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Axia Energia conclui migração ao Novo Mercado e encerra negociação de AXIA5 e AXIA6

Companhia simplifica estrutura de ações na B3, concentra liquidez em AXIA3 e mantém AXIA7 como última pendência societária.

por Camila Braga
09/06/2026 às 15h21
em Ibovespa
Axia Energia Conclui Migração Ao Novo Mercado E Encerra Negociação De Axia5 E Axia6 - Gazeta Mercantil - Ibovespa

A Axia Energia (AXIA3) concluiu nesta terça-feira, 9 de junho de 2026, sua migração para o Novo Mercado da B3, segmento que reúne empresas submetidas aos padrões mais elevados de governança corporativa da Bolsa brasileira.

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Com a mudança, as ações preferenciais AXIA5 e AXIA6 deixaram de ser negociadas. Os detentores desses papéis passaram a receber 1,1 ação ordinária AXIA3 para cada ação preferencial convertida.

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A mesma proporção foi aplicada aos recibos de ações negociados no exterior e lastreados em AXIA6. Após a operação, esses ADRs passam a ter como referência as ações ordinárias da companhia.

A migração concentra a negociação do capital da Axia Energia em AXIA3 e reduz parte da complexidade herdada da estrutura societária da antiga Eletrobras.

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A companhia passa a manter duas classes de ações em circulação: as ordinárias AXIA3 e as preferenciais classe C AXIA7.

As AXIA7 permanecem como a última etapa pendente da reorganização. Esses papéis podem ser convertidos ou resgatados até 2031, conforme as condições estabelecidas pela empresa.

AXIA5 e AXIA6 deixam de ser negociadas

A saída de AXIA5 e AXIA6 representa a mudança mais visível da migração para o Novo Mercado.

As duas classes preferenciais faziam parte de uma estrutura acionária formada durante o período em que a companhia operava sob controle estatal.

Com a conversão, os investidores passam a concentrar suas posições nas ações ordinárias AXIA3, que oferecem direito de voto nas decisões societárias.

A relação definida foi de 1,1 ação AXIA3 para cada AXIA5 ou AXIA6 detida pelo acionista.

Um investidor com mil ações preferenciais, por exemplo, passa a ter direito a 1.100 ações ordinárias, observados os procedimentos operacionais e eventuais tratamentos para frações.

A conversão também amplia a quantidade de ações ordinárias em circulação e tende a aumentar a liquidez dessa classe no mercado secundário.

Quanto maior o volume negociado em um único papel, maior tende a ser a facilidade para investidores comprarem ou venderem posições sem provocar distorções significativas no preço.

Empresa destaca simplificação do capital

Em comunicado encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários, a Axia Energia afirmou que a migração representa uma etapa relevante de sua reorganização.

Segundo a companhia, a operação simplifica a estrutura de capital, contribui para aumentar a liquidez das ações e reforça o compromisso com o aprimoramento da governança corporativa.

A concentração em uma classe principal também facilita a avaliação da empresa por investidores.

Companhias com diferentes tipos de ações podem apresentar direitos econômicos e políticos distintos, o que torna mais complexa a comparação entre os papéis e a definição do valor de mercado.

A simplificação reduz essa dispersão e aproxima a estrutura da Axia Energia do modelo utilizado por empresas submetidas às regras do Novo Mercado.

O processo tem relevância especial para uma companhia com presença de investidores individuais, fundos institucionais e acionistas estrangeiros.

Novo Mercado exige padrões mais elevados

O Novo Mercado é o segmento da B3 destinado a empresas que voluntariamente adotam regras de governança superiores às exigidas pela legislação societária.

Entre seus princípios está a concentração da participação societária em ações ordinárias, além de normas sobre transparência, administração, fiscalização e proteção dos acionistas.

A entrada da Axia Energia encerra uma transição iniciada após a privatização da antiga Eletrobras, realizada em 2022.

Desde então, a empresa passou por uma reorganização destinada a reduzir a complexidade societária, ampliar a eficiência operacional e adaptar sua governança à nova estrutura de controle.

A companhia também promoveu desinvestimentos em ativos considerados não estratégicos e revisou sua alocação de capital.

A migração funciona como uma sinalização ao mercado de que a empresa pretende manter padrões mais próximos daqueles exigidos por grandes investidores institucionais.

