O BTG Pactual Asset Management avançou na aquisição do controle do complexo WTC Sheraton São Paulo, em uma transação bilionária que pode redefinir o futuro de um dos mais tradicionais empreendimentos de hotelaria e eventos do país. Segundo informações obtidas por fontes próximas ao negócio, o processo de diligência foi concluído e restam apenas etapas finais para a formalização da operação, que envolve a compra de participações estratégicas de acionistas históricos do ativo.
Avaliado entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,4 bilhão, o complexo reúne hotel, centro de convenções, shopping corporativo e torre empresarial na região da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, um dos principais polos financeiros da cidade de São Paulo. A movimentação reforça a estratégia do BTG de ampliar sua presença em ativos imobiliários premium com potencial de geração recorrente de receitas.
A operação ocorre em um momento de forte atividade no mercado de transações hoteleiras brasileiro, impulsionado pela recuperação do turismo corporativo, pela retomada dos eventos presenciais e pelo aumento do interesse de investidores institucionais por empreendimentos de uso misto.
Negócio envolve acionistas históricos do empreendimento
De acordo com informações do mercado, a gestora adquiriu a participação de 34% pertencente ao empresário Gilberto Bomeny, considerado um dos idealizadores do complexo, em uma transação estimada em aproximadamente R$ 400 milhões.
Paralelamente, o BTG também chegou a um entendimento com a Leste Investimentos, outra sócia relevante do empreendimento. Os valores envolvidos nessa parcela da negociação não foram divulgados.
Com a conclusão da operação, o BTG Pactual Asset Management assume posição dominante em um dos ativos mais emblemáticos do mercado imobiliário corporativo brasileiro.
A transação reforça a atuação crescente da instituição financeira em investimentos ligados aos segmentos de hospitalidade, real estate e ativos geradores de renda, setores que vêm atraindo capital diante da busca por diversificação e proteção patrimonial.
WTC Sheraton reúne hotel, centro de convenções e complexo corporativo
O ativo negociado vai além da operação hoteleira.
O complexo WTC São Paulo integra diferentes estruturas voltadas ao público corporativo e ao mercado de eventos. O hotel Sheraton São Paulo possui 299 apartamentos, dos quais 117 já passaram por processos de modernização e retrofit.
A infraestrutura inclui ainda restaurante, piscina e heliponto, características consideradas estratégicas para o segmento de hospedagem executiva de alto padrão.
Ao lado do hotel está o WTC Events Center, um dos maiores centros privados de convenções da capital paulista. O espaço reúne cerca de 70 ambientes destinados a congressos, feiras, convenções e eventos empresariais.
Entre os destaques estão o WTC Golden Hall, com aproximadamente 3,1 mil metros quadrados de área, e um teatro com capacidade para 525 espectadores.
Todo o complexo opera de forma integrada ao Shopping D&D e à WTC Business Tower, criando um ecossistema corporativo que combina hospedagem, negócios, comércio e eventos em um único endereço.
Mudança de controle pode provocar alterações na gestão
Uma das consequências esperadas da operação é a possível saída de João Nagy da administração do empreendimento.
Nagy é considerado uma das figuras mais relevantes da trajetória do WTC São Paulo e participou diretamente da consolidação do ativo como referência nacional no segmento de hotelaria corporativa.
Ao longo de décadas, sua atuação esteve associada ao posicionamento estratégico do complexo e à expansão das operações ligadas a eventos empresariais.
Fontes do mercado indicam que a mudança no controle acionário pode levar a uma reestruturação da governança e da gestão operacional do empreendimento.
Embora nenhuma decisão oficial tenha sido anunciada, a troca de comando representa o encerramento de um ciclo iniciado ainda no fim dos anos 1980, quando o projeto começou a ser desenvolvido.
Empreendimento ajudou a transformar a região da Berrini
A história do WTC São Paulo se confunde com a própria transformação urbana da região da Berrini.
Antes da consolidação do eixo empresarial da Zona Sul paulistana, a área ocupada pelo empreendimento era vista como uma fronteira de expansão imobiliária.
Foi nesse contexto que Gilberto Bomeny iniciou o desenvolvimento de um dos primeiros projetos de uso misto em grande escala do Brasil.
