domingo, 19 de julho de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Home Agronegócio

Bayer é alvo de denúncia internacional por danos ligados a agrotóxicos na América Latina

Seis entidades da sociedade civil acusam multinacional de violações de direitos humanos e ambientais; mecanismo da OCDE propõe mediação rejeitada pelos denunciantes

por Daniel Wicker - Repórter
25/06/2026 às 16h00
em Agronegócio,Destaque,Notícias
Bayer É Alvo De Denúncia Internacional Por Danos Ligados A Agrotóxicos Na América Latina-Gazeta Mercantil
Há mais de dois anos, organizações de quatro países da América Latina e entidades internacionais buscam responsabilizar a Bayer, uma das maiores produtoras mundiais de agrotóxicos e sementes, por impactos causados por seus produtos à base de glifosato em comunidades rurais e indígenas da região. A denúncia, apresentada em 2024 ao Ponto de Contato Nacional (PCN) da Alemanha, no âmbito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta contaminação de água, solo e alimentos, além de doenças e perda de território, mas esbarra em limitações dos instrumentos internacionais.
A decisão mais recente do órgão, publicada em 9 de junho de 2026, rejeitou analisar diretamente as alegações de violações e sugeriu uma mediação restrita às políticas corporativas da empresa — medida que foi recusada pelos denunciantes, que consideram o procedimento insuficiente para reparar danos concretos.
joão

Base da denúncia reúne dados de quatro países

A ação é movida por seis instituições: o Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS), da Argentina; a Terra de Direitos, do Brasil; a BASE-IS, do Paraguai; a Fundación TIERRA, da Bolívia; além das organizações internacionais Misereor e Centro Europeu para os Direitos Humanos e o Direito Constitucional (ECCHR).
O material entregue ao PCN alemão reúne estudos técnicos, registros laboratoriais, relatos de moradores e dados de expansão agrícola desde o início da década de 2010. Segundo as entidades, a multinacional tem se beneficiado do crescimento da monocultura de soja na América do Sul, mercado onde obtém receitas expressivas com a venda de defensivos agrícolas, ao mesmo tempo em que as populações vizinhas às lavouras enfrentam consequências diretas.
“As florestas são derrubadas para dar lugar às plantações, a biodiversidade é reduzida, o abastecimento de alimentos é ameaçado, a água potável é poluída e os conflitos fundiários se intensificam”, resume o documento apresentado à OCDE.
O glifosato, princípio ativo de diversos produtos comercializados pela Bayer, está no centro das alegações. Embora a empresa defenda a segurança do composto dentro das regras de uso, as organizações apontam exposição acima de limites recomendados em regiões onde a aplicação é feita de forma intensiva e contínua.

Mecanismo da OCDE propõe mediação, mas sem análise de danos

Ao invés de abrir uma investigação aprofundada sobre os casos relatados, o PCN alemão informou, no início deste mês, que considerou as alegações insuficientes para dar seguimento e propôs uma negociação apenas sobre as regras internas de “devida diligência” da Bayer.
Para os denunciantes, a decisão representa uma limitação estrutural dos mecanismos da OCDE, que não têm poder coercitivo e dependem da adesão voluntária das empresas. “Discutir políticas abstratas não resolve o problema quando as pessoas continuam adoecendo e perdendo seu modo de vida por causa da exposição aos agrotóxicos”, afirma Silvia Rojas Castro, consultora jurídica sênior do ECCHR.
Daisy Ribeiro, assessora jurídica da Terra de Direitos, explica que a regra da organização prevê, na fase inicial, apenas a demonstração de plausibilidade dos fatos, e não a comprovação definitiva de causalidade como em um processo judicial. Mesmo assim, o órgão exigiu provas individuais e diretas entre cada caso de contaminação e um produto específico da marca, exigência que as entidades classificam como desproporcional.
“O PCN deixou de aplicar a avaliação reforçada que é necessária em contextos de alto risco socioambiental, em que a simples presença do produto e o histórico de uso já configuram indícios suficientes para aprofundar a análise”, complementa Jaqueline Andrade, também assessora jurídica da organização brasileira.