Estrutura mais simples pode reduzir desconto

Empresas com múltiplas classes de ações podem negociar com desconto em relação a companhias semelhantes que possuam estruturas mais simples.

Esse desconto pode refletir diferenças entre direitos de voto, prioridades econômicas, liquidez e tratamento dos acionistas em operações societárias.

Ao concentrar a negociação em AXIA3 e manter apenas AXIA7 como classe residual, a Axia Energia busca tornar sua estrutura mais clara.

Uma estrutura compreensível pode facilitar a análise de fundos, gestores e investidores estrangeiros que utilizam critérios específicos de governança.

Isso não significa que a migração produzirá automaticamente valorização das ações.

O preço continuará dependendo da geração de caixa, do endividamento, dos investimentos, do ambiente regulatório e das expectativas para o setor elétrico.

A mudança, porém, reduz um dos fatores de complexidade que acompanhavam a companhia desde o período estatal.

AXIA3 reage positivamente no pregão

As ações ordinárias AXIA3 operaram em alta durante o pregão desta terça-feira.

Os papéis eram negociados a R$ 50,95 e alcançaram máxima intradiária de R$ 51,19, segundo os dados de mercado disponíveis durante a sessão.

O movimento ocorreu em um dia também positivo para o Ibovespa, que retomava a região dos 170 mil pontos.

A reação indica uma leitura favorável dos investidores sobre a conclusão da migração e a concentração de liquidez nas ações ordinárias.

Nos 12 meses anteriores, AXIA3 acumulava valorização de 27,57%.

Apesar da alta, os papéis ainda eram negociados aproximadamente 25% abaixo da máxima de R$ 67,84 registrada no período.

A diferença mantém a empresa no radar de investidores que acompanham uma possível reavaliação de seus múltiplos após a reorganização.

Privatização abriu caminho para mudanças

A entrada no Novo Mercado faz parte de um processo iniciado com a privatização da Eletrobras em 2022.

A operação reduziu a participação da União e ampliou o peso dos investidores privados na composição acionária.

Antes da privatização, a companhia possuía uma estrutura formada por ações ordinárias e diferentes classes preferenciais, resultado de décadas de atuação como estatal.

Esse arranjo combinava direitos econômicos distintos e diferentes níveis de participação nas decisões corporativas.

Após a mudança de controle, a empresa passou a adotar medidas para aproximar os direitos econômicos e políticos dos acionistas.

A mudança do nome para Axia Energia também integrou o reposicionamento institucional.

A nova identidade procurou marcar uma fase de maior autonomia empresarial, eficiência operacional e revisão do portfólio.

Acordo limitou influência da União

Outro ponto importante da reorganização foi o acordo firmado em dezembro de 2025 no Supremo Tribunal Federal.

O entendimento limitou o poder de voto do governo federal a 10%, independentemente da participação econômica mantida pela União.

O acordo também restringiu a três o número de indicações governamentais para o conselho de administração, formado por dez integrantes.

A definição buscou reduzir a incerteza sobre a influência da União nas decisões da companhia depois da privatização.

As divergências sobre os direitos políticos do governo representavam um dos principais riscos institucionais observados pelo mercado.

A limitação do poder de voto tornou mais previsível a distribuição de influência entre os acionistas.

Para investidores de longo prazo, a clareza sobre a composição do conselho e os limites de interferência estatal é um elemento relevante na avaliação de risco.

S&P manteve rating global em BB

A S&P Global Ratings manteve a classificação de crédito global “BB” da Axia Energia, com perspectiva estável.

A agência considerou que a simplificação societária e o acordo com o governo federal contribuíram para fortalecer o perfil de governança.

A classificação permanece abaixo do grau de investimento na escala global, mas a perspectiva estável indica que a agência não espera uma mudança imediata da nota.

O rating considera diferentes aspectos da companhia, incluindo geração de caixa, dívida, exposição regulatória, governança e capacidade de financiar investimentos.

A melhora institucional pode favorecer o acesso a capital, mas não elimina os riscos associados ao aumento das despesas de investimento.

O mercado seguirá observando se os avanços de governança serão acompanhados por disciplina financeira e retorno adequado sobre os novos projetos.

