O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% na comparação com o mesmo período de 2025 e avanço de 13,9% em relação ao primeiro trimestre. A receita com a carteira de crédito e o controle de despesas sustentaram o resultado, que veio acima das projeções de analistas. No mesmo dia, o conselho de administração aprovou a distribuição de R$ 584,9 milhões em juros sobre o capital próprio, equivalente a R$ 0,10 por ação, com pagamento marcado para 11 de setembro.
O balanço foi divulgado nesta quarta-feira, 12 de agosto, data prevista no calendário oficial de resultados da instituição. O desempenho representa uma inflexão relevante após o primeiro trimestre, quando o lucro havia recuado 53,5% na base anual, para R$ 3,4 bilhões. O banco também manteve sua política de remuneração com payout de 30% do lucro para o exercício de 2026.
O lucro reportado superou o consenso. Estimativas compiladas pela Bloomberg apontavam R$ 3,5 bilhões para o período, enquanto projeções compiladas pela Reuters indicavam R$ 3,6 bilhões. A carteira de crédito expandida encerrou junho em R$ 1,31 trilhão, com alta anual, sustentando a margem financeira mesmo em um ambiente de inadimplência ainda pressionada no agronegócio.
Lucro supera projeções e avança 13,9% no trimestre
O lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões compara-se a R$ 3,77 bilhões no segundo trimestre de 2025, considerando a variação de 3,3% informada. Na comparação sequencial, o crescimento de 13,9% sobre os R$ 3,4 bilhões do primeiro trimestre de 2026 interrompe a sequência de deterioração observada no início do ano.
A alta trimestral ocorreu mesmo após o Banco do Brasil ter cortado sua projeção de lucro para 2026 para um intervalo entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, após a queda de mais de 50% no resultado do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025. A revisão, comunicada em maio, refletiu o aumento de provisões para perdas de crédito, especialmente na carteira ligada ao agronegócio, e menor contribuição de negócios como a participação na BB Seguridade e efeitos atuariais da Previ.
No segundo trimestre, o banco conseguiu compensar parcialmente esses vetores com crescimento da carteira, repricing de linhas de maior risco e disciplina nas despesas administrativas. O retorno sobre o patrimônio líquido, que havia caído para 7,3% no primeiro trimestre, com retração de 9,4 pontos percentuais na base anual, tende a apresentar recuperação gradual, segundo a leitura inicial de mercado, embora o número oficial de ROE do 2T26 ainda dependa da apresentação completa do balanço.
A comparação com o primeiro trimestre é central para entender a dinâmica de 2026. No 1T26, o lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões representou queda de 53,5% ante o 1T25, pressionado por provisões, despesas cíveis, fiscais e trabalhistas com alta de 20%, além de outras despesas com avanço de 39% e despesas administrativas com crescimento de 6%. A reversão parcial no 2T26 indica estabilização da qualidade da carteira.
JCP de R$ 584,9 milhões reforça política de remuneração
Junto ao resultado, o Banco do Brasil comunicou a distribuição de R$ 584,9 milhões em juros sobre o capital próprio, com valor bruto de R$ 0,10 por ação. Terão direito os acionistas com posição acionária em 1º de setembro, sendo as ações negociadas na condição ex-direitos a partir de 2 de setembro. O pagamento ocorrerá em 11 de setembro.
O montante se enquadra como remuneração complementar referente ao segundo trimestre, distinta das antecipações trimestrais. A distribuição está alinhada ao fato relevante de 19 de janeiro de 2026, no qual o conselho aprovou payout de 30% para 2026, percentual da fatia do lucro a ser distribuída por meio de JCP ou dividendos. A política prevê oito fluxos ao longo do ano, sendo quatro pagamentos antecipados ao longo dos trimestres de referência e outros quatro complementares após o encerramento de cada trimestre.
Sobre o valor bruto incide retenção de 15% de imposto de renda na fonte, conforme legislação vigente, exceto para acionistas que comprovarem dispensa ou imunidade até a data-limite informada pelo banco. Acionistas com cadastro desatualizado terão os valores retidos até a regularização em agência do Banco do Brasil ou por meio da instituição custodiante na B3.
A cifra de R$ 584,9 milhões soma-se aos proventos já pagos no exercício. No primeiro trimestre, o banco havia antecipado R$ 400,3 milhões em JCP e, posteriormente, anunciou R$ 465,7 milhões como remuneração complementar do 1T26. A prática de antecipar parte da remuneração busca suavizar o fluxo de caixa ao acionista e sinalizar previsibilidade, mesmo em anos de maior volatilidade no lucro.
Antecipação de R$ 1,16 bilhão já havia sido aprovada em maio
Em 20 de maio de 2026, o Banco do Brasil havia aprovado a distribuição antecipada de R$ 1,16 bilhão em juros sobre capital próprio relativos ao segundo trimestre, conforme fato relevante. O valor equivalia a R$ 0,204 por ação, com pagamento previsto para 28 de junho e base acionária em 13 de junho.
