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Safra retira Itaú (ITUB4) da carteira de dividendos para fevereiro e muda estratégia

por João Souza - Repórter de Negócios
07/02/2026 às 11h03
em Negócios, Destaque, Notícias
Safra Retira Itaú (Itub4) Da Carteira De Dividendos Para Fevereiro E Muda Estratégia - Gazeta Mercantil

Safra retira Itaú (ITUB4) de carteira de dividendos para fevereiro e promove mudanças estratégicas no portfólio

A decisão do Banco Safra de retirar o Itaú Unibanco (ITUB4) de sua carteira recomendada de dividendos para fevereiro de 2026 marca um movimento relevante de realocação estratégica no mercado acionário brasileiro, em um momento de reavaliação do perfil defensivo das companhias listadas na B3. A mudança ocorre em meio a um cenário de seletividade maior por parte das instituições financeiras, que buscam equilibrar previsibilidade de resultados, crescimento sustentável e retorno ao acionista.

Além do Itaú, o Safra também excluiu BB Seguridade (BBSE3) e Telefônica Brasil (VIVT3) da carteira mensal, substituindo os papéis por Caixa Seguridade (CXSE3), Itaúsa (ITSA4) e TIM (TIMS3). O conjunto de alterações reflete uma leitura mais cautelosa do ambiente macroeconômico e do desempenho relativo dos setores bancário, de seguros e de telecomunicações.

Rebalanceamento reflete mudança de estratégia para fevereiro

Segundo a avaliação do Banco Safra, a revisão da carteira de dividendos para fevereiro de 2026 tem como objetivo aprimorar o perfil risco-retorno do portfólio, mantendo foco em empresas com capacidade comprovada de geração de caixa e política consistente de distribuição de proventos. A exclusão do Itaú Unibanco (ITUB4) não está associada a uma deterioração operacional do banco, mas a uma estratégia de realocação dentro do próprio conglomerado financeiro.

Na leitura do Safra, o momento favorece a holding Itaúsa (ITSA4), que concentra participações relevantes no Itaú e em outros ativos estratégicos, oferecendo ao investidor exposição semelhante, porém a múltiplos considerados mais atrativos e com perfil mais defensivo.

Caixa Seguridade ganha espaço na carteira

Entre as inclusões, a Caixa Seguridade (CXSE3) se destaca como uma das principais apostas do Safra para fevereiro. O banco avalia que a companhia apresenta fundamentos sólidos, crescimento resiliente e expansão consistente de margens, sustentados por um modelo de negócios altamente integrado à estrutura da Caixa Econômica Federal.

A expectativa de crescimento da Caixa Seguridade gira em torno de 6% em 2026, impulsionada principalmente pelo avanço dos seguros habitacional e imobiliário, segmentos que se beneficiam tanto da retomada gradual do crédito quanto da demanda estrutural por habitação no país. O valuation atrativo também pesa na decisão, reforçando o apelo da ação em estratégias voltadas à renda.

Itaúsa substitui Itaú em busca de múltiplos mais atrativos

A entrada da Itaúsa (ITSA4) ocorre em um contexto de reprecificação relativa dentro do setor financeiro. Para o Safra, a holding negocia a múltiplos abaixo de sua média histórica, o que amplia sua margem de segurança em um ambiente de maior volatilidade nos mercados.

Além disso, a Itaúsa oferece uma política de dividendos previsível e um portfólio diversificado de participações, o que dilui riscos e fortalece o caráter defensivo do investimento. A substituição do Itaú Unibanco (ITUB4) por ITSA4 sinaliza uma preferência por estruturas societárias que concentram valor e oferecem potencial adicional de retorno ao acionista.

TIM entra na carteira com expectativa de catalisador de curto prazo

Outra mudança relevante promovida pelo Safra foi a inclusão da TIM (TIMS3), em substituição à Telefônica Brasil (VIVT3). De acordo com o banco, a TIM apresenta resultados operacionais consistentes e mantém uma trajetória de eficiência que sustenta sua capacidade de geração de caixa.

O principal diferencial, no entanto, está na expectativa de um catalisador de curto prazo: o anúncio do plano estratégico da companhia, previsto para fevereiro. A leitura do Safra é que o novo direcionamento pode destravar valor adicional para os acionistas, reforçando o apelo do papel dentro de uma carteira focada em dividendos.

Motivos para as exclusões da carteira

A saída da BB Seguridade (BBSE3) reflete um ambiente operacional ainda considerado desafiador. Apesar da solidez do modelo de negócios, o Safra avalia que fatores conjunturais e pressões específicas do setor reduzem, no curto prazo, o potencial de valorização e distribuição de proventos da companhia.

No caso do Itaú Unibanco (ITUB4), a exclusão está diretamente relacionada à realocação estratégica para a Itaúsa (ITSA4), sem prejuízo à avaliação positiva dos fundamentos do banco. Já a retirada da Telefônica Brasil (VIVT3) decorre de uma análise de performance relativa dentro do setor de telecomunicações, que levou o Safra a priorizar a TIM neste momento.

Dividend yield estimado reforça atratividade da carteira

Mesmo com as mudanças, o Banco Safra projeta um dividend yield estimado de 7,8% para a carteira de fevereiro de 2026. O patamar é considerado competitivo frente às alternativas de renda fixa e a outras estratégias de renda variável, especialmente em um cenário de juros ainda elevados e crescimento econômico moderado.

A composição do portfólio mantém exposição a setores estratégicos da economia brasileira, como energia, mineração, petróleo, bancos, seguros e telecomunicações, equilibrando previsibilidade de caixa e potencial de valorização.

Carteira recomendada de dividendos do Safra para fevereiro de 2026

A carteira final recomendada pelo Safra para fevereiro reúne dez ações, selecionadas com base em critérios de geração de caixa, histórico de pagamento de dividendos e perspectivas setoriais:

JBS (JBSS32), com dividend yield estimado de 6,1%;
Caixa Seguridade (CXSE3), com 7,9%;
Itaúsa (ITSA4), com 8,7%;
Bradesco (BBDC4), com 7,8%;
Petrobras (PETR4), com 12,1%;
Vale (VALE3), com 6,9%;
Gerdau (GGBR4), com 3,9%;
CPFL Energia (CPFE3), com 8,4%;
TIM (TIMS3), com 7,9%;
Copel (CPLE3), com 8,0%.

Estratégia do Safra reflete cautela e seletividade do mercado

A retirada do Itaú Unibanco (ITUB4) da carteira de dividendos para fevereiro simboliza um movimento mais amplo de cautela e seletividade por parte das casas de análise. Em vez de apostas generalistas, o Safra prioriza ajustes finos, buscando ativos que ofereçam maior eficiência na alocação de capital em um ambiente de incertezas globais e desafios fiscais domésticos.

O reposicionamento também indica uma tendência de maior valorização de holdings, seguradoras e empresas com gatilhos estratégicos claros, em detrimento de nomes tradicionais cuja performance relativa pode estar momentaneamente limitada.

Mercado acompanha realocações com atenção

As mudanças promovidas pelo Banco Safra tendem a ser acompanhadas de perto por investidores institucionais e pessoas físicas, sobretudo aqueles com foco em renda passiva. A exclusão do Itaú Unibanco (ITUB4), mesmo sem alteração negativa nos fundamentos do banco, reforça a importância da análise comparativa e do timing na construção de carteiras de dividendos.

O movimento também evidencia que, em 2026, a estratégia vencedora passa menos por nomes consagrados isoladamente e mais por estruturas que combinam eficiência, valuation atrativo e capacidade de adaptação ao novo ciclo econômico.

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