Dólar hoje recua com mercado atento à liquidação da Reag e tensão entre Trump e Fed
O mercado cambial brasileiro iniciou as negociações desta quinta-feira (15) exibindo um movimento de correção e ajuste técnico, descolando-se parcialmente da volatilidade observada no fechamento anterior. O Dólar hoje opera em terreno negativo ante o real, refletindo uma complexa interação entre fatores domésticos de regulação financeira e um cenário externo marcado por incertezas geopolíticas e institucionais nos Estados Unidos. A moeda norte-americana, que vinha testando patamares psicológicos importantes acima dos R$ 5,40, encontrou espaço para alívio, monitorando de perto a atuação firme do Banco Central do Brasil.
Para o investidor que acompanha a cotação do Dólar hoje, o dia é de digestão de notícias corporativas de alto impacto e de recalibragem de expectativas quanto à política monetária global. A liquidação extrajudicial da gestora Reag, determinada pela autoridade monetária brasileira, divide as atenções com os ruídos cada vez mais intensos vindos de Washington, onde o embate entre o executivo e o Federal Reserve ganha novos contornos.
A dinâmica do Dólar hoje e a intervenção no caso Reag
A cotação do Dólar hoje reflete, em primeira instância, a reação dos agentes financeiros à mão pesada do Banco Central (BC) sobre a Reag Investimentos. A decisão de decretar a liquidação extrajudicial da gestora, anunciada pela manhã, trouxe um componente de cautela, mas também de segurança institucional ao mercado. Embora eventos de liquidação possam gerar ruídos de curto prazo sobre a saúde do sistema, a leitura predominante é a de que o regulador está vigilante, o que tende a preservar a higidez do mercado financeiro nacional.
Às 9h05, o Dólar hoje no mercado à vista registrava queda de 0,24%, sendo negociado a R$ 5,3885 na venda. Esse movimento de baixa ocorre após a divisa ter encerrado a sessão de quarta-feira cotada a R$ 5,4012, com uma alta de 0,47%. A correção observada nesta manhã sugere que o mercado absorveu o impacto inicial das notícias locais e busca um ponto de equilíbrio. Na B3, o contrato de dólar futuro para fevereiro (DOLc1), que atualmente concentra a maior liquidez no Brasil, acompanhava a tendência do mercado à vista, cedendo 0,22%, cotado a R$ 5,4060.
A influência do caso Reag no Dólar hoje se dá pela percepção de risco sistêmico versus risco isolado. Quando o BC atua com celeridade para liquidar uma instituição com problemas, ele evita o contágio. Isso, paradoxalmente, pode fortalecer a moeda local ao demonstrar a robustez das instituições reguladoras brasileiras, atraindo ou, ao menos, retendo capital que busca segurança jurídica.
O cenário externo: Trump, Powell e a volatilidade cambial
Enquanto o cenário doméstico lida com questões de supervisão bancária, o comportamento do Dólar hoje é fortemente influenciado pelas manchetes internacionais. O atrito constante entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o chair do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, continua sendo um vetor de instabilidade. A independência do banco central americano é um pilar da economia global, e qualquer ameaça a essa autonomia gera ondas de choque que atingem moedas de países emergentes, como o real.
Investidores globais monitoram o Dólar hoje sob a ótica da geopolítica. Trump tem intensificado suas críticas à política de juros do Fed, defendendo taxas mais baixas para estimular a economia, enquanto Powell mantém uma postura técnica focada no combate à inflação. Essa divergência cria um cenário de incerteza sobre a trajetória futura dos Treasuries (títulos do tesouro americano). Quando os juros americanos sobem ou a incerteza aumenta, há uma tendência natural de fuga de capitais para a segurança do dólar, pressionando a cotação. No entanto, nesta quinta-feira, a moeda americana apresenta sinais mistos ante divisas de países emergentes, o que favorece o alívio observado no câmbio local.
Além disso, o Dólar hoje reage aos dados de atividade econômica nos EUA e na China. A percepção de que a economia americana pode estar desacelerando suavemente (soft landing), sem entrar em recessão profunda, ajuda a retirar parte do prêmio de risco embutido na moeda. Contudo, o “risco Trump” permanece no radar, especialmente com a proximidade de novos ciclos eleitorais e debates sobre o teto da dívida americana.
Atuação do Banco Central: Leilão de Swap Cambial
Outro fator determinante para a formação de preço do Dólar hoje é a atuação direta do Banco Central do Brasil no mercado de câmbio. A autoridade monetária agendou para as 11h30 a realização de um leilão de até 16.000 contratos de swap cambial tradicional. Essa operação tem como objetivo a rolagem do vencimento programado para o dia 2 de fevereiro de 2026.
Para quem opera ou precisa comprar moeda, entender a mecânica do swap é essencial para prever o movimento do Dólar hoje. O swap cambial funciona como uma venda de dólares no mercado futuro. Ao realizar esses leilões, o BC oferece proteção cambial (hedge) aos investidores e empresas que possuem dívidas em moeda estrangeira, sem precisar queimar suas reservas internacionais físicas. a oferta de liquidez através dos swaps ajuda a suavizar a volatilidade e evitar movimentos abruptos e especulativos na cotação. A simples presença do BC no mercado, garantindo a rolagem de posições, traz tranquilidade aos players, contribuindo para a queda observada na abertura dos negócios.
