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Itaúsa (ITSA4) lucra R$ 4,3 bilhões no 2T26, alta de 7%, com avanço das investidas

Resultado recorrente das empresas do portfólio alcançou R$ 4,6 bilhões no trimestre; Itaú Unibanco permaneceu como principal contribuição, enquanto Motiva, Alpargatas e Copa Energia ampliaram resultados.

por João Souza
11/08/2026 às 09h32
em Empresas
Itausa - Gazeta Mercantil

A Itaúsa (ITSA4) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 4,3 bilhões, crescimento de 7% em relação ao mesmo período do ano passado, apoiada principalmente pelo desempenho das empresas de seu portfólio. A holding divulgou os números nesta segunda-feira (10), em uma temporada de balanços marcada pela combinação entre juros ainda elevados, pressão financeira sobre empresas mais alavancadas e resultados operacionais mais fortes em diferentes setores.

O resultado recorrente proveniente das empresas investidas atingiu R$ 4,6 bilhões, também com crescimento de 7% na comparação anual. O Itaú Unibanco (ITUB4), principal ativo da carteira da holding, voltou a responder pela maior parcela do desempenho, enquanto Motiva (MOTV3), Alpargatas (ALPA4) e Copa Energia apresentaram avanços expressivos em suas respectivas contribuições.

A rentabilidade da Itaúsa também melhorou. O ROE recorrente, indicador que mede o retorno sobre o patrimônio líquido, alcançou 18,7%, aumento de 0,4 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. Para uma holding cuja capacidade de geração de valor depende tanto dos resultados recebidos das investidas quanto da eficiência na alocação de capital, a evolução do indicador reforça a importância do desempenho combinado do portfólio.

O balanço mostra, entretanto, que os resultados não avançaram de maneira uniforme. Enquanto algumas empresas ampliaram significativamente sua contribuição, a Aegea registrou resultado negativo de R$ 14 milhões para a Itaúsa, pressionada principalmente pelo aumento das despesas financeiras decorrentes da alavancagem e pelo patamar mais elevado da Selic média no período.

Itaú Unibanco continua como principal motor da Itaúsa

O Itaú Unibanco (ITUB4) permaneceu como o principal componente dos resultados da holding durante o segundo trimestre, mantendo a concentração histórica do portfólio da Itaúsa no setor financeiro.

A contribuição do banco cresceu 9% na comparação anual, sustentada pela expansão da carteira de crédito no Brasil e em outros mercados da América Latina, pela manutenção dos indicadores de inadimplência em níveis considerados saudáveis e pelo avanço das operações de seguros e previdência.

A relevância do Itaú dentro da estrutura da holding ajuda a explicar por que o desempenho do banco exerce influência tão significativa sobre o lucro consolidado da Itaúsa. Embora a companhia tenha ampliado progressivamente sua presença em infraestrutura, saneamento, bens de consumo, materiais para construção e energia, a participação no Itaú Unibanco continua representando a maior parcela do valor econômico de seu portfólio.

Essa concentração funciona como fonte importante de geração recorrente de resultados e dividendos, ao mesmo tempo em que orienta a estratégia de diversificação adotada pela administração nos últimos anos, que busca aumentar gradualmente a contribuição dos ativos não financeiros sem comprometer a disciplina na utilização do capital.

Motiva e Alpargatas aceleram contribuição

Entre as empresas não financeiras, a Motiva (MOTV3) apresentou um dos avanços mais relevantes do trimestre, com crescimento de 67% na contribuição para o resultado da Itaúsa.

A companhia, anteriormente denominada CCR, atua em concessões de rodovias, mobilidade urbana e aeroportos e permanece entre os principais investimentos de infraestrutura da holding. O desempenho reflete a evolução operacional de seus ativos e reforça a participação de infraestrutura na estratégia de diversificação da Itaúsa.

A Alpargatas (ALPA4) apresentou expansão ainda maior em sua contribuição, com avanço de 86% em comparação com o segundo trimestre do ano passado. A fabricante das Havaianas vem atravessando um processo de recuperação operacional depois de períodos marcados por ajustes de estoques, reorganização comercial e revisão de sua estratégia internacional.

A melhora dessas empresas é relevante para a Itaúsa porque diminui, ainda que gradualmente, a dependência dos resultados originados do Itaú Unibanco. A diversificação, entretanto, não é analisada apenas pelo número de empresas presentes no portfólio, mas pela capacidade de cada investimento de produzir retorno ajustado ao capital empregado no longo prazo.

