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Klabin (KLBN11), Technos (TECN3) e mais 3 empresas pagam proventos nesta quarta-feira

Agenda de 19 de agosto reúne três pagamentos de dividendos e dois de juros sobre capital próprio; Banco Banpará tem o maior valor por papel entre as cinco companhias

por Camila Braga
19/08/2026 às 12h25
em Mercados
Klabin (Klbn11) - Gazeta Mercantil

Cinco empresas negociadas na B3 realizam pagamentos de proventos aos acionistas nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026. A agenda reúne Klabin (KLBN11), Technos (TECN3), Banco Mercantil do Brasil (BMEB4), Banco do Estado do Pará — Banpará (BPAR3) e Trevisa (LUXM4), com distribuições que variam de R$ 0,1368 a R$ 3,9030 por papel. Klabin, Technos e Trevisa pagam dividendos, enquanto Banco Mercantil e Banpará remuneram seus acionistas por meio de juros sobre capital próprio, o JCP.

O maior pagamento nominal da agenda é o do Banpará, de R$ 3,9030 por ação BPAR3, seguido pelo Banco Mercantil, com R$ 1,6375 por BMEB4. Os valores, entretanto, não significam que essas sejam necessariamente as ações com maior retorno proporcional, uma vez que a comparação de rentabilidade depende também do preço do ativo utilizado como referência. Outro ponto fundamental para o investidor é que comprar qualquer uma dessas ações nesta quarta-feira não dá direito aos pagamentos realizados hoje: os beneficiários foram definidos pelas respectivas datas de corte, algumas delas ainda em 2025.

Veja os proventos pagos nesta quarta-feira

A Klabin (KLBN11) paga R$ 0,2279 por unit em dividendos aos investidores posicionados na data de corte de 15 de dezembro de 2025. A Technos (TECN3) distribui R$ 0,1641 por ação, com direito definido pela posição acionária de 30 de dezembro de 2025. Já a Trevisa (LUXM4) paga R$ 0,1368 por ação preferencial para quem possuía os papéis em 29 de abril de 2026.

Nos juros sobre capital próprio, o Banco Mercantil (BMEB4) paga R$ 1,6375 por ação preferencial aos acionistas posicionados em 7 de agosto de 2026, enquanto o Banpará (BPAR3) realiza o maior pagamento por papel da agenda, de R$ 3,9030, para quem possuía as ações em 3 de agosto. Diferentemente dos dividendos ordinários dentro das regras aplicáveis, os pagamentos classificados como JCP sofrem retenção de Imposto de Renda na fonte.

Klabin paga R$ 0,2279 por KLBN11

A Klabin (KLBN11) realiza nesta quarta-feira mais uma etapa de seu calendário de remuneração aos acionistas, com pagamento aproximado de R$ 0,2279 por unit. A data de corte foi estabelecida em 15 de dezembro de 2025, de forma que somente os investidores que detinham KLBN11 naquela ocasião participam desta distribuição. As units passaram posteriormente a ser negociadas sem o direito específico ao provento pago agora.

Para dimensionar o pagamento, um acionista que possuía 1.000 units KLBN11 na data estabelecida recebe aproximadamente R$ 227,90. Em uma posição de 5 mil units, o crédito chega a cerca de R$ 1.139,50, enquanto 10 mil units correspondem a aproximadamente R$ 2.279. Esses cálculos não consideram custos relacionados à aquisição das ações e servem apenas para demonstrar o valor proporcional da distribuição.

A data de pagamento é diferente da chamada data-com. O investidor não precisa continuar com as ações em carteira até 19 de agosto para receber o dinheiro: uma vez adquirido o direito na data de corte, a venda posterior do ativo não elimina o provento já atribuído ao acionista. Da mesma forma, quem compra KLBN11 nesta quarta-feira não participa desta distribuição específica.

Technos (TECN3) distribui R$ 0,1641 por ação

A Technos (TECN3) também deposita recursos aos seus acionistas nesta quarta-feira, com pagamento de R$ 0,1641 por ação. O direito foi definido pela posição registrada em 30 de dezembro de 2025, antes de os papéis passarem a ser negociados sem direito a essa parcela. Para quem possuía 1.000 ações TECN3 na data de corte, o pagamento corresponde a aproximadamente R$ 164,10.

Em posições maiores, a diferença torna-se mais perceptível: 5 mil ações representam cerca de R$ 820,50 e uma carteira de 10 mil ações corresponde a aproximadamente R$ 1.641. O valor recebido pelo investidor depende exclusivamente da quantidade de ações elegíveis registrada na data determinada pela companhia e não da posição existente atualmente.

