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CSN (CSNA3) troca CEO, Axia (AXIA3) anuncia resgate de R$ 6,2 bi e Nestlé investe R$ 2 bi

Troca histórica no comando da CSN, operação bilionária da Axia, expansão da Nestlé e negócio da B3 movimentam o noticiário corporativo

por Camila Braga
03/09/2026 às 11h37
em Mercados
Csn - Gzt - Gazeta Mercantil

A quinta-feira, 3 de setembro, começou com uma sequência de decisões empresariais relevantes envolvendo algumas das maiores companhias em operação no Brasil. A Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN (CSNA3), inicia uma nova fase depois de 24 anos sob o comando executivo de Benjamin Steinbruch; a Axia Energia (AXIA3) anunciou uma operação de aproximadamente R$ 6,2 bilhões envolvendo ações preferenciais; a Nestlé revelou um plano de R$ 2 bilhões para ampliar sua divisão de nutrição e saúde no país; e a B3 (B3SA3) recebeu autorização condicionada do Conselho Administrativo de Defesa Econômica para adquirir 60% da Central de Registro de Direitos Creditórios.

Os movimentos têm naturezas diferentes, mas carregam um ponto em comum: representam decisões de capital, reorganização ou expansão com potencial para alterar a estrutura das empresas nos próximos anos. Na CSN, a prioridade passa pela redução da dívida e reorganização de ativos. Na Axia, a operação avança na simplificação de sua estrutura acionária. A Nestlé amplia produção local em uma categoria de maior valor agregado. Já a B3 poderá expandir sua presença no mercado de registro de ativos financeiros, mas terá de cumprir compromissos impostos pelo Cade para reduzir riscos concorrenciais.

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CSN inicia era pós-Steinbruch na presidência executiva

A mudança mais simbólica ocorre na CSN. Fabio Schvartsman assume nesta quinta-feira o cargo de presidente executivo da companhia, substituindo Benjamin Steinbruch, que comandava o grupo desde 2002.

Steinbruch não deixa a CSN. Ele passa para a presidência do Conselho de Administração, preservando influência sobre as decisões estratégicas da companhia controlada por sua família. A troca, portanto, não representa uma ruptura do controle, mas uma separação mais clara entre a gestão executiva e a supervisão estratégica.

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Schvartsman chega à CSN com experiência em algumas das maiores companhias industriais brasileiras. Foi presidente da Vale (VALE3) entre 2017 e 2019 e anteriormente comandou empresas como Klabin (KLBN11). Também teve passagens por grupos como Ultra, Telemar e Duratex.

Sua passagem pela Vale terminou após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, em janeiro de 2019. Schvartsman deixou o comando da mineradora semanas depois da tragédia.

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Na CSN, o executivo assume em um momento de revisão da estrutura de capital. O grupo atua em siderurgia, mineração, cimento, logística e energia e vem buscando formas de reduzir sua alavancagem por meio de geração de caixa, melhora operacional e eventual venda de ativos.

A dívida é um dos temas centrais para os investidores da companhia. No segundo trimestre, a relação entre dívida líquida e Ebitda permanecia elevada em comparação com empresas de perfil semelhante, fazendo da desalavancagem uma prioridade para a nova administração.

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Venda de ativos deverá continuar no radar da CSN

A chegada de Schvartsman não deve interromper o processo de revisão do portfólio iniciado ainda sob a gestão de Steinbruch.

A companhia vem avaliando alternativas para levantar recursos com ativos considerados não essenciais ou cuja venda possa destravar valor e acelerar a redução do endividamento. Entre os negócios mais acompanhados pelo mercado está a possibilidade de alienação de ativos da CSN Cimentos.

A lógica é utilizar recursos extraordinários para reduzir dívida e, consequentemente, despesas financeiras. Em um ambiente brasileiro de juros elevados, a redução do endividamento pode ter impacto relevante sobre o resultado líquido de empresas intensivas em capital.

O grupo também possui operações de mineração por meio da CSN Mineração (CMIN3), participação em infraestrutura ferroviária e portuária e negócios de energia.

A reorganização do comando ocorre, portanto, em uma companhia muito diferente da siderúrgica que Steinbruch assumiu décadas atrás. A CSN tornou-se um conglomerado industrial diversificado, mas essa expansão também exigiu volumes elevados de capital e aumentou a complexidade de sua estrutura financeira.

