quarta-feira, 19 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Brasil reduz déficit externo a US$ 2,3 bi em junho com superávit comercial recorde de US$ 9,7 bi

Com exportações de US$ 36,2 bi, maior valor mensal da série, país registra melhora de 55% nas contas externas e atrai US$ 9 bi em investimento estrangeiro direto.

por Antônio Lima
31/07/2026 às 10h49
em Economia
Brasil Reduz Déficit Externo A Us$ 2,3 Bi Em Junho Com Superávit Comercial Recorde De Us$ 9,7 Bi - Gazeta Mercantil - Economia

O Brasil registrou déficit de US$ 2,33 bilhões nas transações correntes em junho de 2026, o menor para o mês desde 2022 e 55% abaixo do resultado de junho de 2025. A melhora foi sustentada pelo comércio de bens, que gerou o maior saldo mensal já registrado pela Secretaria de Comércio Exterior, enquanto o ingresso de capital de longo prazo voltou a superar o déficit externo no mês.

Segundo o Banco Central, o resultado ficou ligeiramente abaixo do esperado pelo mercado e interrompeu uma sequência de pressão maior nas contas externas no primeiro semestre. O déficit acumulado em 12 meses recuou para o equivalente a 2,46% do Produto Interno Bruto, contra 3,52% no mesmo período de 2025.

As transações correntes reúnem todas as operações do país com o exterior: a balança comercial de bens, a conta de serviços, a renda primária, que inclui remessas de lucros, dividendos, juros e salários, e a renda secundária, com transferências pessoais. O desempenho de junho mostra um descompasso entre um comércio de bens em forte expansão e contas de serviços e renda ainda deficitárias.

Balança comercial de US$ 9,758 bi compensa rombo em serviços e renda

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a balança comercial fechou junho com superávit de US$ 9,758 bilhões, crescimento de 66,6% em relação a junho de 2025. O valor foi obtido com exportações de US$ 36,277 bilhões e importações de US$ 26,52 bilhões.

Pelo conceito do balanço de pagamentos utilizado pelo Banco Central, que considera critérios diferentes de contabilização de fretes e seguros, o superávit comercial somou US$ 8,83 bilhões em junho, ante US$ 5,247 bilhões no mesmo mês do ano passado. A diferença metodológica entre os dois critérios é comum, mas ambas as medidas apontam para a mesma direção: avanço expressivo das vendas externas líquidas.

A conta de serviços registrou déficit de US$ 5,133 bilhões em junho, acima dos US$ 4,386 bilhões de um ano antes. Segundo o Banco Central, pesaram o aumento de despesas com telecomunicação, computação e informações, propriedade intelectual e viagens internacionais. As despesas líquidas com viagens somaram US$ 2,1 bilhões em maio, dado mais recente detalhado, e mantiveram tendência de alta no acumulado do ano.

A renda primária teve déficit de US$ 6,466 bilhões, praticamente estável ante US$ 6,44 bilhões em junho de 2025. O componente reflete remessas de lucros e dividendos associadas a investimento direto e em carteira, além de pagamento de juros. As despesas líquidas com lucros e dividendos somaram US$ 4,2 bilhões em maio, com alta de 6,8% na comparação anual, conforme a nota do Banco Central.

Petróleo, minério e soja lideram exportação recorde de US$ 36,2 bi

O recorde mensal de exportações foi explicado por volume e preço. Conforme dados da Secex, as exportações brasileiras cresceram 24,9% em junho na comparação anual, enquanto a corrente de comércio, soma de exportações e importações, chegou a US$ 62,8 bilhões, avanço de 20,3% sobre junho de 2025.

No recorte setorial, a indústria extrativa foi o principal motor. As vendas externas do setor aumentaram US$ 3,66 bilhões, ou 58,4%, na comparação com junho de 2025. A agropecuária cresceu US$ 1,24 bilhão, ou 18%, e a indústria de transformação avançou US$ 2,31 bilhões, ou 14,7%.

O petróleo bruto liderou em valor. As exportações somaram US$ 6,28 bilhões em junho, alta de 78,9% sobre o mesmo mês de 2024, segundo a Secex. O preço médio subiu 67,6%, para US$ 740,53 por tonelada, em um contexto de restrição de oferta no Estreito de Ormuz associado ao conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, enquanto o volume embarcado cresceu 6,8%, para 8,48 milhões de toneladas.

O minério de ferro e concentrados somou 42,23 milhões de toneladas exportadas, aumento de 17,7% em volume, e US$ 2,85 bilhões em valor, alta de 20%. O preço médio avançou 1,9%, para US$ 67,42 por tonelada. O dado foi divulgado no balanço detalhado de commodities da Secex.

