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Defesa de Bolsonaro pede ao STF revisão de condenação por tentativa de golpe

Advogados alegam “erro judiciário”, questionam competência da Primeira Turma e pedem que análise seja distribuída à Segunda Turma da Corte

por Júlia Campos - Repórter de Política
08/05/2026 às 23h47 - Atualizado em 14/05/2026 às 12h28
em Política, Destaque, Notícias
Defesa De Bolsonaro Pede Ao Stf Revisão De Condenação Por Tentativa De Golpe - Gazeta Mercantil

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou, nesta sexta-feira (8), ao Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido de revisão criminal da condenação imposta no processo sobre a tentativa de golpe. Os advogados sustentam que houve “erro judiciário” no julgamento, afirmam que a Primeira Turma da Corte não teria competência para decidir o caso e pedem que a nova análise seja distribuída a ministros da Segunda Turma.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na tentativa de golpe e cumpre prisão domiciliar. A revisão criminal foi apresentada após o trânsito em julgado da ação, etapa em que se esgotam as possibilidades ordinárias de recurso. No pedido, a defesa afirma que a condenação teria sido contrária “à lei e à evidência dos autos”.

A estratégia jurídica dos advogados busca reabrir a discussão sobre a condenação, questionando pontos processuais e probatórios do julgamento. Entre os argumentos estão a suposta incompetência da Primeira Turma para julgar fatos atribuídos a um presidente da República, alegadas irregularidades na colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid e possível cerceamento de defesa.

O pedido foi encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. A defesa solicita que a revisão criminal seja sorteada entre integrantes da Segunda Turma, sob o argumento de que ministros que participaram da condenação original não deveriam atuar como relatores ou revisores da nova ação.

Defesa alega erro judiciário na condenação

No pedido enviado ao STF, os advogados de Bolsonaro afirmam que a revisão criminal busca corrigir um suposto “erro judiciário”. Segundo a defesa, a condenação teria violado regras legais e elementos constantes dos autos.

A revisão criminal é um instrumento processual usado após o esgotamento dos recursos, quando a defesa busca demonstrar que a condenação deve ser revista por razões excepcionais. Em geral, esse tipo de ação pode envolver alegação de erro de julgamento, violação à lei, provas novas ou nulidades relevantes.

No caso de Bolsonaro, a defesa sustenta que a condenação por tentativa de golpe teria sido contaminada por vícios processuais. Os advogados afirmam que a decisão da Primeira Turma deveria ser anulada por suposta incompetência do colegiado.

A tese será analisada pelo Supremo, que deverá decidir inicialmente a tramitação do pedido e, posteriormente, se há fundamento para revisar a condenação.

Primeira Turma é questionada pelos advogados

Um dos principais pontos do pedido é a alegação de que a Primeira Turma do STF não teria competência para julgar a ação penal contra Bolsonaro. A defesa afirma que fatos atribuídos a um presidente da República, quando relacionados ao cargo e às funções presidenciais, deveriam ser julgados pelo Plenário da Corte.

Os advogados citam o Regimento Interno do STF e defendem que o julgamento condenatório final deveria ter ocorrido no conjunto dos 11 ministros, e não em uma das turmas. Para a defesa, esse ponto configuraria nulidade do acórdão condenatório.

A argumentação mira a estrutura interna do Supremo. O tribunal é composto por duas turmas e pelo plenário. As turmas julgam diversas classes de processos, mas determinadas matérias, por previsão constitucional ou regimental, podem ser reservadas ao plenário.

A defesa tenta demonstrar que a ação penal envolvendo Bolsonaro se enquadraria nesse tipo de competência. Se o STF aceitar essa tese, a condenação poderia ser revista ou anulada. Caso rejeite, a decisão da Primeira Turma tende a permanecer válida nesse ponto.

Delação de Mauro Cid também é contestada

Outro eixo do pedido envolve a colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e também condenado no caso da trama golpista. A defesa do ex-presidente afirma que a delação foi usada como elemento central da condenação e questiona a regularidade do procedimento.

Segundo os advogados, a colaboração teria sido celebrada com violação à voluntariedade. A voluntariedade é requisito essencial em acordos de colaboração premiada, pois o colaborador deve aderir ao acordo sem coação indevida e com assistência de defesa técnica.

A defesa de Bolsonaro pretende sustentar que eventuais irregularidades na colaboração comprometeriam a validade das provas derivadas dela ou a forma como esses elementos foram utilizados no julgamento.

A alegação, porém, ainda será examinada pelo Supremo. A existência de questionamentos da defesa não implica reconhecimento de nulidade. Caberá à Corte avaliar se houve violação processual e, em caso positivo, se essa suposta falha teve impacto sobre a condenação.

Advogados falam em cerceamento de defesa

A defesa também aponta suposto cerceamento de defesa. Os advogados afirmam que teria havido um “comportamento estratégico da acusação” na disponibilização de provas, com entrega parcial, gradual e fora do tempo adequado de elementos considerados fundamentais.

O argumento busca demonstrar que a defesa não teria tido condições plenas de analisar e contestar todas as provas antes do julgamento. Em ações penais complexas, a discussão sobre acesso integral ao material probatório costuma ser central, especialmente quando há grande volume de documentos, mensagens, depoimentos e dados digitais.

Os advogados também questionam a decretação do trânsito em julgado, que teria ocorrido de forma “precoce”, segundo o pedido. O trânsito em julgado marca o fim da possibilidade de recursos ordinários e abre caminho para a execução definitiva da condenação.

Esses pontos fazem parte da tentativa de construir uma tese ampla de nulidade processual. O STF terá de avaliar se as alegações indicam falhas concretas capazes de justificar a reabertura do caso.

