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Dolar Hoje recua com foco na ata do Copom e nos dados da indústria

por Camila Braga
03/02/2026 às 09h42
em Dólar
Dolar Hoje - Gazeta Mercantil

Dolar Hoje recua com foco na ata do Copom e em dados da indústria no Brasil e nos EUA

O Dolar Hoje iniciou a sessão desta terça-feira em trajetória de queda no mercado brasileiro, refletindo um ambiente de maior cautela dos investidores diante da divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), de novos dados da produção industrial doméstica e de indicadores relevantes da economia internacional. Logo na abertura, a moeda americana recuava 0,27%, sendo negociada a R$ 5,2415, em um movimento alinhado à leitura de que o ciclo de aperto monetário no Brasil pode estar próximo do fim.

A dinâmica do Dolar Hoje também é influenciada por fatores externos, como a postergação de indicadores do mercado de trabalho nos Estados Unidos, a oscilação das bolsas globais e as expectativas em torno das decisões de política monetária dos principais bancos centrais. O cenário combina fundamentos domésticos relativamente mais favoráveis com um ambiente internacional ainda marcado por incertezas.

Leia também: Ibovespa hoje reage a dados dos EUA e prévia do PIB brasileiro.

Ata do Copom orienta expectativas para juros e câmbio

No centro das atenções do mercado local está a ata da última reunião do Copom. O documento é analisado minuciosamente por investidores em busca de sinais sobre o início de um ciclo de cortes na taxa Selic, atualmente fixada em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas.

A leitura predominante é que, caso a autoridade monetária confirme uma postura mais flexível a partir de março, o impacto sobre o Dolar Hoje tende a ser relevante. Juros elevados historicamente sustentam a atratividade do real, mas a sinalização de cortes pode provocar ajustes nas posições cambiais, sobretudo em um contexto de melhora gradual das expectativas inflacionárias.

Produção industrial reforça leitura de desaceleração econômica

Outro fator que pesa sobre o Dolar Hoje são os dados da produção industrial de dezembro. As projeções apontam avanço de 0,8% na comparação mensal e crescimento de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, os números confirmam um cenário de atividade econômica moderada, longe de uma retomada robusta.

A desaceleração da indústria limita pressões inflacionárias, o que reforça o argumento para uma política monetária menos restritiva no médio prazo. Esse conjunto de fatores contribui para a leitura de um ambiente mais previsível para o câmbio no curto prazo, ainda que sujeito a choques externos.

Boletim Focus melhora expectativas e influencia o Dolar Hoje

O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, trouxe uma leve melhora nas expectativas do mercado para a inflação. A projeção para o IPCA de 2026 foi revisada de 4% para 3,99%, a primeira vez desde o fim de 2024 que a estimativa fica abaixo do patamar de 4%.

Essa revisão tem impacto direto sobre o Dolar Hoje, pois sinaliza maior credibilidade da política monetária e menor risco de desancoragem das expectativas. Para os anos seguintes, as projeções permanecem estáveis, com inflação estimada em 3,8% para 2027 e 3,5% entre 2028 e 2029.

Selic elevada ainda sustenta o real

Apesar da expectativa de cortes futuros, a Selic segue em nível elevado, o que continua favorecendo o fluxo de capital estrangeiro para ativos brasileiros. Esse diferencial de juros é um dos principais fatores que explicam o comportamento mais contido do Dolar Hoje no início de 2026, mesmo em um ambiente global de maior aversão ao risco.

As projeções indicam que a taxa básica deve encerrar 2026 em 12,25% ao ano, o que ainda representa um patamar elevado em termos históricos. Para 2027, a expectativa é de 10,50% ao ano, sinalizando um processo gradual de normalização monetária.

PIB e fundamentos domésticos no radar

No campo da atividade econômica, o mercado manteve a projeção de crescimento do PIB em 1,80% para 2026, abaixo da estimativa de cerca de 2,25% para 2025. O ritmo mais lento de crescimento reforça a percepção de que o Brasil enfrenta desafios estruturais, mas também reduz riscos inflacionários, o que influencia diretamente a formação do Dolar Hoje.

Além disso, após a moeda americana ter recuado mais de 11% no ano anterior, encerrando 2025 em R$ 5,4887, os economistas projetam que o dólar termine 2026 próximo de R$ 5,50. Esse patamar sugere relativa estabilidade cambial no médio prazo, apesar da volatilidade de curto prazo.

PMI do Brasil indica retração persistente da indústria

Os dados do Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria brasileira reforçam um cenário de fraqueza do setor. O indicador recuou de 47,6 pontos em dezembro para 47,0 pontos em janeiro, permanecendo abaixo da linha de 50 pontos, que separa expansão de contração.

Essa deterioração das condições industriais pressiona a atividade econômica e pode influenciar o Dolar Hoje ao reduzir expectativas de crescimento mais acelerado. A queda foi puxada principalmente pela redução da demanda interna e externa, além da falta de novos projetos e da estratégia das empresas de manter estoques enxutos.

Bens de capital lideram queda e afetam perspectivas

Entre os segmentos industriais, os bens de capital — como máquinas e equipamentos — registraram a retração mais acentuada. Esse movimento é interpretado como sinal de cautela das empresas em relação a investimentos futuros, o que reforça um cenário de crescimento contido.

Para o mercado cambial, esse quadro limita pressões sobre o Dolar Hoje, uma vez que reduz a necessidade de importações e, consequentemente, a demanda por moeda estrangeira no curto prazo.

Indústria dos EUA surpreende, mas inflação segue no radar

No cenário externo, a indústria dos Estados Unidos voltou a crescer em janeiro pela primeira vez em um ano. O PMI da manufatura subiu para 52,6 pontos, superando com folga as expectativas do mercado e alcançando o melhor nível desde agosto de 2022.

Apesar da melhora, os custos de produção continuam elevados, refletidos no aumento do índice de preços pagos pelas empresas. Esse fator mantém a inflação acima da meta do Federal Reserve e influencia diretamente o comportamento do Dolar Hoje, ao sustentar uma política monetária mais restritiva nos EUA por mais tempo.

Emprego industrial americano ainda é um desafio

Mesmo com a recuperação pontual da atividade, o emprego industrial nos Estados Unidos segue fraco. Ao longo de 2025, o setor perdeu cerca de 68 mil vagas, o que indica que a retomada ainda não é consistente.

Esse quadro misto da economia americana gera volatilidade nos mercados globais e impacta o Dolar Hoje, especialmente por meio das expectativas em torno dos juros americanos e do fluxo de capitais para mercados emergentes.

Bolsas globais oscilam em ambiente de cautela

As bolsas de Wall Street iniciaram a semana com volatilidade, mas encerraram o pregão em alta, impulsionadas principalmente por empresas de tecnologia e inteligência artificial. O desempenho positivo ajudou a reduzir a aversão ao risco, o que favorece moedas de países emergentes e contribui para a queda do Dolar Hoje.

Na Europa, os principais índices também avançaram, enquanto as bolsas asiáticas fecharam em forte queda, pressionadas pela desvalorização das commodities e por indicadores fracos da economia chinesa.

Commodities e China influenciam o câmbio

A queda das bolsas asiáticas e o desempenho negativo de algumas commodities adicionam um elemento de cautela ao mercado. A China, como principal parceiro comercial do Brasil, exerce influência relevante sobre o Dolar Hoje, especialmente por meio dos preços de exportação e do fluxo comercial.

Indicadores fracos da economia chinesa tendem a pressionar moedas de países exportadores de commodities, embora esse efeito tenha sido parcialmente compensado pelo ambiente doméstico mais favorável no Brasil.

A leitura do mercado para o Dolar Hoje

No conjunto, o comportamento do Dolar Hoje reflete um equilíbrio delicado entre fatores internos e externos. No Brasil, juros elevados, melhora das expectativas inflacionárias e estabilidade institucional oferecem suporte ao real. No exterior, a política monetária americana e o desempenho da economia global seguem como principais vetores de risco.

A tendência de curto prazo aponta para um dólar mais contido, mas sujeito a oscilações conforme novos dados econômicos e sinais dos bancos centrais forem divulgados.

Câmbio como termômetro da política econômica

O Dolar Hoje funciona como um termômetro da confiança dos investidores na política econômica brasileira. Movimentos mais bruscos costumam refletir mudanças na percepção de risco fiscal, monetário ou político. No momento, a leitura predominante é de cautela construtiva, com o mercado atento à consistência das decisões do Banco Central e à evolução do cenário internacional.

Mercado atento aos próximos indicadores

Ao longo da semana, novos dados econômicos devem calibrar as expectativas e influenciar o Dolar Hoje, incluindo indicadores de atividade, inflação e sinalizações adicionais da autoridade monetária brasileira e do Federal Reserve.

A forma como esses elementos se combinarem determinará se o movimento de queda observado no início do dia terá continuidade ou se dará lugar a ajustes mais defensivos no mercado cambial.

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