terça-feira, 18 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Mundo

Economia da Rússia entra em fase crítica após quatro anos de guerra, aponta estudo europeu

Reservas soberanas encolhem, receitas de petróleo despencam e dependência da China cresce em meio ao conflito na Ucrânia.

por Eduardo Toscano
12/06/2026 às 20h43
em Mundo
Economia Da Rússia Entra Em Fase Crítica Após Quatro Anos De Guerra, Aponta Estudo Europeu-Gazeta Mercantil

A economia da Rússia entrou em uma fase de maior vulnerabilidade após mais de quatro anos de guerra contra a Ucrânia, segundo estudo divulgado pelos institutos Instituto Kiel para a Economia Mundial (IfW), da Alemanha, e Instituto de Estocolmo para Economias de Transição (SITE), da Suécia. De acordo com o levantamento, as reservas financeiras acumuladas por Moscou para enfrentar sanções e choques externos foram amplamente consumidas desde o início do conflito, enquanto o crescimento econômico desacelera e a dependência em relação à China se intensifica.

O relatório, publicado nesta semana, sustenta que a economia russa demonstrou capacidade de resistência acima das expectativas nos primeiros anos da guerra, mas afirma que os mecanismos que sustentaram essa resiliência começam a mostrar sinais de esgotamento.

Segundo os pesquisadores, o governo russo utilizou de forma significativa seus recursos soberanos para financiar gastos públicos, apoiar a indústria de defesa e compensar parte dos efeitos provocados pelas sanções impostas pelos países ocidentais desde 2022.

Agora, porém, o espaço fiscal estaria mais limitado, ao mesmo tempo em que surgem dificuldades estruturais relacionadas à mão de obra, tecnologia e capacidade produtiva.

Fundo soberano perde força e déficit avança

Um dos principais indicadores destacados pelo estudo é a redução dos ativos líquidos do fundo soberano russo.

De acordo com os dados apresentados, o volume de recursos disponíveis caiu de 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no início da guerra para apenas 1,8% em abril deste ano.

A redução reflete o uso contínuo das reservas para sustentar despesas públicas em meio ao prolongamento do conflito.

O relatório aponta ainda que o déficit orçamentário acumulado no primeiro trimestre já ultrapassou a meta estabelecida pelo governo russo para todo o ano de 2026.

O aumento dos gastos militares e a desaceleração das receitas ligadas à exportação de energia contribuíram para pressionar as contas públicas.

A situação é acompanhada com atenção por investidores internacionais e analistas geopolíticos, uma vez que a capacidade financeira do Estado russo tem sido um dos pilares para sustentar o esforço de guerra desde a invasão em larga escala da Ucrânia.

Receitas de petróleo e gás perdem fôlego

Outro ponto de preocupação identificado pelos pesquisadores é a queda das receitas provenientes do petróleo e do gás natural, historicamente responsáveis por parcela relevante do orçamento federal russo.

Segundo o estudo, a arrecadação relacionada ao setor energético recuou 45% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A redução decorre de uma combinação de fatores, incluindo sanções internacionais, mudanças nos fluxos comerciais globais e descontos oferecidos pela Rússia para manter suas exportações em mercados alternativos.

Embora a recente alta das cotações internacionais do petróleo, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, possa gerar algum alívio temporário, os pesquisadores consideram improvável que esse movimento seja suficiente para reverter as pressões estruturais enfrentadas pela economia russa.

A dependência das commodities energéticas continua sendo um dos principais desafios para Moscou, especialmente em um cenário de restrições comerciais e reconfiguração dos mercados globais de energia.

Escassez de mão de obra limita expansão econômica

Além das dificuldades fiscais, os especialistas afirmam que a Rússia enfrenta gargalos estruturais que dificultam uma retomada mais robusta da atividade econômica.

O relatório destaca que o principal obstáculo atual não é a disponibilidade de recursos financeiros, mas a escassez de trabalhadores qualificados, tecnologia e capacidade produtiva.

