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Daniel Vorcaro aceita elevar para R$ 60 bilhões valor de eventual delação com a PGR

Procuradoria cobra novo roteiro de colaboração e informações mais robustas após rejeição da proposta pela Polícia Federal.

por Júlia Campos
22/05/2026 às 10h14
em Política
Daniel Vorcaro Aceita Elevar Para R$ 60 Bilhões Valor De Eventual Delação Com A Pgr - Gazeta Mercantil - Política

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aceitou elevar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor que poderia ser devolvido em um eventual acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo informações de interlocutores que acompanham as negociações. A mudança ocorre após a Polícia Federal (PF) rejeitar a proposta inicial de colaboração do banqueiro, considerada insuficiente por investigadores, e em meio à tentativa da defesa de manter aberta uma última frente de negociação com o Ministério Público.

A PGR informou aos advogados de Vorcaro que o aumento do valor a ser devolvido não será suficiente, por si só, para viabilizar o acordo. A equipe do procurador-geral da República, Paulo Gonet, também exige que o roteiro da delação seja refeito, com informações mais robustas, maior detalhamento dos fatos e elementos capazes de contribuir efetivamente para as investigações.

Leia também: Balança Comercial Brasileira Registra Superávit Recorde de US$ 98,839 Bilhões em 2023.

Do jeito em que foi apresentada, a proposta de colaboração não atende aos critérios exigidos pela Procuradoria. Integrantes da PGR concordam com a avaliação da Polícia Federal de que, no formato atual, não há base para fechar um acordo com o dono do Banco Master.

PGR cobra novo roteiro de delação

A principal exigência da Procuradoria-Geral da República é que Daniel Vorcaro apresente um novo roteiro de delação. Em acordos de colaboração premiada, o roteiro é a estrutura inicial em que o investigado indica quais fatos pretende revelar, quais pessoas pretende mencionar, quais provas pode entregar e de que forma suas informações podem ajudar as autoridades.

Segundo a avaliação de investigadores, a primeira proposta de Vorcaro teria omitido informações relevantes e não trouxe elementos suficientes para justificar benefícios penais ou processuais. A leitura é que o material apresentado até agora não permite avançar para um acordo formal.

A PGR, portanto, condiciona qualquer evolução nas tratativas a uma reformulação substancial da proposta. A elevação do valor de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões é vista como um gesto relevante, mas ainda insuficiente se não vier acompanhada de conteúdo novo, documentos, provas e informações verificáveis.

Nos bastidores, assessores de Paulo Gonet afirmam que Vorcaro precisará demonstrar disposição real de colaborar caso queira manter a negociação aberta.

PF rejeitou proposta, mas PGR mantém conversas

A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação de Daniel Vorcaro, mas a Procuradoria-Geral da República decidiu manter as conversas com a defesa. Na avaliação de investigadores, a PGR pode representar a última janela de oportunidade para que uma colaboração premiada do banqueiro seja aceita.

A defesa de Vorcaro vê mais espaço para negociação com o Ministério Público porque, segundo seus advogados, as primeiras tratativas foram iniciadas com a equipe de Paulo Gonet. A Polícia Federal teria entrado nas negociações depois da segunda prisão do empresário.

Esse histórico é usado pela defesa para sustentar que ainda há margem para ajustes na proposta. A PGR, porém, também considera o primeiro material insuficiente e exige mudanças profundas antes de qualquer avanço.

A continuidade das conversas não significa que o acordo será fechado. O processo ainda depende de nova proposta, análise da utilidade das informações, avaliação das provas oferecidas e eventual validação judicial.

Valor de R$ 60 bilhões aumenta peso da negociação

A disposição de elevar para R$ 60 bilhões o valor a ser devolvido em eventual delação amplia o peso financeiro da negociação. O montante, se confirmado em um acordo, seria um dos pontos centrais da colaboração.

No entanto, em acordos de delação premiada, a devolução de recursos é apenas uma parte da análise. Autoridades também avaliam a capacidade do colaborador de revelar fatos inéditos, identificar participantes de eventuais esquemas, recuperar ativos, explicar a estrutura das operações investigadas e apresentar provas que possam ser checadas.

Por isso, a PGR cobra mais do que um aumento do valor prometido. O Ministério Público quer um roteiro que mostre, de forma concreta, quais informações Vorcaro tem a oferecer e como elas podem avançar as apurações.

A avaliação atual é que a proposta original não entregava esse nível de colaboração. Investigadores apontaram omissões e falta de elementos considerados essenciais.

Defesa vê chance de acordo com o Ministério Público

Apesar da resistência da PF e das exigências da PGR, a defesa de Daniel Vorcaro ainda avalia que há possibilidade de evolução nas conversas. Os advogados consideram que a Procuradoria pode ser um canal mais adequado para ajustar a proposta, já que as primeiras negociações teriam ocorrido diretamente com a equipe de Gonet.

A estratégia agora deve passar pela apresentação de um novo desenho de colaboração. Esse material precisará responder às críticas feitas pela PF e pela PGR, especialmente sobre a falta de informações relevantes e a necessidade de detalhamento dos fatos.

Caso a nova proposta seja considerada mais consistente, as conversas podem avançar. Se a PGR entender que o conteúdo continua insuficiente, a tendência é de nova rejeição.

A situação mantém Vorcaro em posição delicada. Sem acordo, o dono do Banco Master segue submetido ao curso regular das investigações e às medidas judiciais já determinadas.

Investigadores cobram informações mais relevantes

A avaliação tanto da Polícia Federal quanto da Procuradoria é que a primeira proposta de Daniel Vorcaro não tinha densidade suficiente para justificar uma delação premiada. Investigadores afirmam que o material apresentado teria deixado de fora informações importantes.

Em uma colaboração desse tipo, o investigado precisa oferecer algo que as autoridades ainda não conhecem ou que seja capaz de comprovar fatos sob apuração. Relatos genéricos, sem documentação ou sem utilidade prática para a investigação, tendem a ser rejeitados.

Esse é o principal obstáculo para Vorcaro. A elevação do valor financeiro pode melhorar a proposta, mas não substitui a necessidade de indicar fatos, provas, nomes, operações e caminhos de rastreamento de recursos.

A PGR quer evitar um acordo que ofereça benefícios ao investigado sem contrapartida efetiva para as investigações. Por isso, a cobrança por um novo roteiro é considerada decisiva.

Caso Master mantém pressão sobre Vorcaro

As negociações de delação ocorrem em meio ao avanço das investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. O empresário tenta construir uma alternativa jurídica em um momento de forte pressão da Polícia Federal, da PGR e do Supremo Tribunal Federal (STF).

A eventual colaboração poderia alterar o rumo do caso, mas apenas se for considerada útil pelas autoridades. Até agora, o entendimento predominante é que a proposta precisa ser substancialmente reformulada.

O caso também tem impacto institucional e financeiro, por envolver o controlador de uma instituição relevante no mercado. Investigações que alcançam bancos e seus dirigentes costumam gerar atenção adicional de investidores, reguladores, credores e autoridades do sistema financeiro.

Vorcaro e os demais investigados têm direito à defesa, ao contraditório e à presunção de inocência. Uma eventual delação, se aceita, ainda precisaria cumprir etapas formais e ser homologada pela Justiça.

Acordo depende de nova proposta

A decisão de Daniel Vorcaro de elevar para R$ 60 bilhões o valor a ser devolvido em eventual delação mostra uma tentativa de manter a negociação viva com a PGR. Ainda assim, o ponto central agora é o conteúdo da colaboração.

A Procuradoria exige um novo roteiro, com informações mais completas e capacidade real de contribuir para as apurações. Sem isso, a avaliação da equipe de Paulo Gonet permanece alinhada à da Polícia Federal: não há condições de fechar acordo no formato atual.

A próxima movimentação caberá à defesa. Se os advogados apresentarem uma proposta mais robusta, com fatos novos e provas verificáveis, a PGR poderá reavaliar a negociação. Caso contrário, a delação de Vorcaro tende a continuar em risco.

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