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BNDES reduz custo de linha para máquinas da Indústria 4.0

Financiamento do BNDES Mais Inovação terá taxas menores para aquisição de bens de capital com tecnologias avançadas; programa tem orçamento de R$ 10 bilhões em 2026

por Antônio Lima
08/05/2026 às 23h44
em Economia
Bndes - Gazeta Mercantil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reduziu o custo da linha de crédito do programa BNDES Mais Inovação destinada à aquisição de máquinas e equipamentos da Indústria 4.0. A medida, anunciada nesta sexta-feira (8), integra a estratégia da Nova Indústria Brasil (NIB) e busca ampliar o acesso de empresas industriais, da construção civil e da agropecuária a bens de capital com maior conteúdo tecnológico.

A linha está em vigor desde 2025 e conta com orçamento de R$ 10 bilhões em 2026. Com a redução, o custo do financiamento passa a ser de 5,85% ao ano mais spread para micro, pequenas e médias empresas. Para grandes empresas, a taxa será de 6,94% ao ano mais spread. A operação estará disponível por meio das instituições financeiras parceiras do BNDES.

Leia também: BNDES firma contrato com Belo Horizonte para estruturar novo modelo de ônibus com potencial de R$ 35,6 bilhões.

Segundo o banco de fomento, o objetivo é estimular a modernização do parque produtivo brasileiro, com apoio à aquisição de máquinas e equipamentos associados a tecnologias como conectividade, inteligência artificial, internet das coisas, automação e digitalização de processos produtivos.

A iniciativa ocorre em um momento em que o governo federal tenta acelerar a agenda de reindustrialização e elevar a produtividade da economia. A redução do custo financeiro busca diminuir uma das principais barreiras ao investimento produtivo: o preço do crédito de longo prazo.

Linha terá custo menor para pequenas e médias empresas

A nova condição da linha do BNDES Mais Inovação estabelece tratamento diferenciado conforme o porte da empresa. Micro, pequenas e médias empresas terão acesso ao financiamento com custo de 5,85% ao ano mais spread. Já as grandes empresas poderão contratar a linha a 6,94% ao ano mais spread.

O spread corresponde à parcela adicional cobrada pela instituição financeira repassadora, de acordo com a análise de risco, o perfil do cliente e as condições da operação. Como a linha é operada por bancos parceiros do BNDES, o custo final pode variar conforme a negociação entre empresa e agente financeiro.

A diferenciação por porte busca ampliar o acesso de empresas menores a equipamentos de maior valor agregado. Para esse grupo, o custo do capital costuma ser mais elevado, e a dificuldade de financiar modernização tecnológica pode limitar ganhos de eficiência.

Ao reduzir a taxa de referência, o BNDES tenta tornar mais viável a compra de máquinas e equipamentos modernos por empresas que, em muitos casos, ainda operam com parque fabril defasado ou baixa digitalização.

Programa tem orçamento de R$ 10 bilhões em 2026

O BNDES informou que a linha de crédito tem orçamento de R$ 10 bilhões em 2026. O montante será destinado ao financiamento de máquinas, equipamentos e bens de capital com tecnologias associadas à Indústria 4.0.

A disponibilidade de recursos reforça o papel do banco de fomento como instrumento de política industrial. Em setores intensivos em capital, o acesso a financiamento de longo prazo é considerado essencial para viabilizar investimentos em modernização produtiva.

A linha faz parte do BNDES Mais Inovação, programa voltado a projetos e aquisições que envolvam avanço tecnológico, inovação e aumento de produtividade. No caso específico da Indústria 4.0, o foco está na difusão de equipamentos capazes de incorporar automação, integração de sistemas e uso de dados nos processos produtivos.

A medida também se conecta à Nova Indústria Brasil, política lançada pelo governo federal para estimular setores estratégicos, fortalecer cadeias produtivas e aumentar a complexidade tecnológica da economia.

Bens de informática e automação entram no escopo

Além da redução do custo financeiro, o BNDES ampliou o escopo da linha para permitir o financiamento de bens de informática e automação que atendam ao Processo Produtivo Básico (PPB).

O PPB é um conjunto mínimo de etapas de fabricação exigido para determinados produtos industrializados no país. Na prática, o enquadramento no processo indica que o bem atende a requisitos produtivos definidos para estimular conteúdo local e produção nacional.

A ampliação foi estabelecida a partir da Resolução do Conselho Monetário nº 5.294, aprovada em abril. Com a mudança, empresas poderão financiar equipamentos de informática e automação que cumpram as exigências do PPB, ampliando o universo de bens elegíveis.

O BNDES informou ainda que bens de informática e automação que tiverem PPB e certificação de tecnologia nacional do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) terão condições preferenciais.

Essa diferenciação busca incentivar a aquisição de equipamentos desenvolvidos ou fabricados com maior conteúdo tecnológico nacional, em linha com a política de fortalecimento da indústria brasileira.

Indústria 4.0 inclui automação, IA e internet das coisas

A Indústria 4.0 reúne tecnologias que permitem maior integração entre máquinas, sistemas, sensores, softwares e bases de dados. O conceito envolve automação avançada, inteligência artificial, internet das coisas, conectividade industrial, análise de dados e digitalização da produção.

Na prática, a adoção dessas tecnologias pode permitir monitoramento em tempo real de linhas produtivas, redução de desperdícios, manutenção preditiva, aumento de eficiência energética, melhora da qualidade e maior flexibilidade na produção.

