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Disputa pela Warner Bros: Paramount vai à justiça contra acordo com Netflix

por João Souza - Repórter de Negócios
15/01/2026
em Business, Destaque, News
Disputa Pela Warner Bros: Paramount Vai À Justiça Contra Acordo Com Netflix - Gazeta Mercantil

Paramount judicializa disputa pela Warner Bros e acirra guerra bilionária contra a Netflix

O cenário corporativo de Hollywood vive dias de tensão máxima com a escalada da disputa pela Warner Bros. O que começou como negociações de fusões e aquisições transformou-se em uma verdadeira guerra de trincheiras jurídicas e financeiras. Na última segunda-feira (12), a Paramount Skydance, liderada pelo magnata David Ellison, decidiu elevar o tom e processou a Warner Bros. Discovery (WBD) no Tribunal de Chancelaria de Delaware. O objetivo é claro: forçar a abertura da “caixa-preta” das negociações paralelas com a Netflix e tentar provar que sua oferta hostil é superior aos movimentos da gigante do streaming.

A disputa pela Warner Bros não é apenas sobre quem controlará estúdios lendários ou franquias como Harry Potter e DC Comics; é uma batalha que definirá a sobrevivência e a hegemonia no mercado global de mídia e entretenimento na próxima década. Enquanto a Paramount aposta na via judicial e em ofertas agressivas, a Netflix prepara um contra-ataque fulminante com uma proposta 100% em dinheiro, visando acelerar o desfecho de um dos processos de M&A (fusões e aquisições) mais complexos da história recente.

A Judicialização da disputa pela Warner Bros

A decisão da Paramount Skydance de recorrer ao judiciário marca um ponto de inflexão na disputa pela Warner Bros. Ao protocolar a ação, a empresa de Ellison busca obter acesso a informações privilegiadas sobre o acordo que está sendo costurado entre a WBD e a Netflix. A tese jurídica da Paramount sustenta que o conselho da Warner pode estar violando seu dever fiduciário ao preterir uma oferta financeiramente mais robusta em favor de uma transação com a Netflix que, segundo eles, possui “inúmeras e óbvias deficiências”.

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Na visão dos estrategistas da Paramount, a transparência é a arma necessária para virar o jogo nesta disputa pela Warner Bros. Eles alegam que a WBD tem apresentado razões “cada vez mais inusitadas” para evitar a fusão com a Skydance. A carta enviada aos investidores é contundente: “O que ela [Warner] nunca disse, porque não pode, é que a transação com a Netflix é financeiramente superior à nossa oferta atual. O processo em Delaware visa justamente expor os números reais e permitir que os acionistas tenham clareza sobre qual caminho gera mais valor.

A disputa pela Warner Bros ganha contornos dramáticos porque envolve não apenas a venda de ativos, mas o futuro da governança da empresa. Além da ação judicial, a Paramount planeja propor uma emenda estatutária radical. O intuito é exigir que qualquer separação entre os negócios de TV a cabo (linear) e streaming dependa de aprovação prévia dos acionistas. Essa manobra visa impedir que a diretoria da Warner fatie a empresa para facilitar a venda para a Netflix sem o aval da base de investidores.

Oferta Hostil e a Estratégia de David Ellison

No centro desta disputa pela Warner Bros está uma oferta hostil de proporções titânicas. A Paramount Skydance colocou na mesa US$ 108,7 bilhões em dinheiro pelo controle total da companhia. Mesmo após ter seis propostas formais rejeitadas pelo conselho da Warner, David Ellison não demonstra sinais de recuo. A estratégia agora envolve uma tática de “proxy fight” (disputa por procurações): a indicação de novos diretores para o conselho da Warner Bros.

O objetivo dessa movimentação é minar a resistência interna e influenciar os acionistas a aceitarem a oferta antes que ela expire, o que está previsto para ocorrer no dia 21 de janeiro deste ano, embora haja possibilidade de prorrogação. Para a Paramount, vencer a disputa pela Warner Bros é uma questão existencial. A fusão criaria um colosso de mídia capaz de competir de igual para igual com a Disney e a própria Netflix.

