Os relatórios estaduais da Genial/Quaest concluídos em julho colocaram a gestão de Ronaldo Caiado, em Goiás, no patamar mais alto de aprovação entre os dez Estados pesquisados e a de Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, na posição oposta. Caiado alcançou 87% de aprovação, ante 7% de desaprovação e 6% de entrevistados sem resposta; Castro registrou 28%, 54% e 18%, respectivamente. A rodada reuniu 11.646 entrevistas presenciais e domiciliares realizadas entre 21 e 28 de julho de 2026. O conjunto retrata o prestígio das administrações estaduais às vésperas da campanha, mas não constitui uma pesquisa nacional única.
A comparação exige uma ressalva metodológica. Cada levantamento possui amostra própria, representativa do eleitorado estadual, e margem de erro calculada separadamente: dois pontos percentuais em São Paulo e três pontos nos demais locais, com nível de confiança de 95%. Diferenças pequenas no centro da tabela podem ser apenas numéricas, sem permitir afirmar superioridade estatística entre duas gestões. A distância de 59 pontos entre Goiás e Rio de Janeiro, por outro lado, é ampla demais para ser explicada pelas margens estimadas.
Goiás e Paraná preservam patamares excepcionalmente altos
A ordenação nominal mostra Caiado com 87%, Ratinho Júnior, no Paraná, com 81%, Raquel Lyra, em Pernambuco, com 68%, Helder Barbalho, no Pará, com 66%, e Jerônimo Rodrigues, na Bahia, com 57%. Na sequência aparecem Tarcísio de Freitas, em São Paulo, com 55%, Romeu Zema, em Minas Gerais, e Elmano de Freitas, no Ceará, ambos com 52%, Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, com 48%, e Cláudio Castro, no Rio, com 28%. Minas e Ceará estão empatados, e vários resultados próximos se encontram dentro das margens; o quadro forma três blocos: aprovação elevada, faixa intermediária e rejeição predominante no Rio.
A série histórica de Goiás indica que o resultado não é um pico isolado. A aprovação de Caiado marcou 86% em abril de 2024, alcançou 88% em dezembro, permaneceu entre 84% e 88% nas rodadas seguintes e chegou a 87% em julho. Em mais de dois anos, portanto, a oscilação ocorreu dentro de uma banda estreita de quatro pontos, enquanto a desaprovação ficou em um dígito na medição atual. Esse grau de estabilidade reduz a hipótese de que o índice decorra apenas de um evento recente. O levantamento revela uma base de apoio consolidada, capaz de atravessar mudanças de conjuntura e o início do calendário eleitoral.
O Paraná apresenta desenho semelhante, embora em patamar inferior. Ratinho Júnior passou de 79% em abril de 2024 para 81% em dezembro, chegou a 84% em agosto de 2025, marcou 80% em abril de 2026 e voltou a 81% em julho. A desaprovação ficou em 13%, enquanto 6% não responderam. A permanência acima de 79% durante toda a série diferencia o caso paranaense das oscilações observadas em outros Estados. A continuidade estatística deixa pouco espaço, no momento da coleta, para uma oposição majoritária à gestão.
Pernambuco avança, enquanto Pará mantém maioria confortável
O movimento mais expressivo entre as administrações bem avaliadas ocorreu em Pernambuco. Raquel Lyra tinha 53% de aprovação em abril de 2024, oscilou perto de 51% a 54% até agosto de 2025, subiu para 62% em abril de 2026 e alcançou 68% em julho, enquanto a desaprovação caiu para 23%. A variação de 15 pontos desde o início da série supera a margem de erro e indica melhora efetiva na percepção do eleitorado. O avanço reposiciona Pernambuco acima de Estados cujos governos permaneceram estáveis ou perderam apoio no mesmo período. Ainda assim, aprovação administrativa não permite, isoladamente, antecipar o comportamento do voto.
No Pará, Helder Barbalho obteve 66% de aprovação, 25% de desaprovação e 9% de respostas indefinidas. A série mostra 63% em abril de 2026, de modo que a variação de três pontos coincide com a margem de erro e deve ser lida como estabilidade. Na Bahia, Jerônimo Rodrigues registrou 57% de aprovação e 34% de desaprovação, praticamente o mesmo patamar dos 56% de abril. O índice baiano já havia alcançado 59% em agosto de 2025, sem mudança estrutural nas rodadas recentes.
São Paulo também ficou estável na comparação mais recente, porém abaixo do início da série. Tarcísio de Freitas marcou 55% de aprovação em julho, ante 54% em abril, com desaprovação de 29%. Em abril de 2024, a aprovação era de 63%; depois passou a 62% em dezembro, 61% em fevereiro de 2025 e 60% em agosto. A queda acumulada de oito pontos até julho de 2026 supera a margem paulista de dois pontos e caracteriza desgaste real, embora a maioria ainda aprove a administração. Os 16% de respostas indefinidas recomendam cautela em projeções eleitorais.
