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Aula de Haddad na Unicamp termina em tumulto e agressões após protesto do MBL

Integrante do partido Missão interrompeu a palestra para acusar o petista de campanha antecipada; vídeos mostram empurrões e uma rasteira após a retirada dos manifestantes

por Júlia Campos
03/07/2026 às 10h25
em Política
Aula De Haddad Na Unicamp Termina Em Tumulto E Agressões Após Protesto Do Mbl - Gazeta Mercantil

Uma aula magna do ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, terminou em tumulto e troca de agressões na noite desta quinta-feira, 2 de julho, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O episódio começou quando Matheus Pereira, conhecido nas redes sociais como Matheus Campinas, interrompeu a apresentação para questionar Haddad e acusá-lo de realizar campanha eleitoral antecipada. Pereira é integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) e pré-candidato a deputado estadual pelo partido Missão.

O manifestante foi vaiado pelo público e retirado do Teatro de Arena pela equipe responsável pela segurança. Na área externa, vídeos divulgados nas redes sociais mostram discussões, empurrões e agressões entre pessoas ligadas ao protesto e participantes que acompanhavam o evento.

Em uma das gravações, Matheus Pereira aparece sendo empurrado durante a confusão e, depois de se afastar, é derrubado por uma rasteira. As imagens não permitem identificar com segurança todos os envolvidos nem reconstituir integralmente a sequência das agressões.

A Polícia Militar foi chamada, mas informou que não precisou intervir porque a situação já havia sido controlada pelos organizadores quando os agentes chegaram. Não houve informação oficial sobre feridos ou prisões.

Protesto interrompeu fala de Haddad

A palestra abordava os desafios econômicos do Brasil e reuniu estudantes, professores, pesquisadores, dirigentes sindicais e apoiadores do ex-ministro.

Durante a apresentação, Matheus Pereira começou a falar em voz alta e acusou Haddad de utilizar o espaço universitário para promover sua pré-candidatura ao governo paulista.

Vídeos do momento mostram o manifestante sendo vaiado enquanto uma pessoa ligada à organização tenta retomar a programação.

“Vamos voltar para a aula aqui”, afirma um dos organizadores ao microfone.

Haddad permaneceu no palco e disse não ter compreendido o que estava sendo falado pelo grupo. Depois da retirada dos manifestantes, a palestra foi retomada e concluída.

Não há informação pública de que a Justiça Eleitoral tenha reconhecido a existência de propaganda antecipada no evento. A acusação foi feita pelos integrantes do MBL e do Missão e não representa uma conclusão oficial sobre a legalidade da palestra.

Vídeos mostram empurrões e rasteira

A confusão continuou fora do espaço em que Haddad falava.

Gravações divulgadas por participantes e veículos de imprensa mostram integrantes dos dois grupos discutindo nas proximidades da Diretoria Acadêmica da Unicamp.

Matheus Pereira aparece cercado por algumas pessoas, sendo empurrado e discutindo com um homem. Em outro momento, quando caminha para longe do grupo, ele é atingido por uma rasteira e cai no chão.

Outras imagens mostram trocas de empurrões e tentativas de separar os envolvidos.

A existência dos vídeos confirma que houve agressões físicas, mas as gravações disponíveis apresentam diferentes recortes e não esclarecem de forma definitiva quem iniciou o confronto na área externa.

A Folha de S.Paulo classificou o episódio como uma “troca de agressões” entre os grupos. O Poder360 informou que Pereira foi derrubado depois de interromper a fala do petista.

Matheus Campinas acusa segurança e estudantes

Após o episódio, Matheus Pereira afirmou nas redes sociais que havia comparecido ao evento para questionar Haddad sobre temas ligados à atuação do petista nos governos federal e municipal.

Segundo ele, os manifestantes foram agredidos por estudantes e por pessoas ligadas à segurança do evento.

Pereira disse que pretendia cobrar explicações sobre medidas econômicas, a atuação de Haddad no Ministério da Fazenda e denúncias envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social.

Em algumas versões divulgadas após a confusão, integrantes do grupo também mencionaram a tributação sobre compras internacionais de baixo valor, conhecida como “taxa das blusinhas”.

O manifestante sustenta que sua intervenção era pacífica e que a reação do público e da segurança ultrapassou os limites necessários para retirá-lo.

