O Avante confirmou Augusto Cury como candidato à Presidência da República nas eleições de 2026 durante convenção partidária realizada nesta segunda-feira, 3 de agosto, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). No ato, o escritor voltou a defender a substituição do presidencialismo pelo semipresidencialismo e citou o governador paulista, Tarcísio de Freitas, como um nome que convidaria para exercer a função de primeiro-ministro.
A escolha na convenção encerra a etapa interna de deliberação partidária, mas não equivale ao deferimento definitivo da candidatura. O Avante ainda precisa encaminhar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de registro da chapa presidencial, acompanhado da documentação exigida e da ata da reunião. O prazo termina às 19h de 15 de agosto.
A agenda oficial da Alesp registrou a convenção estadual do Avante das 16h às 22h, no Auditório Franco Montoro e no Plenário Juscelino Kubitschek. O evento foi solicitado pelo deputado estadual Léo Oliveira. O calendário eleitoral permite que partidos e federações realizem convenções entre 20 de julho e 5 de agosto para escolher candidatos e decidir sobre coligações.
A chapa presidencial ainda não estava completa no encerramento do encontro. Cury afirmou que o nome do candidato a vice-presidente permanecia indefinido. A ausência dessa definição mantém aberta uma etapa essencial para o protocolo no TSE, porque o registro para a Presidência deve ser apresentado com o respectivo candidato a vice.
Convenção formaliza projeto lançado em abril
A aprovação de Cury dá continuidade ao projeto anunciado pelo Avante em 5 de abril. Na ocasião, a direção nacional apresentou o escritor como pré-candidato e indicou educação, saúde mental, desenvolvimento humano e gestão como eixos iniciais de sua plataforma. Um lançamento público foi realizado em Belo Horizonte em maio, com participação de dirigentes e representantes estaduais da legenda.
Desde então, o partido organizou agendas regionais para ampliar a exposição do pré-candidato e aproximá-lo de seus diretórios. A movimentação procurou transformar a projeção de Cury como autor, pesquisador e palestrante em uma candidatura nacional, com uma plataforma inicialmente concentrada em educação, saúde emocional, empreendedorismo e gestão pública.
O Avante é registrado no TSE sob o número 70. A base da Justiça Eleitoral identifica Luis Henrique de Oliveira Resende, conhecido politicamente como Luis Tibé, como presidente nacional da sigla. Caberá à direção partidária conduzir o envio da ata e dos documentos necessários ao processo de registro.
A formalização também obriga o partido a apresentar as propostas defendidas pela chapa para a Presidência. A legislação eleitoral exige que o plano seja anexado ao pedido, além de documentos pessoais, certidões, declaração de bens, fotografia e comprovação das condições de elegibilidade.
Semipresidencialismo ocupa o centro do discurso
Cury colocou a mudança do sistema de governo entre as principais bandeiras de sua candidatura. No modelo defendido por ele, o presidente continuaria responsável por funções estratégicas, política externa e Forças Armadas, enquanto um primeiro-ministro cuidaria da administração cotidiana e dependeria de sustentação parlamentar.
Em entrevista concedida durante a pré-campanha, o candidato afirmou que provocaria o Congresso Nacional, nas primeiras semanas de um eventual governo, a discutir a transição. Ele comparou a proposta ao sistema francês e argumentou que a divisão de responsabilidades reduziria a concentração de atribuições na Presidência.
O desenho apresentado por Cury pressupõe que o chefe de governo possa ser substituído quando perder apoio político, sem que isso necessariamente interrompa o mandato do presidente. O funcionamento concreto, entretanto, dependeria do texto aprovado pelo Congresso, que teria de definir a forma de escolha do primeiro-ministro, suas competências, os mecanismos de confiança e eventual destituição.
A referência a Tarcísio de Freitas foi feita nesse contexto. Cury disse que teria o governador paulista em seu radar para ocupar o posto de primeiro-ministro caso o semipresidencialismo fosse implantado. A declaração representa uma preferência política do candidato, e não uma composição formal: não houve anúncio de acordo, aceitação do convite ou compromisso do governador com um eventual governo do Avante.
Mudança exige emenda constitucional
A adoção do semipresidencialismo não poderia ser realizada apenas por decisão do presidente eleito. O atual sistema está estruturado na Constituição, e uma alteração dessa dimensão exigiria uma proposta de emenda constitucional aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal em dois turnos, com apoio de três quintos dos integrantes de cada Casa.