Minas, Ceará e Rio Grande do Sul formam zona de atenção
Romeu Zema e Elmano de Freitas aparecem empatados, com 52% de aprovação, mas chegaram ao resultado por trajetórias distintas. Em Minas Gerais, Zema tinha 62% em abril de 2024, subiu a 64% em dezembro e caiu gradualmente até 52% em abril de 2026, nível mantido em julho; a desaprovação chegou a 41%. No Ceará, a série mais curta mostra 53% em abril e 52% em julho, com desaprovação passando de 30% para 33%. Minas evidencia perda acumulada superior à margem de erro, enquanto o Ceará permanece estável. O empate atual, portanto, encobre dinâmicas políticas diferentes.
O caso gaúcho é mais sensível porque a aprovação ficou abaixo da maioria absoluta. Eduardo Leite registrou 48% de aprovação, 42% de desaprovação e 10% de respostas indefinidas. Em fevereiro de 2025, a aprovação era de 62%; caiu para 58% em agosto, 51% em abril de 2026 e 48% em julho. A diferença de 14 pontos entre o início e o fim da série supera com folga a margem de erro, enquanto aprovação e desaprovação agora estão separadas por seis pontos. A vantagem numérica da aprovação permanece, mas com menor potencial aparente de continuidade política.
No Rio de Janeiro, a mudança foi mais abrupta. A aprovação de Cláudio Castro passou de 42% em fevereiro de 2025 para 53% em novembro, quando superou a desaprovação, então em 40%. Em abril de 2026, entretanto, a aprovação caiu para 35% e a desaprovação subiu para 47%; em julho, os indicadores foram a 28% e 54%. A queda de 25 pontos desde novembro, acompanhada pelo avanço da rejeição, não se confunde com oscilação amostral. Além disso, 18% não souberam responder, a maior proporção entre os resultados destacados, o que amplia a incerteza sobre a parcela menos engajada do eleitorado.
Aprovação não é automaticamente transferida a sucessores
A rodada também perguntou se determinadas lideranças merecem eleger um sucessor por elas indicado. Em Goiás, 71% responderam “sim”, 19% disseram “não” e 10% não opinaram. No Paraná, 63% reconheceram esse direito político a Ratinho Júnior, ante 25% contrários e 12% sem resposta. Os percentuais acompanham a elevada aprovação das duas gestões, mas são inferiores aos índices de aprovação, mostrando que parte do eleitorado separa a avaliação administrativa da disposição de seguir uma indicação. Apoio ao governo constitui capital político, mas não equivale a transferência automática de votos.
Nos Estados onde houve desgaste, a pergunta sobre sucessão aprofundou o alerta. No Rio Grande do Sul, 51% afirmaram que Eduardo Leite não merece eleger o sucessor indicado, enquanto 38% responderam que merece e 11% não opinaram. No Rio de Janeiro, 64% disseram que Cláudio Castro não merece fazer o sucessor, contra 25% favoráveis e 11% sem resposta. A comparação mostra que a desaprovação pode contaminar a percepção sobre continuidade, mas também evidencia que as medidas não são idênticas. O eleitor pode aprovar políticas específicas e, mesmo assim, desejar alternância de poder.
Como a pesquisa foi construída
A Quaest realizou entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais, com questionários estruturados aplicados a eleitores de 16 anos ou mais. O desenho amostral combinou sorteio probabilístico de municípios e setores censitários com seleção de respondentes por cotas de sexo, idade, renda familiar e escolaridade. São Paulo teve 1.650 entrevistas; Minas, 1.482; Rio de Janeiro e Bahia, 1.200 cada; Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás, 1.104 cada; Ceará, 1.002; Pernambuco e Pará, 900 cada. As coletas ocorreram em blocos sucessivos de 21 a 28 de julho, permitindo reunir os dez retratos estaduais em uma mesma rodada editorial.
O retrato político deixado pela rodada
Os dados sustentam três conclusões objetivas. Goiás e Paraná mantêm níveis de aprovação excepcionalmente altos e estáveis, acompanhados por maioria favorável à continuidade política. Pernambuco apresentou a melhora mais clara da série recente, enquanto Pará, Bahia, São Paulo e Ceará ficaram essencialmente estáveis na última comparação, embora em patamares diferentes. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e, sobretudo, Rio de Janeiro registram trajetórias de desgaste, com intensidade muito maior no caso fluminense. Qualquer previsão eleitoral, porém, exige pesquisas específicas de intenção de voto, porque aprovação de governo, preferência partidária e decisão eleitoral medem fenômenos relacionados, mas não equivalentes.








