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Crise na CPMI do INSS: votação sobre Lulinha vai parar nas mãos de Alcolumbre

por Carlos Menezes
27/02/2026 às 10h32
em Política
Crise Na Cpmi Do Inss: Votação Sobre Lulinha Vai Parar Nas Mãos De Alcolumbre - Gazeta Mercantil

CPMI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha sob contestação da base e leva impasse a Alcolumbre

A CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (26), em meio a tumulto e divergências sobre a contagem de votos, 87 requerimentos de investigação, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A deliberação, realizada em votação simbólica e em bloco, levou parlamentares da base do governo a recorrer ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), pedindo a suspensão dos efeitos da decisão. O episódio projeta a CPMI do INSS como novo foco de tensão política e institucional em Brasília.

O recurso apresentado por 14 parlamentares governistas sustenta que houve irregularidade na proclamação do resultado pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Segundo o grupo, a votação da CPMI do INSS estaria “eivada de vício” por falha na contagem dos votos contrários, o que poderia alterar o desfecho da pauta.

Leia também: Banco barrou saque de R$ 1 milhão ligado a Deolane Bezerra, e caso foi parar na Justiça.


Divergência sobre quórum amplia crise na CPMI do INSS

A reunião da CPMI do INSS foi marcada por clima de confronto após a proclamação do resultado. A votação ocorreu de forma simbólica: parlamentares que permanecessem sentados votariam a favor; aqueles que se levantassem, contra.

Carlos Viana declarou ter contado sete votos contrários, com quórum de 31 parlamentares registrado no painel eletrônico. Nesse cenário, seriam necessários 16 votos contrários para rejeitar os requerimentos da CPMI do INSS.

Leia também: BBC em crise: manipulação de vídeo de Trump expõe falência jornalística.

Governistas, no entanto, alegam que imagens da transmissão oficial indicariam 14 parlamentares de pé no momento da votação. Para eles, a leitura visual demonstraria maioria contrária entre os titulares presentes na sessão da CPMI do INSS, o que configuraria rejeição dos requerimentos.

No documento encaminhado a Alcolumbre, os parlamentares afirmam que, em votações simbólicas na CPMI do INSS, deve prevalecer o contraste visual entre votos favoráveis e contrários, e não o registro eletrônico de presença que incluiria suplentes.

Leia também: Começa adesão a renegociação de débitos de ajuda financeira ao ICMS.


Defesa da presidência reforça legalidade do rito

O presidente da CPMI do INSS rebateu as acusações e declarou que a condução da sessão seguiu o regimento. Segundo ele, houve verificação nominal do quórum, oficialmente fixado em 31 presentes.

“Não existe quórum por fotografia”, afirmou, reiterando que a contagem foi feita duas vezes e que a pauta da CPMI do INSS foi aprovada na integralidade.

A controvérsia transfere ao presidente do Congresso a responsabilidade de decidir se haverá suspensão dos efeitos da votação da CPMI do INSS, ou se os atos permanecerão válidos.


Quebras de sigilo e novos alvos na CPMI do INSS

Entre os requerimentos aprovados na CPMI do INSS está a quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha, abrangendo o período de 2022 a janeiro de 2026, além da solicitação de relatório de inteligência financeira ao Coaf.

A CPMI do INSS também aprovou quebras de sigilo do Banco Master (2015 a 2025) e da CredCesta (abril de 2017 a dezembro de 2025). Foram ainda autorizadas convocações de empresários e ex-parlamentares citados em investigações relacionadas a supostas irregularidades em descontos associativos sobre benefícios previdenciários.

O escopo ampliado da CPMI do INSS sinaliza avanço sobre movimentações financeiras e vínculos empresariais potencialmente conectados às apurações.


Pedido de prisão preventiva eleva temperatura política

Outro ponto sensível aprovado na CPMI do INSS foi a representação pela prisão preventiva de Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), investigado por suposta atuação em descontos indevidos.

A medida reforça o caráter incisivo adotado pela CPMI do INSS, ampliando o debate sobre os limites e prerrogativas das comissões parlamentares de inquérito.


Depoimento sob proteção do STF

A sessão da CPMI do INSS também foi marcada pelo depoimento do empresário Paulo Camisotti, apontado como elo relevante nas investigações. Amparado por habeas corpus concedido pelo STF, ele optou por permanecer em silêncio.

Parlamentares da oposição solicitaram prisão em flagrante por suposta recusa em responder perguntas, mas o presidente da CPMI do INSS rejeitou o pedido, citando a decisão judicial.

O episódio reforça a intersecção entre a atuação da CPMI do INSS e decisões do Supremo Tribunal Federal, especialmente no que se refere a garantias constitucionais.


Decisão de Alcolumbre pode redefinir rumos

Caberá agora ao presidente do Congresso avaliar o recurso apresentado contra a votação da CPMI do INSS. Caso haja entendimento pela existência de vício regimental, os efeitos poderão ser suspensos ou reavaliados.

Especialistas em direito legislativo apontam que questionamentos formais sobre quórum e votação simbólica, embora raros, podem gerar precedentes relevantes quando envolvem decisões sensíveis como quebras de sigilo.


O que está em jogo no Congresso

A CPMI do INSS investiga suspeitas de fraudes em descontos aplicados a aposentadorias e pensões do INSS. O episódio desta quinta-feira amplia o debate para além do mérito das investigações, ao colocar sob escrutínio a regularidade procedimental das deliberações.

Independentemente do desfecho do recurso, a CPMI do INSS deve permanecer no centro da agenda política nas próximas semanas, com novos depoimentos e eventuais medidas de investigação.

O impasse evidencia como disputas regimentais podem impactar o ritmo e a legitimidade dos trabalhos parlamentares, especialmente em comissões de alto impacto político.

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