A segunda-feira, 21 de setembro, começou com uma nova rodada de pesquisa presidencial mostrando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) dentro da margem de erro. Outro levantamento nacional, da Quaest, tem divulgação prevista para esta segunda-feira e deve acrescentar uma nova fotografia da reta final da campanha.
Na economia, o primeiro Boletim Focus depois do corte da Selic para 13,75% trouxe uma mudança importante: o mercado passou a projetar juros de 13,50% no fim de 2026, o que implicaria pelo menos mais uma redução até dezembro.
A agenda também se desloca para Nova York, onde Lula participa da semana de alto nÃvel da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O presidente brasileiro fará nesta terça-feira, 22, o tradicional discurso de abertura do Debate Geral, num encontro internacional marcado por guerras, tensões comerciais e pelo agravamento das relações entre Estados Unidos e Irã.
A combinação desses acontecimentos concentra em menos de 48 horas três variáveis relevantes antes do primeiro turno de 4 de outubro: novas medições do eleitorado, sinalizações econômicas após cinco cortes consecutivos da Selic e a exposição internacional de Lula durante a Assembleia Geral.
BTG/Nexus mostra Lula com 40% e Flávio com 37%
A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta manhã mostra Lula com 40% das intenções de voto no principal cenário estimulado de primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 37%. Augusto Cury (Avante) aparece com 6%, Ronaldo Caiado (PSD) registra 5%, Renan Santos (Missão) tem 3%, enquanto Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) aparecem com 1% cada.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que coloca os dois primeiros nomes em situação de empate técnico conforme os intervalos da pesquisa.
O levantamento ouviu 2.006 eleitores entre 18 e 20 de setembro por entrevistas telefônicas. O nÃvel de confiança informado é de 95%, e a pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-00485/2026.
Em comparação com a rodada anterior, Lula passou de 42% para 40%, enquanto Flávio permaneceu em 37%. As oscilações devem ser interpretadas dentro da margem de erro e não permitem, isoladamente, concluir que houve uma mudança efetiva de dois pontos no eleitorado.
Na simulação direta entre Lula e Flávio, o presidente aparece com 46% e o senador, com 45%. A diferença de um ponto também está dentro da margem de erro. Na rodada anterior do BTG/Nexus, os percentuais eram de 47% e 46%, respectivamente.
O resultado não constitui previsão do resultado eleitoral. Pesquisas registram as respostas dos entrevistados no perÃodo de coleta e estão sujeitas à margem de erro, à metodologia utilizada e a mudanças posteriores de preferência.
Quaest mede reta final da disputa presidencial
A Quaest entrevistou 2.004 eleitores entre 17 e 20 de setembro e registrou o levantamento sob o número BR-06004/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nÃvel de confiança de 95%.
Na rodada anterior, divulgada em 14 de setembro, Lula tinha 36% e Flávio 31% no primeiro turno. Em uma simulação de segundo turno, Flávio aparecia numericamente com 42% e Lula com 40%, dentro da margem de erro.
Além da intenção de voto, o novo levantamento inclui questões sobre rejeição, firmeza da escolha e percepção dos entrevistados sobre acontecimentos recentes envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
Como os números da nova rodada ainda não estavam disponÃveis no momento desta publicação, não é possÃvel afirmar se houve avanço ou recuo de qualquer candidato.
Focus passa a projetar Selic de 13,50% no fim do ano
Na economia, o Boletim Focus desta segunda-feira registrou mudança nas expectativas para a polÃtica monetária depois da decisão do Copom de reduzir a Selic de 14% para 13,75% na semana passada.
A mediana das projeções passou a indicar taxa básica de 13,50% no encerramento de 2026, abaixo dos 13,75% esperados anteriormente. Se a estimativa se confirmar, haverá espaço para pelo menos mais um corte de 0,25 ponto percentual nas reuniões restantes do ano.
A projeção é uma mediana das instituições consultadas pelo Banco Central e não representa indicação ou compromisso do Copom.
Ao mesmo tempo, a expectativa para o IPCA de 2026 subiu de 4,90% para 4,92%. A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto recuou de 1,89% para 1,88%, enquanto a estimativa para o dólar no fim do ano permaneceu em R$ 5,20.
A combinação mostra o mercado esperando algum espaço adicional para redução dos juros mesmo com pequena revisão para cima da inflação projetada.
Na quarta-feira passada, o Copom fez o quinto corte consecutivo da Selic, levando a taxa a 13,75%. O comitê, entretanto, evitou se comprometer antecipadamente com uma nova redução, condicionando os próximos movimentos à evolução da inflação, das expectativas e da atividade econômica.
