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ChatGPT chega a 1,1 bilhão de usuários mensais, mas perde participação no mercado de IA

Estimativa da Sensor Tower indica que a plataforma encerrou maio com 46,6% do segmento; Gemini e Claude ampliam presença em uma disputa cada vez mais concentrada em integração e uso corporativo.

por Daniel Soto
16/06/2026 às 19h09
em Tecnologia
Chat Gpt - Gazeta Mercantil

O ChatGPT alcançou cerca de 1,1 bilhão de usuários ativos mensais, segundo estimativa da empresa de inteligência de mercado Sensor Tower disponível nesta terça-feira, 16 de junho de 2026. O número consolida o serviço da OpenAI como uma das plataformas digitais de crescimento mais rápido desde seu lançamento público, em novembro de 2022, mas vem acompanhado de uma redução na participação relativa do produto entre as ferramentas de inteligência artificial.

De acordo com o levantamento, o ChatGPT encerrou maio com 46,6% de participação entre as plataformas de IA analisadas. Foi a primeira vez desde o lançamento que o serviço ficou abaixo de 50%, embora continue ocupando a liderança com ampla vantagem sobre os concorrentes.

A queda relativa não significa retração no número de usuários. A base do ChatGPT continua aumentando, mas rivais como Gemini, do Google, e Claude, da Anthropic, avançam em ritmo superior e passam a disputar uma parcela maior da audiência.

O movimento indica que o mercado de inteligência artificial generativa entrou em uma nova etapa. A competição deixou de se concentrar apenas na popularização dos chatbots e passou a envolver retenção, frequência de uso, integração com sistemas operacionais, ferramentas de produtividade, mecanismos de busca, navegadores, aplicativos móveis e ambientes corporativos.

ChatGPT alcança escala bilionária em menos de quatro anos

O crescimento do ChatGPT ocorreu em velocidade incomum mesmo para os padrões da indústria de tecnologia. A OpenAI lançou o produto em novembro de 2022 e, poucos meses depois, informou que a plataforma havia atingido 100 milhões de usuários semanais.

Em janeiro de 2026, a empresa declarou ter superado 700 milhões de usuários ativos por semana. Em abril, elevou essa referência para 900 milhões.

A estimativa de 1,1 bilhão de usuários ativos mensais coloca o ChatGPT em uma faixa comparável à das maiores plataformas de consumo digital do mundo. A diferença está no tempo necessário para alcançar essa dimensão.

Redes sociais, plataformas de vídeo e aplicativos de comunicação precisaram de vários anos para formar audiências globais de tamanho semelhante. O ChatGPT avançou rapidamente ao combinar acesso gratuito, interface simples e aplicação imediata em diferentes atividades.

A ferramenta passou a ser utilizada para redação e revisão de textos, programação, tradução, criação de imagens, resumo de documentos, organização de tarefas, pesquisa, estudo e planejamento de atividades pessoais e profissionais.

Essa variedade ampliou o público potencial do serviço. Em vez de depender de uma única finalidade, o ChatGPT passou a atender estudantes, trabalhadores, empresas, desenvolvedores, pesquisadores e usuários interessados em tarefas cotidianas.

OpenAI amplia receita e investimentos em infraestrutura

O aumento da audiência também se refletiu na expansão financeira da OpenAI. A empresa afirmou, em março de 2026, que atingiu US$ 1 bilhão em receita dentro de um ano após o lançamento do ChatGPT.

Ao final de 2024, a companhia já informava uma geração de receita próxima de US$ 1 bilhão por trimestre. Em 2026, declarou operar em um ritmo equivalente a US$ 2 bilhões por mês.

A OpenAI também anunciou uma captação de US$ 122 bilhões destinada à expansão de infraestrutura, capacidade computacional e desenvolvimento de novos produtos.

O volume de recursos mostra a intensidade da disputa no setor. O treinamento e a operação de modelos avançados exigem investimentos elevados em semicondutores, data centers, energia elétrica, redes, equipes de pesquisa e sistemas de segurança.

O crescimento da receita não elimina o desafio econômico. Cada consulta realizada por um usuário exige processamento computacional, e o custo se torna relevante quando o serviço é utilizado por centenas de milhões de pessoas.

