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Atlas Lithium avança em planta de lítio no Brasil e mira operação em 2027

Companhia listada na Nasdaq trouxe ao país a unidade de processamento do Projeto Neves, em Minas Gerais, e contratou fornecedores para iniciar a fase de obras

por João Souza
18/06/2026 às 20h44
em Empresas
Atlas Lithium Avança Em Planta De Lítio No Brasil E Mira Operação Em 2027 - Gazeta Mercantil

A Atlas Lithium (ATLX) avançou na implantação de sua planta industrial de processamento de lítio no Brasil e prevê iniciar a operação entre o terceiro e o quarto trimestres de 2027. A unidade de separação por meio denso, conhecida como DMS, foi fabricada na África do Sul, desembarcou no porto de Santos, em São Paulo, e já está armazenada em Minas Gerais para a futura montagem. A planta integra o Projeto Neves, principal ativo da companhia em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, região que se consolidou como uma das principais fronteiras brasileiras para minerais críticos.

O avanço coloca a Atlas Lithium (ATLX) em uma nova etapa de execução no Brasil. A companhia, listada na Nasdaq, busca transformar seu portfólio mineral em produção comercial de concentrado de lítio a partir de espodumênio, mineral usado na cadeia de baterias para veículos elétricos, armazenamento de energia, data centers e outras aplicações industriais.

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A planta industrial terá capacidade inicial estimada em 146 mil toneladas anuais de concentrado de lítio. Segundo a companhia, a estrutura poderá dobrar de tamanho no futuro, caso as condições de mercado justifiquem a expansão. O investimento previsto para a implantação do Projeto Neves varia de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões.

O que é o Projeto Neves

O Projeto Neves é o principal empreendimento de lítio da Atlas Lithium (ATLX) no Brasil. Ele está localizado em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, e reúne 557 quilômetros quadrados em direitos minerários.

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A área é considerada estratégica porque está inserida em uma região com ocorrência de pegmatitos ricos em espodumênio, mineral que contém lítio e pode ser processado para produzir concentrado usado na indústria de baterias.

A Atlas Lithium (ATLX) informa que o Projeto Neves tem taxa interna de retorno estimada em 145%, valor presente líquido de US$ 539 milhões e retorno previsto em 11 meses após o início da operação. Esses números fazem parte das projeções econômicas da empresa e dependem de premissas como preço internacional do lítio, custo operacional, câmbio, escala de produção, cronograma de implantação e demanda dos compradores.

A previsão de início da operação entre o terceiro e o quarto trimestres de 2027 indica que o projeto ainda terá etapas importantes pela frente. Entre elas estão montagem da planta, conclusão das obras civis, contratação de fornecedores adicionais, comissionamento industrial, licenciamento e estruturação da logística de escoamento da produção.

Planta de lítio chegou ao Brasil em 143 contêineres

A unidade de processamento da Atlas Lithium (ATLX) foi transportada em navio fretado e desembarcou no porto de Santos. A operação envolveu 143 contêineres, cada um com 140 metros cúbicos. Após a chegada ao Brasil, os equipamentos foram levados para Minas Gerais e permanecem armazenados até o início da montagem.

A planta usa a tecnologia DMS, sigla em inglês para separação por meio denso. Esse processo permite separar o material com maior concentração de lítio por diferença de densidade, após etapas de britagem e preparação do espodumênio.

A escolha da tecnologia tem relevância operacional e ambiental. O processo não exige barragens de rejeito líquido, pois não depende de flotação química como ocorre em outras rotas industriais de beneficiamento mineral. Em um setor marcado por forte fiscalização ambiental e atenção a riscos geotécnicos, a ausência de barragens de rejeitos líquidos pode reduzir parte da complexidade regulatória e operacional do projeto.

O custo da planta é estimado entre US$ 25 milhões e US$ 26 milhões, incluindo frete, impostos e taxas. A estrutura representa uma das peças centrais do plano da Atlas Lithium (ATLX) para transformar o Projeto Neves em uma operação comercial.

Quatro fornecedores foram contratados para iniciar as obras

A Atlas Lithium (ATLX) selecionou quatro empresas para iniciar a fase de implantação do Projeto Neves. A Promon Engenharia ficará responsável por etapas de engenharia detalhada. A TSX Engineering fará a gestão da implementação do projeto. A Cerne Construções executará estruturas administrativas e operacionais. A RETC Infraestrutura ficará responsável por terraplenagem e construção civil.

A contratação dos fornecedores sinaliza a transição do projeto para uma fase mais executiva. Em mineração, essa etapa costuma anteceder a montagem industrial e os testes operacionais. Ela envolve detalhamento técnico, preparação do terreno, construção de instalações, integração de equipamentos e organização do cronograma de entrega.

A companhia ainda negocia novos contratos para outras etapas do empreendimento. A conclusão da cadeia de fornecedores será essencial para definir o ritmo das obras e reduzir riscos de atraso.

A previsão da Atlas Lithium (ATLX) é gerar entre 3,5 mil e 4,5 mil empregos diretos e indiretos durante a fase de construção. Na operação industrial, a estimativa é de 500 empregos diretos.

Vale do Jequitinhonha ganha peso na cadeia global do lítio

O Projeto Neves reforça o papel do Vale do Jequitinhonha na cadeia brasileira de lítio. A região, historicamente associada a baixos indicadores sociais, passou a atrair mineradoras, investidores internacionais e compradores industriais interessados em garantir fornecimento de minerais críticos.

O lítio é um insumo essencial para baterias recarregáveis. Ele está presente em veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia, eletrônicos e equipamentos industriais. A expansão da mobilidade elétrica e da infraestrutura digital elevou a disputa por fontes confiáveis de fornecimento.

Para Minas Gerais, a instalação de uma planta de processamento de lítio representa uma oportunidade de ampliar a industrialização mineral. O desafio é transformar reservas geológicas em cadeias produtivas com maior valor agregado, empregos qualificados, arrecadação e integração com compradores internacionais.

Segundo Marc Fogassa, CEO e presidente da Atlas Lithium (ATLX), a média salarial dos funcionários da companhia em Araçuaí é de R$ 12.703 por pessoa. O valor é superior à média salarial regional de R$ 2.222, segundo dados citados pela empresa com base no IBGE. A diferença é usada pela companhia para destacar o potencial de impacto econômico do projeto na região.

Demanda por baterias sustenta plano de expansão

A tese da Atlas Lithium (ATLX) está ligada à demanda global por baterias. O lítio segue como um dos principais minerais da transição energética, com uso relevante em veículos elétricos, armazenamento estacionário de energia e infraestrutura crítica.

Marc Fogassa também associa parte da demanda futura ao crescimento de data centers voltados à inteligência artificial. Segundo ele, estruturas desse tipo precisam de fornecimento contínuo de energia e dependem de sistemas de backup para evitar interrupções. Baterias de lítio podem cumprir esse papel em ambientes que exigem alta confiabilidade.

A demanda de data centers não substitui o peso da indústria de veículos elétricos, mas amplia o universo de aplicações do lítio. Além das montadoras, empresas de tecnologia, operadores de infraestrutura digital e fornecedores de energia passaram a buscar soluções de armazenamento para garantir estabilidade operacional.

Esse cenário ajuda a explicar a disputa internacional por minerais críticos. Empresas e governos buscam diversificar fornecedores para reduzir dependência de cadeias concentradas. O Brasil aparece nesse movimento como possível origem alternativa para lítio, grafite e outros insumos estratégicos.

Produção tem acordos com Mitsui, Chengxin e Yahua

A Atlas Lithium (ATLX) já possui acordos comerciais para parte da produção esperada. A japonesa Mitsui & Co. comprará 15 mil toneladas da produção inicial da companhia. A Mitsui também investiu US$ 30 milhões na Atlas Lithium (ATLX) e detém participação acionária relevante na empresa.

As chinesas Chengxin e Yahua também fazem parte da estratégia comercial. Cada uma investiu US$ 5 milhões na companhia e se comprometeu a comprar 60 mil toneladas em cinco anos. Os acordos incluem pagamento antecipado de US$ 20 milhões.

A Yahua é fornecedora da Tesla, enquanto a Chengxin é fornecedora relevante da BYD. Esses vínculos conectam o Projeto Neves a cadeias globais de veículos elétricos e baterias.

Contratos de fornecimento, conhecidos como offtake, reduzem parte do risco comercial de projetos minerais. Eles indicam que compradores industriais têm interesse na produção futura e podem ajudar a companhia a estruturar financiamento, planejamento operacional e previsibilidade de receita.

Custo projetado é de US$ 489 por tonelada

A Atlas Lithium (ATLX) projeta custo de US$ 489 por tonelada de concentrado de lítio produzido no Projeto Neves. Segundo a companhia, esse nível tornaria a operação competitiva em relação ao preço internacional do concentrado de lítio, que gira em torno de US$ 2,5 mil por tonelada, conforme mencionado por Marc Fogassa.

A diferença entre custo projetado e preço de venda é um dos fatores que sustentam as estimativas econômicas do empreendimento. No entanto, a rentabilidade efetiva dependerá de variáveis de mercado. O preço do lítio tem histórico de volatilidade e pode ser afetado por excesso de oferta, desaceleração na venda de veículos elétricos, mudanças tecnológicas em baterias e decisões industriais da China, dos Estados Unidos e da Europa.