A mobilização militar prolongada, o envelhecimento populacional e a saída de profissionais qualificados do país desde o início da guerra reduziram a oferta de mão de obra em diversos setores da economia.

Ao mesmo tempo, as restrições impostas ao acesso a tecnologias ocidentais dificultam investimentos e ganhos de produtividade.

Segundo os autores do estudo, mesmo que o governo amplie os gastos públicos para estimular a atividade econômica, existe o risco de aumento das pressões inflacionárias devido às limitações da capacidade produtiva.

O mercado de trabalho russo opera atualmente próximo de níveis históricos de escassez, cenário que tende a elevar salários e custos para empresas.

China amplia influência sobre a economia russa

A crescente aproximação econômica entre Moscou e Pequim é apontada como uma das principais consequências do isolamento imposto pelas sanções ocidentais.

Segundo o levantamento, a China já responde por aproximadamente 35% do comércio exterior russo e se tornou a principal fornecedora de bens estratégicos para a economia do país.

O estudo indica que empresas chinesas passaram a desempenhar papel central no fornecimento de equipamentos, componentes eletrônicos e tecnologias que deixaram de chegar à Rússia por canais tradicionais após a adoção das sanções.

Os pesquisadores afirmam ainda que cerca de três quartos do crescimento das importações russas de componentes sujeitos a restrições internacionais desde 2022 tiveram origem na China.

Esse movimento fortaleceu os laços econômicos entre os dois países, mas também ampliou a influência de Pequim sobre Moscou.

Na avaliação dos autores, a Rússia tornou-se mais dependente do apoio comercial, tecnológico e financeiro chinês, enquanto a China preserva maior capacidade de negociação dentro da relação bilateral.

Ocidente avalia novas formas de ampliar pressão econômica

O estudo argumenta que a atual situação econômica da Rússia pode abrir espaço para novas iniciativas dos países ocidentais destinadas a aumentar os custos do esforço de guerra.

Entre as medidas sugeridas estão o fortalecimento das restrições contra a chamada “frota fantasma”, conjunto de embarcações utilizado para transportar petróleo russo e contornar limitações impostas pelos países que aderiram às sanções.

Os pesquisadores também defendem controles mais rígidos sobre exportações de componentes considerados estratégicos e maior fiscalização de empresas que possam atuar como intermediárias no fornecimento de produtos sujeitos a restrições.

Outra proposta apresentada envolve a criação de tarifas específicas sobre o comércio remanescente entre a União Europeia e a Rússia.

Segundo os dados do relatório, as trocas comerciais entre os dois lados movimentaram cerca de 57,2 bilhões de euros em 2025.

A sugestão prevê a cobrança de tarifas entre 30% e 50% sobre importações e exportações, com os recursos arrecadados destinados ao financiamento de programas de apoio à Ucrânia.

De acordo com as estimativas dos institutos, a medida poderia gerar entre 11 bilhões e 16 bilhões de euros anuais.

Guerra prolongada amplia incertezas sobre o futuro econômico russo

Mais de quatro anos após o início da invasão em larga escala da Ucrânia, a economia da Rússia continua operando sob forte influência do conflito.

Embora Moscou tenha conseguido evitar um colapso imediato após a imposição das sanções internacionais, o cenário descrito pelos pesquisadores sugere que os custos econômicos da guerra se acumulam de forma crescente.

A combinação entre redução das reservas financeiras, queda das receitas energéticas, escassez de mão de obra e aumento da dependência da China cria um ambiente mais complexo para a condução da política econômica russa.

Ao mesmo tempo, a continuidade dos combates e a ausência de perspectivas concretas para uma solução negociada mantêm elevadas as incertezas sobre a trajetória da segunda maior economia da Europa.

Com cerca de um quinto do território ucraniano sob controle russo e sem sinais imediatos de encerramento do conflito, a capacidade de Moscou de sustentar simultaneamente os custos militares e a estabilidade econômica deverá permanecer no centro das atenções dos mercados internacionais e dos formuladores de política econômica nos próximos anos.