Para ampliar a monetização, a OpenAI mantém assinaturas individuais, planos corporativos, serviços para desenvolvedores e ferramentas integradas ao ambiente profissional. O objetivo é converter parte da audiência gratuita em receita recorrente e reduzir a dependência de sucessivas captações.

Participação do ChatGPT fica abaixo de 50%

O principal sinal de mudança apresentado pela Sensor Tower está na participação relativa da plataforma.

O ChatGPT teria encerrado maio com 46,6% do mercado analisado. Em janeiro, ainda concentrava mais da metade do segmento.

A redução mostra que a liderança permanece sólida, mas já não ocorre em um ambiente de domínio quase isolado. Concorrentes passaram a oferecer modelos mais avançados, aplicativos próprios e integração com produtos usados diariamente por consumidores e empresas.

A fragmentação é comum em mercados que deixam a fase inicial de novidade e passam à adoção em grande escala. À medida que o público se familiariza com a tecnologia, preço, velocidade, confiança, precisão e integração ganham importância na decisão de uso.

A marca ChatGPT ainda possui vantagem por ter popularizado o acesso à inteligência artificial generativa. Em muitos mercados, o nome do produto passou a ser utilizado como referência geral para serviços de chatbot.

Essa vantagem, porém, não garante liderança permanente. A disputa começa a depender menos do reconhecimento do nome e mais da presença da ferramenta nos sistemas já utilizados pelo público.

Gemini amplia alcance com ecossistema do Google

Segundo os dados atribuídos à Sensor Tower, o Gemini alcançou 27,7% de participação, com aproximadamente 662 milhões de usuários ativos mensais.

A principal vantagem competitiva do serviço está na capacidade de distribuição do Google. A empresa pode incorporar sua inteligência artificial ao Android, à busca, ao Gmail, ao Google Docs, ao YouTube e ao navegador Chrome.

Essa presença reduz a necessidade de o usuário instalar um aplicativo separado ou criar um novo hábito. A ferramenta pode ser oferecida diretamente em produtos que já fazem parte da rotina digital de bilhões de pessoas.

A integração também permite combinar inteligência artificial com dados de e-mails, documentos, calendários, vídeos e pesquisas, dependendo das permissões concedidas pelo usuário e das regras de privacidade aplicáveis.

O avanço do Gemini mostra que a competição não será decidida exclusivamente pela qualidade de um modelo isolado. A capacidade de colocar a tecnologia diante do usuário no momento adequado pode ser tão relevante quanto o desempenho das respostas.

Claude cresce 640% em um ano

O Claude, desenvolvido pela Anthropic, alcançou participação estimada de 10,3%, com cerca de 245 milhões de usuários ativos mensais.

O levantamento atribuído à Sensor Tower indica crescimento de 640% na comparação com maio de 2025. No mesmo período, o ChatGPT teria avançado 62%.

A diferença percentual precisa ser analisada considerando o tamanho inicial das bases. Serviços menores conseguem registrar taxas de expansão mais elevadas porque partem de um número inferior de usuários.

Ainda assim, o avanço do Claude demonstra que há espaço para concorrentes que concentram esforços em tarefas específicas. A plataforma ganhou presença entre usuários interessados em produção de textos, análise de documentos extensos, programação e aplicações empresariais.

A Anthropic também disputa contratos corporativos, área na qual segurança, controle de dados, previsibilidade e integração com sistemas internos podem ter peso maior do que a popularidade junto ao público geral.

Integração passa a definir a liderança

O ChatGPT mantém a vantagem de ter sido a primeira ferramenta de inteligência artificial generativa utilizada em massa. A próxima etapa da competição, contudo, deverá ser determinada pela integração com produtos e fluxos de trabalho.

Usuários podem escolher uma plataforma não apenas pela qualidade percebida das respostas, mas pela facilidade de acesso no celular, no navegador, no e-mail, no mecanismo de busca ou no pacote de produtividade utilizado diariamente.

