O Ibovespa ampliava as perdas na manhã desta sexta-feira, 22 de maio de 2026, pressionado por ações de grande peso, especialmente as da Petrobras (PETR3; PETR4), enquanto investidores acompanhavam as negociações entre Estados Unidos e Irã e aguardavam a divulgação de novas informações sobre a execução fiscal do governo brasileiro.
Às 11h18, o principal índice da B3 recuava 1,30%, aos 175.348 pontos, depois de renovar sucessivamente as mínimas do pregão. O movimento ocorria na contramão das principais Bolsas internacionais, que operavam em alta diante da expectativa de algum avanço diplomático no Oriente Médio.
No mercado de câmbio, o dólar comercial subia e chegou a R$ 5,022. A curva de juros futuros apresentava variações limitadas e sem direção única, refletindo a combinação entre o aumento do preço do petróleo, as incertezas externas e a expectativa pelo Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do segundo bimestre.
As ações da Petrobras operavam em queda mesmo com a valorização da commodity no exterior. Os papéis ordinários recuavam 1,41% no início da sessão, enquanto os preferenciais perdiam 1,51%.
Vale (VALE3) também oscilava no campo negativo, acompanhando a queda do minério de ferro na China. Entre os grandes bancos, o desempenho era misto, sem força suficiente para compensar a pressão exercida pelas empresas de maior participação no Ibovespa.
Índice acelera queda durante a manhã
O Ibovespa iniciou o pregão com baixa preliminar de 0,21%, aos 177.278 pontos, mas perdeu força rapidamente após a abertura das negociações.
Às 10h08, o índice recuava 0,68%, aos 176.437 pontos. Às 10h34, a queda alcançou 0,96%, com o indicador aos 175.947 pontos.
A deterioração continuou na hora seguinte. Às 11h18, o Ibovespa marcava 175.348 pontos, baixa de 1,30%, aproximando-se das mínimas do dia.
A pressão concentrava-se em ações de empresas com peso elevado na composição do índice. Além de Petrobras e Vale, parte dos bancos, varejistas e companhias sensíveis ao ambiente doméstico operava em queda.
O comportamento contrastava com o fechamento da sessão anterior. Na quinta-feira, o Ibovespa avançou 0,17%, aos 177.649,86 pontos, e acumulava alta de 0,21% na semana.
Apesar da recuperação pontual, o índice ainda registrava perdas de 5,16% em maio e de 5,23% no segundo trimestre. No acumulado de 2026, entretanto, permanecia com valorização de 10,26%.
O índice de volatilidade brasileiro também mostrava aumento da cautela. O VXBR subia 4,46%, aos 19,91 pontos, depois de atingir a máxima da sessão.
Petrobras recua apesar da valorização do petróleo
As ações da Petrobras ficaram entre as principais influências negativas do Ibovespa durante a manhã.
Petrobras ON (PETR3) abriu em queda de 1,41%, enquanto Petrobras PN (PETR4) recuava 1,51%. O movimento ocorreu mesmo com a forte alta dos contratos internacionais de petróleo.
O barril do WTI avançava 1,98%, negociado a US$ 98,26. O Brent, referência utilizada pela Petrobras, subia 2,62%, a US$ 105,27.
A valorização refletia as incertezas relacionadas às negociações entre Estados Unidos e Irã e os riscos envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Embora a alta da commodity possa favorecer as receitas de empresas produtoras, o desempenho das ações também depende de fatores domésticos, da política de preços dos combustíveis, das expectativas de investimento e da percepção sobre interferência política.
O mercado acompanhava ainda a diferença entre os preços praticados no Brasil e as referências internacionais. Estimativas divulgadas pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis indicavam defasagem de 38% no diesel A S10 e de 66% na gasolina A.
Essas estimativas representam comparações entre preços domésticos e valores de importação. Elas podem variar conforme câmbio, custos logísticos, especificações dos combustíveis e condições regionais de mercado.
Defasagens elevadas podem reduzir a competitividade dos importadores e aumentar a pressão por ajustes nas refinarias. Para a Petrobras, a discussão influencia as expectativas sobre margens, geração de caixa e política comercial.
A queda das ações nesta sexta-feira indicava que a valorização do petróleo não era suficiente, naquele momento, para compensar as preocupações específicas relacionadas à companhia e ao mercado brasileiro.
Dólar volta a superar R$ 5,02
O dólar comercial abriu em alta de 0,30%, cotado a R$ 5,015 para compra e a R$ 5,016 para venda.
Durante a manhã, a moeda norte-americana renovou a máxima e avançou 0,43%, a R$ 5,022.