A tramitação dependeria, portanto, de uma maioria parlamentar ampla. Mesmo que eleito, Cury teria de construir apoio entre partidos com representação no Congresso para aprovar a mudança e definir as regras do novo sistema. A proposta também enfrentaria debate sobre o momento de entrada em vigor e sobre a preservação do mandato conferido diretamente pelo eleitorado.
O tema já está presente no Legislativo. A PEC 2/2025, em tramitação na Câmara, propõe instituir o semipresidencialismo e mantém a eleição direta do presidente, que dividiria o Poder Executivo com um primeiro-ministro. O texto não foi apresentado por Cury e possui desenho próprio, mas demonstra que a discussão antecede sua candidatura e já possui formulações protocoladas.
Em trabalhos anteriores, um grupo constituído pela Câmara recomendou que eventual mudança fosse acompanhada de consulta popular. Cury também declarou considerar necessária a participação do eleitorado. A forma jurídica dessa consulta, o momento de sua realização e os efeitos de seu resultado dependeriam da proposta levada ao Congresso.
Tarcísio participa do ato, mas não integra a chapa
Tarcísio compareceu à convenção na condição de governador de São Paulo. Sua presença deu projeção política ao evento, mas não alterou a composição presidencial do Avante. Cury concorre à Presidência pela legenda, enquanto o governador paulista permanece filiado ao Republicanos.
Ao desejar “boa sorte” ao escritor, Tarcísio não anunciou apoio à candidatura presidencial nem respondeu ao convite hipotético para assumir como primeiro-ministro. A distinção é relevante porque a criação do cargo depende de uma reforma constitucional futura e qualquer ocupação somente poderia ocorrer depois da aprovação das novas regras.
A menção também não substitui a escolha do vice. O candidato a vice-presidente integrará a chapa submetida ao voto em outubro e, pelas regras atuais, poderá substituir o titular em impedimentos e sucedê-lo em caso de vacância. O primeiro-ministro citado por Cury é uma função inexistente na estrutura constitucional vigente.
A presença de Tarcísio ocorreu em um evento que também reuniu lideranças paulistas e candidatos proporcionais do Avante. A legenda confirmou chapas para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa, compondo sua estratégia eleitoral no Estado ao mesmo tempo em que formalizou a candidatura nacional.
Conversas sobre vice não produziram acordo
Cury relatou ter conversado com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema sobre uma possível composição, mas afirmou que a negociação não avançou. Segundo o candidato, a hipótese de uma chapa conjunta estava próxima de ser descartada depois de as conversas não terem evoluído.
A declaração indica que o Avante ainda avalia alternativas para completar a chapa. A escolha envolve critérios eleitorais, partidários e regionais, além da necessidade de aprovação pelas instâncias responsáveis. Qualquer entendimento deverá ser formalizado antes do pedido de registro ou por meio das regras de substituição previstas na legislação, caso ocorra mudança posterior dentro do prazo permitido.
A definição do vice também será determinante para eventuais alianças. Nas eleições presidenciais, partidos podem formar coligações para a disputa majoritária, ainda que atuem separadamente nas eleições proporcionais. Uma composição com outra legenda pode ampliar a estrutura regional da campanha, mas depende de decisões formais das convenções e dos órgãos partidários.
Até a confirmação de um nome, Cury permanece como candidato escolhido pelo Avante, sem chapa presidencial integralmente anunciada. A situação deverá ser resolvida antes do envio definitivo ao TSE, responsável por examinar os registros para presidente e vice-presidente.
Registro no TSE será a próxima etapa
Após a convenção, o partido deve transmitir a ata pelo sistema CANDex até o dia seguinte ao encontro. O sistema passou a funcionar integralmente pela internet em 2026 e concentra o envio dos dados partidários, documentos e pedidos de candidatura à Justiça Eleitoral.
O protocolo dará início à análise jurídica da chapa. O TSE verificará filiação partidária, idade mínima, exercício dos direitos políticos, documentação, certidões e demais condições legais. A escolha partidária, portanto, é necessária, mas não suficiente para colocar definitivamente o nome do candidato na urna.
O calendário estabelece que a propaganda eleitoral poderá começar em 16 de agosto, um dia depois do prazo final para os registros. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato alcance mais da metade dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
Até 15 de agosto, o Avante terá de concluir a composição da chapa, apresentar o plano de governo e protocolar o pedido no TSE. A documentação permitirá verificar oficialmente o nome do vice, as alianças formalizadas e os compromissos programáticos que acompanharão a candidatura de Augusto Cury na disputa presidencial de 2026.