Análise Técnica: Suportes e Resistências do Dólar hoje
Do ponto de vista da análise técnica, o comportamento do Dólar hoje é crucial para definir a tendência de curto prazo. A barreira dos R$ 5,40 se consolidou como uma resistência psicológica e técnica relevante. O fato de a moeda ter recuado para a casa dos R$ 5,38 logo na abertura indica que há uma força vendedora defendendo esse teto.
Analistas gráficos apontam que, se o Dólar hoje fechar consistentemente abaixo de R$ 5,38, poderá abrir espaço para testar suportes mais baixos, na região de R$ 5,35 e, posteriormente, R$ 5,30. Por outro lado, qualquer novidade negativa vinda do exterior ou ruídos fiscais em Brasília podem fazer a moeda retomar o fôlego e buscar novamente os R$ 5,42 ou R$ 5,45. A volatilidade intradia é uma característica marcante do atual momento, exigindo cautela nas operações de day trade e nas remessas corporativas.
A correlação do Dólar hoje com os juros futuros (DI) também deve ser observada. Geralmente, quando a curva de juros no Brasil empina (sobe), o dólar tende a se valorizar devido à percepção de risco fiscal. Hoje, com o dólar em queda, é provável que vejamos um alívio também na curva de juros, criando um círculo virtuoso momentâneo para os ativos de risco brasileiros, incluindo a Bolsa de Valores.
O impacto na economia real e no comércio exterior
A flutuação do Dólar hoje não afeta apenas o mercado financeiro, mas tem implicações diretas na economia real. Para os exportadores brasileiros, especialmente do agronegócio e da mineração, um dólar levemente mais baixo pode reduzir margens em reais, embora a demanda global continue sendo o principal driver. Já para os importadores e para a indústria que depende de insumos estrangeiros, o recuo do Dólar hoje é uma notícia alvissareira, pois ajuda a controlar os custos de produção e, consequentemente, a inflação.
A inflação, aliás, é o ponto central da política econômica. Um Dólar hoje mais comportado ajuda o Banco Central a manter a convergência da inflação para a meta, retirando pressão sobre os preços dos combustíveis e alimentos cotados internacionalmente. Portanto, o recuo da moeda americana é visto com bons olhos pela equipe econômica do governo, que busca aliar crescimento com estabilidade de preços.
Entretanto, a sustentabilidade dessa queda do Dólar hoje depende de fatores estruturais. O mercado aguarda definições sobre o arcabouço fiscal e o cumprimento das metas de déficit primário. A liquidação da Reag, embora seja um evento microeconômico, insere-se nesse contexto de credibilidade. Se o mercado perceber que as instituições funcionam e que as regras são respeitadas, o prêmio de risco país diminui, favorecendo a valorização do real no longo prazo.
Perspectivas para o fechamento do mercado
À medida que o pregão avança, a liquidez tende a aumentar, especialmente com a abertura das bolsas em Nova York. O comportamento do Dólar hoje na parte da tarde será ditado pelo fluxo de capital estrangeiro e pela confirmação (ou não) dos dados econômicos nos EUA.
Se os atritos entre Trump e Powell não escalarem para declarações mais contundentes e se a liquidação da Reag for absorvida sem descobertas de novos problemas sistêmicos, a tendência é que o Dólar hoje encerre o dia no vermelho, consolidando o movimento de correção. O mercado de derivativos, onde operam os grandes hedge funds, já precifica uma estabilidade relativa, mas a cautela é a palavra de ordem.
Investidores devem ficar atentos também ao fechamento da Ptax (taxa média de câmbio calculada pelo BC), que servirá de referência para a liquidação de contratos futuros. A disputa pela formação da Ptax costuma trazer volatilidade adicional ao Dólar hoje no final da manhã e início da tarde.
Em resumo, o recuo do Dólar hoje é uma resposta multifatorial. Ele combina a reação positiva à firmeza regulatória do BC no caso Reag, a atuação técnica via leilão de swap e um ambiente externo que, apesar de tenso politicamente, oferece janelas de oportunidade para moedas emergentes. A cotação abaixo de R$ 5,40 é um sinal de resiliência do real, mas o cenário exige monitoramento constante.
Para quem precisa comprar moeda para viagens ou compromissos internacionais, acompanhar a evolução do Dólar hoje minuto a minuto é essencial. As janelas de baixa podem ser oportunidades de compra parcial, seguindo a estratégia de preço médio. Já para tesourarias de empresas, o momento sugere a manutenção de proteções cambiais (hedge), dado que a volatilidade geopolítica dificilmente desaparecerá no curto prazo.
A Gazeta Mercantil continuará acompanhando os desdobramentos da liquidação da Reag e as tensões em Washington para trazer a análise mais completa sobre o Dólar hoje e seus impactos no seu patrimônio e nos seus negócios. Acompanhe nossas atualizações para entender para onde vai a moeda mais importante do mundo e como ela afeta o Brasil.