A Technos integra, assim, o grupo de três empresas da agenda de 19 de agosto que distribuem dividendos, ao lado da Klabin e da Trevisa. Embora a distribuição de resultados seja acompanhada de perto por investidores interessados em renda recorrente, um pagamento isolado não deve ser utilizado como único critério para avaliar uma companhia, já que a capacidade futura de geração de caixa, o endividamento, os investimentos e a política de remuneração também interferem na sustentabilidade dos proventos.

Banco Mercantil (BMEB4) paga R$ 1,6375 por ação

O Banco Mercantil do Brasil (BMEB4) apresenta um dos maiores valores por ação desta quarta-feira. A instituição distribui aproximadamente R$ 1,6375 por ação preferencial, na modalidade de juros sobre capital próprio, aos investidores que possuíam os papéis na data de corte de 7 de agosto de 2026.

Um investidor com 1.000 ações BMEB4 elegíveis recebe R$ 1.637,50 em valor bruto. Considerando a retenção de 17,5% aplicável aos juros sobre capital próprio em 2026, o montante líquido estimado fica em aproximadamente R$ 1.350,94. Na mesma proporção, 5 mil ações corresponderiam a R$ 8.187,50 brutos, e 10 mil ações, a R$ 16.375 antes da retenção tributária.

A tributação merece atenção porque houve mudança em relação aos anos anteriores. Até 2025, investidores estavam habituados à retenção de 15% sobre o JCP, mas a alíquota passou a 17,5% em 2026. Como o imposto é descontado na fonte, o valor efetivamente creditado na conta do acionista é inferior ao montante bruto anunciado pela companhia.

Banpará (BPAR3) tem maior pagamento por ação

O Banco do Estado do Pará (BPAR3) lidera a agenda desta quarta-feira quando o critério é exclusivamente o valor nominal distribuído por ação. A instituição paga R$ 3,9030 por BPAR3 em juros sobre capital próprio, com direito assegurado aos acionistas posicionados em 3 de agosto de 2026.

Em uma posição hipotética de 1.000 ações, o pagamento chega a R$ 3.903 brutos. Aplicando uma retenção de 17,5%, o valor líquido estimado é de aproximadamente R$ 3.219,98. Para um investidor que possuía 5 mil ações na data de corte, seriam R$ 19.515 brutos; com 10 mil papéis, R$ 39.030 antes do desconto do imposto.

Embora BPAR3 apresente o maior valor unitário entre os cinco pagamentos desta quarta-feira, não é correto concluir apenas a partir desse número que o Banpará oferece o maior retorno ao acionista. Uma análise comparável exige relacionar o provento ao preço da ação, chegando ao chamado dividend yield, além de considerar a recorrência das distribuições e o desempenho financeiro da companhia.

Trevisa (LUXM4) paga R$ 0,1368 por ação

A Trevisa (LUXM4) completa a relação de empresas com pagamentos programados para 19 de agosto. A companhia distribui aproximadamente R$ 0,1368 por ação preferencial, com data de corte estabelecida em 29 de abril de 2026. Assim como ocorre com Klabin e Technos, o pagamento é classificado como dividendo.

Quem detinha 1.000 ações LUXM4 na data estabelecida recebe aproximadamente R$ 136,80. Uma carteira de 5 mil ações gera cerca de R$ 684, enquanto 10 mil ações correspondem a aproximadamente R$ 1.368. Apesar de ser o menor valor nominal por papel entre as cinco empresas da agenda, a distribuição precisa ser analisada proporcionalmente ao preço da ação para que possa ser comparada adequadamente aos demais pagamentos.

O caso reforça por que o valor absoluto do dividendo não é suficiente para indicar qual ativo entregou maior remuneração. Uma ação com cotação mais baixa pode distribuir menos reais por papel e ainda apresentar um dividend yield superior ao de outra empresa que paga um valor nominal mais elevado.

Quanto recebe quem tem 1.000 ações de cada empresa?

Considerando uma carteira hipotética com 1.000 papéis de cada uma das cinco companhias, desde que todos estivessem na posição do investidor nas respectivas datas de corte, os pagamentos desta quarta-feira somariam R$ 6.069,30 em valores brutos. Klabin contribuiria com cerca de R$ 227,90; Technos, R$ 164,10; Banco Mercantil, R$ 1.637,50; Banpará, R$ 3.903; e Trevisa, R$ 136,80.

Depois de considerar exclusivamente a retenção de 17,5% sobre os pagamentos de JCP do Banco Mercantil e do Banpará, o conjunto cairia para aproximadamente R$ 5.099,72, antes de outras particularidades tributárias que possam atingir determinado investidor. A simulação tem finalidade apenas ilustrativa, porque adquirir 1.000 ações de cada empresa exigiria volumes de capital diferentes e, portanto, não permite comparar diretamente a rentabilidade das cinco posições.