O movimento acompanhava a piora dos ativos brasileiros e uma valorização moderada do dólar no exterior. O índice DXY, que mede a moeda dos Estados Unidos em relação a uma cesta de divisas fortes, subia 0,10%, aos 99,36 pontos.
A primeira parcial da Ptax calculada pelo Banco Central registrou R$ 4,9976 para compra e R$ 4,9982 para venda. Na segunda leitura, os valores avançaram para R$ 5,0145 e R$ 5,0151, respectivamente.
Na sessão anterior, o dólar havia terminado em baixa de 0,06%, vendido a R$ 5,001 e comprado a R$ 5,000. A moeda oscilou entre a mínima de R$ 4,984 e a máxima de R$ 5,025.
A alta observada nesta sexta-feira ainda era limitada, mas demonstrava maior procura por proteção em um dia de queda da Bolsa e de expectativa por informações fiscais.
O comportamento do petróleo também influenciava a análise do câmbio. Uma alta prolongada da energia pode pressionar índices de preços, alterar projeções de juros e afetar fluxos financeiros entre países.
Banco Central vende US$ 1 bilhão em leilões de linha
O Banco Central realizou dois leilões de linha para venda de dólares com compromisso de recompra, em uma operação destinada à rolagem de vencimentos cambiais.
As duas operações movimentaram US$ 1 bilhão. A liquidação das vendas estava programada para 2 de junho.
No leilão de linha A, a autoridade monetária aceitou duas propostas, no total de US$ 500 milhões. A taxa de corte foi de 4,751000%, e a recompra dos dólares ficou prevista para 2 de setembro.
Na linha B, uma proposta de US$ 500 milhões foi aceita, com taxa de corte de 4,811000%. A recompra estava marcada para 4 de novembro.
Os leilões de linha fornecem moeda estrangeira ao mercado por um período determinado. Ao final da operação, o Banco Central recompra os dólares conforme as condições previamente estabelecidas.
Esse tipo de instrumento é utilizado para administrar a liquidez e evitar dificuldades pontuais no mercado cambial, principalmente em datas próximas a vencimentos ou quando existe demanda concentrada por moeda estrangeira.
A realização dos leilões não representava, isoladamente, uma intervenção emergencial para controlar a cotação. As operações já estavam relacionadas à rolagem de compromissos com vencimento em 2 de junho.
Bolsas internacionais avançam com expectativa diplomática
Enquanto o mercado brasileiro recuava, as principais Bolsas internacionais operavam em alta.
Em Nova York, o Dow Jones avançava 0,75% pouco depois da abertura. O S&P 500 subia 0,55%, enquanto o Nasdaq registrava valorização de 0,54%.
Os investidores reagiam a sinais de possível avanço nas conversas entre Washington e Teerã para interromper o conflito no Oriente Médio.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, havia indicado a existência de sinais positivos nas negociações. Ele também afirmou que um acordo dependeria de uma solução para os impasses envolvendo a navegação no Estreito de Ormuz.
As partes ainda divergiam sobre o estoque de urânio mantido pelo Irã e sobre as condições de controle e circulação na rota marítima.
Na Ásia, o índice Nikkei, do Japão, encerrou a sessão em alta de 2,68%. O Shanghai Composite avançou 0,87%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, ganhou 0,86%.
As Bolsas europeias também operavam no campo positivo. O Stoxx 600 subia 0,45%, o DAX avançava 0,68%, o FTSE 100 ganhava 0,28% e o CAC 40 registrava alta de 0,30%.
O desempenho mostrava maior disposição internacional para assumir risco, apesar da permanência de incertezas sobre o petróleo, a inflação e a duração das tensões geopolíticas.
Estreito de Ormuz mantém petróleo sob pressão
O Estreito de Ormuz permanecia no centro das preocupações dos investidores por sua importância para o transporte mundial de petróleo e derivados.
Uma interrupção relevante na rota poderia reduzir a oferta disponível, elevar os custos logísticos e provocar uma nova aceleração nos preços da energia.
Mesmo sem um bloqueio efetivo, o aumento da percepção de risco já pode ser incorporado às cotações dos contratos futuros de petróleo.
Representantes do Irã também mantinham conversas com autoridades do Paquistão sobre propostas destinadas a encerrar o conflito. Os contatos indicavam continuidade dos esforços diplomáticos, mas não asseguravam a obtenção de um acordo.
A divergência sobre o programa nuclear iraniano e sobre a segurança da navegação permanecia como obstáculo central.
O aumento do petróleo também ampliava preocupações inflacionárias na Europa. Autoridades monetárias avaliavam que o choque energético poderia produzir efeitos defasados nos preços, mesmo em caso de resolução relativamente rápida da crise.