Tags: Chinadéficit fiscaleconomia da Rússiagás naturalguerra na UcrâniaMoscouMundoPetróleoRússiasanções econômicasUnião Europeia

LEIA MAIS

Navio Sonda Da Petrobras - Gazeta Mercantil
Empresas

Petrobras encontra hidrocarbonetos na Margem Equatorial e PETR4 sobe; veja o que falta para virar produção

A Petrobras (PETR3; PETR4) começou a semana em alta na Bolsa depois de confirmar a identificação de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da...

Leia MaisDetails
Ibovespa Hoje - B3 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa hoje tenta encerrar série de 9 quedas com IBC-Br, eleições e Casas Bahia no radar

O Ibovespa (IBOV) tenta interromper nesta segunda-feira (17) uma sequência de nove pregões consecutivos de queda, mas opera sem direção firme diante de uma combinação de desaceleração da...

Leia MaisDetails
Nasa Conclui Artemis Ii, Primeiro Voo Tripulado À Lua Em 50 Anos, E Avança Para Base Com Gelo E Hélio-3-Gazeta Mercantil
Mundo

Após Artemis II, NASA acelera corrida por água lunar enquanto hélio-3 e datacenters orbitais ganham espaço

A conclusão da missão Artemis II em abril de 2026 colocou seres humanos novamente na vizinhança da Lua pela primeira vez desde a era Apollo e abriu uma...

Leia MaisDetails
Eua E Japão Avançam Com Mina Submarina Mais Profunda Do Mundo Para Quebrar Monopólio Chinês De Terras Raras-Gazeta Mercantil
Economia

EUA e Japão aceleram mineração de terras raras a 6 mil metros para reduzir dependência da China

Estados Unidos e Japão formalizaram uma nova frente de cooperação para desenvolver minerais críticos no fundo do Pacífico, com foco na lama rica em terras raras encontrada na...

Leia MaisDetails
Petroleiras Somam Perto De Us$ 90 Bilhões Em Resultados Com Guerra No Irã E Alta Do Petróleo - Gazeta Mercantil - Empresas
Empresas

Petroleiras somam perto de US$ 90 bilhões em resultados com guerra no Irã e alta do petróleo

As maiores companhias de petróleo do mundo atravessaram o segundo trimestre de 2026 com uma combinação de preços elevados do barril, restrições logísticas no Oriente Médio e margens...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

18:47:17
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

Fidcs - Gazeta Mercantil
Mercados

FIDCs já respondem por 37% das operações do mercado de capitais em 2026

Leia MaisDetails
Projeto Permite Deduzir Academia E Personal Trainer Do Imposto De Renda - Gazeta Mercantil
Economia

Projeto permite deduzir academia e personal trainer do Imposto de Renda

Leia MaisDetails
Pablo Marçal - Gazeta Mercantil
Política

Pablo Marçal corrige patrimônio no TSE: R$ 7,4 bilhões viram R$ 149,9 milhões

Leia MaisDetails
Michelle Pede Voto Para Flávio Em Palanque De Arruda E Embaralha Alianças No Df - Gazeta Mercantil
Política

Michelle pede voto para Flávio em palanque de Arruda e embaralha alianças no DF

Leia MaisDetails
Eleições 2026: Lula E Flávio Bolsonaro Somam 77% E Deixam Rivais Distantes - Gazeta Mercantil
Política

Eleições 2026: Lula e Flávio concentram 77% das intenções de voto entre 13 candidatos

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

FIDCs já respondem por 37% das operações do mercado de capitais em 2026

Projeto permite deduzir academia e personal trainer do Imposto de Renda

Pablo Marçal corrige patrimônio no TSE: R$ 7,4 bilhões viram R$ 149,9 milhões

Michelle pede voto para Flávio em palanque de Arruda e embaralha alianças no DF

Eleições 2026: Lula e Flávio concentram 77% das intenções de voto entre 13 candidatos

Governo volta a discutir tributação de LCI e LCA e reacende alerta sobre custo do crédito imobiliário

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP