional.
O Santander também avalia que o minério de ferro deve se beneficiar de custos globais de produção mais elevados e de investimentos robustos em infraestrutura, fatores que podem compensar o aumento gradual da oferta com o ramp-up da mina de Simandou.
Localiza (RENT3) se destaca pelo balanço sólido
Na terceira colocação do ranking aparece a Localiza (RENT3), com oito recomendações. A empresa é vista como uma das principais representantes do setor de mobilidade, combinando escala, eficiência operacional e disciplina financeira.
Para a Rico, o balanço sólido e a estratégia consistente reforçam a atratividade da Localiza para investidores que buscam exposição ao segmento. Em um cenário de expectativa de queda dos juros, a empresa tende a se beneficiar da redução do custo de capital, o que pode impulsionar investimentos e melhorar margens.
Além disso, a análise gráfica indica um possível padrão de reversão da tendência de baixa no gráfico semanal, abrindo espaço para uma retomada de alta. Esse conjunto de fatores explica a presença recorrente do papel nas carteiras recomendadas.
Petrobras, Bradesco, Prio e Equatorial no radar
Na sequência do levantamento aparecem Petrobras (PETR4), Bradesco (BBDC4), Prio (PRIO3) e Equatorial (EQLT3), todas com sete recomendações cada. O grupo reflete a diversidade de estratégias adotadas pelas instituições, que buscam equilibrar exposição a setores defensivos, cíclicos e ligados a commodities.
A Petrobras segue como uma aposta relevante para investidores interessados em geração de caixa e distribuição de dividendos, embora fatores políticos continuem no radar. O Bradesco aparece como alternativa no setor bancário, com potencial de recuperação operacional. Já a Prio e a Equatorial representam teses ligadas, respectivamente, à exploração de petróleo e ao setor elétrico, ambos considerados estratégicos em diferentes cenários macroeconômicos.
Cyrela (CYRE3) e Sabesp (SBSP3) completam a lista
Fechando o ranking, Cyrela (CYRE3) e Sabesp (SBSP3) aparecem com seis recomendações cada. A Cyrela é vista como uma das principais representantes do setor imobiliário, que tende a se beneficiar de um ambiente de juros mais baixos e maior acesso ao crédito. A Sabesp, por sua vez, ganha destaque em meio às discussões sobre investimentos em saneamento e eventuais mudanças estruturais no setor.
Liquidez global e cenário macro favorecem ativos brasileiros
Em uma visão mais ampla, a Empiricus Research avalia que o Brasil pode surpreender em 2026, impulsionado pelo enfraquecimento estrutural do dólar e pelo aumento da liquidez global. A desaceleração da economia dos Estados Unidos abre espaço para novos cortes de juros, o que tende a favorecer o fluxo de capital para mercados emergentes.
No caso brasileiro, a combinação de juro real elevado, inflação convergindo para a meta e perspectiva de flexibilização monetária sustenta a avaliação de fechamento adicional da curva de juros e expansão de múltiplos. Mesmo com o avanço do risco eleitoral ao longo do ano, fatores técnicos e macroeconômicos seguem dando suporte ao mercado acionário.
Levantamento reúne 17 instituições e 63 ações
O levantamento considerou as carteiras recomendadas de ações divulgadas por 17 instituições financeiras. Para janeiro, foram indicadas 63 ações, totalizando 185 recomendações. Participaram da amostra Ágora Investimentos, Andbank, Ativa Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, Daycoval, Empiricus Research, Genial Investimentos, Itaú BBA, Monte Bravo, Planner, Rico, Santander, Terra Investimentos, Toro Investimentos e XP Investimentos.
A liderança do Itaú Unibanco (ITUB4) nesse conjunto amplo de análises reforça o papel do banco como uma das principais referências do mercado de capitais brasileiro, especialmente em um momento de transição econômica e de reavaliação das estratégias de investimento.