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, havia alertado para a possibilidade de a inflação continuar pressionada em razão do repasse gradual dos custos de energia.
Esse cenário limitava as expectativas de flexibilização monetária e mantinha os mercados atentos às decisões dos principais bancos centrais.
Juros futuros têm movimento limitado
Os contratos de juros futuros brasileiros operavam com pequenas variações durante a manhã.
O DI para janeiro de 2027 avançava 0,010 ponto percentual, a 14,050%. O contrato para janeiro de 2028 permanecia estável, a 13,815%.
O DI para janeiro de 2029 subia 0,005 ponto, a 13,850%.
Nos vencimentos mais longos, o contrato para janeiro de 2033 recuava 0,010 ponto, a 14,120%. O DI para janeiro de 2035 caía 0,015 ponto, a 14,130%.
A falta de uma direção única refletia forças distintas sobre a curva. A alta do petróleo reforçava riscos inflacionários, enquanto a expectativa por informações fiscais levava investidores a evitar movimentos mais intensos antes dos anúncios do governo.
O Ministério do Planejamento e Orçamento e o Ministério da Fazenda apresentariam às 15h o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do segundo bimestre de 2026.
O mercado aguardava detalhes sobre a evolução das receitas, o comportamento das despesas e a necessidade de bloqueios ou contingenciamentos no Orçamento.
Os números seriam importantes para avaliar a capacidade do governo de cumprir a meta fiscal e limitar o crescimento da dívida pública.
Vale recua com minério de ferro
As ações da Vale iniciaram o dia em queda de 0,78%, a R$ 81,98. Os papéis chegaram a inverter o sinal, mas voltaram ao campo negativo e eram negociados a R$ 81,91 durante a manhã.
O minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian encerrou a sessão em baixa de 0,13%, a 792 iuanes por tonelada, equivalentes a aproximadamente US$ 116,41.
A commodity foi pressionada por expectativas de aumento da oferta e de enfraquecimento sazonal da demanda chinesa.
O desempenho de Vale possui influência significativa sobre o Ibovespa em razão de sua elevada participação na composição do índice.
Entre os bancos, Banco do Brasil (BBAS3) subia 0,10%, enquanto Bradesco (BBDC4) operava próximo da estabilidade.
Itaú Unibanco (ITUB4) recuava 0,50%, e Santander Brasil (SANB11) caía 0,58%.
O comportamento misto do setor impedia uma contribuição uniforme para o índice. As quedas de Itaú e Santander reforçavam a pressão exercida pelas ações de Petrobras e Vale.
Azzas 2154 sobe com possível reorganização
A Azzas 2154 (AZZA3) figurava entre as principais altas do pregão, com avanço próximo de 5% e a terceira valorização consecutiva.
O mercado avaliava informações sobre uma possível reorganização societária envolvendo Alexandre Birman e Roberto Jatahy, acionistas da companhia formada pela união entre Arezzo&Co e Grupo Soma.
A estrutura em análise poderia incluir a criação e listagem de empresas separadas, com a divisão de marcas e operações atualmente reunidas na Azzas.
Uma eventual cisão poderia reduzir divergências de gestão e permitir que o mercado avaliasse individualmente negócios com características diferentes.
A operação, entretanto, não havia sido confirmada pela empresa. Permaneciam dúvidas sobre a divisão dos ativos, avaliação das marcas, tributação, efeitos jurídicos e cronograma de execução.
A reação positiva das ações representava uma expectativa de solução para o conflito societário, e não a confirmação de que a separação seria realizada.
Relatório fiscal pode definir rumo do pregão
O mercado brasileiro permanecia descolado das Bolsas internacionais durante a manhã de 22 de maio.
Enquanto os índices estrangeiros avançavam com a expectativa de progresso diplomático no Oriente Médio, o Ibovespa era pressionado por Petrobras, Vale, bancos e ações ligadas ao consumo doméstico.
A trajetória do dólar e o aumento do índice de volatilidade reforçavam o ambiente de cautela.
O comportamento dos ativos no restante da sessão dependeria, principalmente, das cotações do petróleo, das informações sobre as conversas entre Estados Unidos e Irã e da apresentação do relatório fiscal do governo.
Os ministros Bruno Moretti, do Planejamento e Orçamento, e Dario Durigan, da Fazenda, tinham entrevista coletiva prevista para as 15h. O documento poderia alterar as expectativas sobre bloqueios de despesas, cumprimento da meta fiscal e trajetória da dívida pública ainda durante o pregão.










