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Tenda, Direcional e Cury lideram destaques das construtoras no 2T26

Temporada das construtoras mostra margens elevadas e melhora de caixa em parte do setor, enquanto juros, estoques e endividamento seguem no radar.

por Alice Nascimento
12/08/2026 às 16h26
em Empresas
Tenda, Direcional E Cury Lideram Destaques Das Construtoras No 2T26 - Gazeta Mercantil - Empresas

A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 voltou a colocar as construtoras brasileiras no radar dos investidores. Mesmo em um ambiente de crédito ainda caro e juros elevados, Tenda (TEND3), Direcional Engenharia (DIRR3) e Cury (CURY3) apresentaram números que reforçam a capacidade de execução e geração de resultados no mercado residencial.

As companhias, porém, chegam à segunda metade do ano em situações financeiras bastante diferentes. Enquanto parte do setor combina crescimento de receita, margens elevadas e alavancagem controlada, outras empresas ainda precisam avançar na redução de dívida, monetização de ativos e melhora da geração de caixa.

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Entre os balanços já conhecidos, a Tenda aparece como um dos principais destaques pela combinação entre expansão da receita, avanço expressivo das margens e geração positiva de caixa. Direcional e Cury também mantiveram indicadores sólidos, enquanto a MRV&Co (MRVE3) segue com uma tese mais dependente da redução da alavancagem e da monetização de ativos.

A comparação, contudo, ainda não está completa. A MRV tinha a divulgação de seu balanço financeiro do 2T26 programada para depois do fechamento do mercado desta quarta-feira (12), com teleconferência marcada para quinta-feira (13). A Cyrela (CYRE3), por sua vez, prevê divulgar seus números em 13 de agosto, também após o encerramento do pregão.

Tenda acelera receita e amplia margem

Entre os resultados já publicados, a Tenda (TEND3) apresentou uma das maiores evoluções operacionais da temporada. A construtora encerrou o 2T26 com receita líquida consolidada recorde de R$ 1,29 bilhão, crescimento de 30,1% sobre o mesmo período de 2025 e de 8,9% na comparação com o primeiro trimestre.

O lucro bruto ajustado consolidado chegou a R$ 481,3 milhões, avanço anual de 51,6%. No segmento Tenda, excluindo o programa Pode Entrar, a margem bruta ajustada atingiu 40,4%, alta de 3,9 pontos percentuais em relação ao 2T25.

A companhia também registrou lucro líquido consolidado de R$ 179,1 milhões. Excluindo o efeito dos contratos de swap, o resultado ficou em R$ 161,3 milhões, crescimento superior a 100% em um ano. A recuperação da rentabilidade ocorreu ao mesmo tempo em que a estrutura de capital permaneceu sob controle.

A geração total de caixa alcançou R$ 78,3 milhões no trimestre, excluindo a recompra de ações. A dívida líquida corporativa correspondia a apenas 1,9% do patrimônio líquido, um patamar que reduz a exposição da companhia ao custo financeiro em um período de juros elevados.

No lado comercial, os lançamentos consolidados alcançaram aproximadamente R$ 1,77 bilhão em VGV, alta de 59,1% sobre o segundo trimestre do ano passado. As vendas líquidas consolidadas ficaram próximas de R$ 1,4 bilhão, crescimento de 17,2% na comparação anual.

Os números reforçam uma mudança relevante na trajetória da companhia. Depois de atravessar um período marcado por pressão financeira e deterioração de margens, a Tenda passou a combinar crescimento de vendas com recuperação de rentabilidade, geração de caixa e menor alavancagem.

Direcional mantém lucro elevado e dívida sob controle

A Direcional Engenharia (DIRR3) também apresentou números robustos no segundo trimestre. O lucro líquido ficou em aproximadamente R$ 202 milhões, crescimento de 9,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

A receita líquida da companhia atingiu aproximadamente R$ 1,3 bilhão, sustentada pelo volume de vendas e pela execução dos empreendimentos. O desempenho mostra que a empresa continua operando com rentabilidade elevada para os padrões da construção residencial brasileira.

A estrutura financeira permanece como um dos pontos mais relevantes do balanço. No fim do trimestre, a companhia possuía R$ 2,96 bilhões em empréstimos e financiamentos e cerca de R$ 2,45 bilhões em caixa e equivalentes.

