O Banco ABC Brasil (ABCB4) registrou lucro líquido recorrente de R$ 257,3 milhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 5,4% em relação aos R$ 244,1 milhões apurados no mesmo período do ano passado. Na comparação com os três primeiros meses deste ano, quando o resultado havia sido de R$ 230,2 milhões, a alta foi de 11,8%.
O avanço do lucro foi sustentado principalmente pela expansão da margem financeira com clientes, pelo resultado das operações de mercado e pela redução da carga tributária. O desempenho foi parcialmente limitado pelo recuo das receitas de serviços e pelo aumento das despesas com pessoal, administração e participação nos lucros e resultados.
Apesar do crescimento nominal do resultado, o retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio, conhecido pela sigla ROAE, caiu de 15% no segundo trimestre de 2025 para 14,3%. Na comparação trimestral, houve recuperação de 0,8 ponto percentual ante os 13,5% registrados entre janeiro e março.
No acumulado do primeiro semestre, o lucro líquido chegou a R$ 487,5 milhões, alta de 3,8% sobre os R$ 469,7 milhões registrados no mesmo intervalo de 2025. O ROAE médio do semestre ficou em 14%, abaixo dos 14,5% apurados um ano antes.
Margem financeira cresce acima do lucro
A margem financeira gerencial antes das provisões atingiu R$ 659,2 milhões no segundo trimestre, aumento de 9,1% na comparação anual e de 1,8% em relação ao trimestre anterior.
A margem com clientes, que reúne os resultados obtidos nas operações de crédito e outros produtos oferecidos às empresas, somou R$ 387,2 milhões. O indicador cresceu 3,9% em relação ao segundo trimestre de 2025 e 3,6% na comparação com os três primeiros meses deste ano.
O resultado das operações de mercado teve expansão mais acentuada. A margem com mercado alcançou R$ 108,7 milhões, avanço de 53,3% em um ano e de 4,7% no trimestre. A remuneração do patrimônio líquido pelo CDI acrescentou R$ 163,3 milhões, aumento anual de 1,5%.
A margem financeira gerencial após as provisões atingiu R$ 579,3 milhões. O valor representou crescimento de 10,3% em relação ao mesmo período do ano passado e de 8,3% ante o primeiro trimestre. A margem financeira líquida anualizada permaneceu praticamente estável em 4,1%.
No primeiro semestre, a margem financeira antes das provisões chegou a R$ 1,307 bilhão, aumento de 11,6%. A margem com clientes cresceu 6,7%, enquanto o resultado das operações de mercado avançou 38,3%.
Carteira de crédito chega a R$ 56,5 bilhões
A carteira de crédito expandida encerrou junho em R$ 56,464 bilhões, crescimento de 8,3% em 12 meses e de 3,7% na comparação com março. O conceito inclui empréstimos, títulos privados e garantias prestadas pelo banco.
Os empréstimos somaram R$ 24,288 bilhões, avanço anual de 7,8%. Os títulos privados cresceram 10,7%, para R$ 18,522 bilhões, enquanto as garantias prestadas aumentaram 6,1%, para R$ 13,653 bilhões.
O segmento Corporate, formado por empresas com faturamento anual entre R$ 500 milhões e R$ 4 bilhões, respondeu por 63,2% da carteira expandida. O saldo alcançou R$ 35,683 bilhões, alta de 11,1% em um ano e de 8,4% no trimestre.
A carteira Middle, que reúne companhias com receita anual entre R$ 30 milhões e R$ 500 milhões, apresentou o crescimento mais elevado. O saldo avançou 28,7% em 12 meses, para R$ 5,076 bilhões, e passou a representar 9% do portfólio.
Já a exposição ao segmento Large Corporate, composto por empresas com faturamento superior a R$ 4 bilhões, caiu 2,2% na comparação anual e 5,6% no trimestre, para R$ 15,705 bilhões. A participação dessa categoria recuou de 30,8% para 27,8% da carteira.
A mudança na composição mostra uma ampliação das operações com empresas médias e grandes fora do grupo de companhias de maior faturamento. Segundo o banco, a expansão no segmento Middle tem ocorrido principalmente em produtos com maior nível de garantias.
Crédito problemático aumenta, mas atrasos seguem controlados
A expansão da carteira foi acompanhada por uma elevação moderada dos créditos classificados no Estágio 3, categoria que reúne operações com evidências de deterioração relevante do risco de crédito.
O saldo no Estágio 3 chegou a R$ 1,647 bilhão ao fim de junho, equivalente a 2,9% da carteira expandida. O percentual era de 2,8% em março e de 2,5% no segundo trimestre de 2025.
As operações com atraso superior a 90 dias totalizaram R$ 332 milhões, ou 0,6% da carteira. O índice aumentou ante os 0,5% do trimestre anterior, mas permaneceu abaixo dos 0,7% observados um ano antes.
O saldo total de provisões correspondia a 2,2% da carteira expandida. A cobertura das operações com mais de 90 dias de atraso ficou em 377%, ante 447% em março e 307% no segundo trimestre de 2025.
Já a cobertura do Estágio 3 recuou para 76%. O indicador estava em 82% no trimestre anterior e em 93% um ano antes. O banco informou que o saldo total de provisões inclui uma reserva prospectiva de R$ 190 milhões.
A combinação dos indicadores mostra que os atrasos efetivos continuam baixos em relação à carteira total, embora o volume de operações no Estágio 3 tenha aumentado. O comportamento dessa categoria será um dos pontos relevantes para os próximos balanços, especialmente diante dos juros ainda elevados e da desaceleração de algumas atividades econômicas.
Recuperações reduzem despesa líquida de provisão
A despesa gerencial líquida com provisões ficou em R$ 79,9 milhões no segundo trimestre, praticamente estável em relação aos R$ 79,4 milhões apurados um ano antes. Na comparação com o primeiro trimestre, houve redução de 29,3%.
O recuo trimestral foi favorecido pelas recuperações de crédito, que atingiram R$ 41,8 milhões. O valor havia sido de R$ 4,5 milhões entre janeiro e março e de R$ 7,4 milhões no segundo trimestre de 2025.
Antes das recuperações, a despesa com provisões somou R$ 121,7 milhões, crescimento de 40,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Isso indica que a estabilidade da despesa líquida decorreu do aumento dos valores recuperados, e não de uma redução da constituição bruta de provisões.
A despesa de provisão ampliada, que também considera bens não destinados ao uso próprio, foi de R$ 78,6 milhões. O montante caiu 30,6% na comparação trimestral e ficou 0,6% abaixo do registrado um ano antes.
A relação anualizada entre provisões ampliadas e carteira expandida ficou em 0,6%, ante 0,8% no primeiro trimestre e os mesmos 0,6% do segundo trimestre de 2025.
No acumulado do semestre, entretanto, a despesa líquida com provisões aumentou 30%, para R$ 193 milhões. O indicador mostra que a redução observada no segundo trimestre ainda não compensou o aumento ocorrido no início do ano.
Receitas de serviços caem 9%
As receitas de serviços totalizaram R$ 102,8 milhões, redução de 9% na comparação anual. Em relação ao primeiro trimestre, houve recuperação de 16,1%.
As receitas provenientes de garantias prestadas caíram 12,2%, para R$ 40,1 milhões. A área de banco de investimentos gerou R$ 29,1 milhões, recuo anual de 14,6%, apesar de uma alta trimestral de 45,6%.
As operações de corretagem de seguros e tarifas somaram R$ 33,6 milhões. A redução anual das receitas de serviços retirou R$ 10,2 milhões da variação do lucro na comparação entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período deste ano.
No acumulado do primeiro semestre, as receitas de serviços ficaram em R$ 191,4 milhões, queda de 11,2% frente aos R$ 215,6 milhões registrados entre janeiro e junho de 2025.
A retração contrasta com a estratégia de diversificação de receitas do banco. A expansão da margem financeira compensou a menor contribuição das atividades de serviços, mas a recuperação dessas linhas será importante para reduzir a dependência do resultado de crédito e das operações de mercado.
Despesas pressionam índice de eficiência
As despesas consideradas no cálculo de eficiência atingiram R$ 295,5 milhões no segundo trimestre, aumento de 13,9% na comparação anual e de 1,2% em relação ao primeiro trimestre.
As despesas com pessoal cresceram 8,5% em um ano, para R$ 139,1 milhões. Os gastos administrativos avançaram 15,2%, para R$ 76,8 milhões, enquanto as despesas com participação nos lucros e resultados aumentaram 23,2%, para R$ 79,6 milhões.
O índice de eficiência, que compara despesas operacionais com receitas, ficou em 41,2%. Quanto menor o percentual, maior tende a ser a eficiência operacional da instituição.
O indicador melhorou em relação aos 41,9% do primeiro trimestre, mas piorou frente aos 38,4% registrados no mesmo período do ano passado. A deterioração anual ocorreu porque as despesas cresceram acima das receitas utilizadas no cálculo.
No primeiro semestre, o índice médio foi de 41,5%, ante 40,2% no mesmo período de 2025. As despesas totais aumentaram 11,8%, enquanto as receitas consideradas na métrica avançaram 8,2%.
Basileia sobe no trimestre e permanece abaixo de 2025
O Índice de Basileia encerrou junho em 16,2%, aumento de 0,31 ponto percentual na comparação com março. Em relação ao segundo trimestre de 2025, porém, houve queda de 1,11 ponto percentual.
O Capital de Nível 1 ficou em 13,7%, enquanto o Capital Principal atingiu 11,9%. Este último avançou 0,45 ponto percentual no trimestre e 0,07 ponto em 12 meses.
A melhora trimestral refletiu a incorporação do lucro do período e a homologação, pelo Banco Central, de um aumento de capital relacionado aos proventos do segundo semestre de 2025. O efeito foi parcialmente compensado pelo provisionamento de juros sobre capital próprio e pelo crescimento dos ativos ponderados pelo risco.
O banco anunciou em junho outro aumento de capital vinculado aos proventos do primeiro semestre de 2026. Caso o processo já estivesse concluído ao fim do trimestre, o Índice de Basileia teria recebido acréscimo de até 0,29 ponto percentual em bases pro forma.
A captação total, incluindo patrimônio líquido, chegou a R$ 59,5 bilhões, crescimento de 7,5% em 12 meses. A captação com terceiros somou R$ 52,241 bilhões, alta anual de 7,2%.
Banco declara R$ 301 milhões em JCP no semestre
O ABC Brasil declarou R$ 301 milhões em juros sobre capital próprio referentes ao primeiro semestre de 2026, montante 15,2% superior ao distribuído no mesmo período do ano passado.
O valor corresponde a R$ 1,17 por ação, crescimento de 7,6% em relação aos R$ 1,09 por papel declarados no primeiro semestre de 2025.
O dividend yield anualizado informado pelo banco ficou em 9,8% ao fim do segundo trimestre. O cálculo utiliza a cotação das ações e os proventos provisionados no período, não representando garantia de retorno futuro.
O balanço mostra uma instituição com crescimento da carteira, expansão da margem financeira e recuperação sequencial do lucro. A queda anual do ROAE, o aumento das despesas e a elevação dos créditos no Estágio 3, contudo, indicam que parte dos ganhos operacionais foi absorvida por uma base de capital maior e por custos crescentes.









