A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a 47% e ficou numericamente empatada com a desaprovação, também de 47%, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (13), em Brasília. Outros 6% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder. O levantamento, realizado por telefone com 2.003 eleitores entre 10 e 12 de julho, mostra que a avaliação do governo se estabilizou após a recuperação registrada desde março, mas permanece marcada por diferenças expressivas entre grupos sociais e regiões do país.
Na rodada anterior, publicada em 29 de junho, aprovação e desaprovação estavam em 48%. A oscilação de um ponto percentual para baixo nos dois indicadores está dentro da margem de erro de dois pontos, para mais ou para menos, e não representa mudança estatisticamente significativa.
A fotografia geral é de um eleitorado dividido. O governo conseguiu eliminar a diferença negativa de seis pontos registrada no fim de março, quando 45% aprovavam o trabalho do presidente e 51% desaprovavam. Desde então, a aprovação avançou dois pontos, enquanto a desaprovação recuou quatro.
O resultado atual, entretanto, não é o melhor índice absoluto da série. Em 15 e 29 de junho, a aprovação alcançou 48%. A rodada de 15 de junho foi também a única em que o indicador favorável apareceu numericamente acima do desfavorável, por 48% a 47%, diferença ainda situada dentro da margem de erro.
Pesquisa indica recuperação desde março, mas estabilidade nas últimas rodadas
A série da BTG/Nexus começou em 30 de março com vantagem da desaprovação. Naquele momento, o saldo era negativo em seis pontos: 51% desaprovavam e 45% aprovavam o governo Lula.
Em 27 de abril, a diferença caiu para três pontos, com 49% de desaprovação e 46% de aprovação. Um mês depois, os indicadores passaram a 48% e 47%, respectivamente, reduzindo o intervalo para apenas um ponto.
A aprovação de Lula alcançou 48% em 15 de junho, enquanto a desaprovação recuou para 47%. No levantamento de 29 de junho, ambos ficaram em 48%. A rodada mais recente manteve o empate, agora em 47%.
A trajetória sugere que a deterioração observada no primeiro trimestre foi interrompida. Ao mesmo tempo, as três últimas pesquisas mostram um quadro próximo da estabilidade, sem avanço consistente de nenhum dos lados.
A proporção de entrevistados que não souberam ou não quiseram responder subiu de 4% para 6% entre o fim de junho e a pesquisa atual. Essa variação ajuda a explicar o recuo simultâneo de aprovação e desaprovação.
O empate também significa que o governo ainda não consolidou uma maioria favorável. Embora tenha recuperado terreno desde março, metade aproximada do eleitorado mantém posição crítica em relação ao trabalho do presidente.
Avaliação negativa supera positiva em pergunta sobre desempenho
A pesquisa apresentou aos entrevistados duas formas diferentes de avaliar o governo. Na pergunta direta sobre aprovação ou desaprovação, o resultado foi de 47% para cada lado.
Quando o eleitor foi convidado a classificar a administração como ótima, boa, regular, ruim ou péssima, a composição mudou. A avaliação positiva somou 35%, formada por 16% que consideram o governo ótimo e 19% que o classificam como bom.
A avaliação negativa atingiu 41%. Desse total, 8% disseram que o desempenho é ruim e 33% o consideraram péssimo. Outros 24% classificaram a administração como regular, enquanto 1% não respondeu.
Os resultados não são incompatíveis. Um entrevistado que considera a gestão regular pode aprovar o trabalho do presidente quando submetido a uma escolha binária. Também pode desaprová-lo, dependendo dos critérios pessoais utilizados.
A diferença entre as duas perguntas mostra que a aprovação de Lula não equivale necessariamente a uma avaliação plenamente positiva de todas as áreas do governo. Parte do apoio pode incluir eleitores com ressalvas, enquanto parte da desaprovação pode reunir diferentes graus de insatisfação.
Para o Palácio do Planalto, o grupo que classifica a gestão como regular será estratégico. Esses eleitores não estão necessariamente incorporados a uma oposição consolidada, mas também não demonstram avaliação suficientemente favorável para garantir apoio eleitoral automático.
Apoio é maior entre mulheres e eleitores mais velhos
A divisão por gênero é uma das mais acentuadas da pesquisa. Entre as mulheres, a aprovação de Lula chega a 54%, enquanto 39% desaprovam seu trabalho. Outros 7% não responderam.
