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Minerva (BEEF3) lucra R$ 196,9 milhões no 2T26; margem Ebitda recua para 8,7%

Receita líquida avançou para R$ 14,1 bilhões, mas Ebitda caiu 5,5% na comparação anual; alavancagem terminou junho em 2,9 vezes

por Alice Nascimento
12/08/2026 às 21h58
em Empresas
Minerva Beef3 - Gazeta Mercantil

A Minerva Foods (BEEF3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 196,9 milhões, queda de 57% em relação aos R$ 458,3 milhões registrados no mesmo período de 2025. A receita líquida chegou a R$ 14,1 bilhões, avanço de 1,3% na comparação anual, enquanto o Ebitda somou R$ 1,23 bilhão, recuo de 5,5%. Com isso, a margem Ebitda passou de 9,4% para 8,7%. Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira (12).

A combinação dos indicadores mostra um trimestre de expansão de receita sem preservação integral da rentabilidade. Em valores absolutos, o lucro encolheu R$ 261,4 milhões em um ano, enquanto o Ebitda diminuiu cerca de R$ 72 milhões. A margem líquida, calculada a partir da receita e do lucro informados pela companhia, saiu de aproximadamente 3,3% no segundo trimestre de 2025 para 1,4% no 2T26.

O resultado financeiro também exerceu pressão sobre a última linha do balanço. A Minerva registrou resultado financeiro líquido negativo de R$ 756,8 milhões no trimestre. Parte da diferença em relação ao ano passado está relacionada ao efeito contábil da variação cambial: esse componente havia contribuído positivamente em R$ 128,6 milhões no 2T25 e passou a representar impacto negativo de R$ 35,2 milhões no segundo trimestre deste ano.

Receita cresce com volume praticamente estável

O volume total vendido pela Minerva alcançou 506,1 mil toneladas entre abril e junho, praticamente em linha com as 507,1 mil toneladas comercializadas um ano antes, uma redução de apenas 0,2%. Em relação ao primeiro trimestre, quando as vendas haviam somado 481,7 mil toneladas, houve crescimento de aproximadamente 5,1%.

A estabilidade na comparação anual do volume, acompanhada pelo crescimento de 1,3% da receita líquida, indica uma melhora moderada da receita obtida sobre a base comercializada. A companhia também operou com 1,434 milhão de cabeças de bovinos abatidas no trimestre, abaixo do nível registrado um ano antes, em um período marcado por menor disponibilidade de animais em parte das principais regiões produtoras da América do Sul.

O ambiente de custos ficou mais exigente especialmente no Brasil. Dados reunidos pela própria Minerva em seu panorama setorial mostram que aproximadamente 7,3 milhões de bovinos foram abatidos no País no segundo trimestre, alta de 5% frente ao primeiro trimestre, mas queda de 2% em relação ao mesmo intervalo de 2025. A companhia associa esse movimento à reversão do ciclo pecuário e à redução da oferta de animais prontos para abate.

O preço médio da arroba bovina no Estado de São Paulo alcançou R$ 353,70 no trimestre, segundo os dados setoriais apresentados pela Minerva, com alta de 12% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 5% sobre os três primeiros meses deste ano. Em dólares, o preço médio ficou em US$ 4,70 por quilo. O encarecimento da matéria-prima ajuda a dimensionar a pressão enfrentada pela indústria frigorífica sobre as margens operacionais.

Resultado melhora em relação ao primeiro trimestre

Embora os números anuais mostrem deterioração do lucro e da margem, a comparação sequencial apresenta uma trajetória diferente. A receita líquida havia sido de R$ 13,409 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o que significa crescimento de aproximadamente 5,2% no 2T26. O Ebitda também avançou cerca de 10% frente aos R$ 1,118 bilhão contabilizados entre janeiro e março.

A margem Ebitda passou de 8,3% no primeiro trimestre para 8,7% no segundo, recuperação de 0,4 ponto percentual. Já o lucro líquido mais que dobrou em três meses, ao sair de R$ 87,3 milhões para R$ 196,9 milhões. A leitura sequencial mostra, portanto, melhora de rentabilidade em relação ao começo do ano, embora os indicadores permaneçam abaixo dos níveis observados no mesmo trimestre de 2025.

Com os dois primeiros trimestres consolidados, o lucro líquido da Minerva soma R$ 284,2 milhões em 2026. A receita líquida acumulada no semestre chegou a aproximadamente R$ 27,5 bilhões, alta de 9,5% na comparação com os seis primeiros meses do ano passado.

A comparação também evidencia o efeito de uma base elevada no 2T25. Naquele trimestre, além do lucro de R$ 458,3 milhões, a companhia havia registrado Ebitda de R$ 1,302 bilhão e margem de 9,4%. A geração de caixa livre naquele período ficou negativa em R$ 25,7 milhões, enquanto a posição de caixa era de R$ 12,5 bilhões.