Para medir o retorno de forma adequada, seria necessário calcular quanto cada provento representa sobre o valor investido. Esse indicador é especialmente importante em estratégias de dividendos, pois impede que o investidor confunda um pagamento elevado em reais por ação com uma rentabilidade necessariamente superior.

Quem comprar as ações hoje recebe os proventos?

Não. Todos os pagamentos realizados em 19 de agosto estão vinculados a datas de corte anteriores. No caso de Klabin e Technos, o direito foi definido ainda em dezembro de 2025; para Trevisa, em abril de 2026; e, para Banco Mercantil e Banpará, no início deste mês de agosto.

A data de corte determina quem é considerado beneficiário da distribuição. Depois que o papel passa a ser negociado na condição ex-dividendo ou ex-JCP, um novo comprador não recebe aquele provento específico. Em contrapartida, o investidor que possuía as ações na data-com pode vendê-las posteriormente e continuar tendo direito ao crédito já aprovado.

Essa diferença entre data-com e data de pagamento é relevante principalmente para investidores iniciantes. O anúncio de que determinada companhia “paga dividendos hoje” não significa que seja possível comprar o papel no mesmo dia e receber imediatamente o dinheiro. O direito econômico foi constituído anteriormente e acompanha a posição existente no momento definido pela companhia.

Tributação dos proventos mudou em 2026

O tratamento tributário dos proventos merece atenção especial neste ano. Os juros sobre capital próprio passaram a sofrer retenção de 17,5% de Imposto de Renda na fonte, acima dos 15% tradicionalmente associados ao instrumento. Por isso, os valores anunciados pelo Banco Mercantil e pelo Banpará são brutos, e o crédito efetivamente recebido por pessoas físicas sujeitas à retenção será menor.

No caso dos dividendos, também não é mais tecnicamente correto utilizar de forma irrestrita a antiga afirmação de que qualquer pagamento é sempre isento para pessoas físicas. As regras tributárias vigentes desde 2026 introduziram retenção em determinadas situações envolvendo montantes elevados pagos pela mesma empresa ao mesmo beneficiário no mês, além de mecanismos relacionados à tributação mínima de pessoas físicas de alta renda.

Para a grande maioria dos pequenos investidores que recebe algumas centenas ou poucos milhares de reais em dividendos, os valores individuais observados na agenda desta quarta-feira ficam muito abaixo das faixas que acionam essas regras específicas. Ainda assim, a mudança exige mais cuidado ao explicar a tributação das estratégias de renda passiva no mercado acionário brasileiro.

Agenda reúne diferentes perfis de empresas

Os pagamentos de 19 de agosto também mostram como a distribuição de proventos não está restrita a um único segmento da Bolsa. A agenda reúne uma grande companhia industrial de papel e celulose, uma fabricante de relógios, duas instituições financeiras e uma empresa ligada ao transporte e à navegação.

Essa diversidade também significa que a capacidade de distribuir resultados depende de fatores diferentes em cada negócio. Bancos, por exemplo, precisam observar requisitos de capital e regras prudenciais, enquanto empresas industriais conciliam dividendos com investimentos em expansão, manutenção de ativos e endividamento. Uma empresa pode pagar proventos elevados em determinado exercício e reduzir substancialmente a distribuição no seguinte.

Por isso, investidores que utilizam dividendos como parte de sua estratégia normalmente acompanham não apenas o pagamento atual, mas o histórico de distribuição, o lucro recorrente, a geração de caixa, o payout e a estrutura financeira da empresa. O provento pago nesta quarta-feira representa dinheiro efetivamente entregue ao acionista, mas não constitui, isoladamente, indicação de que determinado papel esteja barato ou seja uma oportunidade de investimento.

A agenda de 19 de agosto de 2026 coloca o Banpará na liderança pelo valor nominal por ação, seguido pelo Banco Mercantil, enquanto Klabin, Technos e Trevisa completam os pagamentos do dia. Para quem já havia garantido o direito nas respectivas datas de corte, o crédito chega agora; para quem avalia comprar esses papéis, os próximos dividendos e JCP dependerão de novas deliberações das companhias.

Fontes:

Klabin — Relações com Investidores e informações corporativas sobre remuneração aos acionistas.

Companhias citadas — comunicados e informações sobre valores, datas de corte e pagamentos de proventos.

Receita Federal — normas e orientações tributárias aplicáveis a dividendos e juros sobre capital próprio em 2026.

Legislação federal — alterações tributárias aplicáveis aos rendimentos distribuídos aos acionistas.

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