A Brava Energia (BRAV3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 871 milhões, queda de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do recuo no resultado final, a companhia registrou os maiores níveis trimestrais de receita líquida e EBITDA ajustado desde a formação da empresa.
A receita líquida atingiu R$ 3,6 bilhões entre abril e junho, crescimento de 14% na comparação anual e de 15% em relação aos três primeiros meses de 2026. Em dólares, o indicador alcançou o recorde de US$ 712 milhões.
O EBITDA ajustado, que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 1,774 bilhão. O montante avançou 33% ante o segundo trimestre de 2025 e 9% na comparação trimestral.
Convertido para a moeda americana, o EBITDA ajustado chegou a US$ 341 milhões, também o maior já registrado pela Brava Energia.
O desempenho operacional foi sustentado pelo aumento da produção em relação ao primeiro trimestre, pela valorização do petróleo vendido pela companhia e pela melhora da rentabilidade no segmento de downstream, responsável pelas atividades de comercialização, transporte e processamento.
Produção avança 8% na comparação trimestral
A produção média da Brava Energia atingiu 81,7 mil barris de óleo equivalente por dia no segundo trimestre. O volume representou crescimento de 8% em relação aos 76 mil barris diários registrados entre janeiro e março.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, quando a produção havia alcançado 85,9 mil barris de óleo equivalente por dia, houve retração de aproximadamente 5%.
Os dados oficiais mostram uma trajetória de aceleração ao longo do trimestre. A produção passou de 79,7 mil barris de óleo equivalente por dia em abril para 80,9 mil em maio e 84,5 mil em junho.
A produção offshore respondeu por 53,4 mil barris de óleo equivalente por dia, enquanto as operações terrestres entregaram média de 28,3 mil barris diários.
A produção de petróleo somou 63,4 mil barris por dia. O gás natural acrescentou outros 18,3 mil barris de óleo equivalente por dia ao resultado consolidado.
Atlanta foi o maior ativo individual da companhia no período, com produção média atribuível à Brava de aproximadamente 25,2 mil barris de óleo equivalente por dia, considerando petróleo e gás.
Na sequência apareceram as operações da Bacia Potiguar, com aproximadamente 19,4 mil barris de óleo equivalente por dia; Papa-Terra, com 11,3 mil; e Parque das Conchas, com pouco mais de 8 mil.
O volume de petróleo vendido atingiu 6,052 milhões de barris no trimestre, ante 5,585 milhões nos primeiros três meses do ano. As operações offshore responderam por 4,137 milhões de barris comercializados, com destaque para Atlanta, que vendeu 2,221 milhões de barris.
Preço médio do petróleo sobe 46%
Além do aumento sequencial da produção e das vendas, a Brava foi beneficiada pelo avanço do preço médio realizado do petróleo.
A companhia vendeu o barril por uma média de US$ 91,40 no segundo trimestre. O valor representou crescimento de 46% em relação ao mesmo período de 2025 e de 23% ante os três primeiros meses deste ano.
A combinação entre volumes maiores na comparação trimestral e preços mais elevados contribuiu para que a receita líquida alcançasse o maior patamar trimestral da companhia.
A valorização também ajudou a compensar o aumento do custo de extração. O lifting cost consolidado, desconsiderando os gastos com afretamento, ficou em US$ 16,30 por barril de óleo equivalente.
O indicador havia sido de US$ 14,20 no primeiro trimestre de 2026 e de US$ 15 no segundo trimestre do ano anterior.
O lifting cost representa os gastos diretamente associados à retirada dos hidrocarbonetos dos reservatórios. A métrica inclui custos operacionais, logísticos, ambientais e de licenciamento, mas não considera depreciação, amortização, royalties e determinadas despesas de transporte e processamento.
Downstream registra margem de 13%
O segmento de downstream também contribuiu para o resultado recorde da Brava Energia.
A margem da divisão atingiu 13% no segundo trimestre. O desempenho reflete a integração entre a produção de petróleo, a infraestrutura logística e as atividades de comercialização de derivados.
A operação integrada permite à companhia buscar melhores condições para o escoamento da produção e aproveitar oportunidades comerciais entre diferentes mercados e ativos.
A Brava opera os ativos Potiguar, Recôncavo, Papa-Terra, Atlanta e Peroá. A empresa também possui participações não operadas de 35% em Pescada, de 45% em Manati e de 23% em Parque das Conchas. Pescada e Manati são operados pela Petrobras, enquanto Parque das Conchas tem a Shell como operadora.
A diversificação entre operações terrestres, marítimas e de downstream reduz a dependência de um único campo e amplia as alternativas de comercialização, embora também aumente a complexidade operacional do portfólio.