China e Estados Unidos ampliam opções comerciais

A estratégia internacional continua sendo central para a Minerva. A receita bruta consolidada alcançou cerca de R$ 15,1 bilhões no segundo trimestre, com 56,6% provenientes das exportações. A empresa utiliza sua presença em diferentes países produtores da América do Sul para direcionar carne aos mercados que oferecem melhor combinação de demanda, preços e condições sanitárias.

A China permanece como um dos principais vetores dessa estratégia. Ao mesmo tempo, a restrição de oferta de bovinos nos Estados Unidos continua abrindo espaço para fornecedores internacionais. A administração destaca que a possibilidade de atender diferentes mercados com plantas habilitadas em mais de um destino aumenta a flexibilidade para realocar produtos conforme preços, demanda e condições comerciais.

O pano de fundo das exportações brasileiras foi favorável no trimestre. Entre abril e junho de 2026, o Brasil exportou aproximadamente 794 mil toneladas de carne bovina, avanço de 13% tanto em relação ao trimestre anterior quanto sobre igual período de 2025. A receita das exportações alcançou US$ 5,1 bilhões, crescimento de 37% em um ano.

O preço médio da carne bovina exportada pelo Brasil ficou próximo de US$ 6,40 por quilo, 23% acima do observado no segundo trimestre de 2025 e 13% superior ao primeiro trimestre deste ano. Em reais, o preço médio chegou a R$ 32,50 por quilo. A China respondeu pela maior parcela dos embarques brasileiros no período, reforçando a importância do país asiático para os frigoríficos instalados na América do Sul.

O contraste entre carne exportada mais valorizada e gado mais caro na origem tornou a capacidade de arbitragem geográfica especialmente relevante. A Minerva mantém operações no Brasil, Argentina, Colômbia, Paraguai e Uruguai, além de negócios com ovinos na Austrália e no Chile. A estrutura reúne 38 plantas de abate e desossa de bovinos, três unidades de processamento e cinco plantas de ovinos, com capacidade diária total informada de 43.640 cabeças de gado.

Alavancagem cai em um ano, mas sobe frente a março

A alavancagem financeira encerrou junho em 2,9 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses. O indicador representa melhora relevante frente às 3,16 vezes registradas ao final do segundo trimestre de 2025, mas ficou acima das 2,7 vezes observadas em março deste ano.

Ao final do trimestre, a Minerva apresentava aproximadamente R$ 14,9 bilhões em caixa e equivalentes, contra dívida bruta de R$ 29,3 bilhões. A dívida líquida, portanto, estava em R$ 14,36 bilhões. Nos 12 meses encerrados em junho, o fluxo de caixa livre acumulado atingiu R$ 635,9 milhões.

A geração operacional de caixa, porém, sofreu pressão no trimestre. O fluxo de caixa das atividades operacionais ficou negativo em R$ 54,6 milhões, afetado por uma necessidade adicional de capital de giro de aproximadamente R$ 1,07 bilhão. Entre os principais movimentos esteve o aumento de R$ 609,7 milhões em contas a receber, além de variações em estoques e ativos biológicos.

No primeiro trimestre, a companhia possuía R$ 10,9 bilhões em caixa e alavancagem de 2,7 vezes. A elevação do caixa ao longo do segundo trimestre ocorreu também em um período de movimentações no passivo, incluindo captações e recompra de títulos. A empresa concluiu uma emissão de US$ 600 milhões em notas com vencimento em 2036 e cupom de 7,5% ao ano e informou ter recomprado e cancelado aproximadamente US$ 232,9 milhões em bonds durante o primeiro semestre.

Margens, capital de giro e ciclo do gado entram no radar

Os resultados deixam três variáveis centrais para a evolução dos números da Minerva nos próximos trimestres. A primeira é a capacidade de recuperar margens mesmo em uma fase de maior custo do gado. A segunda será o comportamento do capital de giro, diante da pressão observada no caixa operacional. A terceira está na capacidade de aproveitar a demanda internacional para compensar diferenças de rentabilidade entre países e mercados consumidores.

No Brasil, a reversão do ciclo pecuário já se traduz em menor oferta de animais e preços mais elevados na comparação anual. Ao mesmo tempo, a demanda externa permanece forte, especialmente em um ambiente em que a China mantém elevada participação nas compras e os Estados Unidos convivem com oferta doméstica restrita. Essa combinação beneficia os preços internacionais, mas também aumenta a importância da disciplina de compra de matéria-prima e da escolha do destino de cada produto.

A próxima etapa formal será a teleconferência de resultados do segundo trimestre, marcada pela Minerva para esta quinta-feira (13). A companhia também já prevê a divulgação dos números do terceiro trimestre em 4 de novembro de 2026. A evolução das margens, da alavancagem, do capital de giro e dos custos do gado deverá indicar se a recuperação observada entre o primeiro e o segundo trimestres poderá ser sustentada na segunda metade do ano.

Tags: agronegócioBEEF3carne bovinaChinaEmpresasEstados UnidosexportaçõesfrigoríficosMinervaMinerva Foodsresultados 2T26

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