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Ações brasileiras lideram como preferidas na América Latina, segundo relatório do Bradesco BBI

por Gabriel Monteiro
04/08/2025 às 17h26
em Negócios
Ações Brasileiras Lideram Como Preferidas Na América Latina, Segundo Relatório Do Bradesco Bbi Gazeta Mercantil

Ações brasileiras se destacam como preferidas na América Latina, segundo relatório do Bradesco BBI

Em um cenário global de incertezas econômicas e reprecificação de ativos, as ações brasileiras emergem como as favoritas entre os investidores que miram mercados emergentes na América Latina. Segundo o mais recente relatório do Bradesco BBI, divulgado nesta segunda-feira (4), o Brasil lidera o ranking de atratividade entre os países da região. O banco destaca uma série de fatores internos e externos que colocam o país em posição estratégica para receber novos aportes de capital, especialmente num momento de desaceleração dos Estados Unidos e reavaliação do “excepcionalismo americano”.

A conjuntura macroeconômica favorece as ações brasileiras

O Bradesco BBI aponta que o Brasil apresenta uma economia relativamente fechada e pouco integrada às dinâmicas globais, o que oferece uma proteção natural contra choques externos, como os que vêm sendo observados nos Estados Unidos, onde o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2025 veio abaixo do esperado. Além disso, o mercado de trabalho norte-americano também começa a mostrar sinais de enfraquecimento, o que influencia diretamente o comportamento de investidores globais.

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Diante dessa conjuntura, as ações brasileiras aparecem como opção segura e promissora. A leitura é de que a economia do país segue seu próprio ciclo de negócios e, por isso, está menos vulnerável à volatilidade externa. Isso se traduz em uma percepção de menor risco, principalmente quando comparada a outros países da América Latina.

Duplo desconto amplia a atratividade dos ativos brasileiros

Outro ponto ressaltado pelo Bradesco BBI é o chamado “duplo desconto” das ações brasileiras, que se refere à desvalorização tanto do câmbio quanto das ações em si. Com o real desvalorizado e o valuation das empresas brasileiras ainda abaixo da média histórica, investidores enxergam uma excelente janela de oportunidade para compra de ativos.

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A expectativa de valorização cambial nos próximos meses reforça esse argumento. Com o dólar perdendo força frente a outras moedas e os bancos centrais globais promovendo mais cortes do que altas nas taxas de juros (proporção de quatro para um), o ambiente se torna ainda mais propício para que os recursos internacionais desembarquem no Brasil.

Ciclo de queda da Selic impulsiona o mercado de capitais

Um dos vetores internos que reforçam a atratividade das ações brasileiras é o ciclo de queda da taxa Selic. Atualmente em 15% ao ano, a expectativa é de novos cortes, o que deve impulsionar o mercado acionário, especialmente os papéis mais sensíveis aos juros, como os de varejo, construção civil, setor imobiliário e bancos.

Além disso, as eleições municipais de 2025 também entram no radar dos investidores como um fator que pode influenciar o comportamento dos ativos, com potencial de gerar maior previsibilidade política e econômica para o país.

Estatais e empresas sensíveis à taxa de juros lideram as recomendações

O relatório do Bradesco BBI dá destaque especial às ações de estatais e empresas cujos resultados são diretamente impactados pela variação da Selic. Essas empresas tendem a se beneficiar mais rapidamente da redução dos juros, tanto no custo de captação quanto na valorização de seus ativos.

Empresas como Banco do Brasil, Eletrobras, Petrobras e Caixa Seguridade são frequentemente citadas como bons exemplos de papéis que combinam bom desempenho operacional com atratividade de preço no atual contexto. Os analistas destacam ainda que mesmo que a economia doméstica apresente sinais de desaceleração, isso pode ser interpretado positivamente pelo mercado, ao sinalizar mais espaço para flexibilização monetária.

Comparativo com outros países latino-americanos

Além do Brasil, o relatório também avalia o panorama de outros mercados latino-americanos. O Chile aparece como a segunda melhor escolha, com recomendação de overweight (acima da média). A recuperação da economia chinesa, parceira comercial relevante do Chile, é vista como um fator de estímulo importante para os ativos do país.

Já o México recebeu recomendação neutra. Apesar da forte dependência econômica dos Estados Unidos, o país tem se destacado por empresas com alto poder de precificação e bom desempenho em Bolsa. Setores ligados à estratégia de nearshoring são considerados promissores, assim como companhias que operam em mercados oligopolistas.

A Argentina, por outro lado, segue com recomendação underweight (abaixo da média). A instabilidade cambial, o ano eleitoral e a forte dependência do petróleo como fonte de receita colocam o país em posição de risco elevado. O relatório aponta que a queda do petróleo Brent para abaixo de US$ 70 por barril e o aumento da produção da Opep agravam ainda mais o cenário argentino.

Fluxo de capital para a América Latina segue estável

O relatório do Bradesco BBI também destaca que, apesar da volatilidade nos mercados globais, o fluxo de capital em direção à América Latina tem se mantido estável. A criação de ETFs (fundos de índice) focados na região é apontada como um sinal de interesse estrutural dos investidores.

Esse comportamento sugere uma mudança na percepção sobre os mercados latino-americanos, que passam a ser vistos como alternativas mais sólidas e previsíveis em um mundo em transição econômica. E dentro dessa nova configuração, o Brasil ocupa posição central, sendo considerado o principal destino de investimentos na região.

Sinais técnicos também favorecem o Brasil

Do ponto de vista técnico, o relatório menciona que o índice DXY (Dollar Index), que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas, tem mostrado fraqueza ao não conseguir romper sua média móvel de 100 dias. Isso é interpretado como um indício de que o ciclo de valorização do dólar está perdendo força, o que costuma beneficiar países emergentes como o Brasil.

Com a moeda americana em trajetória de desvalorização e a Selic em queda, o ambiente se torna ideal para a valorização das ações brasileiras, especialmente para investidores estrangeiros que buscam rentabilidade em mercados com menor correlação com os riscos globais.

O Brasil vive um momento particularmente favorável para atrair investimentos em renda variável. O contexto internacional, marcado pela desaceleração dos EUA, e o ambiente interno de queda de juros, valorização cambial e estabilidade institucional, criam uma combinação rara de fatores positivos.

Segundo o Bradesco BBI, a reprecificação global dos ativos pode ser uma grande oportunidade para o investidor que souber identificar os ciclos regionais e aproveitar os descontos atualmente oferecidos pelas ações brasileiras. Com fundamentos sólidos e melhora nas expectativas macroeconômicas, o país tem todos os ingredientes para liderar a recuperação dos mercados emergentes na América Latina.

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