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BNDES vende ações de Petrobras (PETR4) e Axia (AXIA3) e acelera saída de ativos maduros

Banco teria vendido cerca de R$ 3 bilhões em papéis da Petrobras e mais de R$ 500 milhões em ações da Axia em maio, segundo fontes

por João Souza - Repórter de Negócios
22/05/2026 às 22h39
em Empresas, Destaque, Notícias
Bndes Ppp Parceria Público Privada Municipal Prefeituras Eleições

O BNDES iniciou em maio um novo movimento de venda de parte de sua participação em empresas consideradas maduras, com desinvestimentos em Petrobras (PETR4), Axia Energia (AXIA3) e Copel (CPLE3), segundo fontes a par das negociações. A operação reforça a estratégia do banco de desenvolvimento de reduzir exposição a ativos tradicionais para direcionar recursos a setores considerados prioritários, como inovação, inteligência artificial, transição digital, minerais críticos, saúde, bioinsumos e biocombustíveis.

De acordo com uma das fontes, a BNDESPar, braço de participações societárias do BNDES, vendeu neste mês cerca de R$ 3 bilhões em ações da Petrobras (PETR4) e mais de R$ 500 milhões em papéis da Axia Energia (AXIA3), antiga Eletrobras. A mesma fonte afirmou que o banco também se desfez de aproximadamente R$ 280 milhões em ações da Copel (CPLE3) em maio, elevando para R$ 1,2 bilhão o total vendido em papéis da elétrica paranaense em 2026.

As vendas ocorreram em um momento de valorização de parte desses ativos na Bolsa. Segundo uma fonte do banco, os preços elevados abriram uma oportunidade para realização de ganhos e realocação de capital.

BNDESPar reduz exposição em Petrobras (PETR4)

A venda de ações da Petrobras (PETR4) é o movimento mais relevante em volume financeiro. Segundo fontes, a BNDESPar teria vendido cerca de R$ 3 bilhões em papéis da companhia em maio.

As ações negociadas seriam preferenciais, sem direito a voto. Por isso, segundo uma das fontes, a operação não teria impacto sobre a estratégia, o controle ou o planejamento da Petrobras. A estatal segue sendo considerada estratégica para o banco, de acordo com uma fonte da própria companhia.

Procurada, a Petrobras informou que não comenta negociações em andamento, em razão da confidencialidade desses processos.

A venda ocorre apesar de declarações anteriores do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, de que o banco não pretendia se desfazer da participação na Petrobras por considerar a companhia estratégica para o país. O novo movimento, porém, indica uma redução parcial da exposição, e não uma saída integral da empresa.

Axia Energia (AXIA3) também entra na lista de vendas

A Axia Energia (AXIA3), nova denominação da antiga Eletrobras, também foi alvo de venda de ações pela BNDESPar. Segundo fonte a par das negociações, o volume vendido em maio superou R$ 500 milhões.

A Axia é uma das principais posições da carteira da BNDESPar, ao lado de Petrobras, Copel (CPLE3) e JBS (JBSS3). A venda de parte da participação ocorre em meio à estratégia do banco de reduzir exposição em companhias maduras e ampliar espaço para novos investimentos.

Uma fonte da Axia afirmou que a venda de participação pelo BNDES não altera a estratégia da companhia e não fere acordos já firmados. Representantes da empresa não comentaram oficialmente o assunto.

A operação reforça a leitura de que o BNDES está usando momentos de mercado favorável para ajustar sua carteira, especialmente em empresas de grande porte e com liquidez relevante na Bolsa.

Copel (CPLE3) teve R$ 1,2 bilhão vendido em 2026

Além de Petrobras e Axia, o BNDES também reduziu posição em Copel (CPLE3). Segundo uma das fontes, o banco vendeu cerca de R$ 280 milhões em ações da elétrica paranaense em maio.

Com esse movimento, as vendas de papéis da Copel pela BNDESPar chegaram a aproximadamente R$ 1,2 bilhão em 2026.

A Copel (CPLE3) passou por mudanças relevantes nos últimos anos, incluindo reorganização societária e conversão de ações preferenciais em ordinárias. A companhia também anunciou recentemente programa de recompra de ações, em um momento de maior atenção do mercado sobre sua estrutura de capital e remuneração ao acionista.

A redução de posição pelo BNDES em Copel acompanha a mesma lógica aplicada a outros ativos: vender participações em empresas já consolidadas para liberar recursos para novas frentes de atuação.

Banco diz manter estratégia de desinvestimento

Procurado, o BNDES afirmou que mantém sua estratégia de desinvestimento de ativos maduros, com o objetivo de otimizar e diversificar seu portfólio.

Segundo o banco, os recursos obtidos com as vendas serão direcionados a novos desafios do país. Entre as áreas citadas estão inovação, minerais críticos, transição digital, inteligência artificial, saúde, bioinsumos para agricultura e biocombustíveis.

