Venda de veículos 1.0 cresce 11,35% em julho com impulso do Programa Carro Sustentável
Alta nas vendas sinaliza retomada do mercado automotivo de entrada com apoio de incentivos fiscais e IPI zero
As vendas de veículos 1.0 registraram um expressivo crescimento de 11,35% em julho de 2025 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). Em relação a junho, o aumento foi ainda mais significativo: 13%. O impulso veio principalmente do Programa Carro Sustentável, lançado recentemente pelo governo federal, que oferece isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para modelos que atendem a critérios de sustentabilidade e produção nacional.
Essa retomada na venda de veículos 1.0 indica não apenas uma recuperação do setor automotivo após um período de estagnação, mas também uma reconfiguração do perfil de consumo no Brasil. Incentivados por descontos que chegam a R$ 13 mil, consumidores estão voltando a investir em carros populares, especialmente compactos 1.0 com motorização aspirada, fabricados no país e com alto índice de reciclabilidade.
Neste artigo, você vai entender como o Programa Carro Sustentável tem afetado diretamente o mercado, quais modelos se destacam, o impacto na indústria e o que esperar para os próximos meses.
Programa Carro Sustentável: o motor por trás do crescimento nas vendas de veículos 1.0
Lançado em 2025 pelo governo federal, o Programa Carro Sustentável visa reduzir as emissões de carbono da frota automotiva brasileira por meio de incentivos fiscais e novas diretrizes ambientais. Para isso, estabeleceu o IPI zero para veículos que cumpram quatro critérios principais:
-
Emissão inferior a 83 gramas de CO₂ por quilômetro rodado;
-
Mais de 80% de materiais recicláveis na composição do veículo;
-
Produção nacional com processos realizados no Brasil (soldagem, pintura, motor e montagem);
-
Classificação como carro compacto ou veículo de entrada.
Com a combinação do IPI zerado e descontos adicionais oferecidos pelas próprias montadoras, o valor final dos veículos caiu consideravelmente, tornando-se mais acessível ao consumidor brasileiro — especialmente aquele que busca um primeiro carro ou deseja trocar seu modelo atual sem comprometer o orçamento.
Modelos contemplados e comportamento do consumidor
Pelo menos nove modelos de veículos compactos 1.0 já foram credenciados para o benefício do Programa Carro Sustentável. Entre os destaques:
-
Renault Kwid
-
Fiat Mobi
-
Fiat Argo
-
Hyundai HB20 (versões básicas)
-
Volkswagen Polo Track
-
Chevrolet Onix e Onix Plus (1.0 aspirado)
-
Citroën C3 e Citroën Basalt
A escolha por veículos 1.0 é estratégica. Esses modelos têm menor consumo de combustível, custo de manutenção reduzido e, agora, preço mais competitivo, resultando em um novo fôlego para um segmento que já foi líder absoluto no Brasil, mas que vinha perdendo espaço para SUVs compactos e picapes.
A venda de veículos 1.0 atende, sobretudo, ao público de baixa e média renda, além de motoristas de aplicativos e empresas que utilizam frotas compactas. Com a retomada da economia e a política de incentivos, esse perfil de consumidor volta ao radar das montadoras.
Descontos chegam a R$ 13 mil e estimulam o mercado automotivo
Um dos maiores atrativos do Programa Carro Sustentável é o impacto direto no preço final dos veículos. Combinando a isenção de IPI e os descontos ofertados por fabricantes, modelos 1.0 podem ter redução de até R$ 13 mil. Isso significa que carros anteriormente avaliados em R$ 70 mil podem ser adquiridos por cerca de R$ 57 mil.
Essa diferença torna o financiamento mais viável e melhora os índices de aprovação de crédito, o que também contribui para o crescimento das vendas. As concessionárias relatam aumento no fluxo de visitantes e elevação nas consultas de financiamento desde o anúncio do programa.
Benefícios também se estendem ao setor produtivo
O crescimento da venda de veículos 1.0 em julho impulsiona diretamente a cadeia produtiva nacional. A fabricação desses modelos exige componentes produzidos localmente, gerando empregos em montadoras, autopeças, transporte e logística. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a iniciativa já começou a gerar impacto positivo tanto na indústria quanto no comércio.
A produção nacional é um dos pilares do Programa Carro Sustentável. Para se enquadrar, os veículos precisam ser fabricados no Brasil, o que fortalece o parque industrial, preserva empregos e atrai investimentos.
Veículos 1.0 turbo e elétricos ainda fora do programa, mas cenário pode mudar
Até o momento, o benefício do IPI zero está restrito a veículos 1.0 com motorização aspirada. Modelos com motor turbo — mesmo sendo 1.0 — ficaram de fora da primeira fase do programa, assim como veículos híbridos e elétricos. O governo, no entanto, já sinalizou que poderá estender os incentivos à medida que a produção nacional de carros eletrificados avance.
Isso significa que o futuro do programa poderá incluir veículos mais tecnológicos e com motorização alternativa, incentivando a transição para uma matriz automotiva mais limpa e alinhada com as diretrizes globais de descarbonização.
Novo sistema de cálculo do IPI entrará em vigor em breve
Para os modelos não contemplados pelo IPI zero, o governo instituiu um novo sistema de cálculo do imposto, com vigência prevista para iniciar 90 dias após a publicação do decreto. A nova tabela parte de uma alíquota base de 6,3% para veículos de passageiros e 3,9% para comerciais leves. Os percentuais serão ajustados por critérios técnicos e ambientais, como:
-
Eficiência energética
-
Tipo de propulsão
-
Potência do motor
-
Nível de segurança
-
Grau de reciclabilidade
Esse sistema visa estimular a produção de veículos mais eficientes, com menor impacto ambiental, criando um diferencial competitivo para modelos alinhados às exigências sustentáveis.
Perspectivas para o segundo semestre de 2025
O crescimento na venda de veículos 1.0 em julho é apenas o início de um novo ciclo para o mercado automotivo brasileiro. A tendência é que os números continuem subindo ao longo do segundo semestre, especialmente com a manutenção dos incentivos, a maior previsibilidade de crédito e a resposta positiva dos consumidores.
Além disso, montadoras devem intensificar suas campanhas promocionais e acelerar a produção de veículos 1.0, inclusive com possíveis lançamentos de novas versões que se encaixem no perfil do programa.
Outro fator que pode impulsionar ainda mais o setor é a expectativa de expansão dos benefícios para carros eletrificados. Com a nacionalização de alguns modelos em andamento, como o BYD Dolphin Mini e o Renault Kwid E-Tech, é possível que o governo inclua esses veículos na lista de isenção fiscal, promovendo uma verdadeira revolução verde no mercado automotivo.
A força renovada da venda de veículos 1.0 no Brasil
O avanço de 11,35% na venda de veículos 1.0 em julho comprova que políticas públicas bem desenhadas e alinhadas com a realidade socioeconômica do país são capazes de reativar segmentos importantes da economia. O Programa Carro Sustentável é, até o momento, um sucesso em termos de adesão do mercado, apoio das montadoras e resposta do consumidor.
Com preços acessíveis, foco na sustentabilidade e estímulo à produção nacional, os veículos 1.0 voltam a ter protagonismo no cenário automotivo. Se mantido e expandido de forma estratégica, o programa pode representar um novo ciclo virtuoso de crescimento para o setor e uma contribuição efetiva para a transição energética da frota brasileira.