Entre os homens, o resultado se inverte. A desaprovação alcança 56%, contra 40% de aprovação e 4% de respostas indefinidas.
A diferença entre os saldos dos dois grupos chega a 31 pontos. Entre as mulheres, a aprovação supera a desaprovação em 15 pontos. Entre os homens, a desaprovação fica 16 pontos acima.
A faixa etária de 60 anos ou mais apresenta uma das avaliações mais favoráveis ao governo: 56% aprovam e 38% desaprovam. Entre os entrevistados de 41 a 59 anos, há equilíbrio numérico, com 49% de aprovação e 48% de desaprovação.
A maior resistência está no grupo de 25 a 40 anos, no qual 53% desaprovam o governo e 42% aprovam. Entre os eleitores de 16 a 24 anos, são 46% de desaprovação e 43% de aprovação, com 11% sem resposta definida.
Os dados indicam maior dificuldade do governo entre adultos em idade de plena inserção no mercado de trabalho. A pesquisa, contudo, não permite atribuir causalidade direta a emprego, renda, inflação ou qualquer política específica.
Além disso, a margem de erro de dois pontos refere-se à amostra total. Nos recortes demográficos, que possuem menos entrevistados, a incerteza estatística é maior. As diferenças devem ser interpretadas como tendências, e não como medidas exatas de cada segmento.
Renda separa grupos favoráveis e críticos ao governo
A aprovação de Lula diminui à medida que a renda familiar aumenta. Entre os entrevistados que recebem até um salário mínimo, 58% aprovam o governo e 33% desaprovam, diferença favorável de 25 pontos.
Na faixa de um a dois salários mínimos, o quadro ainda é positivo para o presidente, mas a vantagem cai. A aprovação fica em 48%, diante de 43% de desaprovação e 9% de entrevistados sem posição definida.
A relação se inverte entre aqueles com renda familiar de dois a cinco salários mínimos. Nesse grupo, 53% desaprovam e 44% aprovam o trabalho de Lula.
Acima de cinco salários mínimos, a desaprovação chega a 54%, ante aprovação de 43%. A distância desfavorável ao governo é de 11 pontos.
A escolaridade reproduz parte dessa divisão. Entre eleitores com ensino fundamental, 57% aprovam e 38% desaprovam a gestão. No ensino médio, 52% desaprovam e 41% aprovam. Entre os que possuem ensino superior, a desaprovação também é de 52%, contra aprovação de 43%.
Os números confirmam que a principal sustentação do governo está concentrada na base da distribuição de renda e entre pessoas com menor escolaridade. Não é possível, entretanto, concluir apenas com a pesquisa quais programas, decisões econômicas ou fatores políticos explicam esse comportamento.
Desocupados registram aprovação de 63%
O maior índice favorável ao governo aparece entre os entrevistados classificados como desocupados. Nesse segmento, 63% aprovam o trabalho de Lula, 34% desaprovam e 3% não responderam.
Entre as pessoas fora da população economicamente ativa, a aprovação é de 55%, diante de 38% de desaprovação. Esse grupo inclui aposentados, estudantes, pessoas dedicadas a atividades domésticas e indivíduos que não estão trabalhando nem procurando emprego.
O quadro é diferente entre trabalhadores formais. Nesse segmento, 56% desaprovam o governo e 40% aprovam. A diferença negativa chega a 16 pontos.
Entre trabalhadores informais, há maior equilíbrio: 47% desaprovam e 45% aprovam, com 8% de respostas indefinidas.
O recorte expõe um desafio político para o governo entre os trabalhadores com vínculos formais, grupo diretamente sensível ao comportamento dos salários, do crédito, dos preços, dos impostos e das condições do mercado de trabalho.
Ao mesmo tempo, a elevada aprovação entre desocupados não significa necessariamente satisfação com a situação econômica. A pergunta mede a avaliação geral do governo e não investiga, nesse cruzamento específico, os motivos declarados pelos entrevistados.
Mulheres, católicos e pessoas sem religião dão maior respaldo
A religião também divide a aprovação de Lula. Entre católicos, 51% aprovam o governo e 44% desaprovam, enquanto 5% não souberam responder.
No segmento evangélico, a desaprovação alcança 56%, contra 38% de aprovação. Outros 7% não apresentaram posição. Trata-se de uma diferença desfavorável de 18 pontos.