Esse cenário beneficia empresas que já controlam grandes ecossistemas tecnológicos. Google, Microsoft, Apple, Meta e Amazon dispõem de sistemas operacionais, redes sociais, serviços de nuvem e aplicativos empresariais com alcance global.

A OpenAI possui marca forte e ampla base de usuários, mas precisa ampliar produtos próprios e parcerias para evitar dependência excessiva do acesso direto ao ChatGPT.

A empresa mantém uma relação estratégica com a Microsoft, que incorporou tecnologias da OpenAI a produtos como Azure, Office e Copilot. A parceria amplia a distribuição, mas também coloca a companhia em um ambiente no qual outras plataformas disputam o mesmo usuário.

Mercado corporativo se torna frente decisiva

A adoção profissional é uma das principais frentes da disputa. Empresas buscam ferramentas capazes de resumir reuniões, consultar bases internas, analisar planilhas, criar códigos, redigir documentos, automatizar atendimento e produzir relatórios.

A OpenAI informou, em dezembro de 2025, que atendia mais de 7 milhões de assentos de trabalho do ChatGPT. Segundo a companhia, os assentos do ChatGPT Enterprise cresceram aproximadamente nove vezes em um ano.

A empresa aposta na familiaridade adquirida pelos usuários em atividades pessoais. Trabalhadores que já conhecem a ferramenta tendem a enfrentar uma curva de aprendizado menor quando passam a utilizá-la dentro das organizações.

Essa vantagem pode facilitar a adoção em áreas como tecnologia, jurídico, vendas, marketing, recursos humanos, finanças, atendimento e operações.

Os concorrentes, entretanto, também avançam por meio de integrações nativas. Google oferece IA no Workspace, enquanto a Microsoft distribui o Copilot dentro do Office e de outras soluções corporativas.

Empresas como Salesforce, Adobe e ServiceNow incorporam recursos de inteligência artificial diretamente aos sistemas utilizados por seus clientes. Nesses casos, o usuário não precisa acessar um chatbot separado porque a função aparece no próprio fluxo de trabalho.

Crescimento desacelera, mas liderança permanece ampla

A redução no ritmo percentual de expansão do ChatGPT era esperada. Quanto maior a base, mais difícil se torna manter taxas de crescimento semelhantes às registradas nos primeiros meses.

Um avanço anual de 62% sobre uma plataforma de escala bilionária continua representando aumento expressivo de audiência.

O risco para a OpenAI está na capacidade dos concorrentes de usar canais de distribuição mais eficientes ou conquistar segmentos profissionais específicos. A liderança pode ser reduzida gradualmente mesmo quando o número absoluto de usuários continua aumentando.

Até esta terça-feira, o ChatGPT permanece distante de perder a primeira posição. A plataforma reúne reconhecimento global, audiência gratuita, assinantes, clientes corporativos e desenvolvedores que utilizam seus modelos por meio de interfaces de programação (APIs).

A competição, contudo, deixou de ser uma corrida com um único protagonista. Participação de mercado, retenção, receita por usuário, qualidade das respostas, privacidade e custo operacional passam a definir a posição de cada empresa.

Inteligência artificial entra em fase de disputa entre ecossistemas

A marca de 1,1 bilhão de usuários ativos mensais mostra que a inteligência artificial generativa deixou de ser uma tecnologia restrita a especialistas ou usuários experimentais.

A primeira fase do mercado foi dominada pelo impacto do lançamento do ChatGPT e pela curiosidade do público. A etapa atual é marcada por modelos multimodais, agentes capazes de executar tarefas, mecanismos de busca com IA, aplicativos móveis e soluções empresariais.

A OpenAI permanece no centro dessa transformação, mas a expansão de Gemini e Claude mostra que os usuários estão dispostos a testar alternativas.

Em 16 de junho de 2026, o cenário combina duas tendências simultâneas: o ChatGPT continua crescendo em escala absoluta, enquanto sua participação relativa diminui diante do avanço dos concorrentes.

O próximo estágio da disputa será definido pela capacidade de transformar uso ocasional em hábito permanente, ampliar a presença dentro das empresas e sustentar economicamente serviços que exigem infraestrutura computacional cada vez mais cara.

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