A soja, principal produto da pauta agrícola, alcançou 14,5 milhões de toneladas, crescimento de 8% sobre junho de 2025, com receita de US$ 6,26 bilhões, alta de 17,3%. O preço médio subiu 8,5%, para US$ 431,62 por tonelada. A Secex também registrou recorde para algodão em junho, com 217 mil toneladas embarcadas, alta de 63,4% sobre o mesmo mês de 2025, em meio à safra cheia e à demanda externa aquecida.

Na indústria de transformação, houve alta de 14,7% com destaque para combustíveis, carnes bovina e de aves. As exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada chegaram a 279,7 mil toneladas, alta de 16% em volume e 39,2% em valor, totalizando US$ 1,83 bilhão. As carnes de aves somaram 452,5 mil toneladas, crescimento de 44,6% em volume e 62,4% em receita, para US$ 912,8 milhões.

Do lado das importações, o avanço foi de 14,4% em junho, para US$ 26,52 bilhões. Segundo a Secex, as compras de produtos da indústria de transformação cresceram US$ 3,09 bilhões, ou 14,3%, enquanto a indústria extrativa avançou 25% e a agropecuária ficou estável.

Acumulado do ano mantém superávit de US$ 42,4 bi e corrente de US$ 327 bi

No acumulado de janeiro a junho de 2026, as exportações totalizaram US$ 184,77 bilhões, crescimento de 11,5% sobre o mesmo período de 2025, que havia somado US$ 165,72 bilhões. As importações somaram US$ 142,42 bilhões, alta de 5,1% sobre US$ 135,53 bilhões no primeiro semestre do ano passado.

Com isso, o superávit comercial acumulado no ano chegou a US$ 42,4 bilhões e a corrente de comércio totalizou US$ 327,19 bilhões, avanço de 8,6% na comparação interanual, de acordo com dados consolidados da Secex.

A distribuição por setor no semestre reforça o peso da extrativa. As exportações da indústria extrativa cresceram US$ 9,06 bilhões, ou 24,2%, no primeiro semestre. A agropecuária avançou US$ 3,59 bilhões, ou 9,2%, e a indústria de transformação cresceu US$ 6,29 bilhões, ou 7,1%. Nas importações acumuladas, houve queda de 16,3% em agropecuária e de 1,3% em extrativa, com alta de 5,9% em transformação, o equivalente a US$ 7,41 bilhões.

O resultado de junho também ficou abaixo da mediana projetada por instituições financeiras na pesquisa Projeções Broadcast, mas dentro do intervalo esperado, segundo agentes consultados. A diferença foi atribuída a importações ligeiramente maiores que o previsto, em parte por antecipação de compras de insumos.

Investimento direto no país triplica para US$ 9,07 bi e financia déficit

Os Investimentos Diretos no País, com entrada líquida, somaram US$ 9,075 bilhões em junho, acima dos US$ 5 bilhões projetados pelo mercado e quase o triplo dos US$ 3,068 bilhões registrados em junho de 2025, conforme dados do Banco Central.

O desempenho fez com que o ingresso de capital de longo prazo superasse integralmente o déficit em transações correntes do mês, condição considerada confortável para financiamento externo. O IDP acumulado em 12 meses totalizou US$ 83,3 bilhões em maio, dado mais recente detalhado, equivalente a 3,38% do PIB, ante US$ 79,2 bilhões em abril e US$ 71,6 bilhões em maio de 2025. Para junho, com o novo ingresso, o acumulado passou a US$ 89,3 bilhões, equivalente a 3,58% do PIB.

A composição de maio mostrou ingressos líquidos de US$ 7,4 bilhões em participação no capital, dos quais US$ 3 bilhões em participação no capital exceto lucros reinvestidos e US$ 4,4 bilhões em lucros reinvestidos, além de US$ 0,6 bilhão em operações intercompanhia. A metodologia segue o padrão internacional de balanço de pagamentos.

O movimento ocorre em meio à revisão das projeções oficiais. No Relatório de Política Monetária, o Banco Central melhorou a estimativa para o déficit em transações correntes em 2026 de US$ 58 bilhões para US$ 56 bilhões e elevou a projeção de IDP de US$ 70 bilhões para US$ 75 bilhões. A balança comercial no conceito do balanço de pagamentos passou a ser estimada em superávit de US$ 78 bilhões, ante US$ 73 bilhões previstos em março.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços também revisou sua projeção para a balança comercial no conceito Secex, de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões em 2026, com exportações de US$ 394,4 bilhões. A revisão reflete preços mais altos de petróleo e minério e volumes robustos de soja e algodão.

Riscos permanecem em serviços, renda e volatilidade de preços

Apesar da melhora, as contas externas mantêm pontos de atenção. O déficit em serviços segue em trajetória de alta, puxado por despesas com tecnologia, transporte e viagens. A conta de renda primária permanece pressionada por remessas de lucros em um ambiente de juros internacionais elevados e lucratividade de empresas estrangeiras no Brasil.