Essa é a versão apresentada por Pereira. A universidade, o DCE e participantes do evento ofereceram relatos diferentes sobre a origem e o desenvolvimento da confusão.

Partido Missão também denuncia perseguição

Gabriel Piauhy, pré-candidato a deputado federal pelo Missão, afirmou que um integrante do grupo identificado como Caio Santana teria sido perseguido por uma pessoa ligada à segurança depois da retirada dos manifestantes.

“Fomos fazer mais uma vez o questionamento para o Haddad. A pergunta que ele tanto teme”, declarou Piauhy em vídeo publicado nas redes sociais.

O Missão é um partido criado a partir do movimento político ligado ao MBL e teve seu registro aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral em novembro de 2025.

Integrantes da legenda têm comparecido a eventos de Haddad para realizar questionamentos públicos e registrar as abordagens em vídeo.

Na semana anterior, Piauhy havia participado de outra confusão em Santo André, onde Haddad recebeu o título de cidadão honorário. Na ocasião, o militante tentou questionar o petista sobre o escândalo dos descontos indevidos em benefícios do INSS.

DCE diz que grupo foi à universidade para provocar

O Diretório Central dos Estudantes da Unicamp apresentou uma versão diferente sobre o episódio.

Em nota, a entidade afirmou que os integrantes do MBL e do partido Missão compareceram à universidade com o objetivo de provocar tumulto e desrespeitaram funcionários responsáveis pela segurança.

“A briga mencionada na mídia foi causada por militantes da direita que vieram ao evento provocar e causar tumulto”, declarou o DCE.

A entidade afirmou ainda que os manifestantes foram retirados imediatamente e que a confusão posterior ocorreu em outras áreas do campus.

Segundo o diretório, integrantes do público que acompanhavam a aula não teriam participado inicialmente da retirada. A nota, no entanto, não esclareceu a identidade das pessoas que aparecem nas imagens das agressões externas.

O DCE disse lamentar o ocorrido e atribuiu aos manifestantes a responsabilidade pela interrupção da programação.

Unicamp divulga orientação contra provocações

Depois da confusão, a Unicamp voltou a divulgar em suas redes sociais uma cartilha com orientações para a comunidade acadêmica sobre como agir diante de provocações e conflitos dentro dos campi.

A publicação recomendava evitar confrontos, buscar apoio institucional e acionar os setores responsáveis pela segurança quando houver risco de violência.

Até a publicação desta reportagem, a reitoria não havia divulgado uma nota detalhada com a reconstrução do episódio, a identificação dos agressores ou a informação sobre eventual abertura de procedimento interno.

Também não havia confirmação de registro de boletim de ocorrência pelos envolvidos.

A apuração completa dependerá da análise das câmeras de segurança da universidade, dos vídeos publicados e dos depoimentos das pessoas presentes.

Haddad concluiu palestra após interrupção

Haddad retomou a apresentação depois da retirada dos manifestantes e concluiu a aula magna.

Ao final do evento, o ex-ministro afirmou que se prepara para disputar o governo de São Paulo. Na saída, apoiadores gritaram palavras de ordem contra o governador Tarcísio de Freitas.

O petista não conversou com jornalistas sobre a confusão.

Em publicação nas redes sociais, Haddad destacou apenas o conteúdo da palestra.

“Hoje, realizamos uma aula magna na Unicamp. É sempre muito bom estar aqui para conversar com estudantes, professores e pesquisadores sobre o futuro do nosso estado e do nosso país”, escreveu.

O ex-ministro também citou investimentos federais na região de Campinas, entre eles o Trem Intercidades São Paulo–Campinas e os projetos científicos Sirius e Orion.

A assessoria de Haddad não comentou as acusações de campanha antecipada nem as agressões registradas no campus.

Evento foi organizado por entidades universitárias

A aula magna foi divulgada por entidades representativas da comunidade universitária, incluindo o DCE, a Associação de Docentes da Unicamp, o Sindicato dos Trabalhadores da universidade e a Associação de Pós-Graduandos.

O convite apresentava o evento como uma discussão sobre o futuro econômico e social de São Paulo e do Brasil.

Haddad é professor e já comandou os ministérios da Educação e da Fazenda, além de ter sido prefeito de São Paulo.