O desafio de Schvartsman será combinar a administração dessa estrutura com a redução do endividamento sem comprometer investimentos considerados estratégicos.

Axia Energia anuncia operação de aproximadamente R$ 6,2 bilhões

A Axia Energia (AXIA3), nova identidade corporativa da antiga Eletrobras, também entrou no radar dos investidores nesta quinta-feira ao aprovar o resgate de aproximadamente 111,6 milhões de ações preferenciais classe C.

O valor total da operação é estimado em cerca de R$ 6,2 bilhões.

O preço de resgate foi fixado em R$ 55,56 por ação, valor equivalente ao fechamento das ações ordinárias da companhia no pregão de 2 de setembro. O volume envolvido corresponde a aproximadamente 19,61% das ações preferenciais classe C atualmente em circulação.

Os acionistas atingidos pela operação terão alternativas.

Eles poderão optar por converter, total ou parcialmente, suas ações preferenciais classe C em ações ordinárias, na proporção de uma ação ordinária para cada preferencial, ou receber o valor definido para o resgate.

A companhia estabeleceu prazo para manifestação dos investidores que pretendam realizar a conversão.

A operação faz parte de um processo mais amplo de simplificação da estrutura acionária da empresa depois da privatização da antiga Eletrobras.

Esta não é a primeira iniciativa envolvendo as ações preferenciais classe C. A companhia já realizou outras rodadas de resgate ou conversão desses papéis.

Simplificação acionária é parte da transformação da antiga Eletrobras

A reorganização da estrutura de capital ocorre enquanto a Axia tenta consolidar uma nova identidade empresarial depois de décadas operando como Eletrobras.

A companhia controla uma das maiores estruturas de geração e transmissão de energia elétrica da América Latina e passou por profundas mudanças de governança depois do processo de capitalização realizado em 2022, que diluiu a participação da União e retirou o controle estatal direto.

Desde então, a administração tem buscado reduzir a complexidade societária, rever ativos, melhorar eficiência e aumentar a disciplina na alocação de capital.

O resgate das preferenciais classe C deve ser analisado nesse contexto.

Para o investidor, a decisão entre receber o valor do resgate ou converter os papéis em ações ordinárias depende da estratégia individual, do preço de mercado e da avaliação sobre o potencial futuro da companhia.

Para a empresa, uma estrutura acionária mais simples pode facilitar governança, liquidez e compreensão do capital pelo mercado.

Nestlé anuncia R$ 2 bilhões para nutrição e saúde

No setor de alimentos, a Nestlé anunciou um investimento de R$ 2 bilhões até 2028 em sua divisão de nutrição e saúde no Brasil.

O plano tem como principal projeto uma nova fábrica de fórmulas infantis em Ituiutaba, Minas Gerais. A unidade receberá aproximadamente R$ 600 milhões e será construída próxima ao complexo industrial que já abriga a maior operação de lácteos da companhia na América Latina.

A região já produz itens de marcas como Ninho e Molico.

A nova fábrica será voltada inicialmente ao atendimento do mercado brasileiro, que ainda depende parcialmente de importações para determinadas categorias de fórmulas infantis.

A companhia também considera que a expansão poderá criar oportunidades futuras de exportação.

O investimento de R$ 2 bilhões representa aproximadamente 30% do plano total de R$ 7 bilhões anunciado pela Nestlé para suas operações brasileiras entre 2025 e 2028.

Isso coloca nutrição e saúde entre os principais destinos de capital da multinacional no país.

Nova fábrica busca substituir parte das importações

A decisão de construir a unidade em Minas Gerais tem um componente industrial importante.

Produzir localmente itens que hoje são parcialmente importados reduz exposição a câmbio, custos logísticos internacionais e possíveis interrupções nas cadeias de abastecimento.

Também permite maior integração com a estrutura produtiva que a Nestlé já mantém no Brasil.

A companhia considera nutrição e saúde uma de suas áreas estratégicas de crescimento global. O segmento inclui fórmulas infantis, nutrição médica e produtos destinados a diferentes necessidades nutricionais.

Além da nova fábrica, os recursos anunciados serão usados para ampliar capacidade e eficiência em outras operações da divisão no Brasil.

A Nestlé já vinha movimentando sua estrutura industrial relacionada a fórmulas infantis. Em março, a empresa retomou a operação de uma fábrica de soro de leite em Carazinho, no Rio Grande do Sul, insumo utilizado na produção desses alimentos, e anunciou intenção de elevar a capacidade da unidade.