Casos concretos ilustram impactos em diferentes regiões

A denúncia traz exemplos detalhados de ocorrências em cada um dos países envolvidos, com registros que remontam a 2011. Na província de Buenos Aires, Argentina, uma família da cidade de Pergamino relatou problemas de saúde graves, incluindo abortos espontâneos, distúrbios respiratórios e alterações em exames de sangue, após anos vivendo ao lado de lavouras pulverizadas com agrotóxicos. Análises laboratoriais encontraram resíduos de glifosato e seu metabólito principal, o ácido aminometilfosfônico, na urina dos moradores.
No Paraguai, na Colônia Yeruti Ñu, região de reforma agrária, o cercamento da área por plantações de soja resultou em internações por intoxicação química e uma morte confirmada em 2011. O caso chegou ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), que emitiu parecer favorável às vítimas, mas sem desdobramentos efetivos de responsabilização.
No Brasil, o foco das alegações recai sobre as aldeias indígenas Avá-Guarani, nos municípios de Guaíra e Terra Roxa, no Paraná, um dos principais estados produtores de soja do país. Com a expansão das lavouras, comunidades que dependem de rios e nascentes para consumo e plantio próprio passaram a registrar contaminação da água, diminuição de peixes e desaparecimento de espécies silvestres. Relatos incluem aumento de doenças respiratórias, dores de cabeça e interrupções de gestação, especialmente entre crianças e idosos.
Já na Bolívia, no departamento de Santa Cruz, o desmatamento associado ao cultivo de soja transgênica avançou cerca de 436 mil hectares entre 2011 e 2022, segundo dados compilados pelas entidades. Hoje, mais de 230 mil pessoas vivem em áreas a menos de 500 metros de lavouras, situação que, conforme a denúncia, compromete tanto a saúde quanto a segurança alimentar local.

Empresa mantém posicionamento e não reconhece responsabilidade

A Bayer não se manifestou diretamente sobre cada caso específico apresentado na denúncia. Em nota padrão divulgada ao longo do processo, a empresa afirma cumprir todas as normas regulatórias dos países onde atua e seguir as diretrizes internacionais da OCDE, com processos de avaliação de risco e medidas de segurança para uso de seus produtos.
A companhia também destaca que o glifosato é aprovado por agências reguladoras em mais de 160 países, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil, e que estudos científicos independentes confirmam sua segurança quando utilizado corretamente.
Para as organizações, porém, a postura reforça a necessidade de mecanismos mais eficazes para responsabilizar grandes corporações. “As regras existem, mas sem poder de fiscalização e sanção, acabam sendo apenas recomendações. O resultado é que as violações continuam e as comunidades não têm a quem recorrer de forma efetiva”, observa Ribeiro.

Caso coloca em xeque regulação global do agronegócio

A disputa ocorre em um momento em que o uso de agrotóxicos e a expansão da monocultura estão no centro de debates sobre sustentabilidade e segurança alimentar na América Latina. O Brasil é um dos maiores consumidores de defensivos agrícolas do mundo, e o glifosato segue sendo o princípio ativo mais comercializado, apesar de restrições ou proibições em alguns países da Europa e da América do Norte.
A decisão do PCN alemão deve servir de referência para outras ações semelhantes, já que mostra os limites de ferramentas criadas para conciliar a atuação empresarial com a proteção de direitos humanos. Se as entidades não aceitarem a mediação, a denúncia será arquivada no âmbito da OCDE, restando às comunidades recorrer a tribunais nacionais, caminho que costuma ser mais demorado e complexo.
Para o setor do agronegócio, o caso também levanta questões sobre a imagem das empresas que atuam na região. Enquanto produtores defendem a tecnologia como essencial para manter a produtividade e a competitividade internacional, organizações da sociedade civil cobram maior transparência e controle sobre a cadeia de insumos.
Tags: agronegócioagrotóxicosAmérica LatinaBayerBrasildireitos humanosglifosatomeio ambienteOCDE

LEIA MAIS

Moody’s Rebaixa Cosan (Csan3) Para B1 E Aumenta Pressão Sobre Dívida Da Holding - Gazeta Mercantil - Empresas
Empresas

Moody’s rebaixa Cosan (CSAN3) para B1 e aumenta pressão sobre dívida da holding

Agência rebaixa nota da holding para B1 e mantém perspectiva negativa; movimentação da Squadra no Inter (INBR32), JCP da Telefônica Brasil (VIVT3) e prévias de Lavvi (LAVV3) e...