A estratégia representa uma mudança de foco na atuação da BNDESPar. Em vez de manter grandes participações em empresas tradicionais e já consolidadas, o banco busca ampliar capacidade de investimento em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico e tecnológico.

Esse movimento já havia sido sinalizado por Aloizio Mercadante em setembro do ano passado, quando afirmou que a instituição adotaria uma estratégia de saída de empresas maduras e setores tradicionais para fomentar novas áreas.

Preços elevados motivaram vendas, dizem fontes

Segundo uma fonte do BNDES, as vendas ocorreram porque as ações estavam em níveis considerados elevados. A avaliação interna teria sido de que havia oportunidade para realizar ganhos em parte da carteira.

“São ações que estão em níveis elevados, e o banco enxergou uma oportunidade de ganho com as vendas”, disse uma fonte sob condição de anonimato.

Essa leitura indica que os desinvestimentos não representam necessariamente uma revisão negativa sobre as companhias, mas uma decisão de alocação de capital. Quando ativos maduros atingem patamares considerados atrativos, a venda parcial pode liberar recursos para novas áreas sem comprometer totalmente a exposição estratégica.

A venda de ações líquidas, como Petrobras (PETR4), Axia Energia (AXIA3) e Copel (CPLE3), também tende a ser operacionalmente mais simples, pois há maior profundidade de mercado para absorver volumes relevantes.

Carteira da BNDESPar concentra grandes empresas

Petrobras (PETR4), Axia Energia (AXIA3), Copel (CPLE3) e JBS (JBSS3) concentram a maior parcela da carteira da BNDESPar. Essas participações representam investimentos históricos do banco em companhias de grande porte e setores relevantes para a economia brasileira.

A redução gradual dessas posições pode alterar a composição do portfólio da instituição, abrindo espaço para ativos ligados a novas agendas industriais e tecnológicas.

Nos últimos anos, bancos de desenvolvimento passaram a ser pressionados a direcionar recursos para temas como transição energética, digitalização, inovação, semicondutores, saúde, cadeias produtivas verdes e segurança alimentar.

No caso do BNDES, a venda de participações maduras funciona como uma fonte de capital para financiar essa mudança de prioridade.

BNDES entrou em empresas da Simpar em março

O movimento de desinvestimento em empresas maduras ocorre ao mesmo tempo em que o BNDES busca novas posições em setores avaliados como estratégicos. Em março, a BNDESPar entrou como investidora âncora em uma operação de aumento de capital de empresas do grupo Simpar.

A operação envolveu companhias como Vamos (VAMO3), de locação de caminhões, Movida (MOVI3), de aluguel de carros, e JSL (JSLG3), de logística rodoviária.

Esse tipo de movimento mostra que o banco não está reduzindo sua atuação em participações societárias, mas redirecionando recursos. A estratégia combina venda de ativos considerados maduros com investimento em empresas ou setores que possam estar conectados a produtividade, infraestrutura, logística, inovação e transição industrial.

Desinvestimento não muda estratégia das empresas, dizem fontes

Fontes ligadas às companhias afirmaram que as vendas não devem alterar a estratégia das empresas envolvidas. No caso da Petrobras (PETR4), os papéis vendidos não teriam direito a voto, o que reduz impacto sobre governança e decisões corporativas.

Na Axia Energia (AXIA3), uma fonte disse que a operação não muda a estratégia da companhia e não fere acordos previamente firmados.

A leitura é que a venda está mais relacionada à gestão de portfólio da BNDESPar do que a mudanças estruturais nas companhias. Mesmo assim, operações desse porte costumam ser acompanhadas pelo mercado porque podem influenciar liquidez, percepção de oferta de ações e comportamento dos papéis no curto prazo.

Para investidores, o ponto central será observar se o BNDES continuará vendendo participações nos próximos meses e qual será o ritmo dessa redução.

Movimento reforça mudança de papel do BNDES

As vendas de ações de Petrobras (PETR4), Axia Energia (AXIA3) e Copel (CPLE3) reforçam a mudança de estratégia do BNDES em relação à sua carteira de participações. O banco busca reduzir presença em empresas maduras e liberar recursos para áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento econômico.

A decisão também mostra uma gestão mais ativa do portfólio da BNDESPar. Em vez de manter posições históricas de forma indefinida, o banco tenta aproveitar janelas de mercado para realizar ganhos e diversificar sua exposição.

A estratégia, porém, será observada com atenção. A venda de ativos estratégicos como Petrobras e Axia pode gerar debate sobre o papel do banco no financiamento do desenvolvimento e na presença do Estado em grandes companhias.

Por ora, as fontes indicam que as vendas são parciais e não alteram a relevância das empresas para o portfólio. Ainda assim, o movimento mostra que o BNDES está disposto a acelerar desinvestimentos quando identifica preços considerados favoráveis no mercado.

Tags: açõesAloizio MercadanteAxia EnergiaAXIA3BNDESBNDESParBolsaCopelCPLE3desinvestimentoEmpresasJBSJBSS3Mercado FinanceiroPETR4Petrobras

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