Pedido busca análise pela Segunda Turma

A defesa de Bolsonaro pediu que a revisão criminal seja analisada por ministros da Segunda Turma do STF. O argumento central é a preservação da imparcialidade no julgamento do pedido.

Segundo os advogados, ministros que participaram da condenação original não deveriam atuar como relatores ou revisores da revisão criminal. A defesa afirma que a distribuição à Segunda Turma impediria que a nova ação ficasse sob responsabilidade de julgadores que já se manifestaram no processo principal.

O pedido cita a Constituição e o Regimento Interno do STF para sustentar que a revisão criminal deve observar garantias de imparcialidade. Ao mesmo tempo, os próprios dispositivos indicam que revisões criminais de condenações da Corte passam pelo Plenário, o que pode gerar debate sobre a viabilidade da solicitação.

A Segunda Turma é composta pelos ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça. Nunes Marques e André Mendonça foram indicados ao STF durante o governo Bolsonaro.

Revisão criminal ocorre após esgotamento dos recursos

A revisão criminal não é um recurso comum. Trata-se de uma ação autônoma usada para tentar desconstituir uma condenação definitiva. Por isso, exige demonstração de hipóteses específicas, como erro judiciário, violação de lei ou prova que justifique nova análise.

No caso de Bolsonaro, a defesa afirma que a condenação já transitou em julgado e, por isso, a revisão criminal seria o instrumento adequado para rediscutir o processo.

A apresentação do pedido não suspende automaticamente os efeitos da condenação. Eventual mudança dependerá de decisão do STF, seja em medida preliminar, seja no julgamento do mérito da revisão.

A Corte também deverá definir a tramitação do caso, incluindo a relatoria e o órgão responsável pela análise. Esse ponto tende a ser uma das primeiras disputas processuais, diante do pedido para que a Segunda Turma conduza o julgamento.

Caso reacende disputa jurídica sobre atos golpistas

O pedido de revisão criminal ocorre em meio a novas discussões no STF sobre penas e processos ligados aos atos golpistas. A Corte também passou a analisar ações contra a Lei da Dosimetria, que permite redução de penas de condenados por crimes relacionados ao 8 de janeiro.

A defesa de Bolsonaro tenta reabrir o caso por uma via processual própria, alegando nulidades e erro judiciário. Já partidos e entidades que questionam a Lei da Dosimetria discutem, em outra frente, a constitucionalidade de mudanças legislativas que podem afetar condenados por crimes contra a democracia.

Esses movimentos recolocam no centro da agenda política e jurídica a responsabilização por atos contra o Estado Democrático de Direito. O STF deverá lidar, ao mesmo tempo, com pedidos de revisão individual e ações de controle constitucional com impacto mais amplo.

O desfecho pode influenciar não apenas a situação jurídica de Bolsonaro, mas também o tratamento dado a condenações relacionadas à tentativa de golpe e aos ataques de 8 de janeiro.

Defesa tenta afastar ministros que julgaram caso original

A solicitação para que a revisão seja distribuída à Segunda Turma é um dos pontos mais sensíveis do pedido. A defesa busca afastar da nova análise os ministros que participaram do julgamento original na Primeira Turma.

A tese se baseia na ideia de que a revisão criminal exige análise independente da condenação. Para os advogados, essa independência ficaria comprometida se a relatoria ou revisão coubesse a ministro que já votou no processo principal.

O STF terá de decidir se acolhe essa leitura ou se aplica a regra de tramitação pelo Plenário, conforme previsto para revisões criminais de condenações da própria Corte. A definição poderá abrir precedente relevante para casos semelhantes.

A discussão também tem impacto político, porque a composição da Segunda Turma inclui dois ministros indicados por Bolsonaro. Ainda assim, eventual julgamento dependerá das regras internas da Corte e da decisão sobre competência.

STF decidirá tramitação antes de analisar mérito

Antes de discutir a revisão da condenação, o Supremo deverá definir como o pedido será processado. A Corte terá de avaliar a distribuição, a competência do órgão julgador e eventuais pedidos preliminares formulados pela defesa.

A análise do mérito, se admitida, envolverá os argumentos sobre incompetência da Primeira Turma, delação de Mauro Cid, suposto cerceamento de defesa e trânsito em julgado. Cada ponto exigirá exame jurídico específico.

A Procuradoria-Geral da República também deverá se manifestar no processo. Em revisões criminais, o Ministério Público costuma apresentar parecer sobre a admissibilidade do pedido e sobre os argumentos de mérito.

Não há prazo para decisão. O caso deve avançar conforme a tramitação definida pelo presidente do STF e pelo relator que vier a ser designado.

Pedido amplia pressão sobre julgamento da tentativa de golpe

A revisão criminal apresentada pela defesa de Jair Bolsonaro abre uma nova etapa na disputa jurídica sobre a condenação por tentativa de golpe. O pedido não reverte a decisão de forma automática, mas cria uma nova frente de discussão no Supremo.

Ao alegar erro judiciário, incompetência da Primeira Turma, irregularidades na delação de Mauro Cid e cerceamento de defesa, os advogados tentam demonstrar que o processo deve ser reexaminado. A solicitação para que a Segunda Turma analise o caso acrescenta uma disputa institucional sobre imparcialidade e competência interna no STF.

O desdobramento será acompanhado de perto por governo, oposição, juristas e partidos políticos. A decisão do Supremo poderá definir se a condenação permanece nos termos atuais ou se haverá espaço para nova análise de um dos processos mais relevantes envolvendo o ex-presidente.

Tags: Alexandre de MoraesAndré MendonçaBolsonaroEdson FachinJair BolsonaroMauro CidNunes MarquesPolíticaPrimeira Turmarevisão criminalSegunda TurmaSTFSupremo Tribunal Federaltentativa de golpe

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A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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