A Dasa (DASA3) registrou prejuízo líquido das operações continuadas de R$ 34,9 milhões no segundo trimestre de 2026, menor que a perda de R$ 173,2 milhões apurada no mesmo período de 2025 nas operações continuadas, de acordo com o balanço divulgado pela companhia na quinta-feira, 13 de agosto. No mesmo dia, a empresa informou Ebitda consolidado de R$ 446 milhões, com avanço de 53% na base anual. Na tarde de sexta-feira, 14 de agosto, por volta das 15h15, a ação era negociada a R$ 2,06, com recuo de 17,93%.
O resultado marca a continuidade do processo de simplificação de perímetro adotado pela companhia ao longo de 2025. A receita bruta consolidada somou R$ 2,4 bilhões no trimestre, com queda de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, reflexo da desconsolidação da Ímpar, decorrente da formação da Rede Américas, e dos desinvestimentos concluídos no ano passado. Quando considerado o escopo atual, o faturamento cresceu 8%, puxado por Diagnósticos.
Prejuízo menor esconde base de comparação distinta
A comparação direta entre os prejuízos divulgados exige distinção de perímetro. O material de referência que originou a pauta apontou prejuízo de R$ 454 milhões no segundo trimestre de 2025. O balanço publicado em 13 de agosto detalha prejuízo de R$ 173,2 milhões nas operações continuadas no mesmo período.
A diferença decorre do tratamento contábil das operações descontinuadas e da formação da Rede Américas. No critério das operações continuadas, a redução da perda entre 2025 e 2026 foi de R$ 138,3 milhões, o que corresponde a recuo de 79,8% no prejuízo. No critério pro forma citado no material de referência, a redução foi de R$ 419 milhões, equivalente a 92,3%. Nos dois recortes, a companhia permanece no vermelho no trimestre.
Receita cresce no mesmo perímetro e expõe mudança de escopo
Considerando o escopo atual, a receita cresceu 8% no ano. O motor foi Diagnósticos Nacional, com R$ 2,2 bilhões, alta de 9% na mesma base, sustentada por aumento de volume de exames e expansão em premium, B2B no modelo Lab-to-Lab e atendimento domiciliar.
A companhia informou ter processado 119,7 milhões de exames no trimestre, quase 11 milhões a mais do que um ano atrás, com treze unidades a menos. O dado indica ganho de produtividade por unidade. A margem bruta consolidada no escopo atual ficou praticamente estável, com variação negativa de 0,4 ponto percentual, em 27,9%.
A receita bruta consolidada de R$ 2,4 bilhões, com recuo de 10% no consolidado cheio, reflete justamente a saída de ativos do perímetro. O cálculo indica que, sem o ajuste de perímetro, a base anterior seria próxima de R$ 2,66 bilhões, o que dimensiona o efeito da desconsolidação da Ímpar e dos desinvestimentos de 2025 sobre a comparação anual.
Ebitda avança 53% e margem ganha quase 6 pontos
O Ebitda consolidado atingiu R$ 446 milhões, com expansão de 53% na base anual. A margem passou para 20,1%, com ganho de 5,8 pontos percentuais. Por cálculo próprio, o Ebitda do segundo trimestre de 2025, na mesma base, era próximo de R$ 291,5 milhões, o que implica incremento absoluto de cerca de R$ 154,5 milhões no trimestre.
A companhia afirmou no material de divulgação que os resultados do período reforçam a evolução do perímetro operacional, combinando crescimento de receita, ganhos de eficiência, maior geração de caixa e avanços na desalavancagem.
No primeiro trimestre de 2026, o Ebitda havia sido de R$ 573 milhões, com margem de 25,8%. Na sequência, o resultado do segundo trimestre mostra sazonalidade menor, mas mantém patamar superior ao de 2025, quando a rentabilidade havia sido pressionada por efeitos não recorrentes, incluindo equivalência patrimonial da Rede Américas.
Endividamento recua em valor, mas covenant sobe
A dívida líquida financeira, após aquisições a pagar e antecipação de recebíveis, encerrou junho em R$ 5,6 bilhões, com queda de 23% em doze meses. Por cálculo próprio, a redução corresponde a cerca de R$ 1,67 bilhão em relação a uma base anterior próxima de R$ 7,27 bilhões.
Outra medida citada no material de referência indica dívida líquida de aproximadamente R$ 5,5 bilhões. A diferença entre as duas leituras decorre de ajustes de aquisições a pagar e antecipação de recebíveis. Nos dois casos, a ordem de grandeza aponta desalavancagem nominal no ano.
A alavancagem medida pelo covenant, porém, subiu de 2,88 vezes para 3,39 vezes no trimestre, alta de 0,51 vez, equivalente a 17,7%. O movimento indica que a geração operacional ainda não foi suficiente para compensar a base de comparação do Ebitda ajustado usado no cálculo contratual. O BTG Pactual avaliou que a operação gera caixa, mas parcela relevante é consumida pelos juros.