Para empresas industriais, a modernização tecnológica pode ser decisiva para elevar produtividade e competir em cadeias globais. No Brasil, parte relevante do parque fabril ainda opera com equipamentos antigos ou baixo nível de digitalização, o que reduz eficiência e limita ganhos de escala.

Ao financiar bens de capital associados à Indústria 4.0, o BNDES busca acelerar a substituição de equipamentos defasados e estimular investimentos que possam gerar efeitos sobre produtividade, inovação e competitividade.

Construção civil e agropecuária também poderão acessar crédito

A linha não ficará restrita à indústria de transformação. Segundo o BNDES, empresas dos setores de construção civil e agropecuária também poderão acessar o financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos com tecnologias modernas.

No caso da construção civil, a incorporação de equipamentos mais avançados pode contribuir para aumento de produtividade, redução de custos, maior precisão operacional e modernização de processos. O setor é intensivo em mão de obra e historicamente apresenta desafios de eficiência.

Na agropecuária, o crédito pode apoiar a compra de máquinas conectadas, equipamentos de automação, sensores e tecnologias aplicadas à produção rural. A digitalização do campo já é um dos vetores de expansão da produtividade agrícola, especialmente em grandes cadeias como grãos, carnes, açúcar, etanol e florestas.

A inclusão desses setores amplia o alcance da linha e reforça a leitura de que a política de modernização tecnológica não se limita às fábricas. A transformação digital também alcança canteiros de obras, operações logísticas, fazendas e atividades produtivas integradas.

Mercadante diz que medida busca elevar produtividade

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a medida integra a política industrial do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tem como objetivo aumentar a produtividade e elevar o padrão de complexidade tecnológica da indústria nacional.

Segundo Mercadante, a iniciativa busca contribuir com a renovação do parque fabril, permitindo que empresas acessem tecnologias ligadas a conectividade, inteligência artificial e internet das coisas.

A declaração reforça o papel da linha dentro da estratégia da Nova Indústria Brasil. A política industrial do governo tem como um de seus eixos a retomada do investimento produtivo com maior incorporação de tecnologia.

A redução do custo do crédito é uma tentativa de induzir decisões de investimento. Em ambiente de juros elevados, empresas tendem a adiar compras de bens de capital, especialmente quando o retorno depende de ganhos de produtividade no médio e longo prazo.

Crédito mais barato pode estimular investimento produtivo

A queda no custo da linha do BNDES Mais Inovação pode melhorar a viabilidade econômica de projetos de modernização. Para empresas, a decisão de comprar máquinas e equipamentos depende da combinação entre preço do bem, custo do financiamento, prazo, expectativa de demanda e ganho operacional esperado.

Quando o crédito fica mais barato, o retorno do investimento tende a melhorar. Isso pode acelerar projetos que estavam parados ou em fase de avaliação, especialmente em empresas que precisam modernizar equipamentos, reduzir custos ou aumentar capacidade produtiva.

O impacto, porém, dependerá da adesão das instituições financeiras parceiras, da demanda das empresas e da capacidade de fornecedores nacionais oferecerem máquinas e equipamentos compatíveis com os critérios da linha.

Também será relevante observar se a redução de custo se traduzirá em expansão efetiva do investimento ou apenas em substituição de linhas de crédito mais caras por financiamento subsidiado ou direcionado.

Medida reforça agenda da Nova Indústria Brasil

A Nova Indústria Brasil tem como objetivo fortalecer a base produtiva nacional e ampliar a participação de setores de maior valor agregado na economia. A redução do custo de financiamento para bens da Indústria 4.0 se insere nessa agenda ao tentar aproximar empresas brasileiras de padrões tecnológicos mais avançados.

A política industrial busca combinar financiamento, compras públicas, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento de cadeias produtivas estratégicas. No caso do BNDES, o crédito aparece como instrumento central para viabilizar projetos de maior prazo.

A inclusão de bens com PPB e certificação de tecnologia nacional também indica preocupação com a produção local. Ao criar condições preferenciais para equipamentos enquadrados nesses critérios, o banco tenta estimular fornecedores nacionais e reduzir dependência tecnológica em áreas sensíveis.

Para o setor produtivo, a medida pode abrir espaço para renovação de máquinas, adoção de sistemas integrados e avanço em processos de automação. Para o governo, representa uma tentativa de transformar política industrial em investimento concreto.

Desafio será converter crédito em produtividade

A redução do custo da linha para aquisição de bens de capital da Indústria 4.0 é um passo relevante dentro da estratégia de reindustrialização, mas seu efeito dependerá da capacidade das empresas de transformar financiamento em ganho de produtividade.

A modernização tecnológica exige mais do que a compra de máquinas. Empresas precisam integrar equipamentos a processos, qualificar trabalhadores, adaptar sistemas de gestão, reorganizar linhas produtivas e usar dados de forma eficiente.

Sem essa combinação, o investimento em bens de capital pode ter retorno inferior ao esperado. Por isso, a adoção de tecnologias 4.0 tende a ser mais efetiva quando acompanhada de planejamento, capacitação e integração operacional.

O BNDES aposta que crédito mais barato, orçamento disponível e ampliação do escopo da linha podem acelerar esse movimento. A partir de agora, o desempenho do programa será medido pela adesão das empresas e pela capacidade de gerar investimentos capazes de elevar a competitividade da produção brasileira.

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