A combinação dos investimentos reforça uma estratégia de internalização de etapas da cadeia produtiva.

Brasil concentra parcela relevante dos investimentos da Nestlé

O aporte ocorre em meio a um ciclo mais amplo de investimentos da multinacional suíça no país.

A Nestlé considera o Brasil um de seus principais mercados globais e mantém fábricas distribuídas por diferentes estados, com operações em café, chocolates, biscoitos, lácteos, nutrição infantil, alimentos para animais de estimação e outras categorias.

Nos últimos anos, a empresa realizou investimentos bilionários em segmentos como chocolates e pet food.

Em março deste ano, por exemplo, a Nestlé Purina inaugurou uma fábrica de alimentos úmidos para cães e gatos em Vargeão, Santa Catarina, dentro de um plano de R$ 2,5 bilhões para o segmento.

A nova rodada de investimentos mostra que a companhia também pretende ampliar sua presença em produtos de nutrição de maior valor agregado.

Cade aprova compra de 60% da CRDC pela B3, mas impõe condições

Outro movimento relevante veio do mercado financeiro.

O Tribunal do Cade aprovou a aquisição, pela B3 (B3SA3), de 60% da Central de Registro de Direitos Creditórios, a CRDC, participação que atualmente pertence à Associação Comercial de São Paulo.

A operação está ligada a um acordo anunciado pela B3 para adquirir a fatia por aproximadamente R$ 15 milhões, com possibilidade de compra da participação remanescente no futuro.

O negócio, porém, recebeu sinal verde com condições.

A Superintendência-Geral do Cade havia recomendado anteriormente a reprovação da operação por identificar riscos concorrenciais relacionados à elevada participação da B3 em determinados mercados de registro e depósito de ativos.

O Tribunal optou por uma solução diferente: autorizou o negócio mediante a celebração de um Acordo em Controle de Concentrações.

O compromisso estabelece obrigações destinadas a preservar a concorrência nos mercados de registro de duplicatas, Cédulas de Crédito Bancário e Cédulas de Produto Rural.

Duplicata escritural está no centro da estratégia

A CRDC atua no registro de direitos creditórios, área que ganha relevância com a expansão da duplicata escritural.

O novo modelo substitui gradualmente processos baseados em documentos físicos por registros eletrônicos e cria uma infraestrutura digital para operações de crédito originadas em vendas entre empresas.

Esse mercado pode movimentar volumes elevados de informações e ativos, tornando-se estratégico para instituições financeiras, registradoras e companhias de infraestrutura de mercado.

É justamente a posição já ocupada pela B3 nesse ecossistema que levou o Cade a exigir salvaguardas.

A autarquia identificou preocupação com concentração nos segmentos de registro de duplicatas, CCBs e CPRs e avaliou que a operação poderia ampliar a posição da companhia em mercados considerados essenciais para o sistema financeiro.

A aprovação condicionada permite que o negócio avance, mas submete a B3 às obrigações assumidas no acordo com o órgão antitruste.

Quatro movimentos mostram empresas em fases distintas

Os acontecimentos desta quinta-feira colocam lado a lado companhias em momentos empresariais bastante diferentes.

A CSN inicia uma transição de liderança depois de mais de duas décadas com o mesmo presidente executivo e precisa avançar em sua estratégia de desalavancagem.

A Axia Energia continua reorganizando a estrutura de capital herdada de sua trajetória como empresa estatal e simplificando classes de ações.

A Nestlé acelera investimentos produtivos para ampliar fabricação local e reduzir dependência de importações em categorias estratégicas.

E a B3 avança em um novo mercado, mas sob vigilância concorrencial justamente por já ocupar posição dominante em parte da infraestrutura financeira brasileira.

Para investidores, os efeitos também são diferentes. Na CSN, a atenção estará sobre a execução da nova administração e a venda de ativos. Na Axia, sobre a adesão dos acionistas ao processo de conversão ou resgate. Na B3, sobre o cumprimento das exigências do Cade e o potencial da CRDC. No caso da Nestlé, que não possui ações listadas na B3, o investimento funciona principalmente como sinal de confiança de longo prazo no mercado brasileiro.

Em conjunto, os anúncios fazem de 3 de setembro uma sessão marcada menos pela divulgação de resultados trimestrais e mais por decisões estruturais — de comando, capital, investimento e expansão — que podem repercutir por vários anos nas estratégias dessas companhias.

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