A geração de caixa livre totalizou R$ 292 milhões no trimestre, ante consumo de caixa de R$ 18 milhões no mesmo período do ano passado, reversão positiva de R$ 310 milhões. A geração operacional de caixa também havia mostrado inflexão no primeiro trimestre, quando passou de consumo de R$ 43 milhões para geração de R$ 21 milhões.
Hospitais e Oncologia no Nordeste recuam e buscam qualificação
A divisão de Hospitais e Oncologia Nordeste registrou receita de R$ 208 milhões no trimestre, com recuo de 4% na base anual, segundo o balanço detalhado pela agência Reuters. O recuo reflete estratégia de qualificação de receita e reestruturação do mix de fontes pagadoras em Oncologia.
No material de referência, a mesma divisão foi apontada com receita praticamente estável, lucro bruto com crescimento de 4% e margem bruta de 30,5% para 32%, ganho de 1,5 ponto percentual, equivalente a 4,9% de avanço relativo na margem. A diferença de leitura entre estabilidade e queda de 4% decorre do perímetro considerado e da base pro forma utilizada por cada análise.
O presidente-executivo da Dasa, Rafael Lucchesi, afirmou que a empresa tem feito mais com menos, com ganhos consistentes de eficiência operacional, e citou o aumento de volume de exames com menos unidades. Acrescentou que a companhia direciona capital para B2B, atendimento domiciliar, premium e agenda de longevidade, que integra genômica, diagnóstico in vitro, biotecnologia e imagem.
Por que a ação caiu mesmo com melhora operacional
A cotação de R$ 2,06 com queda de 17,93% por volta das 15h15 de 14 de agosto implica preço anterior próximo de R$ 2,51 por cálculo próprio, considerando a variação informada. O valor coincide com a região do preço-alvo citado pelo BTG Pactual, de R$ 2,50, ante R$ 2,54 no relatório anterior, com potencial de queda de 1,6% na data do relatório.
O Ibovespa recuava 0,15% aos 166.849,63 pontos no mesmo horário, enquanto o dólar avançava 0,78% a R$ 5,22. O desempenho de DASA3 destoou do índice, refletindo leitura de que o avanço de Ebitda e de geração de caixa ainda convive com prejuízo líquido e covenant em alta.
A análise de mercado também considerou que a receita líquida pro forma de R$ 2,2 bilhões ficou 3,5% abaixo da projeção do BTG. Por cálculo próprio, a projeção do banco era próxima de R$ 2,28 bilhões, diferença de cerca de R$ 80 milhões.
O que dizem BTG e XP e onde divergem
O BTG Pactual avaliou os números como fracos, sem surpresa para o mercado, e condicionou melhora a avanços adicionais. O banco manteve postura neutra para o papel. O ponto positivo destacado foi a divisão de hospitais e oncologia, com ganho de margem bruta.
A XP Investimentos afirmou que a Dasa segue apresentando melhorias operacionais consistentes, com destaque para diluição de despesas. Os analistas da casa citaram redução de despesas de 22% na comparação anual, atribuída a menores perdas com recebíveis, continuidade da simplificação organizacional e gestão disciplinada de despesas.
A XP descreveu o resultado operacional como sólido e projetou geração de caixa mais forte no terceiro trimestre de 2026. A expectativa mencionada é de crescimento de 335% na geração de caixa, com aumento de R$ 77 milhões em comparação aos R$ 23 milhões reportados no trimestre atual, o que levaria a geração para cerca de R$ 100 milhões por cálculo próprio. A casa reiterou recomendação de compra.
Próximos passos do turnaround
O balanço do segundo trimestre consolida três etapas do plano iniciado no fim de 2024: desconsolidação da Ímpar com formação da Rede Américas, venda de ativos como o Hospital São Domingos, alienado em dezembro de 2024, e foco no core de diagnósticos com disciplina de capital.
Para os próximos trimestres, a companhia terá de demonstrar conversão do Ebitda de R$ 446 milhões em lucro líquido, contenção do efeito dos juros sobre o caixa e estabilização do covenant, que subiu a 3,39 vezes. A manutenção do ritmo de processamento de exames acima de 119 milhões por trimestre, com menos unidades, e a expansão em B2B e domiciliar serão indicadores operacionais dessa conversão.
A evolução da dívida líquida financeira, que caiu 23% para R$ 5,6 bilhões na métrica com aquisições a pagar e antecipação de recebíveis, será acompanhada em paralelo ao perfil de vencimentos e à necessidade de rolagem. No terceiro trimestre de 2025, a margem bruta em Diagnósticos havia alcançado 33,8% ante 28,8% um ano antes, patamar que serve de referência para a trajetória de rentabilidade buscada pela gestão.