Sua presença em universidades e encontros com movimentos sociais faz parte da agenda política organizada antes do início oficial da campanha eleitoral de 2026.

A legislação permite que pré-candidatos participem de entrevistas, debates e eventos públicos, desde que não façam pedido explícito de voto nem utilizem meios proibidos de propaganda.

A caracterização de campanha antecipada depende do conteúdo efetivamente apresentado, das circunstâncias do evento e de eventual análise da Justiça Eleitoral.

Acusação eleitoral ainda não foi formalizada

Matheus Pereira afirmou durante a interrupção que a aula representava campanha eleitoral antecipada.

Até agora, porém, não há notícia de representação apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo ou de decisão judicial sobre o caso.

A simples presença de um pré-candidato em uma universidade não configura, isoladamente, propaganda irregular.

A legislação eleitoral autoriza menções a pretensões políticas, apresentação de projetos e participação em eventos, desde que não exista pedido explícito de voto ou utilização indevida da estrutura pública.

Por outro lado, o uso de espaços e recursos de instituições públicas pode ser questionado caso haja promoção eleitoral, tratamento desigual entre candidatos ou utilização de servidores e bens públicos para favorecer determinada candidatura.

A Unicamp possui autonomia universitária, mas continua sujeita aos princípios aplicáveis à administração pública e às regras eleitorais.

A análise jurídica exigiria verificar quem organizou a atividade, quais recursos foram utilizados, se outros pré-candidatos poderiam participar de eventos semelhantes e o teor integral da fala de Haddad.

“Taxa das blusinhas” aparece no protesto

Integrantes do MBL afirmaram que pretendiam questionar Haddad sobre a tributação federal incidente sobre compras internacionais de pequeno valor.

A cobrança ficou conhecida como “taxa das blusinhas” por atingir produtos importados adquiridos por consumidores brasileiros em plataformas digitais.

O tema tornou-se uma das principais bandeiras de grupos de oposição ao governo federal e ao ex-ministro da Fazenda.

A tributação foi aprovada pelo Congresso e sancionada em 2024, durante a gestão de Haddad na Fazenda. Posteriormente, as regras passaram por alterações e novas discussões políticas.

Como o protesto ocorreu em julho de 2026, qualquer afirmação sobre a situação atual da cobrança precisa considerar a legislação vigente nessa data. A acusação dos manifestantes se refere principalmente à participação de Haddad na criação e defesa do modelo original.

Episódio amplia tensão na pré-campanha paulista

A confusão na Unicamp ocorreu em um momento de intensificação das agendas políticas para a eleição estadual.

Haddad é apresentado pelo PT como pré-candidato ao governo de São Paulo e busca ampliar sua presença no interior e entre segmentos universitários, sindicais e empresariais.

O MBL e o Missão, por sua vez, tentam consolidar espaço eleitoral por meio de abordagens públicas a adversários e da divulgação dos confrontos nas redes sociais.

Esse tipo de estratégia transforma eventos políticos em ambientes de alta tensão. A interrupção de palestras pode ser apresentada pelos manifestantes como fiscalização pública, enquanto os organizadores tendem a tratar a conduta como provocação planejada.

A liberdade de manifestação protege críticas e protestos pacíficos, mas não autoriza agressões, ameaças ou atos que coloquem em risco os participantes.

Da mesma forma, a retirada de pessoas que interrompem uma programação deve respeitar os princípios da necessidade e da proporcionalidade.

Imagens precisam ser analisadas integralmente

Os vídeos publicados após o evento mostram fragmentos diferentes da confusão.

Algumas gravações começam quando Matheus Pereira já está discutindo com seguranças. Outras registram apenas a rasteira ou os empurrões ocorridos na área externa.

Recortes isolados podem omitir acontecimentos anteriores e dificultar a identificação de responsabilidades.

Uma apuração institucional precisará reunir imagens das câmeras do campus, gravações feitas por participantes e relatos das equipes de segurança.

Também será necessário determinar se as pessoas envolvidas eram estudantes, funcionários, integrantes de movimentos políticos ou seguranças particulares.

Até que essa análise seja concluída, não é possível atribuir a um único grupo toda a responsabilidade pelas agressões.

Está confirmado que o evento foi interrompido pelo protesto, que os manifestantes foram retirados e que houve violência física depois da saída do Teatro de Arena.

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