Bolsonaro e Eduardo são indiciados pela PF em inquérito sobre sanções dos EUA
A crise política envolvendo a família Bolsonaro ganhou novos capítulos com o indiciamento de Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro pela Polícia Federal (PF). O relatório entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que pai e filho articularam estratégias de pressão contra autoridades brasileiras, chegando ao ponto de buscar apoio no exterior para medidas de retaliação.
Segundo a investigação, Bolsonaro e Eduardo foram responsabilizados por coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. O caso expõe a dimensão internacional da atuação política da dupla e reforça o cerco jurídico que os envolve.
O indiciamento de Bolsonaro e Eduardo
O relatório da Polícia Federal destaca que Bolsonaro e Eduardo tiveram participação ativa em conversas e movimentações que buscavam interferir diretamente na independência dos poderes. Entre as acusações, está a tentativa de influenciar o governo norte-americano, sob comando de Donald Trump, para que fossem impostas sanções contra ministros do STF e contra o próprio governo brasileiro.
A PF concluiu que essa atuação não se tratava de mera retórica política, mas sim de uma estratégia coordenada com recursos financeiros e contatos internacionais.
Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos
Em março de 2025, Eduardo Bolsonaro pediu licença de seu mandato na Câmara dos Deputados e passou a viver nos Estados Unidos. Ele alegou perseguição política, mas as investigações revelam que sua estada tinha objetivos específicos: articular junto a figuras do governo Trump medidas que pressionassem o Brasil.
Segundo a Polícia Federal, Bolsonaro e Eduardo utilizaram transferências via Pix para financiar essa estadia. os recursos teriam vindo diretamente do ex-presidente, o que fortalece a acusação de que havia um planejamento deliberado para sustentar o filho no exterior enquanto ele buscava apoio contra o Judiciário brasileiro.
O papel de Donald Trump e o alinhamento internacional
O indiciamento também destaca a relação entre Bolsonaro e Eduardo e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As tratativas incluíam a possibilidade de sanções econômicas ou diplomáticas que pudessem fragilizar o governo brasileiro e aumentar a pressão contra o Supremo.
Essa ligação evidencia como a política externa foi instrumentalizada em benefício de interesses pessoais e familiares, em detrimento da soberania nacional. Para os investigadores, o envolvimento com Trump reforça o caráter internacional da trama.
O impacto político do indiciamento
O indiciamento de Bolsonaro e Eduardo pela Polícia Federal tem impactos diretos no cenário político brasileiro. Jair Bolsonaro já era réu no processo sobre a tentativa de golpe de Estado e agora enfrenta mais uma acusação formal. Eduardo, por sua vez, passa a carregar um peso ainda maior sobre sua imagem pública, já que buscava consolidar-se como herdeiro político do pai.
A narrativa de perseguição, utilizada pela família, pode ainda mobilizar parte de sua base eleitoral, mas o risco jurídico e o desgaste institucional se intensificam.
Coação no curso do processo
O crime de coação no curso do processo está diretamente ligado às tentativas de Bolsonaro e Eduardo de influenciar autoridades e intimidar membros do Judiciário. A PF aponta que houve ações claras de obstrução, incluindo a mobilização de discursos públicos e articulações privadas.
esse comportamento, segundo juristas, coloca em risco a integridade do Estado Democrático de Direito e reforça a gravidade das acusações.
A tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito
Mais do que coagir autoridades, as ações de Bolsonaro e Eduardo foram enquadradas como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Isso significa que, de acordo com a investigação, suas atitudes tinham como objetivo enfraquecer ou até suprimir as bases institucionais que sustentam a democracia no Brasil.
O uso de apoio internacional, a mobilização de seguidores e a pressão sobre ministros do STF compõem esse cenário de ameaça.
O financiamento da estadia nos EUA
Um dos pontos mais sensíveis do relatório é a comprovação de que Bolsonaro e Eduardo utilizaram recursos pessoais para custear a estada nos Estados Unidos. As transferências via Pix foram rastreadas e demonstram a relação direta entre pai e filho na execução da estratégia.
Para a PF, isso elimina a hipótese de que Eduardo estivesse apenas em busca de refúgio político. Pelo contrário: sua estadia foi financiada e planejada como parte de um esquema para influenciar decisões internas do Brasil a partir do exterior.
A reação do STF
O Supremo Tribunal Federal recebeu o relatório da PF e agora deve avaliar os próximos passos do processo. O fato de que Bolsonaro e Eduardo buscaram envolver uma potência estrangeira para retaliar autoridades brasileiras é considerado extremamente grave no meio jurídico.
Analistas políticos afirmam que o STF tende a adotar medidas duras para garantir que o precedente não fragilize ainda mais a democracia brasileira.
A base bolsonarista e a narrativa de perseguição
Apesar das acusações, Bolsonaro e Eduardo continuam a utilizar a narrativa de perseguição política como forma de mobilizar apoiadores. Essa estratégia tem se mostrado eficaz em manter engajada uma parcela significativa da base bolsonarista, sobretudo nas redes sociais.
No entanto, especialistas apontam que a insistência nessa linha pode ter efeitos limitados, já que as provas reunidas pela PF são robustas e dificultam a sustentação do discurso de inocência.
O futuro político de Bolsonaro e Eduardo
Com o avanço das investigações, o futuro de Bolsonaro e Eduardo se torna cada vez mais incerto. Jair Bolsonaro enfrenta múltiplos processos e pode ter sua inelegibilidade prolongada. Eduardo, por sua vez, arrisca perder capital político e enfrentar restrições legais que limitem suas pretensões futuras.
Ainda assim, o indiciamento não elimina de imediato sua influência. Ambos seguem sendo figuras centrais para uma parcela expressiva da direita brasileira.
O indiciamento de Bolsonaro e Eduardo pela Polícia Federal reforça o cerco jurídico contra a família Bolsonaro e amplia os riscos políticos enfrentados por ambos. As acusações de coação, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e articulações internacionais com Donald Trump colocam pai e filho no centro de um dos mais graves escândalos políticos da história recente do Brasil.
Seja no STF, nas ruas ou nas urnas, os próximos passos desse processo terão impacto direto no futuro do bolsonarismo e na estabilidade democrática do país.