A ata da reunião do Copom será outro documento acompanhado pelo mercado nesta semana porque poderá esclarecer o grau de disposição do Banco Central para prolongar o ciclo.
Lula abre Debate Geral da ONU nesta terça-feira
No campo internacional, Lula está em Nova York para participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
O Debate Geral começa nesta terça-feira, 22. Pela tradição mantida desde 1955, o Brasil fará a primeira intervenção entre os Estados-membros. Os Estados Unidos, paÃs anfitrião, discursam em seguida.
A agenda divulgada para a viagem prevê encontros bilaterais nesta segunda e reunião com o secretário-geral António Guterres antes do pronunciamento de terça-feira. O governo brasileiro tem indicado que temas como multilateralismo, reforma das instituições internacionais, paz, soberania, combate à pobreza e cooperação estarão entre os assuntos tratados durante a passagem por Nova York.
A participação ocorre durante a campanha presidencial, o que aumenta a repercussão doméstica do discurso, mas a agenda é institucional e vinculada à representação do Brasil na Assembleia Geral.
Não há, até agora, confirmação de encontro bilateral formal entre Lula e Donald Trump durante a passagem dos dois presidentes por Nova York.
Trump e Irã chegam à ONU sob nova escalada
O Oriente Médio deverá ocupar espaço central nas conversas desta semana.
Donald Trump voltou a elevar a pressão sobre o Irã depois de novos episódios envolvendo os houthis no Iêmen e ataques contra alvos sauditas. O presidente americano indicou que Washington continua considerando novas ações contra Teerã, ao mesmo tempo em que afirmou estar aberto a uma eventual conversa com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, durante a Assembleia Geral.
O governo iraniano respondeu com ameaças de retaliação caso haja novos ataques americanos ou participação de outros paÃses em operações contra seu território. As duas partes chegam a Nova York combinando pressão militar com sinais de que canais diplomáticos continuam possÃveis.
A tensão tem efeito econômico direto porque envolve rotas fundamentais para o comércio internacional de petróleo. Nesta segunda-feira, o Brent recuava para aproximadamente US$ 101 por barril, depois de atingir nÃveis mais altos anteriormente, em meio à expectativa de alguma abertura diplomática e à recuperação parcial de fluxos sauditas.
O Estreito de Ormuz permanece especialmente importante para o mercado energético. Qualquer interrupção mais prolongada no transporte de petróleo pela região pode pressionar preços internacionais, inflação e decisões de bancos centrais.
Semana reúne eleição, juros e polÃtica externa
A segunda-feira abre uma semana particularmente concentrada para a polÃtica e a economia brasileiras.
No cenário eleitoral, o BTG/Nexus registra Lula e Flávio Bolsonaro dentro da margem de erro tanto no primeiro quanto no segundo turno. Novas rodadas de pesquisas ao longo dos próximos dias deverão mostrar se esse quadro se mantém na reta final da campanha.
Na economia, o Focus alterou a expectativa para a Selic de fim de ano de 13,75% para 13,50%, sinalizando que parte dos economistas consultados passou a incorporar novo corte no cenário-base depois da decisão do Copom.
Na polÃtica externa, Lula fará na terça-feira o discurso brasileiro na abertura do Debate Geral da ONU enquanto Estados Unidos e Irã chegam ao encontro em meio a uma nova rodada de ameaças e tentativas de manter aberta uma saÃda diplomática.
São acontecimentos independentes, mas concentrados na reta final antes do primeiro turno de 4 de outubro. Pesquisas medirão as preferências dos entrevistados, o Banco Central seguirá avaliando até onde pode reduzir os juros e a Assembleia Geral dará aos principais governos uma plataforma para expor suas posições em um ambiente internacional marcado por conflitos e incertezas econômicas.
Fontes:
BTG Pactual e Nexus – pesquisa presidencial divulgada em 21 de setembro de 2026, metodologia e cenários de primeiro e segundo turnos
Quaest – pesquisa presidencial registrada sob o número BR-06004/2026, perÃodo de coleta, amostra e questionário
Banco Central do Brasil – Relatório Focus e metodologia das expectativas de mercado
Organização das Nações Unidas – programação oficial da 81ª Assembleia Geral e ordem do Debate Geral
Ministério das Relações Exteriores – informações sobre a participação brasileira na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas
Reuters – informações sobre a escalada entre Estados Unidos e Irã, movimentações diplomáticas e efeitos sobre o mercado de petróleo