Copa Energia cresce 17% no trimestre

A Copa Energia também contribuiu positivamente para o resultado, apresentando aumento de 17% em relação ao mesmo trimestre de 2025.

A empresa atua principalmente na distribuição de gás liquefeito de petróleo e integra o portfólio da Itaúsa desde o movimento de diversificação realizado pela holding para ampliar sua exposição a segmentos da economia real.

Por não ser uma companhia listada em Bolsa, a avaliação da contribuição da Copa Energia possui características diferentes daquelas aplicáveis às investidas de capital aberto. Sua geração de resultados, capacidade de distribuição de dividendos e eventual valorização do investimento são fatores utilizados pela holding para avaliar a criação de valor do ativo.

A evolução positiva de Motiva, Alpargatas e Copa Energia mostra que parte da estratégia de diversificação começa a produzir contribuição mais relevante para o resultado consolidado, ainda que o setor financeiro permaneça amplamente dominante.

Aegea registra resultado negativo de R$ 14 milhões

A Aegea, por outro lado, apresentou contribuição negativa de R$ 14 milhões no segundo trimestre, em contraste com o desempenho de outras investidas.

Segundo a Itaúsa, o resultado continua pressionado por despesas financeiras mais elevadas, decorrentes principalmente do nível de endividamento da empresa e do impacto de uma taxa Selic média superior no período.

Empresas de saneamento costumam operar com programas intensivos de investimentos em infraestrutura, financiados parcialmente por dívida de longo prazo. Em um ambiente de juros elevados, o custo financeiro desses passivos pode aumentar e reduzir temporariamente a parcela do resultado disponível aos acionistas.

A Itaúsa, contudo, mantém sua visão estratégica sobre o ativo e realizou novos investimentos na companhia em 2026. A holding elevou sua participação na Aegea durante o primeiro semestre, reforçando sua exposição a um setor que considera estrutural para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira.

O movimento mostra que a administração diferencia a pressão conjuntural provocada pelo custo financeiro das perspectivas de longo prazo do negócio de saneamento, especialmente depois da ampliação dos investimentos privados e das concessões realizadas no setor.

Itaúsa reforça posição na Aegea

A holding participou de aumentos de capital da Aegea ao longo deste ano, ampliando sua presença societária na companhia.

A Itaúsa já havia concluído em março uma etapa de capitalização de R$ 418,1 milhões, que elevou sua participação no capital total da empresa de 12,82% para 13,27%. A operação foi financiada com recursos próprios e integrou a estratégia de longo prazo da holding para ampliar sua exposição ao saneamento.

O investimento também alterou a forma como a participação na Aegea passou a ser considerada no cálculo do valor do portfólio da Itaúsa. Com a nova transação, a holding atualizou o valor justo utilizado para mensurar sua participação no ativo, em substituição ao valor contábil anteriormente empregado.

A estratégia de alocação de capital é particularmente relevante para holdings de investimento porque uma parcela importante da criação de valor depende da capacidade de adquirir ou ampliar participações a preços que proporcionem retornos superiores ao custo de capital no longo prazo.

Nesse sentido, a decisão de continuar aportando recursos na Aegea mesmo diante da pressão financeira de curto prazo demonstra a confiança da administração nas perspectivas estruturais do setor.

ROE recorrente avança para 18,7%

O retorno sobre o patrimônio líquido recorrente da Itaúsa chegou a 18,7%, um avanço de 0,4 ponto percentual.

O ROE permite avaliar quanto lucro a companhia gera em relação ao patrimônio pertencente aos acionistas e é especialmente acompanhado no caso de holdings de investimentos, cuja estrutura de ativos é formada majoritariamente por participações em outras empresas.

Um ROE maior significa que a companhia conseguiu produzir mais resultado proporcionalmente ao capital próprio utilizado. A comparação, entretanto, precisa ser feita em conjunto com outros indicadores, como endividamento da holding, valor de mercado do portfólio, desconto das ações em relação aos ativos e remuneração distribuída aos acionistas.

Ao final de junho, o valor das participações detidas pela Itaúsa era estimado em aproximadamente R$ 188,9 bilhões, segundo o cálculo de soma das partes da própria companhia. Nesse mesmo levantamento, o valor de mercado da holding estava próximo de R$ 150 bilhões, o que representava desconto de cerca de 20,6%.

Esse desconto é uma característica comum às holdings listadas e representa a diferença entre quanto valem as participações detidas pela companhia e quanto o mercado atribui às ações da própria holding.