A proposta reunia hotel, centro de convenções, escritórios e áreas comerciais em um único complexo integrado, conceito que hoje se tornou comum em grandes centros urbanos, mas que era considerado inovador no período.
Especialistas do setor apontam que o empreendimento teve papel decisivo na atração de empresas nacionais e multinacionais para a região, contribuindo para a valorização imobiliária e para a formação de um dos principais distritos corporativos do país.
Investimento consumiu cerca de US$ 350 milhões
O desenvolvimento do complexo exigiu investimentos estimados em aproximadamente US$ 350 milhões.
O projeto foi estruturado por meio de uma parceria envolvendo a Servelease Empreendimentos Imobiliários, empresa de Gilberto Bomeny, a construtora OAS e diversos fundos de pensão.
A iniciativa foi considerada uma das maiores operações imobiliárias corporativas do país na época.
Com o passar dos anos, fundos de pensão reduziram gradualmente sua participação, ampliando a influência dos controladores privados sobre o empreendimento.
O complexo foi oficialmente inaugurado em 1995 e passou a integrar a rede global da World Trade Centers Association, entidade responsável pela concessão da marca WTC em diferentes países.
Desde então, tornou-se referência para eventos corporativos, encontros empresariais internacionais e hospedagem executiva na capital paulista.
Futuro da bandeira Sheraton entra no radar dos investidores
Além da mudança societária, o mercado acompanha com atenção o futuro da operação hoteleira.
Fontes ligadas ao setor afirmam que o BTG não descarta revisar o contrato de franquia atualmente mantido com a bandeira Sheraton, pertencente à Marriott International.
O acordo estaria se aproximando do vencimento, abrindo espaço para uma eventual renegociação ou até mesmo para a substituição da marca internacional.
Caso uma mudança ocorra, será a terceira bandeira global a operar o hotel desde sua inauguração.
O empreendimento iniciou suas atividades sob a marca Gran Meliá, da rede espanhola Meliá Hotels International.
Em 2007, os proprietários optaram por uma operação temporária com marca própria, denominada WTC Hotel.
No ano seguinte, foi firmado contrato com a então Starwood Hotels & Resorts, controladora da bandeira Sheraton. A Starwood foi posteriormente incorporada pela Marriott International, consolidando uma das maiores redes hoteleiras do mundo.
Uma eventual troca de bandeira poderia alterar estratégias comerciais, programas de fidelidade, posicionamento de mercado e políticas de distribuição internacional do ativo.
Hotelaria corporativa volta ao radar de grandes investidores
A movimentação envolvendo o WTC Sheraton ocorre em um cenário de recuperação consistente da hotelaria corporativa brasileira.
Após anos de volatilidade provocados por mudanças nos padrões de trabalho e pelas restrições impostas durante a pandemia, o segmento voltou a registrar crescimento impulsionado pelo retorno dos eventos presenciais e das viagens de negócios.
Ativos localizados em regiões corporativas consolidadas passaram novamente a atrair investidores institucionais, fundos imobiliários e gestoras especializadas.
Empreendimentos com características multifuncionais, capazes de combinar hospedagem, eventos, escritórios e comércio, são vistos como especialmente estratégicos por oferecerem diferentes fontes de receita e maior resiliência operacional.
Nesse contexto, a aquisição do WTC Sheraton São Paulo reforça a percepção de que ativos imobiliários premium continuam entre os principais alvos de grandes gestoras financeiras no Brasil.
Operação encerra ciclo histórico iniciado há quase quatro décadas
A entrada do BTG no comando do WTC Sheraton São Paulo representa mais do que uma transação imobiliária de grande porte.
O negócio simboliza a transferência de um ativo que ajudou a moldar o desenvolvimento da região da Berrini e se tornou referência nacional em hotelaria corporativa, eventos e negócios.
Ao assumir o controle do complexo, a gestora passa a comandar um dos empreendimentos mais conhecidos do mercado de hospitalidade brasileiro, ao mesmo tempo em que abre espaço para uma nova fase estratégica envolvendo gestão, posicionamento comercial e possível redefinição da bandeira hoteleira.
A conclusão da operação também consolida a tendência de maior participação de investidores institucionais em ativos ligados à hospitalidade, segmento que volta a ganhar relevância na agenda de investimentos de longo prazo do mercado imobiliário nacional.