Projetos de lítio também enfrentam riscos típicos da mineração. Entre eles estão atrasos em obras, mudanças no custo de capital, licenciamento ambiental, variação cambial, produtividade da mina, teor mineral, logística e capacidade de execução.

Por isso, o avanço da planta é um marco importante, mas não elimina os riscos até o início da operação comercial. O mercado acompanhará a execução física do projeto, o cumprimento do cronograma e a conversão dos acordos comerciais em receita efetiva.

Salinas pode ser segunda frente de crescimento

Além do Projeto Neves, a Atlas Lithium (ATLX) avalia outras áreas com potencial mineral. Uma delas é o Projeto Salinas, localizado próximo à antiga área da Latin Resources, adquirida pela australiana Pilbara Minerals em 2024 por US$ 370 milhões.

As perfurações iniciais em Salinas indicaram mineralização de lítio próxima à superfície. A área é tratada como uma possível segunda fronteira de expansão da companhia, embora ainda dependa de novas campanhas de exploração, estudos técnicos e eventual comprovação de viabilidade econômica.

Manter projetos em diferentes estágios permite à empresa construir um pipeline de crescimento. Neves concentra a prioridade de implantação, enquanto Salinas pode oferecer opcionalidade futura se a demanda por lítio permanecer forte.

Essa estratégia, porém, exige disciplina de capital. Companhias pré-operacionais precisam equilibrar exploração, obras, caixa, licenciamento, relacionamento com comunidades e comunicação com investidores. Qualquer atraso ou revisão de premissas pode gerar impacto sobre a percepção de risco.

Atlas Critical Minerals avança em grafite

A estratégia da Atlas também envolve grafite, outro mineral crítico para baterias, energia, defesa e aplicações industriais. A Atlas Critical Minerals (ATCX), subsidiária da Atlas Lithium (ATLX), anunciou avanços em seu projeto de grafite em Minas Gerais.

A empresa informou a consolidação de um corredor mineralizado contínuo de grafite de 11 quilômetros. A área total do projeto foi ampliada em 124%, para 2,8 mil hectares. Segundo Marc Fogassa, testes revelaram teores de carbono grafítico de até 19,4%.

A companhia também enviou amostras a um laboratório em Illinois, nos Estados Unidos. Segundo Fogassa, os concentrados foram purificados até atingir 99,9% de pureza de carbono, nível que poderia qualificar o material para aplicações de maior exigência, incluindo uso nuclear.

O grafite de alta pureza tem valor superior ao material destinado a aplicações menos exigentes. Fogassa afirma que uma tonelada de grafite para uso nuclear pode ser vendida a cerca de US$ 30 mil, enquanto o grafite para bateria de carro elétrico, com exigência de pureza menor, gira em torno de US$ 15 mil por tonelada.

A transformação desses resultados em receita dependerá de testes adicionais, certificações, escala industrial, compradores qualificados e viabilidade econômica.

Acionistas incluem Fogassa, Mitsui e Citadel

A Atlas Lithium (ATLX) é listada na Nasdaq e possui mais de 10 mil acionistas. O maior acionista é Marc Fogassa, fundador, CEO e presidente da companhia, com 17,66% do capital.

A Mitsui & Co. detém 6,34% das ações após investir US$ 30 milhões na empresa. A gestora americana Citadel possui 4,04% do capital, após aporte de US$ 10 milhões.

A empresa também detém 21% de participação na Atlas Critical Minerals (ATCX), companhia também listada na Nasdaq. A estrutura reforça a estratégia de atuar em mais de um mineral crítico, com foco inicial em lítio e expansão potencial em grafite.

A presença de investidores internacionais amplia a visibilidade da Atlas Lithium (ATLX), mas também aumenta a cobrança por execução. O mercado deverá acompanhar se a empresa conseguirá cumprir o cronograma de 2027, controlar custos e converter recursos minerais em produção comercial.

Projeto coloca Minas Gerais no centro da disputa por minerais críticos

O avanço da planta industrial da Atlas Lithium (ATLX) reforça a posição de Minas Gerais na disputa global por minerais críticos. O Projeto Neves combina uma área mineral relevante, planta de processamento já entregue ao Brasil, contratos com compradores internacionais e fornecedores contratados para iniciar a fase de obras.

Para o setor de mineração, a execução do projeto será acompanhada como um teste da capacidade brasileira de transformar potencial geológico em produção industrial voltada à transição energética. Para investidores, o foco estará no cumprimento do cronograma, na competitividade de custos, na demanda por concentrado de lítio e na capacidade de a companhia financiar sua expansão.

Se a operação começar dentro do prazo previsto, a Atlas Lithium (ATLX) poderá se tornar uma nova fornecedora brasileira de concentrado de lítio para cadeias globais de baterias. O resultado também poderá consolidar o Vale do Jequitinhonha como uma das regiões mais relevantes do país na mineração de minerais críticos.

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