Outro fator é a volatilidade de preços de commodities. O ganho extraordinário do petróleo em junho está associado a choque geopolítico localizado, com alta de 67,6% no preço médio, e pode não se repetir caso haja normalização no Estreito de Ormuz. No minério de ferro, o preço avançou apenas 1,9%, com o volume como principal vetor, o que torna o resultado mais dependente da demanda chinesa.

No lado doméstico, as importações de bens de capital e insumos da indústria de transformação cresceram 14,3% em junho, indicando retomada de investimento, mas também pressionando o saldo comercial futuro. A evolução do câmbio e da atividade global será determinante para a sustentação do superávit.

Próximos indicadores e agenda do setor externo

A Secretaria de Comércio Exterior divulga os resultados parciais da balança comercial semanalmente, com o fechamento de julho previsto para o início de agosto. O Banco Central publica a próxima nota de Estatísticas do Setor Externo no final de agosto, com os dados completos de julho, incluindo detalhamento de serviços, renda e posição de investimento internacional.

O mercado acompanha também a atualização das projeções do Relatório Focus e do Relatório de Política Monetária, que trazem as estimativas para transações correntes, IDP e balança comercial. A mediana do Focus para o déficit em conta corrente de 2026 recuou recentemente de US$ 60,25 bilhões para US$ 60 bilhões, com IDP esperado em US$ 76 bilhões.

Para empresas exportadoras, o desempenho de junho reforça a importância de gestão cambial e de custos logísticos. Para a política econômica, o superávit comercial recorde reduz a necessidade de financiamento externo e contribui para a dinâmica das reservas internacionais, que somaram US$ 371,1 bilhões em maio, com alta de US$ 4,2 bilhões ante abril, segundo o Banco Central, impulsionada por retorno de operações de linha e receitas de juros.

Tags: balança comercialBanco Centralcomércio exteriorEconomiaexportaçõesIDPinvestimento diretoMdicSecexsuperávit comercialtransações correntes

LEIA MAIS

Risco-País Da Argentina Volta Aos 511 Pontos E Mercado Aumenta Cautela Com Milei - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

A Argentina encerrou esta terça-feira (18) com uma mudança importante no humor dos mercados. O risco-país avançou para 511 pontos-base, alta de 4,5% em relação aos 489 pontos...

Leia MaisDetails
Projeto Permite Deduzir Academia E Personal Trainer Do Imposto De Renda - Gazeta Mercantil
Economia

Projeto permite deduzir academia e personal trainer do Imposto de Renda

Mensalidades de academia, contratação de personal trainer e até a compra de esteiras, bicicletas ergométricas, halteres e outros equipamentos para exercícios físicos poderão ser abatidas da base de...

Leia MaisDetails
Governo Volta A Discutir Tributação De Lci E Lca E Reacende Alerta Sobre Custo Do Crédito Imobiliário-Gazeta Mercantil
Economia

Governo volta a discutir tributação de LCI e LCA e reacende alerta sobre custo do crédito imobiliário

O debate sobre o fim da isenção de Imposto de Renda para Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) voltou ao centro da...

Leia MaisDetails
Brasil Pode Ter Deflação Em Agosto; Entenda Por Que Inflação Ainda Deve Fechar 2026 Em 5,02% - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Brasil pode ter deflação em agosto; entenda por que inflação ainda deve fechar 2026 em 5,02%

O Brasil pode registrar deflação em agosto de 2026, com queda média dos preços ao consumidor pela primeira vez em um ano. O movimento, porém, não significa que...

Leia MaisDetails
Bancários Aprovam Paralisação De 24 Horas Em 20 De Agosto
Economia

Bancários aprovam paralisação de 24 horas em 20 de agosto

Bancários de algumas das principais bases sindicais do país aprovaram uma paralisação de 24 horas para quinta-feira, 20 de agosto, depois de rejeitarem a proposta apresentada pela Federação...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

01:09:48
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

Crise Na Propaganda Eleitoral: Dança Das Cadeiras Atinge Marqueteiros Políticos Em 2026 - Gazeta Mercantil
Política

Crise na propaganda eleitoral: dança das cadeiras atinge marqueteiros políticos em 2026

Leia MaisDetails
Risco-País Da Argentina Volta Aos 511 Pontos E Mercado Aumenta Cautela Com Milei - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

Leia MaisDetails
3 Funções Do Celular Que Você Deve Desligar Quando Não Estiver Usando - Gazeta Mercantil - Economia
Tecnologia

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Leia MaisDetails
Renan Santos - Gazeta Mercantil
Política

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Leia MaisDetails
Valuation: O Que É, Como Calcular E Quais Métodos Definem O Valor De Uma Empresa - Gazeta Mercantil
Negócios

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Crise na propaganda eleitoral: dança das cadeiras atinge marqueteiros políticos em 2026

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP