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Dólar, 5 de agosto: moeda fecha estável antes de corte da Selic

Dólar à vista encerrou a quarta-feira a R$ 5,1282, com queda de 0,05%, após oscilar entre R$ 5,0989 e R$ 5,1342; Copom reduziu a Selic para 14% depois do fechamento do câmbio.

por Camila Braga
05/08/2026 às 19h34
em Dólar
Dólar - Gazeta Mercantil

O dólar comercial fechou praticamente estável nesta quarta-feira, 5 de agosto de 2026, em uma sessão marcada pela fraqueza da moeda norte-americana no exterior, pela cautela com o cenário eleitoral brasileiro e pela expectativa em torno da decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central.

A moeda norte-americana encerrou as negociações no mercado à vista a R$ 5,1282, com recuo de 0,05%. Durante o pregão, a cotação variou entre a mínima de R$ 5,0989 e a máxima de R$ 5,1342. Na terça-feira, o dólar havia fechado a R$ 5,1309, depois de subir 0,86%.

O mercado de câmbio encerrou as operações antes da divulgação da decisão do Copom. Depois do fechamento, o Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e representou o quarto corte consecutivo promovido pelo comitê desde março.

A resposta mais completa dos ativos brasileiros ao comunicado do Banco Central deverá aparecer na abertura dos mercados na quinta-feira, 6 de agosto. A reação dependerá não apenas do corte, amplamente esperado, mas também da interpretação dos investidores sobre o espaço para novas reduções da Selic nas próximas reuniões.

Dólar hoje em números

  • Cotação de fechamento: R$ 5,1282
  • Variação: queda de 0,05%
  • Abertura: R$ 5,1149
  • Máxima do dia: R$ 5,1342
  • Mínima do dia: R$ 5,0989
  • Fechamento anterior: R$ 5,1309
  • Horário de fechamento da apuração: 17h09, aproximadamente
  • Dólar futuro para setembro: R$ 5,1600, com alta de 0,05%
  • Índice DXY: 99,711 pontos, com queda de 0,15% perto do fechamento brasileiro

O que movimentou o dólar hoje

O dólar iniciou a sessão em queda, acompanhando a desvalorização da moeda norte-americana no mercado internacional. Na abertura, a cotação à vista recuava 0,31%, a R$ 5,1149, enquanto o índice DXY também operava em baixa.

Durante a manhã, a moeda chegou a ser negociada abaixo de R$ 5,10. O movimento perdeu força ao longo do dia, e o dólar voltou a se aproximar de R$ 5,13 durante a tarde. A recuperação intradiária ocorreu mesmo com a manutenção de um ambiente externo relativamente favorável às moedas emergentes.

A oscilação mostrou que os fatores domésticos limitaram o potencial de valorização do real. O mercado acompanhou novas pesquisas sobre a eleição presidencial de 2026 e a definição do deputado Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro.

Participantes do mercado relacionaram a recuperação do dólar durante o dia à cautela com o processo eleitoral e seus possíveis efeitos sobre as expectativas fiscais. A percepção de que a disputa presidencial permanecerá competitiva tende a elevar a procura por instrumentos de proteção cambial, principalmente à medida que se aproxima o período oficial de campanha.

O movimento, porém, não configurou uma alta relevante da moeda norte-americana. O fechamento negativo de 0,05% mostrou um mercado dividido entre o enfraquecimento global do dólar e os prêmios de risco associados ao cenário político e fiscal brasileiro.

Copom corta a Selic para 14% após o fechamento

O principal evento doméstico da sessão ocorreu depois do encerramento do mercado de câmbio. O Copom decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, em linha com a projeção predominante entre instituições financeiras.

A taxa básica havia alcançado 15% ao ano em 2025 e começou a ser reduzida em março de 2026. Com a decisão desta quarta-feira, o Banco Central completou quatro cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.

Apesar da flexibilização, a política monetária brasileira permanece em terreno restritivo. O Banco Central indicou que continuará avaliando a evolução da inflação, da atividade econômica, das expectativas e do cenário externo antes de definir os próximos passos.

A redução da Selic pode diminuir gradualmente o diferencial de juros entre o Brasil e outras economias. Esse diferencial é um dos fatores que sustentam operações de aplicação em ativos brasileiros financiadas em moedas com juros menores, conhecidas como estratégias de carry trade.

Uma redução mais rápida dos juros poderia, isoladamente, retirar parte do suporte oferecido ao real. O efeito efetivo sobre o câmbio, entretanto, depende da comunicação do Banco Central, das expectativas de inflação, do risco fiscal e da trajetória dos juros norte-americanos.

Como a decisão foi publicada depois do fechamento, a cotação de R$ 5,1282 não incorporou integralmente o comunicado do Copom. A primeira reação direta deverá ocorrer no pregão de quinta-feira.

Dólar perde força no exterior

No mercado internacional, o dólar apresentou queda diante de uma cesta de seis moedas fortes. Por volta das 17h, o índice DXY recuava 0,15%, aos 99,711 pontos, depois de atingir mínima de 99,628 pontos.

O movimento ocorreu após a divulgação de dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O relatório da ADP mostrou a criação de 44 mil vagas no setor privado norte-americano em julho, abaixo da expectativa de 75 mil postos.

A leitura reforçou a avaliação de desaceleração do mercado de trabalho, embora um único indicador não seja suficiente para determinar a trajetória dos juros dos Estados Unidos. Os investidores aguardam o relatório oficial de emprego, o payroll, previsto para sexta-feira, 7 de agosto.

Dados de emprego abaixo das expectativas podem reduzir a pressão para uma política monetária mais restritiva pelo Federal Reserve. Juros norte-americanos mais baixos ou expectativas de redução das taxas tendem a limitar a valorização global do dólar e podem beneficiar moedas de países emergentes.

A divulgação do payroll será relevante para as projeções sobre a próxima decisão do Federal Reserve e para o comportamento dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano.

Petróleo reduz influência sobre o real

Os preços do petróleo apresentaram oscilações mais moderadas nesta quarta-feira, depois de movimentos mais intensos nas sessões anteriores. O contrato do Brent para outubro encerrou o dia em alta de 0,11%, a US$ 79,45 por barril.

A commodity reagiu às negociações relacionadas ao Estreito de Ormuz e a novos relatos de ataques no Oriente Médio. A possibilidade de reabertura da rota marítima reduziu parte dos temores sobre o abastecimento, mas as tensões geopolíticas impediram um recuo mais consistente das cotações.

O petróleo pode afetar o real por diferentes canais. Preços mais elevados podem melhorar as receitas de exportadores brasileiros e aumentar a entrada de dólares pela balança comercial. Ao mesmo tempo, choques muito fortes podem ampliar a inflação global, elevar a aversão ao risco e pressionar moedas emergentes.

Na sessão desta quarta-feira, o comportamento relativamente estável do Brent limitou a influência direta da commodity sobre o câmbio brasileiro.

Dólar futuro e Ibovespa

Na B3, o contrato de dólar futuro para setembro, o mais líquido, era negociado a R$ 5,1600 por volta das 17h09, com avanço de 0,05%. O valor do contrato futuro não deve ser confundido com a cotação do dólar comercial à vista, pois os dois mercados possuem características e datas de liquidação diferentes.

O Ibovespa fechou em queda de 0,09%, aos 177.726,17 pontos. O índice chegou a operar em alta durante boa parte do pregão, mas perdeu força no fim da sessão, pressionado por ações de maior peso e pela cautela antes do Copom.

Os ativos brasileiros apresentaram movimentos moderados porque o corte de 0,25 ponto percentual já estava amplamente incorporado às expectativas. O principal elemento para a formação dos preços passou a ser a sinalização do Banco Central sobre a continuidade ou eventual interrupção do ciclo de redução dos juros.

O que acompanhar no próximo pregão

Na quinta-feira, o mercado cambial deverá reagir ao comunicado completo do Copom e à redução da Selic para 14% ao ano. Investidores avaliarão se o Banco Central manteve espaço para outro corte em setembro ou se adotou uma comunicação mais dependente da divulgação de novos indicadores.

A evolução das pesquisas eleitorais e das propostas econômicas dos candidatos também permanecerá no radar. O impacto sobre o câmbio dependerá principalmente das avaliações sobre política fiscal, trajetória da dívida pública e compromisso com o controle das despesas.

No exterior, as atenções continuarão concentradas nos indicadores do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O payroll de sexta-feira poderá alterar as expectativas para os juros norte-americanos e provocar novos movimentos no dólar, nos Treasuries e nas moedas emergentes.

Também devem ser acompanhados o comportamento do petróleo, as negociações envolvendo o Estreito de Ormuz e o desempenho do índice DXY. Esses fatores podem alterar a direção do câmbio mesmo após a decisão do Banco Central brasileiro.

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