Leia MaisDetails
Flávio Bolsonaro Reforça Ofensiva No Ceará Antes De Decisão Do Pl Sobre Apoio A Ciro Gomes
Política

Setores do agro criticam Flávio Bolsonaro após missão aos EUA não evitar tarifa de 25%

Lideranças avaliam que embates ideológicos reduziram o foco comercial da viagem; senador afirma que defendeu empresas brasileiras e atribui o desfecho ao governo Lula Setores do agronegócio brasileiro...

Leia MaisDetails
Mp Abre Renegociação De R$ 100 Bilhões Em Dívidas Rurais; Veja Quem Pode Aderir - Gazeta Mercantil
Agronegócio

Governo Federal abre renegociação de R$ 100 bilhões em dívidas rurais; veja quem pode aderir

O governo federal abriu uma nova frente para enfrentar o endividamento do agronegócio ao publicar, na quarta-feira (15), a Medida Provisória nº 1.376/2026, que autoriza a criação de...

Leia MaisDetails
Mbrf-Mbrf3-E-Minerva-Beef3 - Gazeta Mercantil
Mercados

Safra corta JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3), mas mantém Minerva (BEEF3) como única compra

O Banco Safra revisou para baixo sua avaliação sobre as ações de frigoríficos e passou a recomendar posição neutra para JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3), mantendo a Minerva...

Leia MaisDetails
Decisão Sobre Tarifas Contra Brasil Sairá Em Breve, Diz Representante Dos Eua
Economia

Trump avança com tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e ameaça US$ 15 bilhões

O governo do presidente Donald Trump deve anunciar nesta quarta-feira, 15 de julho, em Washington, uma tarifa de 25% sobre milhares de produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos,...

Leia MaisDetails

Veja Também

Raizen (Raiz4) - Gazeta Mercantil
Empresas

B3 amplia prazo para Raízen (RAIZ4) apresentar plano de reenquadramento de ações

Leia MaisDetails
Lula Amplia Vantagem Sobre Flávio Na Quaest; Btg/Nexus Aponta Empate Técnico
Política

Lula amplia vantagem sobre Flávio na Quaest; BTG/Nexus aponta empate técnico

Leia MaisDetails
Convenções Partidárias Começam Em 20 De Julho E Acionam Monitoramento De Risco No Mercado
Política

Convenções partidárias começam em 20 de julho e acionam monitoramento de risco no mercado

Leia MaisDetails
Databricks Atinge Us$ 188 Bilhões E Acelera Corrida Por Ia Nas Empresas - Gazeta Mercantil
Empresas

Databricks atinge US$ 188 bilhões e acelera corrida por IA nas empresas

Leia MaisDetails
Planos Odontológicos Crescem Quase 3 Vezes Mais Que Planos De Saúde E Chegam A 36,2 Milhões - Gazeta Mercantil
Economia

Planos odontológicos crescem quase 3 vezes mais que planos de saúde e chegam a 36,2 milhões

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

B3 amplia prazo para Raízen (RAIZ4) apresentar plano de reenquadramento de ações

Lula amplia vantagem sobre Flávio na Quaest; BTG/Nexus aponta empate técnico

Convenções partidárias começam em 20 de julho e acionam monitoramento de risco no mercado

Databricks atinge US$ 188 bilhões e acelera corrida por IA nas empresas

Planos odontológicos crescem quase 3 vezes mais que planos de saúde e chegam a 36,2 milhões

Garotinho afirma ter vídeo da “Noite das Astronautas” e cita Cláudio Castro sob sigilo no STF

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Sem resultados
Todos os resultados
  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP