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Consumo das famílias se mantém estável e sustenta o varejo

por Gabriel Monteiro
14/11/2025 às 18h13
em Economia
Consumo Das Famílias Se Mantém Estável E Sustenta O Varejo - Gazeta Mercantil

Consumo das famílias permanece estável e revela resiliência do varejo em 2025

O comportamento do consumo das famílias ao longo de 2025 voltou a ganhar destaque após a divulgação das projeções do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR) e da FIA Business School para o mês de novembro. Os dados mostram um cenário marcado pela estabilidade, com variações discretas entre os diferentes segmentos do varejo e uma leitura geral que indica cautela do consumidor, mas também resistência do setor diante de um ambiente macroeconômico desafiador. A análise inclui avaliações detalhadas sobre o varejo restrito e o varejo ampliado, permitindo uma compreensão mais ampla das dinâmicas que têm moldado o mercado brasileiro.

O varejo restrito, que engloba setores essenciais como combustíveis, supermercados, vestuário, móveis, eletrodomésticos, artigos farmacêuticos, informática e produtos de uso pessoal e doméstico, apresentou desempenho praticamente estável em novembro. A variação registrada foi de apenas -0,01% em relação ao mês anterior. Embora tímido, o resultado demonstra certa solidez no consumo cotidiano, reforçada pelo crescimento de 0,58% na comparação com o mesmo período de 2024. No acumulado de 12 meses, o setor registra avanço de 1,80%, um indicador considerável para um ano marcado por juros ainda elevados e impacto prolongado da inflação sobre o orçamento das famílias.

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A leitura dos dados revela que, apesar de um ambiente de incertezas macroeconômicas, o consumo das famílias manteve uma trajetória de relativa estabilidade. Isso se deve, em grande parte, ao comportamento resiliente do consumo essencial, que tende a sofrer menos com oscilações conjunturais. O estudo aponta que os brasileiros reduziram gastos supérfluos ao longo do ano, mas mantiveram firmeza nas despesas básicas e nos itens de reposição, responsáveis por sustentar o varejo mesmo em períodos de desaceleração.

Varejo ampliado aponta recuperação tímida, mas ainda desigual

O varejo ampliado, que inclui setores de maior sensibilidade econômica como veículos, motos e material de construção, também apresentou resultado positivo em novembro, com variação de 0,42%. No entanto, a análise anual revela retração de 2,39% em relação a novembro de 2024, enquanto o acumulado de 12 meses registra leve queda de 0,08%. Esses números evidenciam que, embora alguns segmentos tenham mostrado sinais de recuperação, a retomada não ocorreu de forma homogênea.

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Setores relacionados ao ciclo de investimento das famílias, como automóveis e construção, seguem enfrentando obstáculos que retardam seu desempenho. As condições de crédito continuam menos favoráveis do que o desejado, por mais que a política monetária esteja lentamente migrando para um ambiente menos restritivo. O custo elevado dos financiamentos ainda pesa sobre a decisão de compra de bens de maior valor agregado, o que explica o ritmo mais lento de recuperação desses segmentos.

Mesmo assim, o varejo ampliado mostra algum fôlego, sustentado pela recuperação gradual dos setores de móveis e eletrodomésticos, que tiveram variação positiva de 0,35% em novembro. Essa recuperação indica que parte dos consumidores começa a retomar projetos domésticos que haviam sido adiados, seja por restrições orçamentárias, seja pela incerteza econômica. A retomada, embora moderada, revela disposição das famílias em reorganizar o consumo conforme as condições financeiras se estabilizam.

Segmentos essenciais sustentam estabilidade em 2025

A análise segmentada reforça que a estabilidade no consumo das famílias tem sido ancorada, sobretudo, por setores essenciais. O segmento de supermercados, produtos alimentícios e itens de primeira necessidade manteve variação próxima de 1% no mês. A consistência desse grupo demonstra a capacidade de ajuste do consumidor brasileiro em priorizar o que é indispensável, ao mesmo tempo em que administra cuidadosamente gastos não essenciais.

Embora o vestuário tenha registrado crescimento de 0,90% em novembro, o índice ainda está distante do nível pré-pandemia. A demanda, mesmo em recuperação, segue influenciada pelo comportamento cauteloso das famílias e pela pressão dos preços sobre o poder de compra. No entanto, a melhora já evidencia maior circulação nas lojas e adaptação do setor às preferências do consumidor, que tem priorizado itens funcionais e de melhor relação custo-benefício.

No setor farmacêutico e de perfumaria, a projeção para o início de 2026 é de avanço consistente, com expectativa de crescimento de 1,47%. A demanda estrutural por medicamentos e produtos de saúde tende a permanecer aquecida, influenciada pelo envelhecimento da população, maior preocupação com bem-estar e adoção crescente de rotinas de cuidados pessoais.

Já o setor de materiais de construção, tradicionalmente sensível ao crédito e à confiança das famílias, apresentou queda de 1,02% em novembro. A volatilidade reflete tanto a redução de investimentos domiciliares quanto o impacto do custo elevado de financiamento imobiliário. Ainda assim, há expectativa de que uma política monetária menos restritiva ao longo de 2026 possa reativar esse segmento.

Análise geral aponta resiliência moderada do varejo brasileiro

A leitura combinada dos dados reforça que o varejo brasileiro se mantém em trajetória de resiliência, mesmo diante de um contexto econômico marcado por desafios persistentes. A estabilidade no consumo das famílias tem papel central nessa dinâmica e permanece vinculada à demanda por bens essenciais, que se mostra menos suscetível a oscilações conjunturais.

Em avaliação do cenário, o IBEVAR e a FIA Business School destacam que o varejo conseguiu se adaptar ao longo de 2025, mesmo com pressões que incluíram inflação elevada no início do ano, juros ainda restritivos e menor crescimento da renda disponível. A estabilidade do consumo essencial tem sido um elemento de sustentação para o setor, ao lado da perspectiva de uma política monetária menos rígida que pode beneficiar os próximos ciclos de compra.

Com a melhora gradual no ambiente econômico, há expectativa de que o início de 2026 traga recuperação moderada, especialmente para setores voltados a reposição e consumo cotidiano. O varejo essencial segue como o pilar da atividade, enquanto segmentos dependentes de crédito ainda aguardam condições mais favoráveis.

Estrutura de consumo aponta cautela, mas revela capacidade de adaptação

Ao analisar o comportamento do consumidor ao longo do ano, observa-se uma clara tendência de reorganização das prioridades de compra. O consumidor brasileiro, afetado por pressões inflacionárias e juros elevados, tem distribuído seus gastos de forma mais seletiva, priorizando categorias essenciais e postergando compras de maior valor.

Esse padrão explica, em grande parte, a estabilidade observada no consumo das famílias, mesmo em segmentos que tradicionalmente oscilam mais diante de turbulências econômicas. A cautela do consumidor não se traduz em retração generalizada, mas em ajustes que refletem a necessidade de preservar o orçamento familiar sem comprometer totalmente a atividade econômica.

A resiliência das vendas de itens farmacêuticos, de perfumaria e de supermercado reforça a importância do consumo recorrente como base do varejo brasileiro. Esses grupos têm apresentado estabilidade mesmo em cenários desafiadores, garantindo sustentação ao setor e impedindo quedas mais profundas nas vendas totais.

Perspectivas para 2026: leve expansão e retomada gradual

O ano de 2026 se delineia como período de possível retomada gradual, sustentada pela melhora das condições de crédito e pela flexibilização da política monetária. Os cenários elaborados por instituições de pesquisa apontam que a continuidade da redução dos juros pode impulsionar segmentos hoje mais fragilizados, como construção e automotivo, além de estimular investimentos domésticos por parte das famílias.

O comportamento do consumo das famílias continuará sendo o fator determinante para o desempenho do varejo brasileiro. Com inflação mais controlada e renda real em recuperação, é provável que o consumidor volte a incorporar itens de maior valor agregado ao orçamento. Embora a recuperação plena dependa de fatores externos, como estabilidade do ambiente político e ritmo da economia internacional, as projeções sinalizam tendência de melhora moderada.

Enquanto isso, o varejo restrito deverá seguir como protagonista da estabilidade do setor, apoiado em produtos essenciais, pesquisa de preços e maior competitividade entre empresas. O varejo ampliado, apesar das dificuldades recentes, pode ser impulsionado por políticas econômicas mais favoráveis ao investimento.

O cenário econômico

O quadro geral apresentado pelo IBEVAR e pela FIA Business School demonstra que o varejo brasileiro atravessou 2025 com consistência, apoiado principalmente na firmeza do consumo essencial e na capacidade de adaptação das famílias. A tendência de estabilidade observada no consumo das famílias funciona como indicativo importante de que o mercado doméstico mantém força mesmo em ambientes adversos.

A perspectiva para os próximos meses é de expectativa cautelosa, mas com sinalizações positivas. A combinação de inflação mais estável, crédito em lenta recuperação e ajustes fiscais deve favorecer um terreno mais propício à retomada. Enquanto isso, o comportamento prudente do consumidor seguirá ditando o ritmo da atividade varejista no Brasil.

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