Entre adeptos de outras religiões, 50% desaprovam e 45% aprovam. Já entre pessoas sem religião, a aprovação chega a 52%, diante de 40% de desaprovação.
A distância no eleitorado evangélico permanece como uma das principais limitações para o governo. Esse segmento representa 27% da amostra da pesquisa e possui peso relevante nas disputas presidenciais e legislativas.
Os resultados, porém, não autorizam tratar comunidades religiosas como blocos eleitorais homogêneos. Há diferenças internas relacionadas a renda, gênero, idade, região, denominação religiosa e grau de participação nas igrejas.
Nordeste sustenta aprovação; Sul concentra desaprovação
O Nordeste permanece como a região mais favorável ao presidente. A aprovação de Lula chega a 57%, enquanto 37% desaprovam e 6% não responderam. O saldo positivo é de 20 pontos.
No Sul, ocorre o movimento oposto. A desaprovação atinge 58%, diante de 34% de aprovação e 8% de respostas indefinidas. A diferença contrária ao governo é de 24 pontos.
No Norte e no Centro-Oeste, analisados conjuntamente pela Nexus, 51% desaprovam e 40% aprovam. Outros 9% não souberam responder.
O Sudeste, maior colégio eleitoral do país, registra empate numérico: 49% aprovam e 49% desaprovam o governo. A soma pode superar 100% em alguns recortes por causa do arredondamento dos resultados.
A avaliação muda pouco quando considerada a condição do município. Nas capitais, 48% desaprovam e 45% aprovam. Em regiões metropolitanas, são 48% de aprovação e 47% de desaprovação. No interior, os percentuais se repetem: 48% aprovam e 47% desaprovam.
A estabilidade entre capitais, áreas metropolitanas e interior indica que a principal diferença territorial continua sendo regional, e não determinada apenas pelo tamanho ou pela posição do município.
Aprovação não se converte automaticamente em intenção de voto
A avaliação do governo é uma variável importante para uma candidatura à reeleição, mas não corresponde diretamente à intenção de voto. Um eleitor pode desaprovar parte da gestão e ainda preferir Lula diante dos adversários disponíveis. Também pode aprovar o governo, mas optar por outro candidato.
Na mesma rodada da BTG/Nexus, Lula aparece com 40% no principal cenário estimulado de primeiro turno. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registra 34%. Ronaldo Caiado tem 5%, enquanto Renan Santos e Romeu Zema aparecem com 4% cada.
Em uma simulação de segundo turno, Lula soma 47% e Flávio Bolsonaro, 44%. A diferença de três pontos configura empate técnico dentro do intervalo considerado pelo levantamento.
A pesquisa mostra, portanto, três indicadores distintos: aprovação e desaprovação do governo empatadas em 47%; avaliação negativa de 41%, superior à positiva de 35%; e Lula numericamente à frente nos cenários eleitorais testados.
Cada pergunta captura uma dimensão diferente. A aprovação mede a percepção geral sobre o trabalho do presidente. A classificação como ótima, boa, regular, ruim ou péssima mede intensidade. A intenção de voto incorpora alternativas, rejeições, identidade política e estratégia eleitoral.
Empate mantém disputa pela avaliação do governo aberta
A pesquisa foi encomendada pelo BTG Pactual e realizada pela Nexus por meio de entrevistas telefônicas no sistema CATI. Foram ouvidos 2.003 eleitores com 16 anos ou mais nas 27 unidades da Federação, entre 10 e 12 de julho.
A amostra foi distribuída proporcionalmente por região e controlada por sexo, idade, escolaridade, tipo de telefonia e DDD. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro geral de dois pontos percentuais. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07981/2026.
O resultado consolida a recuperação observada desde março, mas não indica uma nova expansão da aprovação de Lula nas últimas semanas. As três rodadas mais recentes oscilaram entre empate e diferença mínima dentro da margem de erro.
Para o governo, o dado favorável é a redução da desaprovação em relação ao primeiro trimestre. O limite está na ausência de maioria clara e na resistência entre homens, trabalhadores formais, eleitores de renda intermediária ou alta, evangélicos e moradores do Sul.
Com a aproximação das eleições de outubro, o comportamento desses grupos e do contingente que classifica a gestão como regular será determinante para saber se o empate de julho representa um teto temporário ou apenas uma etapa da disputa pela avaliação do governo.