A insistência de Ellison baseia-se na crença de que sua proposta oferece uma solução completa, abarcando tanto os ativos de crescimento (streaming e estúdios) quanto os ativos maduros e em declínio (TV a cabo). A disputa pela Warner Bros, sob a ótica da Paramount, deve preservar a integridade do conglomerado, enquanto a proposta da Netflix sugere um desmembramento que poderia deixar os acionistas com “ativos podres” nas mãos.

O Contra-ataque da Netflix: Dinheiro vivo e velocidade

Do outro lado do ringue nesta disputa pela Warner Bros, a Netflix adota uma postura pragmática e agressiva. Informações apuradas pela Reuters indicam que a gigante de Los Gatos está reformulando sua estratégia para apresentar uma oferta 100% em dinheiro pelos estúdios de cinema, TV e pelo negócio de streaming (Max). Inicialmente, a proposta era de US$ 82,7 bilhões em um mix de dinheiro e ações, mas a volatilidade do mercado e a pressa em fechar o negócio forçaram uma mudança de rota.

A transição para uma oferta totalmente em espécie visa acelerar o processo de venda. A diretoria da Netflix sabe que a disputa pela Warner Bros atrai o escrutínio de reguladores antitruste em Washington e Bruxelas. Pagar em dinheiro simplifica a transação financeira, embora não elimine os riscos regulatórios. A Netflix busca os “joias da coroa”: a Warner Bros. Pictures, a HBO e o catálogo do Max, deixando de lado, a princípio, as operações de TV a cabo linear, que sofrem com o “cord cutting” (cancelamento de TV paga).

Para a Netflix, vencer a disputa pela Warner Bros significaria consolidar sua liderança absoluta no streaming, adicionando ao seu portfólio franquias eternas como Game of Thrones, Friends e todo o universo DC. No entanto, essa concentração de poder é justamente o que a Paramount utiliza como argumento em sua ofensiva judicial e de relações públicas, alegando que uma fusão Warner-Netflix enfrentaria barreiras regulatórias intransponíveis, ao contrário da união com a Skydance.

O Dilema do Conselho da Warner Bros. Discovery

A posição do conselho de administração da WBD é delicada e central na disputa pela Warner Bros. Até o momento, o board tem demonstrado uma preferência tácita pela negociação com a Netflix, citando preocupações com o nível de endividamento da Paramount Skydance. Mesmo com o aporte de capital prometido por Ellison, os diretores da Warner classificam a proposta de US$ 108,7 bilhões como “inadequada” ou estruturalmente arriscada.

Essa preferência, contudo, é o combustível para a ação judicial. A Paramount argumenta que o conselho está agindo em detrimento dos acionistas ao ignorar uma oferta financeiramente superior em termos nominais. A disputa pela Warner Bros expõe as fissuras na governança da empresa, que luta para reduzir sua própria dívida bilionária herdada da fusão anterior com a Discovery.

A Warner reagiu às acusações afirmando que o processo é infundado e que a Paramount “não aumentou o preço e nem abordou as inúmeras e óbvias deficiências de sua oferta. Essa troca de farpas públicas é típica de uma disputa pela Warner Bros que deixou os bastidores discretos para se tornar um espetáculo midiático. O conselho tenta ganhar tempo para estruturar o negócio com a Netflix de forma a torná-lo palatável tanto para os reguladores quanto para os credores.

Impactos no Mercado e nas Ações

A reação do mercado financeiro à disputa pela Warner Bros tem sido de cautela e volatilidade. Na segunda-feira, enquanto as ações da Netflix permaneceram estáveis, refletindo a solidez de seu caixa, os papéis da Warner caíram 1,6%. Por outro lado, as ações da Paramount registraram uma leve alta de 0,4%, sinalizando que o mercado vê com bons olhos a agressividade de Ellison, mas ainda duvida da concretização do negócio.