Caixa encerra junho em US$ 965 milhões
A Brava terminou o segundo trimestre com uma posição de caixa de US$ 965 milhões.
A companhia também completou o quinto trimestre consecutivo de redução da dívida líquida, prolongando o movimento de desalavancagem iniciado após a combinação dos negócios da 3R Petroleum e da Enauta.
A relação entre dívida líquida e EBITDA dos últimos 12 meses encerrou junho em 1,97 vez. No mesmo período de 2025, o indicador estava em 3,11 vezes.
Quando desconsiderado o efeito das operações de hedge, a alavancagem recua para 1,55 vez.
A queda do indicador reflete o crescimento do resultado operacional e a redução da dívida líquida. A melhora fortalece a capacidade da empresa de financiar investimentos, executar campanhas de perfuração e absorver oscilações nos preços do petróleo.
A exposição aos contratos de proteção, entretanto, exige atenção. Os instrumentos de hedge reduzem parte do risco decorrente de quedas abruptas do petróleo, mas podem limitar a captura integral de altas da commodity e provocar efeitos contábeis relevantes no resultado financeiro.
Por isso, a leitura do lucro líquido deve ser acompanhada pelo EBITDA, pela geração de caixa, pela dívida e pelo desempenho operacional dos ativos.
Perfuração avança em Papa-Terra e Atlanta
A Brava manteve no segundo trimestre as campanhas de perfuração em Papa-Terra e Atlanta.
Segundo a companhia, os projetos permaneceram dentro dos cronogramas e dos orçamentos estabelecidos. Em Papa-Terra, a campanha inclui os poços PPT-52 e PPT-53, destinados a sustentar e ampliar a produção do campo.
A empresa havia antecipado para julho uma parada programada de até 12 dias em Papa-Terra. A intervenção, inicialmente planejada para o quarto trimestre, foi antecipada para alinhar os trabalhos de manutenção ao cronograma da campanha de perfuração.
O objetivo era preparar as instalações para receber a produção dos novos poços imediatamente após a conclusão da campanha. O planejamento e a antecipação da parada foram informados no comunicado oficial de produção de junho.
Em Atlanta, a companhia também avançou nas atividades associadas aos novos poços e ao desenvolvimento do ativo. O campo continua sendo o principal componente individual da produção atribuível à Brava.
A empresa informou ainda a inauguração de um Centro de Operações Integradas na Bacia Potiguar. A estrutura reúne dados e processos de diferentes instalações com o objetivo de ampliar o monitoramento operacional, reduzir o tempo de resposta e aumentar a eficiência das operações terrestres.
OPA da Ecopetrol entra na fase de liquidação
O balanço foi divulgado no mesmo dia do leilão da oferta pública voluntária apresentada pela Ecopetrol para aquisição de participação na Brava Energia.
A operação envolveu uma oferta por até 116.110.717 ações ordinárias, equivalentes a aproximadamente 25% do capital da companhia, pelo preço de R$ 23 por ação. O leilão foi marcado pela B3 para 5 de agosto de 2026, às 15h.
A Brava informou no relatório de resultados que a oferta foi concluída e que a liquidação financeira estava prevista para 17 de agosto.
A Ecopetrol já havia firmado acordo para adquirir uma participação de controle na petroleira brasileira. A oferta pública integra a estrutura desenhada para que o grupo colombiano alcance a participação prevista na operação.
A concretização da transação ainda depende das etapas de liquidação, transferência das ações e cumprimento das condições aplicáveis ao negócio.
Resultado reforça recuperação operacional
O segundo trimestre mostrou uma Brava Energia com receita e EBITDA recordes, produção em recuperação na comparação trimestral e alavancagem inferior à observada um ano antes.
A queda de 17% do lucro líquido contrasta com o avanço de 33% do EBITDA ajustado e demonstra a importância de separar o desempenho operacional dos efeitos financeiros e contábeis presentes no resultado final.
A evolução dos próximos trimestres dependerá principalmente da produtividade dos novos poços de Papa-Terra e Atlanta, da estabilidade operacional dos ativos, da trajetória do custo de extração e do comportamento dos preços internacionais do petróleo.
A empresa também terá de conciliar os investimentos necessários para ampliar a produção com a continuidade da redução da dívida.
Com caixa de US$ 965 milhões, alavancagem abaixo de duas vezes e campanhas de perfuração em andamento, a Brava entra no segundo semestre com uma estrutura financeira mais equilibrada. O avanço do lifting cost, no entanto, permanece como um dos principais pontos de acompanhamento para investidores.