Essa antecipação integra a estratégia de remuneração recorrente. Em 2025, o banco também utilizou o mesmo mecanismo, com R$ 261,63 milhões antecipados em dezembro, equivalentes a R$ 0,0458 por ação, e R$ 410,6 milhões relativos ao terceiro trimestre de 2025. Para o terceiro trimestre de 2026, a projeção operacional divulgada anteriormente prevê antecipação na faixa de R$ 781,12 milhões a R$ 1,06 bilhão, dependendo do fechamento do trimestre.
A distinção entre JCP antecipado e complementar é relevante para o cálculo do dividend yield. O antecipado é provisionado com base em estimativa de resultado e pago antes do fechamento completo do balanço. O complementar, como os R$ 584,9 milhões agora anunciados, é definido após a apuração do lucro e ajusta o total distribuído para atingir o payout alvo.
Carteira de R$ 1,31 trilhão e foco na qualidade do crédito
A carteira de crédito expandida de R$ 1,31 trilhão ao final de junho reflete crescimento em linhas para grandes empresas, consignado e agronegócio, ainda que com maior seletividade. O desempenho do 2T26 foi sustentado pela margem financeira bruta, que se beneficiou de maior volume e de melhora pontual no spread, compensando a pressão de provisões.
A inadimplência acima de 90 dias permanece como ponto de atenção. No primeiro trimestre, o banco sinalizou que o índice poderia ter atingido um pico, mas manteve cautela diante da safra 2024/2025, impactada por eventos climáticos e renegociações no agro. A expectativa para o segundo semestre é de normalização gradual, com redução do custo de crédito caso a inadimplência rural recue e a recuperação de créditos inadimplentes avance.
As despesas administrativas, que haviam crescido 6% no primeiro trimestre, continuam sob vigilância do mercado. O banco vem implementando medidas de eficiência operacional, com digitalização de processos e otimização da rede de atendimento, sem comprometer a expansão em segmentos estratégicos como micro e pequenas empresas e crédito sustentável.
Do lado das receitas de prestação de serviços, o desempenho tende a refletir maior atividade de cartões, seguros e administração de fundos, linhas que historicamente ajudam a diluir a volatilidade da margem financeira em trimestres de maior provisionamento.
Contexto setorial e comparação com pares
O resultado do Banco do Brasil encerra a temporada de balanços dos grandes bancos no segundo trimestre. Enquanto Itaú, Bradesco e Santander apresentaram estabilidade ou crescimento moderado de lucro, o Banco do Brasil destoou no primeiro trimestre com a maior queda setorial, de 53,5%, mas agora mostra recuperação sequencial mais forte.
A comparação anual também precisa considerar a base elevada de 2024 e 2025, quando o banco registrou lucros trimestrais próximos de R$ 5,7 bilhões a R$ 9,5 bilhões em alguns períodos, impulsionado por menor custo de crédito e forte contribuição de coligadas. Em 2026, o cenário macro de juros ainda elevados, com Selic em patamar restritivo, sustenta a margem, mas aumenta o risco de crédito em setores cíclicos.
A revisão de projeções para 2026, de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões de lucro ajustado, reposiciona o guidance abaixo do patamar de R$ 30 bilhões observado em anos anteriores, mas acima do ritmo anualizado do primeiro semestre, que soma cerca de R$ 7,3 bilhões. Para atingir o piso do intervalo, o banco precisará entregar média de R$ 5,35 bilhões por trimestre no segundo semestre, o que implica aceleração relevante.
Próximos pontos de atenção
O próximo compromisso oficial é a apresentação pública sobre a divulgação de resultados referente ao segundo trimestre de 2026, marcada para 13 de agosto, conforme calendário de eventos corporativos. Nessa conferência, a diretoria deve detalhar guidance de carteira, custo de crédito, margem financeira e capital, além de comentar a evolução da inadimplência no agronegócio.
No lado da remuneração, o mercado monitora o cronograma completo de proventos. Após o pagamento complementar de R$ 0,10 por ação em 11 de setembro, restam as antecipações e complementares do terceiro e quarto trimestres, que devem manter o payout de 30%. O valor líquido por ação, após IR, ficará em R$ 0,085 para acionistas tributados.
A ação BBAS3, que acumula volatilidade em 2026 diante da queda de lucro no primeiro trimestre e da revisão de projeções, tende a reagir à combinação de lucro acima do consenso e sinalização de recuperação de rentabilidade. O fechamento do pregão de 12 de agosto e o comportamento do Ibovespa, que encerrou o dia em queda de 0,23% aos 167.491 pontos, com dólar a R$ 5,19, compõem o pano de fundo para a precificação.