Investidores de Wall Street observam atentamente cada movimento. A disputa pela Warner Bros é vista como o último grande movimento de consolidação da “velha mídia” com a “nova mídia. Se a Paramount vencer, teremos um gigante híbrido. Se a Netflix levar, será a consagração definitiva do modelo de streaming puro, absorvendo um dos estúdios mais tradicionais da história do cinema.

A questão do endividamento é crucial. A oferta da Paramount, embora maior no valor total, carrega o peso da alavancagem. A oferta da Netflix, agora migrando para o “all-cash”, oferece liquidez imediata, o que é música para os ouvidos de acionistas ansiosos por uma saída rápida. A disputa pela Warner Bros virou, portanto, um cálculo de risco ajustado: vale mais o dinheiro na mão da Netflix ou a promessa de um império reestruturado da Paramount?

O Fator Regulatório e Político

Não se pode analisar a disputa pela Warner Bros sem considerar o ambiente político em Washington. A Comissão Federal de Comércio (FTC) dos EUA tem adotado uma postura rígida contra megafusões que reduzam a competição. A Paramount argumenta que sua oferta é “regulatória superior” porque a combinação Paramount-Warner preservaria mais concorrência no mercado de streaming do que uma absorção da Warner pela líder de mercado, a Netflix.

A disputa pela Warner Bros testará os limites da legislação antitruste. Uma eventual vitória da Netflix criaria uma superpotência de conteúdo com poder de precificação imenso sobre os consumidores. Já a fusão com a Paramount, embora também gigantesca, seria vista como uma consolidação defensiva de dois players menores tentando sobreviver. A Warner tem trabalhado para ajustar a estrutura do negócio com a Netflix para mitigar esses riscos, mas a incerteza regulatória permanece como uma nuvem negra sobre as negociações.

O Valor dos Ativos em Jogo

O que torna a disputa pela Warner Bros tão acirrada é a qualidade inigualável dos ativos. Estamos falando do estúdio que produziu Casablanca e Cidadão Kane. A propriedade intelectual (IP) da DC Comics (Batman, Superman, Mulher-Maravilha) é vista como a única capaz de rivalizar com a Marvel da Disney. Além disso, a marca HBO é sinônimo de qualidade televisiva global.

Tanto a Paramount quanto a Netflix sabem que, em um mundo de fragmentação da audiência, possuir franquias consolidadas é a chave para a retenção de assinantes. A disputa pela Warner Bros é, em última análise, uma corrida armamentista por conteúdo. Quem controlar o acervo da Warner terá munição para dominar o mercado de streaming pelas próximas décadas. Para a Paramount, perder essa disputa pode significar a irrelevância a longo prazo; para a Netflix, vencer seria o “xeque-mate” na concorrência.

Perspectivas para o Desfecho

À medida que o prazo de 21 de janeiro se aproxima, a temperatura da disputa pela Warner Bros deve subir ainda mais. A indicação de novos diretores pela Paramount é uma manobra de alto risco que pode paralisar o conselho da Warner ou forçar uma negociação. A ação em Delaware pode trazer à luz detalhes embaraçosos que a WBD preferiria manter em segredo.

Enquanto isso, a Netflix corre contra o tempo para formalizar sua oferta em dinheiro e apresentar um pacote irrecusável aos acionistas, tentando esvaziar a argumentação jurídica da rival. O mercado aguarda os próximos capítulos desta novela corporativa. O certo é que a disputa pela Warner Bros redefinirá a hierarquia de poder em Hollywood. Seja qual for o resultado, a indústria do entretenimento não será a mesma após o desfecho desta batalha bilionária. A Gazeta Mercantil continuará acompanhando cada detalhe jurídico e financeiro deste que já é considerado o negócio do século no setor de mídia.

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