A Klabin (KLBN11) registrou lucro líquido de R$ 387 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 34% em relação aos R$ 585 milhões apurados no mesmo período do ano passado. O resultado mostra que a melhora de preços e volumes em parte dos negócios não foi suficiente para evitar a redução do ganho final da maior produtora brasileira de papéis para embalagens.
A receita líquida somou R$ 5,15 bilhões entre abril e junho, retração de 2% na comparação anual. Já o Ebitda ajustado, indicador utilizado para acompanhar a geração operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 1,96 bilhão, queda de 4%.
A margem Ebitda ajustada terminou o trimestre em 38%, um ponto percentual abaixo do registrado no segundo trimestre de 2025. Mesmo com o recuo anual, o nível mostra que mais de um terço da receita permaneceu convertido em resultado operacional antes dos efeitos financeiros, tributários e contábeis.
O balanço também trouxe sinais de avanço na estrutura financeira. A dívida líquida encerrou junho em R$ 24,03 bilhões, redução de 14% em 12 meses, enquanto a alavancagem medida em dólares caiu para 3,2 vezes o Ebitda ajustado, ante 3,3 vezes no trimestre imediatamente anterior.
Câmbio limita receita mesmo com preços maiores
O comportamento da receita foi influenciado por forças em direções diferentes. A Klabin conseguiu elevar preços realizados de celulose em dólares e preços de embalagens, ao mesmo tempo em que registrou crescimento nos volumes comercializados de papéis e embalagens.
Parte dessa melhora, porém, foi neutralizada pela valorização do real frente ao dólar. Para uma companhia exportadora e com parcela relevante de suas receitas vinculada à moeda americana, a apreciação do real reduz o valor convertido para reais das vendas feitas ou referenciadas em dólar.
Esse efeito cambial ajuda a explicar por que a melhora comercial de determinados produtos não resultou em crescimento consolidado da receita na comparação anual. A receita de R$ 5,15 bilhões ficou aproximadamente 2% abaixo da registrada no mesmo trimestre de 2025.
A exposição cambial da Klabin é uma característica estrutural do negócio. A companhia vende celulose no exterior, exporta papéis e possui produtos vendidos no mercado doméstico cujos preços também podem ter relação com referências internacionais.
Ao mesmo tempo, parte de seus custos e de sua dívida também está vinculada ao dólar. Isso significa que uma valorização do real não produz apenas efeitos negativos: ela pode reduzir, em moeda brasileira, determinadas obrigações financeiras e custos dolarizados.
Volume vendido supera 1 milhão de toneladas
O volume total de vendas atingiu 1,018 milhão de toneladas no segundo trimestre, crescimento de 1% sobre o mesmo período do ano passado.
O avanço foi sustentado principalmente pelos negócios de papéis e embalagens. A companhia também foi beneficiada por preços mais altos de celulose em dólares, ainda que a conversão cambial tenha reduzido parte do impacto sobre a receita consolidada.
O volume superior a 1 milhão de toneladas confirma a escala alcançada pela Klabin depois da conclusão de grandes ciclos de expansão industrial. Nos últimos anos, a companhia ampliou a capacidade de produção de papéis e integrou novas máquinas ao complexo industrial de Ortigueira, no Paraná.
A estratégia aumenta a importância da utilização da capacidade instalada. Depois de um período marcado por grandes projetos de expansão, o retorno sobre os investimentos passa a depender cada vez mais da ocupação das máquinas, da eficiência operacional, do controle de custos e da capacidade de colocar os volumes adicionais no mercado.
O crescimento de 1% no volume vendido durante o segundo trimestre foi modesto em comparação à ampliação da estrutura produtiva, mas ocorreu em um ambiente internacional marcado por incertezas geopolíticas, oscilações cambiais e custos ainda pressionados.
Ebitda ajustado cai 4% para R$ 1,96 bilhão
O Ebitda ajustado da Klabin totalizou R$ 1,96 bilhão, queda de 4% em relação ao segundo trimestre de 2025.