Despesas administrativas chegam a R$ 45 milhões

As despesas administrativas da Itaúsa somaram R$ 45 milhões no segundo trimestre, aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo a companhia, parte relevante da elevação está relacionada ao programa de incentivo de longo prazo destinado aos executivos, cujo custo foi afetado pela valorização das ações da holding.

O crescimento das despesas precisa ser analisado em relação à dimensão dos resultados provenientes das investidas. Com R$ 4,6 bilhões de resultado recorrente vindo do portfólio, a estrutura administrativa da holding continua representando uma parcela relativamente pequena desse montante.

Ainda assim, despesas corporativas, custos financeiros, impostos e outros componentes existentes no nível da holding explicam por que o resultado final da Itaúsa não corresponde simplesmente à soma das contribuições recebidas das empresas investidas.

Essa diferença é acompanhada pelos investidores como um dos indicadores de eficiência da estrutura societária.

Itaúsa mantém estratégia de distribuição de proventos

A remuneração dos acionistas continua sendo um dos elementos centrais da tese de investimento da Itaúsa.

A política da companhia estabelece dividendo mínimo estatutário correspondente a 25% do lucro líquido ajustado, além de pagamentos trimestrais e distribuições adicionais quando a administração considera que existem condições financeiras para fazê-las.

Para 31 de agosto estão programados pagamentos de juros sobre capital próprio já deliberados anteriormente, incluindo parcelas vinculadas às posições acionárias de março e junho.

A Itaúsa também mantém pagamentos trimestrais de proventos, mecanismo que proporciona maior previsibilidade para investidores interessados na geração periódica de renda.

O volume final distribuído ao longo do exercício dependerá, contudo, da geração de caixa da holding, do recebimento de dividendos das investidas e das decisões de alocação de capital, principalmente diante da possibilidade de novos investimentos.

Diversificação começa a ganhar peso nos resultados

O balanço do segundo trimestre reforça uma transformação que vem ocorrendo gradualmente no portfólio.

A Itaúsa continua profundamente vinculada ao desempenho do Itaú Unibanco, mas investimentos realizados ao longo dos últimos anos começam a ampliar sua contribuição para o resultado consolidado.

Motiva, Alpargatas, Copa Energia, Aegea, Dexco e NTS oferecem exposição a segmentos diferentes do setor bancário, incluindo infraestrutura, consumo, energia, saneamento, materiais para construção e transporte de gás.

Essa diversificação tem dois objetivos principais: reduzir a concentração econômica e criar novas fontes de crescimento capazes de complementar a elevada geração de caixa do Itaú.

O desempenho do segundo trimestre mostra que esse processo não ocorre de forma linear. Motiva e Alpargatas entregaram fortes avanços, enquanto Aegea sentiu de maneira mais intensa o efeito dos juros elevados sobre sua estrutura financeira.

Lucro de R$ 4,3 bilhões mantém trajetória de resultados da holding

Depois de abrir 2026 com resultados fortes, a Itaúsa encerra o segundo trimestre mantendo crescimento em relação ao ano anterior, embora em ritmo mais moderado.

No primeiro trimestre, a companhia havia registrado lucro líquido recorrente de aproximadamente R$ 4,5 bilhões, com crescimento de 17% e ROE recorrente superior a 20%. No segundo trimestre, o lucro ficou em R$ 4,3 bilhões e o avanço anual foi de 7%.

A comparação mostra uma desaceleração da taxa de crescimento, mas não uma deterioração generalizada do portfólio. O resultado permaneceu apoiado pelo Itaú Unibanco e recebeu contribuição crescente de diferentes ativos não financeiros.

Para os próximos trimestres, o desempenho da holding continuará condicionado principalmente à evolução dos resultados do Itaú, ao comportamento dos juros e ao efeito da Selic sobre empresas mais alavancadas, além da capacidade de recuperação e expansão das demais investidas.

A estratégia permanece baseada na combinação entre gestão ativa do portfólio, disciplina financeira, distribuição de proventos e investimentos de longo prazo. Com lucro de R$ 4,3 bilhões no segundo trimestre e retorno sobre o patrimônio de 18,7%, a Itaúsa chega à segunda metade de 2026 com suas principais investidas ampliando resultados, mas ainda convivendo com os efeitos de um ambiente financeiro restritivo sobre parte dos negócios.

Tags: AegeaALPA4AlpargatasEmpresasItaú UnibancoItaúsaItaúsa 2T26Itaúsa resultadosITSA4ITUB4lucro ItaúsamotivaMOTV3

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