Com isso, a dívida líquida caiu para R$ 492 milhões, ante R$ 613 milhões três meses antes. A relação entre dívida líquida e patrimônio líquido recuou de 24% no primeiro trimestre para 18% ao final de junho.

A companhia informou ainda que cerca de 90% do endividamento bruto estava concentrado no longo prazo, com prazo médio ponderado de aproximadamente 65 meses. Essa estrutura reduz a necessidade de refinanciamentos imediatos em um ambiente de custo de capital ainda elevado.

A Direcional mantém forte exposição ao segmento de habitação econômica, o que permite participação relevante na demanda associada ao financiamento habitacional e ao Minha Casa, Minha Vida. Essa característica ajuda a diferenciar seu desempenho daquele observado em incorporadoras mais concentradas nos segmentos de média e alta renda.

A companhia anunciou também um novo programa de recompra que permite adquirir até 32 milhões de ações, ampliando as possibilidades de retorno de capital aos acionistas quando combinado com geração de caixa e manutenção de uma estrutura de dívida equilibrada.

Cury bate recorde de receita e mantém posição financeira sólida

A Cury (CURY3) apresentou outro dos balanços mais fortes da temporada. A receita líquida chegou a aproximadamente R$ 1,7 bilhão no 2T26, crescimento de 25,5% na comparação anual.

O lucro líquido relacionado à atividade principal alcançou aproximadamente R$ 311 milhões, avanço de 16,5% sobre o mesmo período de 2025. A companhia também anunciou R$ 190 milhões adicionais em dividendos.

A rentabilidade permaneceu elevada, ao mesmo tempo em que a companhia continuou gerando caixa. Esse conjunto de indicadores reduz a pressão financeira e oferece maior capacidade para atravessar períodos prolongados de juros altos sem depender excessivamente de novas captações.

A companhia também encerrou o trimestre com posição financeira confortável, característica particularmente relevante no atual ciclo monetário. Empresas com baixa alavancagem ou caixa líquido tendem a sofrer menos com o aumento dos encargos financeiros e possuem maior flexibilidade para decidir o ritmo de lançamentos.

No operacional, a Cury continua ampliando sua escala no segmento de habitação econômica. O desafio passa a ser preservar a velocidade de vendas e o equilíbrio entre lançamentos e comercialização para evitar crescimento excessivo dos estoques.

O comportamento das despesas comerciais também permanece no radar. À medida que uma incorporadora aumenta a quantidade de projetos e unidades comercializadas, custos de vendas e marketing podem pressionar a rentabilidade caso cresçam em ritmo superior ao das receitas.

MRV ainda enfrenta desafio da alavancagem

A situação da MRV&Co (MRVE3) exige uma leitura diferente. Até a tarde desta quarta-feira, o balanço financeiro completo do segundo trimestre ainda estava previsto para ser divulgado depois do fechamento do mercado.

A prévia operacional já indicava avanços no processo de redução da dívida. A companhia informou geração de caixa no primeiro semestre e continuou executando a estratégia de monetização de ativos da Resia, sua operação nos Estados Unidos.

No segundo trimestre, a empresa avançou na venda de empreendimentos americanos como parte do plano de desalavancagem. Essas operações são relevantes porque permitem transformar ativos imobiliários em recursos que podem ser direcionados para redução do endividamento consolidado.

A Resia permanece como um dos principais pontos de atenção da tese de investimento. A operação americana demanda capital significativo e foi, nos últimos anos, uma das principais fontes de pressão sobre o balanço consolidado da companhia.

Por isso, múltiplos aparentemente mais baixos de MRVE3 não podem ser interpretados isoladamente. Parte do desconto pode refletir justamente a percepção de risco relacionada ao endividamento, à necessidade de venda de ativos e à capacidade de a companhia transformar melhora operacional em geração consistente de caixa.

O balanço completo será decisivo para mostrar quanto do avanço operacional observado nos últimos meses já se refletiu na dívida, nas despesas financeiras e na posição consolidada de caixa.

Moura Dubeux reduz lançamentos após base forte

A Moura Dubeux (MDNE3) apresentou uma dinâmica diferente no trimestre. A companhia registrou cerca de R$ 1 bilhão em lançamentos líquidos, abaixo do nível registrado no mesmo período do ano anterior.

