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Bitcoin ultrapassa US$ 100 mil: Análise do marco histórico e perspectivas futuras

por Redação
29/04/2025 às 13h38 - Atualizado em 14/05/2026 às 16h35
em Criptomoedas, Destaque, Economia, Notícias
Bitcoin Ultrapassa Us$ 100 Mil - Gazeta Mercantil - Economia

O Bitcoin (BTC) ultrapassou a marca simbólica de US$ 100 mil pela primeira vez na história, estabelecendo um novo recorde e consolidando sua posição como o principal ativo digital do mundo. Este marco foi impulsionado por uma série de fatores econômicos, políticos e institucionais, destacando-se as políticas pró-cripto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. ​

Fatores que impulsionaram a valorização do Bitcoin

Políticas pró-cripto de Donald Trump

Durante o discurso de 100 dias de governo, Donald Trump reiterou seu compromisso com a liberdade financeira e com a inovação tecnológica, destacando que “as criptomoedas são o futuro da soberania econômica”. Entre as medidas anunciadas, destaca-se a intenção de criar uma reserva estratégica de Bitcoin como parte da política monetária nacional, nos moldes das reservas de ouro. ​

Além disso, Trump nomeou Paul Atkins, ex-comissário da SEC (U.S. Securities and Exchange Commission) e conhecido defensor da desregulamentação do setor cripto, para liderar a agência reguladora. Espera-se que, sob sua liderança, a SEC adote uma abordagem mais amigável em relação aos criptoativos, incentivando a inovação e protegendo investidores sem sufocar o crescimento do setor.​

Retirada de BTC das exchanges

Segundo dados da Glassnode, houve uma retirada massiva de Bitcoin das exchanges nas últimas semanas. Somente nos últimos sete dias, mais de US$ 4,2 bilhões em BTC foram transferidos para carteiras de autocustódia, um movimento geralmente interpretado como sinal de acumulação e expectativa de valorização futura.​

Esse comportamento sugere que investidores de longo prazo (“hodlers”) estão apostando em novos topos para o ativo e não têm intenção de vender no curto prazo, mesmo com o preço acima de US$ 100 mil. Trata-se de um movimento consistente com ciclos anteriores de valorização, em que a diminuição da liquidez em exchanges precedeu grandes altas.​

Aumento da demanda institucional

A demanda por Bitcoin por parte de investidores institucionais atingiu níveis inéditos. ETFs de Bitcoin à vista, como o IBIT da BlackRock e o FBTC da Fidelity, registraram entradas líquidas de capital superiores a US$ 1,2 bilhão apenas nesta semana. Além disso, empresas como MicroStrategy, Tesla e até bancos de investimento têm ampliado suas posições em BTC.

A tese de que o Bitcoin representa uma reserva de valor alternativa ao dólar e um hedge contra inflação tem ganhado força nos círculos corporativos, especialmente em meio às incertezas sobre as políticas fiscais e monetárias dos EUA.​

O movimento é comparado por analistas ao que ocorreu com o ouro nos anos 1970, durante um ciclo inflacionário semelhante.​

Análise técnica: o que os gráficos indicam?

Níveis de suporte e resistência

Do ponto de vista técnico, o Bitcoin rompeu com força a zona de resistência entre US$ 98 mil e US$ 100 mil, que havia se formado como barreira psicológica. O movimento foi acompanhado por um alto volume de negociações e pelo rompimento de uma cunha descendente de quatro meses.​

O indicador Índice de Força Relativa (RSI) encontra-se acima de 70, o que sugere forte momentum de alta. A média móvel de 200 dias (MM200) segue em tendência ascendente, reforçando o viés altista no médio e longo prazo.​

Com a superação da marca de US$ 100 mil, os analistas técnicos apontam que a próxima resistência significativa está em US$ 107 mil, seguida por US$ 112 mil. Já o suporte imediato se encontra na faixa de US$ 92 mil a US$ 95 mil, com uma zona de suporte mais robusta entre US$ 84 mil e US$ 88 mil.​

Caso o Bitcoin perca os US$ 95 mil, pode haver uma correção mais profunda até os US$ 85 mil, mas o sentimento geral do mercado permanece fortemente otimista. O volume de contratos em aberto no mercado futuro também sinaliza que traders estão apostando em novos recordes nas próximas semanas.​

Perspectivas futuras: o que esperar para o Bitcoin?

Previsões de longo prazo

O banco Standard Chartered reiterou sua previsão de que o Bitcoin pode atingir US$ 200 mil até o final de 2025, com base em três pilares:​

  1. Demanda institucional crescente, especialmente após a aprovação dos ETFs;​

  2. Adoção oficial pelo governo dos EUA, com a formação de uma reserva estratégica de Bitcoin;​

  3. Efeitos do halving de abril de 2025, que reduziu a emissão de novos BTCs pela metade.​

Outros analistas, como o ex-executivo do Goldman Sachs, Raoul Pal, projetam que o Bitcoin pode atingir até US$ 250 mil caso os ciclos históricos de valorização se repitam. Já a Ark Invest, liderada por Cathie Wood, sugere que um cenário de hiperbitcoinização pode levar o BTC a valores superiores a US$ 500 mil em uma década.​

O papel da narrativa política na valorização do Bitcoin

O presidente Donald Trump, que durante seu primeiro mandato se mostrava cético em relação ao Bitcoin, passou a adotar um discurso completamente diferente em 2025. Em eventos públicos e nas redes sociais, Trump passou a se referir ao BTC como “o ouro digital da liberdade americana”.​

Segundo fontes próximas à Casa Branca, essa mudança de postura foi motivada por três fatores:​

  1. A necessidade de atrair o voto jovem e tecnófilo;​

  2. O lobby de grandes empresas do setor cripto;​

  3. A percepção de que os EUA estavam perdendo espaço para países como Suíça, El Salvador e Emirados Árabes na liderança tecnológica do setor.​

Essa mudança também gerou impacto global. Diversos países começaram a reavaliar suas políticas sobre ativos digitais, com a Alemanha, Canadá e Japão discutindo propostas de reservas estatais de Bitcoin.​

Rumo a uma nova era regulatória?

Com Atkins na liderança da SEC, espera-se que haja desburocratização na aprovação de projetos cripto e criação de marcos legais favoráveis à inovação. Isso pode atrair startups, fundos e desenvolvedores para o mercado norte-americano, criando um ambiente semelhante ao do Vale do Silício dos anos 90, mas voltado às criptomoedas.​

A possível criação de um “ambiente regulatório sandbox” — como ocorre hoje em Singapura — também é cogitada, permitindo testes de inovações financeiras com menor risco jurídico.​

O rompimento da marca de US$ 100 mil pelo Bitcoin representa mais do que um marco numérico. É a consolidação de uma tendência política, econômica e social que vem se desenhando há mais de uma década. As políticas pró-cripto de Trump, a criação de uma possível reserva nacional de BTC e o aumento da demanda institucional formam uma tempestade perfeita para a valorização do ativo.​

Embora a volatilidade continue sendo uma característica inerente ao mercado cripto, o cenário atual sugere que o Bitcoin caminha para se tornar um ativo de reserva global, com papel semelhante ao do ouro no século XX. A pergunta que agora fica no ar é: até onde o Bitcoin pode ir?​

O mercado seguirá atento a novas declarações do governo norte-americano, às decisões do Federal Reserve e ao comportamento das baleias e dos ETFs. Enquanto isso, o mundo observa o Bitcoin, agora acima de US$ 100 mil, com olhos de fascínio, cautela e — cada vez mais — convicção.​

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