No mesmo período do ano passado, a companhia havia registrado Ebitda ajustado de pouco mais de R$ 2 bilhões. A redução mostra que a pressão observada na receita também alcançou a geração operacional, embora em magnitude relativamente controlada.
A margem de 38% continua elevada para uma companhia industrial integrada. O modelo da Klabin reúne ativos florestais, produção de celulose, papéis para embalagens e conversão de embalagens, permitindo que diferentes áreas do negócio contribuam em momentos distintos do ciclo.
Quando preços internacionais de celulose estão favoráveis, essa operação pode aumentar a geração de resultado. Em momentos de maior volatilidade da commodity, os segmentos de papéis e embalagens podem reduzir parcialmente a exposição.
Essa diversificação, entretanto, não elimina a sensibilidade a fatores como câmbio, custos industriais, demanda doméstica, preços internacionais da celulose, atividade econômica e comércio global.
Lucro recua mais que resultado operacional
A queda de 34% do lucro líquido foi significativamente superior à retração de 4% do Ebitda ajustado. O movimento mostra que fatores posteriores à operação tiveram peso importante sobre o resultado destinado aos acionistas.
O Ebitda não incorpora despesas financeiras, impostos, depreciação e amortização. Por isso, empresas com elevado volume de ativos e endividamento podem apresentar uma diferença relevante entre a geração operacional e o lucro final.
No caso da Klabin, a infraestrutura industrial e florestal exige investimentos elevados e produz despesas de depreciação relevantes. A estrutura de capital também faz com que juros e efeitos cambiais tenham influência importante sobre o resultado líquido de cada trimestre.
O lucro de R$ 387 milhões ainda representa resultado positivo expressivo, mas marca uma redução de aproximadamente R$ 198 milhões em comparação aos R$ 585 milhões do segundo trimestre de 2025.
A leitura do desempenho da companhia, portanto, não se limita à queda do lucro. A evolução do Ebitda, da dívida, da alavancagem, dos volumes e dos investimentos ajuda a indicar em que medida a operação continua gerando recursos e fortalecendo sua estrutura financeira.
Dívida líquida recua 14% em 12 meses
Um dos principais avanços do balanço ocorreu no endividamento. A dívida líquida encerrou o segundo trimestre em R$ 24,03 bilhões, queda de 14% em relação ao valor registrado um ano antes.
A redução é relevante para uma companhia que passou por um longo ciclo de investimentos. Grandes projetos industriais exigiram aumento significativo do capital empregado e, consequentemente, da necessidade de financiamento.
Com a entrada em operação das expansões, a estratégia financeira passou a concentrar maior atenção na redução gradual da alavancagem e na otimização da estrutura de capital.
A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, medida em dólares, terminou junho em 3,2 vezes. No primeiro trimestre, estava em 3,3 vezes.
A queda de 0,1 vez em três meses indica continuidade do movimento de desalavancagem. Essa relação é uma das métricas mais acompanhadas na avaliação da Klabin porque compara o endividamento líquido com a capacidade de geração operacional do negócio.
Quanto menor a relação, mantendo-se as demais condições, menor tende a ser o peso proporcional da dívida sobre a geração de resultado. O indicador, porém, também pode variar pela movimentação cambial e pelas alterações no próprio Ebitda.
Capex fica em R$ 657 milhões
Os investimentos da Klabin totalizaram R$ 657 milhões no segundo trimestre, crescimento de 1% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
O nível de desembolsos é significativamente diferente daquele observado durante a implantação dos maiores projetos de expansão da companhia. Com a conclusão de ciclos relevantes de aumento de capacidade, a empresa entrou em uma fase de maior disciplina na alocação de capital.
Essa mudança é importante para a geração de caixa. Quando o Ebitda permanece elevado e os investimentos deixam de crescer no mesmo ritmo dos grandes projetos, uma parcela maior dos recursos operacionais pode ser destinada a redução da dívida, dividendos, manutenção das operações ou novos projetos selecionados.
A Klabin tem buscado conciliar esse processo com a necessidade permanente de investir em florestas, manutenção industrial, eficiência, modernização e competitividade.
O setor de papel e celulose é intensivo em capital. Mesmo sem grandes expansões, empresas precisam manter investimentos recorrentes para preservar produtividade florestal, confiabilidade das fábricas e capacidade logística.
Real valorizado aumenta pressão sobre exportadores
O segundo trimestre foi marcado pela valorização do real, fator que ganhou relevância para os números da Klabin.
Uma moeda brasileira mais forte diminui, na conversão contábil, o valor das vendas realizadas em dólares. O efeito é especialmente importante na celulose, commodity internacional precificada na moeda americana.
Por outro lado, o câmbio pode produzir benefício sobre determinadas despesas e sobre a dívida denominada em moeda estrangeira. A estrutura integrada da Klabin faz com que a análise cambial precise considerar simultaneamente receitas, custos, endividamento e instrumentos de proteção financeira.
Além do câmbio, a empresa citou a permanência de conflitos geopolíticos e pressões inflacionárias sobre custos como características do ambiente operacional do trimestre.
Conflitos internacionais podem afetar preços de energia, combustíveis, químicos, fretes e outras matérias-primas utilizadas pela indústria. Também interferem nas rotas de comércio e na atividade de clientes que consomem papel e embalagens.
Embalagens ajudam a equilibrar exposição à celulose
A Klabin possui uma característica distinta dentro do setor brasileiro de papel e celulose: além de produzir celulose de fibra curta, longa e fluff, mantém participação relevante nos mercados de papéis para embalagens e embalagens convertidas.
Essa combinação reduz a dependência exclusiva do ciclo internacional da celulose. Produtos de papelão ondulado, sacos industriais e cartões atendem segmentos como alimentos, bebidas, proteínas, comércio eletrônico e outros bens de consumo.
A demanda nesses mercados tende a responder mais diretamente à atividade econômica e ao consumo doméstico, enquanto a celulose está mais vinculada à dinâmica global de oferta, demanda e estoques.
No segundo trimestre, o crescimento dos volumes de papéis e embalagens ajudou a compensar parte dos efeitos negativos do câmbio sobre as receitas.
A sustentabilidade desse equilíbrio dependerá da capacidade da companhia de manter volumes, preços e eficiência operacional em um cenário de atividade econômica menos acelerada e juros ainda elevados no Brasil.
Alavancagem será indicador central nos próximos trimestres
Com o fim da fase de investimentos mais intensivos, a trajetória da dívida tende a permanecer entre os indicadores mais importantes dos próximos balanços da Klabin.
A queda da dívida líquida para R$ 24,03 bilhões e da alavancagem para 3,2 vezes mostra avanço nessa direção, mesmo em um trimestre no qual lucro, Ebitda e receita recuaram na comparação anual.
O desafio será manter esse processo caso as condições de mercado se tornem menos favoráveis. Uma queda dos preços internacionais da celulose, enfraquecimento da demanda por embalagens ou nova pressão de custos poderia reduzir a geração operacional e dificultar uma desalavancagem mais rápida.
Em sentido contrário, preços melhores, volumes adicionais e disciplina de investimentos podem aumentar a geração de caixa disponível para redução do endividamento.
O comportamento do real também permanecerá relevante. A moeda afeta simultaneamente o faturamento de exportações, os custos dolarizados, o valor da dívida externa e os resultados financeiros.
Depois do segundo trimestre, a Klabin chega à segunda metade de 2026 com lucro menor, mas dívida e alavancagem em trajetória descendente. A evolução dessa combinação — geração operacional, investimento e endividamento — será determinante para avaliar a capacidade da companhia de ampliar a geração de caixa e a remuneração de seus acionistas.