As vendas líquidas permaneceram próximas desse patamar, mostrando que a empresa continuou comercializando volumes elevados mesmo com uma estratégia mais moderada de novos projetos.

A Moura Dubeux mantém forte concentração geográfica no Nordeste e exposição relevante aos segmentos de média e alta renda, embora venha ampliando sua presença em produtos destinados a faixas de renda mais acessíveis.

Esse perfil faz com que a empresa responda de maneira diferente às condições de crédito. Nos segmentos de renda mais alta, os compradores são menos dependentes de programas habitacionais públicos, mas podem adiar decisões diante de juros elevados e maior custo do financiamento imobiliário.

Nesse cenário, a disciplina de lançamentos se torna fundamental. Uma expansão excessiva da oferta em momentos de demanda mais seletiva pode elevar estoques, aumentar despesas comerciais e pressionar margens futuras.

Cyrela divulgará números na quinta-feira

A Cyrela (CYRE3) completa o grupo de grandes incorporadoras acompanhado pelos investidores, mas seu balanço ainda não fazia parte da temporada divulgada até esta quarta-feira.

O calendário corporativo da companhia prevê a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026 para 13 de agosto, após o fechamento do mercado, seguida de teleconferência no dia seguinte.

Os números serão importantes principalmente para a avaliação das margens, geração de caixa, estoques e velocidade de vendas nos segmentos de média e alta renda.

A Cyrela possui histórico de geração de caixa e uma atuação diversificada no mercado residencial, fatores que tornam seu balanço uma referência importante para avaliar as condições atuais do setor fora da habitação econômica.

Juros e estoques definem próxima fase para as construtoras

Os resultados disponíveis até agora mostram que a construção residencial brasileira chega ao segundo semestre de 2026 com diferenças significativas de estrutura financeira.

A Tenda combina recuperação de margem, crescimento de receita e baixa alavancagem. A Direcional continua apresentando lucro elevado enquanto mantém sua dívida líquida em nível administrável. A Cury preserva forte rentabilidade, crescimento e uma posição financeira confortável.

Ao mesmo tempo, a MRV ainda precisa transformar seu programa de venda de ativos em redução estrutural da pressão financeira. Moura Dubeux administra um ciclo mais moderado de lançamentos após bases comparativas elevadas, enquanto os resultados completos da Cyrela ainda serão incorporados à leitura da temporada.

O próximo teste para todas elas será a capacidade de manter vendas e margens caso o custo do crédito permaneça elevado por mais tempo. Juros altos reduzem a capacidade de financiamento das famílias, aumentam o custo de capital das empresas e podem exigir maior esforço comercial para manter a velocidade de vendas.

O comportamento dos estoques também será determinante. Incorporadoras que aumentarem lançamentos muito acima da capacidade de absorção do mercado poderão enfrentar descontos maiores, despesas comerciais adicionais e menor eficiência de capital.

Nesse ambiente, companhias com caixa robusto, endividamento controlado, boa velocidade de vendas e capacidade de preservar margens tendem a operar com maior flexibilidade. Ainda assim, as diferenças de público, localização geográfica e modelo de negócios tornam insuficiente qualquer comparação baseada apenas em lucro, receita ou múltiplos de mercado.

A próxima etapa da temporada ocorre com a divulgação do balanço completo da MRV e, na sequência, com os números da Cyrela, que permitirão ampliar a comparação entre as principais construtoras listadas na B3.

Fontes:

  • Relações com Investidores da Tenda — Release de Resultados e apresentação do 2T26.
  • Relações com Investidores da Direcional Engenharia — resultados e posição de endividamento do 2T26.
  • Relações com Investidores da Cury — resultados financeiros e operacionais do 2T26.
  • Relações com Investidores da MRV&Co — prévia operacional, arquivamentos e calendário do 2T26.
  • Relações com Investidores da Moura Dubeux — dados operacionais do segundo trimestre de 2026.
  • Relações com Investidores da Cyrela — calendário corporativo de 2026.

Leia também

  • Moura Dubeux (MDNE3) tem lucro recorde de R$ 173,9 milhões no 2T26
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