Capacidade instalada chega a 43,9 mil MW

A Axia Energia possui 43.872 megawatts de capacidade instalada, segundo os dados apresentados pela companhia.

A empresa também alcançou uma matriz de geração integralmente renovável depois do desinvestimento da usina termelétrica a carvão Santa Cruz.

O portfólio reúne ativos relevantes de geração e transmissão, segmentos que exigem grandes volumes de capital e planejamento de longo prazo.

No primeiro trimestre de 2026, o Ebitda regulatório ajustado alcançou R$ 8,6 bilhões.

O resultado representou crescimento de 60% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

A expansão operacional oferece suporte ao plano de investimentos, mas precisa ser analisada junto com a evolução da dívida e das necessidades de financiamento.

Investimentos devem alcançar até R$ 14 bilhões

A S&P estima que os investimentos da Axia Energia poderão subir de R$ 7,4 bilhões em 2025 para uma faixa entre R$ 13 bilhões e R$ 14 bilhões em 2026.

A projeção indica uma aceleração expressiva do ciclo de expansão.

Os recursos devem ser direcionados a projetos, manutenção, modernização de ativos e oportunidades dentro do setor elétrico.

Investimentos maiores podem ampliar a capacidade de geração de caixa no futuro, mas produzem pressão imediata sobre o caixa e o endividamento.

O retorno dependerá da execução dos projetos, dos custos finais, das condições regulatórias e das receitas obtidas depois da entrada em operação.

O mercado deverá acompanhar a capacidade da companhia de equilibrar crescimento e preservação da estrutura financeira.

Alavancagem permanece como ponto de atenção

A relação entre dívida e Ebitda da Axia Energia estava em 4,7 vezes em 2025.

A expectativa é de redução para aproximadamente quatro vezes em 2026 e 2027.

A partir de 2028, porém, a relação poderá voltar para uma faixa entre 4,5 e cinco vezes.

A pressão esperada está relacionada, entre outros fatores, ao encerramento dos efeitos da compensação da Rede Básica do Sistema Existente, conhecida pela sigla RBSE.

A RBSE contribui para as receitas da companhia e funciona como elemento relevante na geração de caixa.

Com o fim dessa compensação, a Axia Energia precisará depender mais dos resultados operacionais e do retorno dos investimentos realizados.

Esse cenário não anula os benefícios da migração para o Novo Mercado, mas mantém o endividamento como um dos principais fatores de risco da tese de investimento.

AXIA7 continua em circulação

Mesmo depois da conversão de AXIA5 e AXIA6, a estrutura acionária da Axia Energia ainda não está totalmente concentrada em ações ordinárias.

As preferenciais classe C AXIA7 continuam em circulação.

Esses papéis podem ser convertidos ou resgatados até 2031, de acordo com os termos estabelecidos pela companhia.

As AXIA7 representam a última camada de complexidade da estrutura de capital.

Uma eventual conversão ou resgate permitiria que a empresa operasse apenas com ações ordinárias.

Até esta terça-feira, a companhia não havia informado uma data específica para antecipar essa etapa.

O mercado deverá acompanhar as decisões sobre os papéis, incluindo o prazo, a forma de conversão e os possíveis efeitos sobre o número de ações em circulação.

Migração inicia nova fase na Bolsa

A conclusão da migração ao Novo Mercado coloca a Axia Energia em uma nova etapa no mercado de capitais.

A companhia passa a concentrar a liquidez em AXIA3 e adota uma estrutura mais próxima dos padrões esperados por investidores institucionais.

O movimento reduz a dispersão entre classes de ações e facilita a análise dos direitos concedidos aos acionistas.

A reação positiva no pregão mostra que o mercado recebeu a conclusão da operação como um avanço.

A continuidade da valorização, entretanto, dependerá de fatores que vão além da governança.

A empresa terá de executar seu plano de investimentos, controlar a alavancagem e manter a geração de caixa em um ambiente de elevada necessidade de capital.

Também será necessário acompanhar as mudanças regulatórias do setor elétrico e a definição sobre AXIA7.

Em 9 de junho de 2026, a migração encerra uma etapa importante da reorganização iniciada depois da privatização. O próximo teste será transformar a estrutura societária mais simples em resultados operacionais e financeiros consistentes para os acionistas.

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